sexta-feira, 14 de novembro de 2014

EX-DIRETOR DA PETROBRAS E 3 PRESIDENTES DE EMPREITEIRAS SÃO PRESOS




REDAÇÃO
14 Novembro 2014 | 12:46
Operação Juízo Final, sétima etapa da Lava Jato, mirou grandes empresas e bloqueou ainda R$ 720 milhões dos investigados


http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/lava-jato-cumpre-mandados-de-prisao-veja-quem-sao/

EX-DIRETOR D PETROBRAS E 3 PRESIDENTE DE EMPREITEIRAS SÃO PRESOS; VEJA A LISTA

Fausto Macedo e Ricardo Brandt



Executivos presos deixam a sede da PF em São Paulo em van. Grupo segue para Curitiba. Foto: Daniel Teixeira/Estadão


São Paulo – Em nova fase da Operação Lava Jato, denominada Juízo Final, a Polícia Federal decretou a prisão nesta sexta-feira, 14, do ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque além de quatro presidentes de grandes empreiteiras do País, dos quais três já estão presos. Ao todo foram decretados seis mandados de prisão preventiva, 19 de prisão temporária e nove de condução coercitiva de pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões.
Deste total, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 14 de prisão temporária. Foram presos os presidentes das empresas OAS,  Queiroz Galvão e UTC. A PF também realizou buscas e apreensão em sete das maiores empreiteiras do País, apontadas como o braço financeiro de um esquema de corrupção na estatal.
A Justiça decretou ainda o bloqueio de cerca de R$ 720 milhões em bens pertencentes a 36 investigados. Três empresas de um dos operadores do esquema tiveram suas contas bloqueadas. Em entrevista coletiva concedida no final desta manhã, a PF informou que os sete grupos investigados mantêm contratos estimados em R$ 59 bilhões com a Petrobrás. Os ativos das empresas não foram bloqueados, apenas os de seus executivos até o limite de R$ 20 milhões por pessoa.
De acordo com as investigações, as empreiteiras repassavam propina a agentes públicos para conseguir contratos na petroleira. Duque seria o interlocutor do PT na Petrobrás. A diretoria de Serviços, comandada por ele entre 2003 e 2012, repassaria porcentuais dos contratos assinados para o partido. Em documento recente elaborado pela própria Petrobrás, a estatal apontou que a diretoria coordenada por Duque foi a responsável pelas 12 licitações da obra da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
VEJA A LISTA DE TODOS OS EXECUTIVOS CITADOS NOS MANDADOS DESTA SEXTA-FEIRA
Prisão preventiva: 
1. Eduardo Hermelino Leite (empresa Camargo Correa), alcunha ‘Leitoso’, Diretor Vice-Presidente da Camargo Correa S.A., São Paulo, SP
2. JOSÉ RICARDO NOGUEIRA BREGHIROLLI (empresa OAS), funcionário da Construtora OAS em São Paulo, SP
3. AGENOR FRANKLIN MAGALHAES MEDEIROS (empresa OAS), Diretor-Presidente da Área Internacional da Construtora OAS S.A, São Paulo/SP
4. SERGIO CUNHA MENDES (empresa Mendes Junior), Diretor Vice-Presidente Executivo da Mendes Júnior Trading Engenharia S/A, Brasília-DF
5. GERSON DE MELLO ALMADA (empresa Engevix), Vice-Presidente da Engevix Engenharia S.A., São Paulo/SP
6. ERTON MEDEIROS FONSECA (empresa Galvão), Diretor Presidente da Divisão de Engenharia Industrial da empresa Galvão Engenharia S.A., São Paulo/SP
Prisão temporária:
1. JOÃO RICARDO AULER (empresa Camargo Correa), Presidente do Conselho de Administração da Construções e Comércio Camargo Correa S.A, São Paulo/SP.
2. MATEUS COUTINHO DE SÁ OLIVEIRA (empresa OAS), São Paulo/SP.
3. ALEXANDRE PORTELA BARBOSA (empresa OAS), Advogado da Construtora OAS, São Paulo/SP
4. EDNALDO ALVES DA SILVA (empresa UTC), São Paulo/SP,
5. CARLOS EDUARDO STRAUCH ALBERO (empresa Engevix), Diretor Técnico da Engevix Engenharia S/A, Osasco/SP
6. NEWTON PRADO JUNIOR (empresa Engevix), Diretor Técnico da Engevix Engenharia S/A, Santos/SP
7. Dalton dos Santos Avancini (empresa Camargo Corrêa), Diretor-Presidente da Camargo Corrêa Construções e Participações S.A., São Paulo, SP
8. OTTO GARRIDO SPARENBERG (empresa IESA), Diretor de Operações da IESA ÓLEO & GÁS S.A., Rio de Janeiro/RJ
9. VALDIR LIMA CARREIRO (empresa IESA), Diretor Presidente da IESA ÓLEO & GÁS S.A., Pinhais/PR
10. JAYME ALVES DE OLIVEIRA FILHO, Rio de Janeiro/RJ,
11. ADARICO NEGROMONTE FILHO, São Paulo/SP,
12. JOSÉ ALDEMÁRIO PINHEIRO FILHO (empresa OAS), presidente da OAS, São Paulo/SP
13. RICARDO RIBEIRO PESSOA (empresa UTC), presidente da UTC Participações S.A., São Paulo/SP
14. WALMIR PINHEIRO SANTANA (empresa UTC), responsável pela UTC Participações S.A., São Paulo/SP
15. CARLOS ALBERTO DA COSTA SILVA, São Paulo/SP (endereço comercial),
16. OTHON ZANOIDE DE MORAES FILHO (empresa Queiroz Galvão), Diretor-geral de desenvolvimento comercial da Vital Engenharia, empresa do Grupo Queiroz Galvão, Rio de Janeiro/RJ,
17. ILDEFONSO COLARES FILHO (empresa Queiroz Galvão), Diretor-Presidente da Construtora Queiroz Galvão S.A, Rio de Janeiro/RJ
18. RENATO DE SOUZA DUQUE, Rio de Janeiro/RJ,
19. FERNANDO ANTONIO FALCÃO SOARES, vulgo ‘Fernando Baiano’, Rio de Janeiro/RJ
16 investigados que sofreram bloqueios bancários:
1) Eduardo Hermelino Leite
2) Dalton dos Santos Avancini
3) João Ricardo Auler
4) José Ricardo Nogueira Breghirolli
5) José Aldemário Pinheiro Filho
6) Agenor Franklin Magalhaes Medeiros
7) Ricardo Ribeiro Pessoa
8) Walmir Pinheiro Santana
9) Sérgio Cunha Mendes
10) Gerson de Mello Almada
11) Othon Zanoide de Moraes Filho
12) Ildefonso Colares Filho
13) Valdir Lima Carreiro
14) Erton Medeiros Fonseca
15) Fernando Antonio Falcão Soares
16) Renato de Souza Duque
Condução coercitiva:
1) Edmundo Trujillo, engenheiro, diretor do Consórcio Nacional Camargo Correa
2) Pedro Morollo Junior, engenheiro civil, OAS
3) Fernando Augusto Stremel Andrade, engenheiro civil, OAS
4) Angelo Alves Mendes, engenheiro civil, diretor vice-presidente da Mendes Júnior Trading e Engenharia S.A
5) Rogério Cunha de Olliveira, engenheiro eletricista, diretor da Área de Óleo e Gás -(ANOG) da Mendes Júnior Trading e Engenharia
6) , Flávio Motta Pinheiro, economista, diretor Administrativo e Financeiro da MENDESPREV – Sociedade Previdenciária
7) Cristiano Kok, presidente da Engevix Engenharia S/A.
8) Marice Correa de Lima, cunhada do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto
9) Luiz Roberto Pereira
COM A PALAVRA, A DEFESA:
Abaixo, as notas divulgadas pelas empreiteiras sobre as prisões desta sexta, a Galvão Engenharia não retornou os contatos da reportagem
“A OAS informa que foram prestados todos os esclarecimentos solicitados e dado acesso às informações e documentos requeridos pela Polícia Federal, em visita à sua sede em São Paulo. A empresa está à inteira disposição das autoridades e vai continuar colaborando no que for necessário para as investigações.”
“A Queiroz Galvão reitera que todas as suas atividades e contratos seguem rigorosamente a legislação em vigor e está à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos necessários.”
“A Polícia Federal esteve hoje (14/11) no escritório da Odebrecht no Rio de Janeiro para cumprimento de mandado de busca e apreensão de documentos, expedido no âmbito das investigações sobre supostos crimes cometidos por ex-diretor da Petrobras. A equipe foi recebida na empresa e obteve todo o auxílio para acessar qualquer documento ou informação buscada.
A Odebrecht reafirma que está inteiramente à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sempre que necessário.”
“A UTC colabora desde o início das investigações e continuará à disposição das autoridades para prestar as informações necessárias.”
O criminalista Fábio Semantob Tofic, que representa a Engevix, chamou de “presunções absurdas e genéricas os fundamentos da ordem de prisão” dos executivos. “Coloca-se todos os investigados na mesma vala comum, sem especificar a situação de cada qual, quando diz que pode haver ameaças à testemunha ou que os investigados podem deixar o país. Estão colocando todos numa mesma situação, mas a situação de um é diferente da situação do outro.”
Para Tofic, “se as empresas quisessem obstruir as investigações teriam feito isso nos últimos seis ou sete meses”.
“É uma investigação pública e não se apresenta um único elemento que tenha contribuído para atrapalhar essa apuração”, observa Tofic.
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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O ciclo político mudou. E a esquerda, olímpica? CARTA MAIOR - 05/11/2014


05/11/2014 00:00 - Copyleft

O ciclo político mudou. E a esquerda, olímpica?

O que pretende o conservadorismo é não dar tempo ao Brasil para conversar e repactuar o seu futuro. Qual é a disposição progressista para se unir e avançar?

por: Saul Leblon 

Geraldo Magela / Agência Senado
A história não bate à porta, nem reserva espaço na agenda das nações. 
 
Independente da moderação progressista nos últimos 12 anos, as grandes questões do poder de classe estão de volta à cena política brasileira. 
 
Sempre estiveram presentes. 
 
Mas a trégua propiciada pela fartura do ciclo recente de alta das commodities tingia de pardo todos os gatos.
 
O governo progressista não errou em aproveitar a relação de trocas favorável dos últimos anos para ativar políticas e investimentos que mudaram a fronteira da produção e do consumo.
 
A narrativa conservadora sempre desdenhou da dinâmica vigorosa embutida nesse degelo social. Mas o fato é que se criou uma gigantesca dissonância à receita de um Brasil pensado para 30% da população. 
 
Ela impôs a quarta, exasperante e sucessiva derrota presidencial ao conservadorismo em 26 de outubro.
 
Não é pouco. 
 
Reconhecer os novos aceleradores sociais do desenvolvimento não implica negar os gargalos prevalecentes e outros adicionados pela longa crise capitalista que agora desafia a resistência brasileira à restauração neoliberal no mundo.
 
Ambos são reais. 
 
Mas a coexistência de um Brasil urgente, vital e encorajador com uma estrutura de comunicação anacrônica, monopolista e golpista desequilibra e constrange as vozes que precisam ser ouvidas nessa encruzilhada da história.
 
A travessia não se completará de forma emancipadora se a mídia persistir como um poder ubíquo, dotado de meios hegemônicos e recursos leoninos para mediar a conversa do Brasil com ele mesmo.
 
A distorção não ocorre por acaso.
 
O monocromatismo dos tempos de bonança iludiu alguns e desarmou outros. 
 
O que era conjuntural foi adotado como perene e desdobrado em leniência organizativa, política e midiática.
 
Corações e mentes foram atrofiados para o embate que um dia afrontaria violentamente a mutação social em curso
 
O dia chegou.
Não porque as pupilas dilatadas de Aécio sejam mais carismáticas que a morbidez facial de Serra. Não porque Alckmin tenha adicionado algo a sua empatia de azulejo branco de banheiro. 
 
Eles são o que sempre foram. 
 
Estão onde sempre estiveram.
 
A diferença que enseja a crispação nas ruas, nas manchetes e no parlamento reflete o esgotamento de um ciclo econômico, e a vitória progressista no primeiro round de definição do próximo. 
 
O que eles pretendem?
 
Não dar tempo ao Brasil para conversar sobre o seu presente e repactuar o seu futuro.
 
Assim: transformando o segundo mandato de Dilma em um frango desossado da Sadia, servido em pedaços inversamente proporcionais à métrica das urnas.
 
O peito farto, por favor, ali aos senhores rentistas.
 
Coxa e sobrecoxa suculentas a quem não aguenta mais pagar o ‘custo Brasil’; inclua-se no intolerável o salário mínimo das domésticas.
 
Ao povaréu genericamente classificado de ‘nordestino-dependente’, que como tal votou no provedor, cumpre lambiscar a carne de pescoço.
 
Em vão o TSE notifica o açougue de cortes finos com os números de um país marmorizado por conflitos mais complexos do que o mapa ‘geográfico/cultural’ retalhado no cepo de Higienópolis.
 
Os números oficiais mostram uma votação em Dilma mais equilibrada nacionalmente do que aquela atribuída ao rival conservador. 
 
Fatos.
 
No Sul e no Sudeste ‘ricos’, o tucano Aécio Neves teve uma supremacia contabilizada em 35,5 milhões de votos. 
 
Mas, para a surpresa dos analistas de bico longo, Dilma somou nas duas regiões 26,6 milhões de eleitores. Gente ‘bem informada’ que dobrou a aposta na democracia social que se tenta construir no país.
 
Receptividade equivalente não teve o candidato dos mercados no Nordeste: num reduto onde Dilma enfileirou 20 milhões de votos, Aécio arregimentou oito milhões de adesões; não venceu em nenhum estado. 
 
Dilma, ao contrário, ganhou no Rio de Janeiro e Minas, que como se sabe pertencem ao Brasil ‘fino e ilustrado’. No berço político do rival mineiro o fez com certa ênfase pedagógica: abriu cinco pontos de vantagem, ganhou em 71% dos municípios, em 8 das 12 regiões econômicas e impôs ao tucano a perda do governo do estado para o PT.  Sem requerer o esforço de um segundo turno.
 
Portanto, se a dinâmica macroeconômica esgotou a fase alegre dos consensos, a verdade é que o aguçamento dos conflitos que se prenuncia obedece a uma lógica cada vez mais transversal à geografia.
 
Ao jogral do Brasil aos cacos não apetece a contabilidade nua e crua de um conflito entre privilegiados e aspirantes à cidadania pena.
 
Sua preferência é engessar o novo mandato de Dilma para que o próprio  governo cumpra a profecia da rejeição nacional desmentida pelas urnas.
 
Que fazer? 
 
Transformar a Dilma ‘gerentona’  em um Obama cool, afogado em tibieza e concessões até ser eviscerado nas urnas, como o democrata o foi nesta 4ª feira?
 
Ou aceitar o jogo de um confronto exclamativo –sem contrapartida crível na melhoria da vida cotidiana-- que  entregará de bandeja a classe média e o empresariado ao palanque do desgoverno e da volta da ordem?
 
Não há receitas a seguir. 
 
A história de cada povo não é um artigo exportável.
 
Uma nação é um futuro em aberto revestido das suas circunstancias.
 
Quem ergue as pontes entre uma margem e outra é o poder e o consentimento adquiridos no xadrez da correlação de forças.
 
Conflitos latejantes como os vividos no país não constituem exceção. São eles que movem a história.
 
É importante aprender com ela.
 
Mais que aconselhável: é imperativo não ignorar suas lições.
 
Na história recente latino-americana não há episódio mais dilacerante e pedagógico de tentativa de construção de uma democracia social do que aquele que culminou com o golpe de Estado contra Salvador Allende, no Chile de 1973.
 
Repita-se: a história do Brasil não é a do Chile; Dilma não é Allende; 2014 não é 1973; o PSDB não é a Democracia Cristã. O PT não é e não pensa como o Partido Socialista chileno dos anos 70.
 
Mas referências que se imaginavam calcificadas para sempre ecoam de novo sua pertinência como um pontão avançado do futuro que nos desafia.
 
Hesitar diante desse debate significa endossar uma interdição histórica que tornará ornamental a bandeira da construção de uma verdadeira democracia social no país.
 
Se a escolha não for pela resignação é preciso dar consequência a ela.
 
A mais urgente passeia aos nossos olhos.
 
Ao transbordar de forma beligerante da derrota eleitoral para as ruas e a mídia, a ofensiva conservadora evidenciou a inexistência de uma base popular minimamente organizada para defender não apenas os avanços e conquistas dos últimos anos, como o próprio resultado das urnas.
 
‘Não endossamos os que defendem a volta dos militares’, dizem pavões tucanos; ‘mas queremos recontagem de votos e sufocaremos mandato de Dilma entre o denuncismo midiático, a especulação financeira e o impeachment político’.
 
Um golpe não começa na véspera. 
 
Seu preâmbulo pode durar meses, anos.
 
Das refregas colhidas em diferentes tentativas de se transitar para uma sociedade mais justa na América Latina, o massacre da experiência democrática chilena reúne essa dupla chave para refletir sobre os dias que correm no Brasil: assimetria entre organização política e transformações econômicas; e negligência diante dos sinais emitidos pela crispação conservadora.
 
O custo é sabido.
 
Em 11 de setembro de 1973, o então comandante das Forças Armadas do Chile, general Augusto Pinochet, calafetou as duas lacunas a ferro e fogo.
 
Desde então a construção da democracia social na América Latina passou a figurar no discurso progressista como a margem distante de um rio desprovido de pontes e embarcações de acesso. 
 
A transição deixou de ser obra coletiva organizada para se tornar um apanágio da correnteza do mercado.
 
Muitos, durante muito tempo, dentro e fora do PT, consideraram essa como uma ‘não-questão’; que tudo se resolveria no piloto automático do economicismo, com avanços incrementais que se propagariam mecanicamente pela correlação de forças da sociedade.
 
Pode ser parcialmente verdade em tempos de céu de brigadeiro na economia.
 
Mas não é mais assim e não será assim no segundo governo Dilma. A longa convalescença da crise mundial não aponta para um alvorecer promissor a curto prazo. 
 
Qual é a disposição progressista para se unir, resistir à fritura e avançar?
 
Não se discute aqui a composição imediata do governo Dilma, que certamente fará concessões graúdas na tentativa de obter algum chão firme que lhe devolva o poder de iniciativa nos dias que correm.
 
O que se discute é a capacidade progressista de se reinventar na disputa pela hegemonia mais ampla.
Em 2018. E mais além.
 
O que a experiência chilena pode acrescentar a essa reflexão? 
 
O governo da Frente Popular de Allende ensejou certa prostração no Estado e na sociedade diante da inércia organizativa em relação a interesses que nunca toleraram o seu projeto vitorioso nas urnas.
 
Allende era o presidente de um governo minoritário no Congresso e na Câmara. 
 
Um governo invariavelmente apunhalado por um centro democrata-cristão, que no limite não hesitou em se aliar à extrema direita do Partido Nacional para pregar os derradeiros pregos no caixão da legalidade e da democracia. 
 
Allende endossou no seu cálculo político dois mitos fatais: a crença na propalada solidez de 100 anos de democracia congressual chilena e na decantada postura profissional do Exército do país. 
 
Foi fiel as suas ilusões. 
 
Desestimulou e proibiu a organização operária de autodefesa. Prestigiou e nomeou para o ministério generais "profissionais" - um deles, Augusto Pinochet. Sujeitou-se ao desgaste do jogo parlamentar demitindo ministros e desautorizando iniciativas sob exigência do Congresso.
 
Hoje é fácil enxergar os erros e lacunas do processo chileno 
 
Terá o campo progressista brasileiro a mesma argúcia para se livrar dos seus erros e omissões em tempo de a experiência em curso figurar um dia como alternativa de transição para uma sociedade mais justa na América Latina?
Depende um pouco daquilo que Carlos Altamirano, ex-secretário-geral do Partido Socialista chileno, disse em autocrítica curta e grossa: ‘Faltou à Unidade Popular a capacidade de prever e alterar as formas de luta quando isto se tornou necessário (...) Por exclusiva vontade das classes dominantes, a confrontação devia produzir-se em algum momento do itinerário’.
Leia a seguir trechos de uma cirúrgica retrospectiva do processo chileno produzida pelo historiador marxista, Augusto César Buonicore: 
 
O candidato da Unidade Popular (UP), médico Salvador Allende, venceu as eleições presidenciais chilenas de 4 de setembro de 1970 por uma margem bastante apertada. Ele obteve 36,6% dos votos, Jorge Alessandri do Partido Nacional (direita) 34,8% e Radomiro Tomic, da Democracia Cristã, 27%. Uma multidão tomou as ruas de Santiago.
 
A guerra ainda não havia sido ganha. Como nenhum dos candidatos obteve maioria absoluta cabia ao Congresso Nacional, no qual a UP era minoria, confirmar o vencedor. Começou, assim, uma intensa pressão da burguesia sobre os parlamentares democrata-cristãos para que não aceitassem o resultado das urnas.
 
(A tensão foi vitaminada por uma série de atentados). O próprio adido militar dos Estados Unidos entregou três metralhadoras a oficiais golpistas que assassinariam o general Schneider (legalista) no dia 25 de outubro.
 
O fato ocorreu poucas horas antes da votação no Congresso que deveria homologar o nome de Allende. A CIA exultou: “a 24 horas da reunião do Parlamento, um clima de golpe existe no Chile (…)
 
O atentado contra Schneider produziria efeito inverso. O país ficou consternado e o resultado acabou sendo desfavorável às forças de direita. A ala democrática da Democracia Cristã venceu e, em 24 de outubro, o congresso acabou reconhecendo a vitória de Allende. 
 
Em troca, porém, exigiu a aprovação do Estatuto de Garantias Constitucionais pelo qual o novo governo socialista ficava proibido de mexer nos meios de comunicação privados, na educação e nas Forças Armadas. Um acordo que o novo governo Allende cumpriria religiosamente nos seus mil dias conturbados.
 
A esquerda havia conquistado o governo mas não o poder: os poderes legislativo e judiciário continuavam firmes nas mãos de representantes da burguesia. A subestimação deste dado da realidade criou perigosas ilusões no seio das forças socialistas chilenas.
 
Medidas econômicas e sociais adotadas logo no início do governo socialista levaram a um aumento de 12% na produção industrial; o PIB cresceu 8,3%, índice inédito até então. O desemprego caiu e houve um processo rápido de recuperação salarial. A participação dos assalariados na renda nacional subiu de 53% para 61%. A CUT foi legalizada e passou de 700 mil para 1 milhão de filiados.
 
Todas as crianças chilenas passaram a ter o direito a meio litro de leite por dia. O médico Salvador Allende ampliou drasticamente os serviços médicos e escolares. As medidas levaram a uma redução significativa da mortalidade infantil e dos níveis de analfabetismo. 
 
Em abril de 1971, a UP teve mais uma estrondosa vitória nas eleições municipais. Ela conseguiu 50,2% dos votos enquanto a DC atingiu 27% e o PN (a extrema direita) apenas 20%. A votação refletiu um deslocamento para esquerda e reforçou a tese sobre a possibilidade de um “via chilena para o socialismo”. 
 
(Durou pouco). Em outubro de 1972 eclodiu uma greve dos caminhoneiros, seguida por uma greve no comércio, nos transportes urbanos, nos hospitais particulares etc. Era uma greve insurrecional da burguesia. Mais de trezentas mil cabeças de gado foram contrabandeadas e dez milhões de litros de leite atirados nos rios para que não chegassem às crianças pobres. A terra não foi semeada; a produção de alimentos caiu catastroficamente.
 
Em pouco tempo começou a faltar alimentos nas grandes cidades. Proliferou o mercado negro que disparou o processo inflacionário. 
 
O crescimento do PIB caiu para 5% em 1972. A situação econômica ficaria mais grave em 1973. 
 
Um setor importante das classes médias veio a engrossar o movimento oposicionista ao governo Allende. Seu padrão de vida significativamente superior ao das grandes massas empobrecidas da cidade e do campo (e) consideravelmente maior que nos países capitalistas avançados (dificultava) uma aliança objetiva com o proletariado.
 
(era como se a burguesia sussurrasse ao seu ouvido) ‘Cuidado! Nós somos os primeiros, mas depois virão vocês (…). Hoje expropriam as grandes empresas, mas terminarão por estatizar até os pequenos negócios ‘.
 
Mesmo assim, nas eleições parlamentares de março de 1973, a UP conquistou 44% dos votos e se consolidou como principal organização política do Chile. O aumento do número de parlamentares progressistas inviabilizou o golpe branco, parlamentar, para destituir Allende. 
 
(começou então) o crescimento da violência promovida pela extrema-direita. Em fevereiro de 1972 o alto comando militar já havia desbaratado um plano para assassinar Allende. Em 26 de julho de 1973 o próprio comandante Arturo Araya, adido naval do presidente, foi morto num atentado. Nos últimos meses do governo Allende a direita cometeu, em média, 21 atos terroristas por dia.
 
Os acontecimentos se sucederam num ritmo que atropelou a própria esquerda. Em maio de 1973, setores militares já haviam decidido o golpe. Para ajudar no clima de desestabilização, os empresários patrocinaram uma greve no transporte urbano. Em resposta, em 21 de junho, a Central Única dos Trabalhadores chilena realizou uma greve geral em apoio ao governo. Um milhão de trabalhadores desfilaram pelas ruas de Santiago. 
 
Poucos dias depois, no 29, ocorreu uma primeira tentativa golpista. Um regimento de blindados tentou atacar o Palácio presidencial. Aproveitando o clima de instabilidade, a Democracia Cristã conseguiu aprovar na Câmara dos Deputados uma resolução declarando a “ilegitimidade” do governo. 
 
Nas primeiras horas da madrugada do dia 11 de setembro a Marinha se sublevou em Valparaíso, depois de participar de manobras conjuntas com a marinha norte-americana. Allende se dirigiu ao Palácio de La Moneda.  (resistiu) por horas aos ataques de tropas de infantaria, blindados e caças Hawker Hunter. (Foi uma resistência heroica e solitária). Depois de mais de dois anos de governo não havia sido construída nenhuma estratégia para responder a um possível golpe militar, apesar das inúmeras ameaças e do crescimento da violência fascista. Confiou-se integralmente nos dispositivos militares legalistas de Allende. Quando este falhou, o governo e o povo ficaram sem uma alternativa viável. 
 
Recuar, fazendo novas concessões à Democracia Cristã, ou avançar, rompendo a legalidade burguesa. Uma decisão nem sempre fácil de ser tomada. Este, talvez, tenha sido o grande dilema da “via chilena para o socialismo”. 



terça-feira, 4 de novembro de 2014





Aécio retorna ao Senado e é recebido com festa e Hino Nacional
do UOL04/11/201415h44 >Atualizada 04/11/201417h49
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O senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado à Presidência da República, retornou nesta terça-feira (4) ao Senado Federal e foi recebido como uma celebridade.
Militantes tucanos e parlamentares da oposição o receberam na entrada do Congresso Nacional gritando "presidente", "fora, PT" e cantando o Hino Nacional
O senador saiu do carro na rampa de acesso ao Congresso e chegou à entrada caminhando acompanhado pela Polícia Legislativa e simpatizantes. Desta maneira, o tucano pode acenar para aliados e transformar seu retorno em uma "festa", apesar da derrota nas urnas. Os parlamentares costumam chegar de carro até a porta do prédio principal e entrar discretamente.
Aécio é tido como o principal líder da oposição, que na semana passada forçou a primeira derrota no Congresso da presidente Dilma Rousseff (PT) após a reeleição, com a derrubada de um decreto presidencial sobre conselhos populares.
Esta é a primeira aparição pública de Aécio após o resultado do segundo turno das eleições. Ele teve 48,36% dos votos, contra 51,64% da petista.
Placar das eleiçõe
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"Eu não podia esperar uma recepção tão forte, tão marcante. O Brasil despertou, o Brasil hoje é diferente do Brasil antes da eleição. O Brasil é protagonista da construção de seu próprio futuro", afirmou o tucano.
O senador também disse que as pessoas não deixaram de ser mobilizadas com o resultado da eleição e que "continuam querendo um futuro melhor".
"Quando olhar para o Congresso, eu sugiro que o governo que não olhe mais para número de cadeiras no Senado e na Câmara. Olhe bem porque vai encontrar mais de 50 milhões de brasileiros vigilantes, cobrando investigações das denúncias de corrupção e cobrando melhoria dos nossos indicadores econômicos", declarou Aécio.
Aécio afirmou ainda que faz parte de "um grande exército a favor do Brasil". Ele também mandou um recado de que irá fazer forte oposição ao governo. Em recado a Dilma, disse que só dialogará com propostas. "Se quiserem dialogar, apresentem propostas que melhorem a vida dos brasileiros. Nós vamos cobrar investigação de denúncias de irregularidades".
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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

PROTESTO CONTRA DILMA - 01/NOVEMBRO/2014



Protesto contra Dilma fecha parte da Av. Paulista
Estadão ConteúdoPor Ricardo Chapola | Estadão Conteúdo – sáb, 1 de nov de 2014
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Estadão Conteúdo - Manifestantes fazem protesto pelo impeachment da Presidenta Dilma na tarde deste sábado (1) em São Paulo.

Cerca de 2,5 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, participam de um protesto na tarde deste sábado, 01, na Avenida Paulista, em São Paulo, que pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a intervenção militar no País. Gritos como "Viva a PM" são entoados pelos manifestantes.

Há, entretanto, faixas e cartazes com as mais variadas mensagens, que vão de "Intervenção militar já" a "PT é o câncer do Brasil". O protesto, que teve início no vão livre do Masp, segue no sentido Paraíso, e fecha parte da avenida. 

O ato é escoltado pela PM, que organizou uma operação para eventuais confrontos. Dois pelotões da Tropa do Braço ficaram posicionados nas ruas laterais ao Masp. O protesto foi organizado pela internet e teve a confirmação de 100 mil pessoas. 

"Se você acha que democracia é isso que temos aqui, então sou a favor da volta do militarismo", disse o investigador de polícia, Sergio Salgi, de 46 anos. Ele foi ao protesto carregando uma faixa com os dizeres "SOS Forças Armadas".

Para o investigador, a melhor chance de tirar Dilma no poder seria lançar a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) à Presidência, nome apoiado por ele. "A melhor chance é só com o Bolsonaro. Mas não teve como", disse Salgi. Em entrevistas, Bolsonaro já antecipou sua intenção de ser candidato à Presidência em 2018.

O filho de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (PSC), que se elegeu deputado federal por São Paulo, participou da manifestação. O deputado discursou sobre o único carro de som do ato. "Ele (Jair Bolsonaro) teria fuzilado Dilma Rousseff se fosse candidato este ano. Ele tem vontade de ser candidato mesmo que tenha de mudar de partido", afirmou Eduardo, ao prever que o pai terá dificuldades em lançar seu nome à Presidência pelo PP.

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AQUI ENCERRO AS POSTAGENS DAS PROXIMIDADES DA MARINA SILVA