sexta-feira, 12 de setembro de 2014

“Furacão Marina” aumenta riscos de investidores na renda fixa




“Furacão Marina” aumenta riscos de investidores na renda fixa

O furacão Marina Silva varreu não só o cenário da campanha eleitoral para a Presidência como também os mercados financeiros e a vida dos investidores. O Índice Bovespa disparou e voltou para os 60 mil pontos, enquanto o dólar e os juros dos títulos de renda fixa recuaram. Aumentaram também as oscilações das taxas, que flutuam fortemente de acordo com os dados de novas pesquisas. Petrobras, foco da especulação do mercado na bolsa, chega a subir mais de 5 pontos num dia e cair 5 em outro, comohoje.
Os papéis de longo prazo do Tesouro, corrigidos pela inflação, as NTN-B, voltaram para os níveis de agosto do ano passado. A taxa real (acima da inflação) da NTN-B Principal, papel vendido pelo Tesouro Direto com juros pagos no final, que vence em 2035, caiu de 6,06% ao ano em 13 de agosto, dia do acidente aéreo que matou Eduardo Campos, para 5,55% hoje. Na sexta-feira, o mesmo papel pagava 5,39%.
O maior movimento ocorreu da semana passada para cá, quando saíram as primeiras pesquisas mostrando Marina à frente de Dilma Rousseff, do PT, em um eventual segundo turno. As taxas estavam em 5,80% na segunda-feira, dia 25 de agosto, e recuaram até 5,28% na quarta-feira, dia 3 de setembro. Hoje, com boatos de que Marina estaria perdendo força, as taxas voltaram a subir e a bolsa a despencar.
No mercado futuro de juros, as projeções do contrato para 2021 caíram de 11,45% no dia 25 para 10,99% na sexta-feira e, hoje, voltaram a subir para 11,27%.
Surfando no furacão
Em meio a essas oscilações, o investidor ainda pode desfrutar dos ganhos da renda fixa correndo baixo risco, optando por aplicações corrigidas pelo juro diário, o CDI no caso dos papéis privados e a Selic nos títulos públicos (LFT e fundos DI), dizem os analistas.
André Moraes, analista-chefe da corretora Rico Investimentos, observa que a escolha vai depender um pouco do prazo que o investidor tem para aplicar. “Se for abaixo de 3 meses, pode ser melhor um CDB, que tem liquidez diária, apesar de pagar imposto de renda maior”, diz.
Acima de 3 meses e até um ou dois anos, já se tornam mais vantajosas aplicações em papéis isentos de imposto, as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Elas não têm liquidez diária, por isso é preciso estar seguro de que o dinheiro não vai ser necessário até o vencimento.
As LCI e LCI são emitidas por bancos de menor porte e, como os CDB, têm garantia do Fundo Garantidor de Credito (FGC) até R$ 250 mil por CPF.   “A partir de três meses e com R$ 5 mil já é possível comprar uma LCA ou uma LCI que pague 90% do CDI líquidos, que rende mais que a poupança”, afirma.
Em prazos maiores, de dois anos, por exemplo, esses papéis chegam a pagar 100% do CDI, isentos de imposto, o que é mais que o pago pela maioria dos fundos DI, por exemplo. “As taxas também podem ser melhores se o investidor tiver quantias mais altas para aplicar”, diz, sempre lembrando do teto de R$ 250 mil de garantia do FGC.
Prazos mais longos
Para prazos mais longos, mais de três anos, e preparando a aposentadoria, Moraes gosta das NTN-B Principal 2019 2024 e 2035 vendidas pelo Tesouro Direto, que pagam juros reais de mais de 5% ao ano. Ele lembra que o grande desafio em qualquer lugar do mundo para o investidor é superar a inflação. “Por isso o brasileiro é privilegiado, pode comprar papéis com 20, 25 anos de prazo que pagam inflação mais uma taxa real bastante atrativa”, diz.
Por seu prazo, os papéis também se beneficiam do imposto de renda mais baixo, de 15%. “Em 10 anos, não deveremos ter taxas reais tão altas assim”, diz. Mas ele recomenda o papel do tipo Principal. A NTN-B normal, que tem prazos até 2050, paga juros semestralmente, o que pode atrapalhar um pouco o investidor, que vai ter de reaplicar os recursos. A menos que a intensão seja essa mesmo, de ter uma renda mensal. Em algumas corretoras, é possível aplicar direto pelo site, sem sequer precisar falar com um operador.
Quem comprar esses papéis mais longos precisa estar preparado, porém, para oscilações fortes dos preços dos papéis, acompanhando as taxas de juros do mercado. Há as eleições até outubro e, depois, as mudanças a serem tomadas pelo novo presidente ou presidenta. E há ainda o cenário externo, com a retomada dos juros nos Estados Unidos.
Risco maior para o investidor
O mercado está vivendo um momento de fortes reavaliações de preços, o que aumenta o risco dos investidores, afirma Izak Benaderet, responsável pela gestão de fundos da Porto Seguro Asset Management. “Há muitas dúvidas pela frente, pelo processo eleitoral e pela incerteza sobre que tipo de política econômica será adotada no ano que vem”, diz.
Para o executivo, o forte movimento das últimas semanas reduziu a gordura das aplicações de renda fixa, especialmente as mais longas, e, diante de eleições em menos de 30 dias, o melhor para o investidor é ficar no curto prazo e nas aplicações de menor risco. “Juros longos, bolsa de valores e dólar são os mais sensíveis ao cenário político e devem ser os que oscilarão mais”, diz.
Algumas condições, porém, estão claras. A atividade fraca este ano e fraquejando também em 2015 é uma realidade, e a inflação deve seguir alta neste ano e no próximo, com a pressão já prevista dos preços administrados, como gasolina e energia, no ano que vem. E os Estados Unidos seguem “ganhando tração” para um crescimento mais sustentado, que pode significar alta nos juros lá e no resto do mundo.
Fatores para acompanhar
Para Benaderet, alguns grandes fatores devem determinar o comportamento dos mercados no médio prazo. Um deles é o câmbio, pois o real estaria sobrevalorizado diante do dólar levando-se em conta o déficit de contas externas do país, o que significa que a moeda americana poderá subir nos próximos meses.
Outro fator é a posição do novo governo. Benaderet diz que o mercado vê a possibilidade de uma mudança mais brusca para o lado ortodoxo, de ajuste das contas públicas e combate mais duro à inflação. “O próprio governo atual já indica uma posição mais simpática ao mercado, e mesmo com a reeleição (da presidente Dilma Rousseff, do PT), medidas mais ortodoxas podem ser adotadas”, diz.
O mesmo caminho seria tomado em caso de vitória da oposição. A diferença, diz Benaderet, seria a intensidade do ajuste. “Essas duas vertentes, de ajuste rápido ou lento, explicam o comportamento dos investimentos”, diz o executivo, lembrando que os juros futuros de 10 anos “afundaram” de 13% ao ano do começo do ano para 10,81% na semana passada, mesmo nível do CDI hoje. “ Muita coisa vai acontecer em 10 anos, mas as pessoas estavam aplicando por uma década, correndo os mais diversos riscos, para ter o mesmo rendimento do overnight”, diz.
Juros baixos nos próximos anos
Benaderet diz que vê bastante espaço para o governo reduzir os juros nos próximos anos. “O ministro da Fazenda, Guido Mantega, vem tentando passar essa mensagem, de que está agindo para tirar a pressão da política monetária ao destacar os esforços na parte fiscal”, afirma. Essa posição mais conservadora nas contas públicas permitiria reduzir os juros no longo prazo, o que explica a queda das taxas longas. Ao mesmo tempo, muitos investidores que estavam pessimistas estão correndo comprar esses papéis, apostando numa troca de governo, o que acentua a queda dos juros.
Com isso, a NTN-B longa, que chegou a pagar 7% reais ao ano além da inflação, caiu para 5,30% na semana passada e agora voltou para 5,55%. A inflação estimada pelo mercado nos papéis prefixados, por sua vez, passou de 6,30% no pior momento do começo deste ano para 5,30% agora, pela expectativa de melhora e de um choque de confiança.
Movimento pode ser passageiro
Para ele, o mercado entrou numa dinâmica muito positiva com relação aos cenários e aos preços dos ativos. “O difícil é saber se esse movimento é passageiro ou não”, diz. “Tudo depende do que vier com as eleições, que tipo de política vamos ter a partir de 2015”, diz.
Na dúvida, fique no curto prazo
Por conta dessa visão muito otimista do mercado, a Porto Seguro Investimentos resolveu reduzir as apostas e manter-se no menor prazo possível até as eleições. “Com os juros longos nesses níveis mais baixos, estamos mais em LFT e CDI (papéis que seguem o juro diário do mercado), pois acreditamos em mais uma alta dos juros no começo do ano que vem para combater a inflação”, diz. “”Estamos há muito tempo acima da meta, de 4,5% de inflação, e quem quer que seja o ganhador terá de ancorar novamente as expectativas, o que pode significar puxar os juros no começo do ano, e que seriam depois reduzidos ao longo de 2015”, diz.
Prêmio mais modesto
Para quem não está preocupado com as oscilações nos próximos dois anos e pode deixar o dinheiro aplicado por vários anos, Benaderet vê algum valor nas NTN-B Principal longas, mas muito menor que o registrado ao longo deste ano. “Não vemos tanto potencial de ganho, podemos até ter ganhos com quedas dos juros, mas volta a questão de que tipo de política econômica vai ser implementada no país a partir de 2015”, diz.
Se o novo governo confirmar as expectativas e vier com um discurso de ajuste fiscal mais forte, apesar da queda de arrecadação em um ano de economia fraca, é possível que os juros caiam mais ao longo de 2015.
Cenários eleitorais
Sobre os candidatos, Benaderet observa que, em caso de reeleição, a presidente Dilma deverá tentar algo diferente, talvez reforçando o ajuste fiscal para afrouxar os juros. Já a candidata Marina Silva, do PSB, também acena com o esforço para fazer a inflação voltar para a meta de 4,5%, o que seria mais alinhado com um cenário de alta nos juros no começo do ano.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

PSB OFICIALIZA CHAPA PRESIDENCIAL COM MARINA SILVA E


PSB oficializa chapa presidencial com Marina Silva e Beto Albuquerque


Decisão foi anunciada após reunião da cúpula do partido em Brasília.
Morte do presidenciável Eduardo Campos motivou escolha de nova chapa.

20/08/2014 20h06 - Atualizado em 30/08/2014 19h12

Priscilla Mendes e Filipe MatosoDo G1, em Brasília




Após reunir a Comissão Executiva Nacional do partido, o PSB anunciou na noite desta quarta-feira (20) a ex-senadora Marina Silva como candidata a presidente da República e o deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS) como candidato a vice.
O anúncio foi feito após a reunião, na sede do partido, em Brasília. Segundo Beto Albuquerque, a chapa recebeu aprovação unânime da executiva.  Com a decisão, a legenda tem até o próximo sábado (23) para registrar a nova chapa junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A mudança na cabeça de chapa é anunciada uma semana depois da morte do candidato Eduardo Campos em um acidente aéreo, em Santos (SP) – Marina Silva era a candidata a vice. Além do ex-governador de Pernambuco, morreram outras seis pessoas, dos quais dois pilotos e quatro assessores de campanha.
 Ao chegar à sede do PSB, por volta das 20h, Marina Silva afirmou que “deve”  responsabilidades ao partido, em razão do compromisso assumido no ano passado ao formar a chapa com Eduardo Campos.
"Aqui há um compromisso com as responsabilidades já assumidas, construídas ombro a ombro, noite e madrugadas adentro sob a liderança de Eduardo. Recebi de uma forma muito afetuosa uma carta que eu chamo de carta-inventário, onde o presidente Roberto Amaral me diz qual é o significado da luta, da trajetória desse partido e que agora juntos temos a responsabilidade de ajuda-lo a se erguer após a perda irreparável que sofreu", declarou Marina Silva, que ao final do discurso repetiu o bordão criado por Eduardo Campos: "Não vamos desistir do Brasil".
Albuquerque disse que ele e Marina não deixarão "pela metade" a herança política de Eduardo Campos. "Estou aqui para fazer o que o Eduardo me disse ao longo desses 20 anos. Ele que dizia que nunca podemos deixar nada pela metade. Eu e Marina estamos aqui porque não vamos deixar pela metade o legado de Eduardo", afirmou.

Para oficializar a chapa, o PSB promoveu um ato marcado por discurso emotivo de Marina, lido por cerca de 20 minutos. Em sua fala, ela reafrimou o compromisso com as propostas de Eduardo Campos e reforçou o discurso em favor da "nova política".
 
Somos irmãos de uma fraternidade criada em cima da ousadia de sair do roteiro da política tradicional para recriar, com novos elementos e novos métodos, o caminho de nossa luta pela justiça social, pelo desenvolvimento com sustentabilidade como único objetivo", disse Marina.
"Tivemos o atrevimento de propor, num país marcado pela política patrimonialista e destrutiva, uma prática de reconhecimento dos feitos e do valor alheio, de busca da convergência dos melhores, de coragem para fazer reformas continuamente adiadas, de abandono da cultura maléfica do poder pelo poder, substituindo-a pela gestão competente e transparente do Estado, pela noção de servir o Estado e a população e não servir-se dele", completou.
As conversas internas entre dirigentes do PSB e dos demais partidos da coligação Unidos pelo Brasil em torno do nome de Marina começaram na semana passada. A cúpula da legenda decidiu aguardar o sepultamento e as últimas homenagens a Campos para fazer o anúncio oficial da sua substituta, mas desde o último sábado (16) o nome da ex-senadora já é tido como certo.
Dirigentes pessebistas apontaram como "natural" a escolha de Marina Silva, que ficou em terceiro lugar na disputa presidencial de 2010 – atrás de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) –, com quase 20 milhões de votos ou 19% da preferência do eleitorado.
A escolha do candidato a vice-presidente, porém, não foi simples. A direção do PSB, partido que tinha preferência na indicação do candidato, queria encontrar um nome que fosse um quadro "orgânico" do partido, ou seja, que fosse filiado desde o início da sua trajetória política. Além disso, o candidato deveria ser da confiança da família Campos, especialmente da viúva Renata, e ter boa relação com Marina Silva.
A preocupação do partido em escolher um nome que tenha ligação estreita com Campos se deve ao fato de que Marina Silva não é considerada uma representante legítima do PSB, mas sim da Rede Sustentabilidade. Ela é uma das fundadoras da legenda que teve seu registro barrado pela Justiça Eleitoral e por isso não pôde lançar candidatos na eleição deste ano.

Além de Beto Albuquerque, outros socialistas foram apontados como possíveis candidatos a vice, entre os quais a própria viúva Renata Campos, considerada pelo presidente do PSB, Roberto Amaral, "a grande liderança" do partido atualmente. A ex-prefeita de São Paulo Luiz Erundina; o coordenador do programa de governo do PSB Maurício Rands; o ex-secretário do governo de Pernambuco Danilo Cabral e o ex-ministro Fernando Bezerra foram outros nomes cogitados entre os dirigentes.
A opção por Albuquerque, conforme adiantou o Blog do Camarotti nesta terça-feira (19), foi acordada entre o PSB e a família de Eduardo Campos, em razão de o deputado ser próximo a Marina e pessoa de confiança do ex-governador de Pernambuco. O nome, porém, sofreu resistência por parte da seção regional do partido em Pernambuco, que tinha preferência por um quadro cuja base eleitoral fosse o Nordeste.
A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na segunda (18) – a primeira após a morte de Campos –, apontou Marina Silva em segundo lugar na disputa pelo Palácio do Planalto com 21% das intenções de voto, empatada tecnicamente com o tucano Aécio Neves (20%) e atrás de Dilma Rousseff (36%). Em eventual segundo turno com a candidata petista, Marina teria 47% das intenções de voto, contra 43% de Dilma.
Marina Silva
A ex-senadora é conhecida por defender causas relacionadas à proteção do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. Marina Silva, assim como Eduardo Campos, chegou a ser ministra do governo Luiz Inácio Lula da Silva, ao chefiar a pasta do Meio Ambiente.
Nascida no Acre e filha de seringueiro, Marina diz publicamente que uns de seus principais mentores na vida política são o ex-presidente Lula e o ativista ambiental Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, que foi assassinado em 1988.
Em 2010, Marina Silva se candidatou ao Planalto pelo Partido Verde (PV) e obteve no primeiro turno 20% das intenções de voto. À época, disputaram o segundo turno Dilma Rousseff (PT) e o ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB).
Beto Albuquerque
Líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque está no seu quarto mandato consecutivo como deputado federal pelo partido. Gaúcho natural de Passo Fundo, o político já trabalhou para o governador petista Tarso Genro como secretário de Infraestrutura e Logística de 2010 a 2012.
Nas eleições de 2014, abriu mão de tentar a reeleição à Câmara dos Deputados para disputar uma vaga no Senado Federal e, segundo recente pesquisa eleitoral, estava em terceiro lugar na intenção de voto. A candidatura atendia a um pedido do partido, que apoia a candidatura do peemedebista José Ivo Sartori ao governo do Rio Grande do Sul.
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Por que o PSDB, agora, é a favor do Bolsa Família?


CONVERSA AFIADA - PAULO HENRIQUE AMORIM

Publicado em 31/10/2013

Por que o PSDB, agora,
é a favor do Bolsa Família?

A mulher do Cerra, a estadista chilena, chamou de “Bolsa Vagabundagem”…






Conversa Afiada reproduz divertido comentário do Fernando Brito sobre a charge do Bessinha … Esse Bessinha …

POR QUE O PSDB, AGORA, É A FAVOR DO BOLSA FAMÍLIA?


De José Antonio Lima, hoje, na CartaCapital:

Na quarta-feira 30, dia em que o Bolsa Família completou dez anos, o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, divulgou um projeto de lei inusitado. O tucano deseja tornar permanente o programa que, por anos, atacaram. A mudança de posição chama a atenção, mas não é uma surpresa completa. Ela vem sendo construída por meio de declarações há algum tempo, mas agora toma a forma de um ato político, cujo objetivo é tentar remodelar a imagem do PSDB às vésperas das eleições de 2014.

No primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PSDB se dedicou a deslegitimar o Bolsa Família. Tucanos de várias estirpes afirmavam, como revela uma busca simples no próprio site do partido, que o programa era “esmola governamental”, “esmola eleitoreira”, feito para “atingir as metas eleitorais do PT”, “assistencialismo simplista que não apresenta benefícios concretos”. Em editorial intitulado “Bolsa Esmola” e publicado em 13 de setembro de 2004, o PSDB afirmava que o programa “reduziu-se a um projeto assistencialista” e “resignou-se a um populismo rasteiro”.

Esse discurso criou dois grandes problemas para o PSDB.

O primeiro é dificultar, diante da consagração do programa, que o eleitor ligue o partido ao Bolsa Família. Teria sido fácil para o partido lembrar que o Bolsa Família teve início como uma junção de quatro programas do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso (Bolsa Escola, PNAA, Bolsa Alimentação e Auxílio-Gás) e que a ideia de unir os benefícios foi dada a Lula por um tucano, o governador de Goiás, Marconi Perillo. As críticas distanciaram o PSDB da origem do projeto. E abriram espaço para o PT assumir a paternidade e os dividendos eleitoras do programa a partir da sua ampliação e sofisticaçãoHoje o governo é premiado pela instituição do Bolsa Família, reconhecido mundialmente.

O segundo problema criado pelo discurso do PSDB foi atrair para sua base eleitoral alguns dos setores mais reacionários da sociedade brasileira, os Almeidinhassobre os quais escreve Matheus Pichonelli. Essa é uma fatia do eleitorado capaz de produzir furor nas redes sociais ao questionar o sufrágio universal, mas insignificante demais para eleger alguém a um cargo público. Como afirmou a ministra Tereza Campello a CartaCapital recentemente, não se discute mais quem é contra ou a favor do Bolsa Família.

Com Aécio Neves no comando, a cúpula do PSDB parece estar ciente de que o Bolsa Família é quase uma unanimidade. Muitos dos militantes do partido, entretanto, precisarão passar por uma reeducação. Em maio, na convenção que elegeu Aécio presidente do partido, o senador mineiro afirmou que o “DNA” do PSDB“está em todos os programas de transferência de renda”. Antes dele, porém, tucanos de menor expressão subiram ao palco para reclamar do “bolsa esmola”.

Leia a íntegra no site da Carta.

Por: Fernando Brito



Clique aqui para ler “Lula e o Bolsa: nenhuma estatística mede a dignidade !”

sábado, 5 de outubro de 2013

MARINA SE FILIA AO PSB




Marina se filia ao PSB, apoia a candidatura de Eduardo Campos, mas não diz se será sua vice

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  dgard Matsuki
Do UOL, em Brasília
05/10/201316h29 Atualizada 07/10/201309h18






Após ter o registro do partido Rede Sustentabilidade negado pelo TSE na última quinta-feira (3), a ex-senadora Marina Silva se filiou oficialmente ao PSB em cerimônia realizada neste sábado (5) em Brasília.
Durante apresentação, Marina afirmou dar total apoio à candidatura de Eduardo Campos à Presidência. Porém, ela não confirmou a informação de que seria vice do atual governador de Pernambuco nas eleições de 2014.

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O apoio de Marina ao presidenciável Campos fortalece a candidato do líder do PSB. Na última pesquisa Datafolha, a fundadora da Rede aparecia com intenção de voto de 26% do eleitorado enquanto Campos tinha apenas 8% das intenções de voto. Nesta mesma pesquisa, a presidente Dilma Rousseff aparecia com 35% dos votos, e Aécio Neves, 13%.
Durante a cerimônia de adesão ao PSB, Marina Silva afirmou ter aceito a "filiação simbólica" por contar com reconhecimento da Rede  como um partido legítimo por parte do PSB: "O PSB deu uma chancela que o TSE não quis dar para a Rede", afirmou.
Marina também afirmou que a adesão ao partido de Campos deve ser temporária. Brincando com a primeira letra do sobrenome do governador de Pernambuco, a fundadora da Rede apontou que a escolha do apoio à Campos seguiu um "Plano C".
"Muitas vezes me perguntavam se esse era um plano A ou B. Posso dizer que esse é um plano C. O plano C é o Eduardo Campos. Escolhemos por que ele sempre nos apoiou no começo. Tivemos uma carta de apoio dele já quando resolver criar a Rede", disse
Marina falou que as outras possibilidades após a negação do registro do Rede seriam "virar uma candidata da internet" ou "entrar em uma legenda de aluguel".
Ela disse que descartou a hipótese de não apoiar ninguém por ser melhor para a política. "Todo mundo ia curtir a Marina como candidata à internet. Se eu fosse a Madre Tereza da política, ia fazer o previsível. Mas não quis fazer isso", falou.
Ela disse que não aceitou o convite de outro partido para ser candidata para não repetir 2010, quando entrou no PV para disputar as eleições. 
"Quero agradecer a todos os partidos que ofereceram a vaga para mim. Mas não quis fazer como em 2010 no Partido Verde. Na época, fui com esperança, mas infelizmente o pragmatismo derrubou a esperança", afirmou, numa alusão à frase célebre de Lula, " a esperança venceu o medo".
Durante a cerimônia, que contou com integrantes da Rede e do PSB, Campos se disse surpreso com o "Plano C" de Marina e disse que, de certa forma, terá de repensar a plataforma da candidatura.
"Sinceramente, eu esperava a candidatura de Marina como presidente pela Rede pois achava que o TSE daria um maior prazo para ela colher as assinaturas que faltavam", afirmou.
Em relação à informação de que Marina integraria a chapa para 2014 como vice de Eduardo Campos, ambos desconversaram. Marina falou que tudo depende de uma decisão da Rede.
"Eu não sou uma militante do PSB, eu sou uma militante da Rede e ela ainda não fez essa discussão", disse Marina.

A filiação de Marina Silva ao PSB oferece uma terceira via às eleições de 2014?

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Resultado parcial
Já Campos disse que a decisão deve vir com o tempo: "A própria Marina disse que as decisões para 2014 devem ser feitos em 2014. Concordo com ela".
Marina também falou que os integrantes da Rede terão liberdade de apoiar os partidos que desejarem nas eleições estaduais. "Assim como em 2010, vamos dar a liberdade para a Rede apoiar quem quiser nos estados. Na minha última candidatura cheguei a apoiar o PT em alguns estados e o PSB em outros", disse. 
Além de Marina, o deputado Walter Feldman (SP), Pedro Ivo de Souza Batista (um dos coordenadores da Rede no DF) e o deputado Alfredo Sirkis (RJ) também assinaram a filiação oficial ao PSB. 



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Política
Eleições 2014
Marina Silva diz que Campos é o candidato do PSB à Presidência
Ex-senadora se filia ao partido e afirma não querer ficar marcada como "aquela" que "foi atrás de uma sigla de aluguel"
por Redação — publicado 05/10/2013 18:06, última modificação 05/10/2013 18:31
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Marina Silva se filia ao PSB e abre mão da candidatura à Presidência
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A ex-senadora Marina Silva se filiou neste sábado 5 ao PSB para poder disputar as eleições do próximo ano, pois o Superior Tribunal Eleitoral (TSE) negou o registro de seu partido, a RedeSustentabilidade. Em uma entrevista coletiva em Brasília, ela disse, no entanto, que Eduardo Campos, governador de Pernambuco, é o candidato do partido na disputa pela Presidência.
Marina não disse qual posto disputará em 2014, masCartaCapital apurou que ela deve assumir o lugar de vice na chapa do PSB. "O PSB já tem candidato, e ele é Eduardo Campos. Não posso chegar a falar: 'com licença Eduardo, mas quero ser candidata à Presidência'", afirmou. "Não estamos pensado em um projeto de poder ou num projeto político resumido às eleições, mas em uma agenda estratégica para o Brasil, um compromisso de uma governabilidade programática."
A ex-senadora destacou ainda que precisou "assumir posição" ao não escolher "o caminho mais fácil e previsível, oferecido por outros partidos" que lhe propuseram a candidatura própria, entre eles o PPS. "Não poderia trocar de partido para uma candidatura, já fiz isso em 2010 com o PV, e infelizmente não deu certo", disse. "Não queria ficar carimbada como aquela que tentou criar um partido, foi abatida na pista e foi atrás de uma sigla de aluguel. Ou virar uma Madre Tereza de Calcutá da política e ficar resguardada de tudo."
Eduardo Campos disse que Marina "deu uma aula de política e cidadania com um ato que só quem não pensa de forma tradicional poderia enxergar". "Não é o caminho mais fácil, mas é o que mais contribui para que o Brasil mude e possamos encerrar a velha política."
Segundo Marina, a aliança com o PSB é "coerente" porque o partido "tem uma luta na defesa bandeiras históricas" comuns à Rede, mas não negou as diferenças entre as legendas. Para ela, o acordo é "programático" e legitima a Rede como um partido, permitindo que o PSB assuma o compromisso de adotar as principais diretrizes da Rede e aprofundar os seus programas pelo Brasil.
A ex-senadora afirmou ainda que a decisão do TSE foi um "aviltamento da democracia" e criou "o primeiro partido clandestino após a democracia" no Brasil, forçando-a a se filiar a outro partido. Três membros da Rede também se filiaram ao PSB, entre eles o deputado Alfredo Syrkis, que estava no PV.
registrado em: PSB Marina Silva Eduardo Campos
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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

TSE BARRA PARTIDO DE MARINA SILVA




G1  
03/10/2013 21h46 - Atualizado em 04/10/2013 00h06
Por 6 a 1, TSE barra partido de Marina Silva nas eleições de 2014
Para ministros da Corte eleitoral, Rede não comprovou apoio mínimo.
Sigla poderá juntar mais assinaturas, mas para concorrer somente em 2016.
Por seis votos a um, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta quinta-feira (3)  não conceder registro ao partido Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva, por falta de assinaturas de apoio necessárias para a criação da legenda. Com isso, o partido não poderá participar das eleições de 2014.
O único ministro a votar a favor da criação do partido foi  Gilmar Mendes. Os outros seis votaram contra (Laurita Vaz, João Otávio de Noronha, Henrique Neves, Luciana Lóssio e Marco Aurélio Mello e Cármen Lúcia).
Segundo o TSE, Marina comprovou apoio de 442 mil eleitores em assinaturas validadas pelos cartórios eleitorais, mas a lei exige 492 mil, o equivalente a 0,5% dos votos dados para os deputados federais nas últimas eleições.

Após o julgamento, ainda no plenário do TSE, Marina Silva se dirigiu aos apoiadores da Rede: "Ainda somos um partido. Não temos registro, mas temos o mais importante: temos ética. Vamos ficar mais fortes." Ela deve decidir nesta sexta eventual recurso contra a decisão do TSE e se vai se candidatar por outra legenda em 2014.
O tribunal converteu o pedido de criação da legenda em "diligência", o que permite que Marina apresente mais assinaturas. No entanto, como o prazo para concessão de registro termina no sábado (5) e até lá não haverá nova sessão da Corte eleitoral, o partido não poderá participar da disputa de 2014.
Partido não é criado para concorrer a um pleito apenas. Partidos se destinam à formação da vontade política. O Ministério Público faz votos para que isso seja conquistado, fortalecendo a democracia."
Eugênio Aragão, vice-procurador-geral eleitoral
Marina ainda pode se filiar a um outro partido até sábado caso queira participar da disputa presidencial - segundo a última pesquisa Ibope, Marina estava em segundo lugar nas intenções de voto. Ela acompanha o julgamento da primeira fileira ao lado do advogado Torquato Jardim e apoiadores da Rede.
A senadora queria que o TSE validasse 95 mil assinaturas de apoio que foram rejeitadas pelos cartórios eleitorais. Ela argumentou que os cartórios rejeitaram sem motivo assinaturas de jovens e idosos, cuja participação em eleições anteriores foi facultativa. A maioria dos ministros do tribunal, no entanto, entendeu que os cartórios têm autonomia para verificar se a ficha de apoio apresentou os requisitos ou não para ser validada.



A ex-senadora Marina Silva no plenário do TSE antes do início da sessão que analisou o registro da Rede (Foto: Andre Dusek/Estadão Conteúdo)




03/10/2013 22h20 - Atualizado em 04/10/2013 00h03

Marina diz que reunirá Rede nesta sexta para definição sobre 2014

Por 6 a 1, Justiça Eleitoral não autorizou sigla a disputar eleições em 2014.
Faltou número mínimo de assinaturas de apoio, partido culpou cartórios.

Após ver o registro da Rede Sustentabilidade negado pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral, a ex-senadora Marina Silva deixou em aberto a possibilidade de disputar a eleição presidencial de 2014 por outro partido. Para participar do pleito, ela deve se filiar a outra legenda até o próximo sábado (5).
"O plano A já é vitorioso, amanhã vou dar uma coletiva para vocês para dizer qual é o meu posicionamento. Eu não discuti nada de planos outros com ninguém", afirmou.
Indagada diversas vezes por jornalistas sobre se ela cogitava migrar para outra legenda a tempo de concorrer ao Palácio do Planalto, Marina não negou, porém, disse que irá responder à pergunta somente após se reunir com os apoiadores da Rede, entre eles diversos parlamentares.
Apontada pelas pesquisas como segunda colocada nas intenções de voto, Marina disse que irá chamar a imprensa ainda nesta sexta para anunciar seu futuro político. Após a decisão desfavorável do TSE, a ex-senadora mudou o discurso anterior, que descartava um plano B.
Por seis votos a um, o tibunal decidiu nesta quinta-feira (3)  não conceder registro ao partido Rede Sustentabilidade por falta do mínimo de assinaturas de apoio necessárias para a criação da legenda. Assim que a presidente do TSE, Cármem Lúcia, proclamou o resultado, a ex-senadora fez questão de abraçar cada um dos parlamentares que a apoiaram.