terça-feira, 3 de março de 2015




Renúncia de Dilma, melhor que impeachment

2/3/2015 15:00
Por Celso Lungaretti, de São Paulo
DIRETO DA REDAÇÃO - CORREIO 
Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.DO BRASIL
Colunista comenta a hipótese de uma renúncia da presidenta Dilma seguida de novas eleições
A situação política brasileira assumiu feições de crise grave, no fim-de-semana, com a denúncia do advogado Modesto Carvalhosa, de que a presidenta Dilma e seu governo tentam proteger as empreiteiras envolvidas na corrupção e delitos revelados pela Operação Lava Jato. Quase ao mesmo tempo, o ex-secretário de imprensa durante a presidência de Lula, o jornalista Ricardo Kotscho no seu blog, num texto virulento pergunta se o governo Dilma está no fundo do poço ou se esse poço é sem fundo, depois de já ter escrito estar o governo Dilma caminhando para a autodestruição. 
Diante desse clima que se deteriora, agravado pela tendência da bancada petista de rejeitar os ajustes fiscais propostos pela presidenta, o sociólogo Demétrio Magnoli se pronuncia contra o impeachment, prejudicial para a imagem do Brasil, e defende uma renúncia da presidenta e do vice-presidente para serem realizadas novas eleições. Seria a oportunidade do retorno de Lula, mesmo porque na atual situação ninguém pode imaginar como se chegará até 2018.
Seguem as apreciações do colunista Celso Lungaretti, do Direto da Redação, o Editor.
Dilma seria levada a renunciar como Jânio?
Dilma seria levada a renunciar como Jânio?
Muito perdem os internautas ditos de esquerda ao desqualificarem, com intolerância extrema, personagens como o jornalista e sociólogo Demétrio Magnoli, que está longe de ser “um dos novos trombones da direita” (como o qualificou a revista IstoÉ), embora defenda posições questionáveis sobre o movimento estudantil e sobre as cotas raciais, por exemplo.
Exigir que todos se verguem a um pensamento único é coisa dos tempos de Stalin e de Hitler. Magnoli também dá estocadas contra a direita, e algumas delas são certeiras. Por que, simplesmente, não refletirmos sobre cada uma de suas posições, aceitando algumas e divergindo das outras?
Seu artigo A hora e a história é um interessante meio-termo entre a pregação direitista do impeachment de Dilma Rousseff e a defesa incondicional de um governo que, salta aos olhos, perdeu o controle da situação e está condenado (condenando-nos) a uma lenta agonia, ou coisa pior.
Ele rechaça o impedimento (“para não transformar o Brasil num imenso Paraguai”, retrocedendo “do estatuto de moderna democracia de massas ao de uma democracia oligárquica latino-americana”, e também porque “na nossa democracia, a hipótese de impeachment só se aplica quando há culpa e dolo”), mas, assim como eu, percebe os perigos que corremos, sendo golpe de estado o maior deles, caso continuemos submetidos ao “dilmismo, essa mistura exótica de arrogância ideológica, incompetência e inoperância”, que “o país não suportará mais quatro anos”.
Como alternativa, Magnoli propõe que, ao invés de pregarem o impeachment, os descontentes lancem a Dilma o repto “Governe para todos — ou renuncie”:
No atual estágio de deterioração de seu governo, a saída realista para Dilma é extrair as consequências do fracasso, desligando-se do lulopetismo e convidando a parcela responsável do Congresso a compor um governo transitório de união nacional. O Brasil precisa enfrentar a crise econômica, definir a moldura de regras para um novo ciclo de investimentos, restaurar a credibilidade da Petrobras, resgatar a administração pública das quadrilhas político-empresariais que a sequestraram. É um programa e tanto, mas também a plataforma de um consenso possível…
…Se a presidente, cega e surda, prefere persistir no erro, resta apontar-lhe, e a seu vice, a alternativa da renúncia, o que abriria as portas à antecipação das eleições.
DILMA-2 ESTÁ SENDO “CENÁRIO DE TERRA ARRASADA”,
AVALIA RICARDO KOTSCHO
Um dos maiores jornalistas brasileiros das últimas décadas, quatro vezes vencedor do Prêmio Esso, Ricardo Kotscho sempre foi identificadíssimo com o PT e com Lula, a quem serviu como secretário de Imprensa e Divulgação da Presidência da República.
O jornalista Ricardo Kotscho é amigo de Lula e conhece os bastidores da política
O jornalista Ricardo Kotscho é amigo de Lula e conhece os bastidores da política
Então, só um quadro político de extrema gravidade o levaria a escrever um artigo tão contundente como o que postou no seu blogue neste sábado, 28, vindo ao encontro dos meus alertas no mesmo sentido: desde a redemocratização, o Brasil nunca esteve tão ameaçado de uma volta ao totalitarismo. Leiam e reflitam.
PARA ONDE VAMOS, DILMA: 
FUNDO DO POÇO OU POÇO SEM FUNDO? 
Um clima de fim de feira varre o país de ponta a ponta apenas dois meses após a posse da presidente Dilma Rousseff para o seu segundo mandato. Feirantes e fregueses estão igualmente insatisfeitos e cabisbaixos, alternando sentimentos de revolta e desesperança.
Esta é a realidade. Não adianta desligar a televisão e deixar de ler jornais nem ficar blasfemando pelas redes sociais. Estamos todos no mesmo barco e temos que continuar remando para pagar nossas contas e botar comida na mesa.
Nunca antes na história da humanidade um governo se desmanchou tão rápido antes mesmo de ter começado. Para onde vamos, Dilma? Cada vez mais gente acha que já chegamos ao fundo do poço, mas tenho minhas dúvidas se este poço tem fundo.
“O que já está ruim sempre pode piorar”, escrevi aqui mesmo no dia 5 de fevereiro, uma quinta-feira, às 10 horas da manhã, na abertura do texto “Governo Dilma-2 caminha para a autodestruição”.
dilma chateada“Pelo ranger da carruagem desgovernada, a oposição nem precisa perder muito tempo com CPIs e pareceres para detonar o impeachment da presidente da República, que continua recolhida e calada em seus palácios, sem mostrar qualquer reação. O governo Dilma-2 está se acabando sozinho num inimaginável processo de autodestruição”.
Pelas bobagens que tem falado nas suas raras aparições públicas, completamente sem noção do que se passa no país, melhor faria a presidente se continuasse em silêncio, já que não tem mais nada para dizer.
Três semanas somente se passaram e os fatos, infelizmente, confirmaram minhas piores previsões. Profetas de boteco ou sabichões acadêmicos, qualquer um poderia prever que a tendência era tudo só piorar ainda mais.
Basta ver algumas manchetes deste último dia de fevereiro para constatar o descalabro econômico em que nos metemos. Cada uma delas já seria preocupante, mas o conjunto da obra chega a ser assustador:
“Dilma sobe tributo em 150% e empresas preveem demissões”.
“País elimina 82 mil empregos em janeiro, pior resultado desde 2009″.
“Conta da Eletropaulo sobe 40% em março”.
“Bloqueio de caminheiros deixa animais sem ração — Na região sul, aves são sacrificadas em granjas, porcos ficam sem alimento e preço do leite deve subir”.
“Indicadores do ano apontam todos para a recessão”.
“Estudo da indústria calcula impacto de racionamento no PIB — Queda de 10% no abastecimento de gás, energia e água levaria à perda de R$ 28,8 bi”.
 As imagens mostram estradas que continuam bloqueadas por caminheiros, depois de mais de uma semana de protestos, agentes da Força Nacional armados até os dentes avançando sobre os manifestantes, produtores despejando nas ruas toneladas de latões de leite que ficaram sem transporte. O que ainda falta?
Enquanto isso, parece que as principais lideranças políticas do país ainda não se deram conta da gravidade do momento que vivemos, com a ameaça de uma ruptura institucional.
De um lado, o ex-presidente Lula, convoca o “exército do Stédile” e é atacado pelo Clube Militar por “incitar o confronto”; de outro, os principais caciques tucanos, FHC à frente, fazem gracinhas e se divertem no Facebook. Estão todos brincando com fogo sentados sobre um barril de pólvora. É difícil saber o que é pior: o governo ou a oposição. Não temos para onde correr.
A esta altura, só os mais celerados oposicionistas defendem o impeachment de Dilma e pregam abertamente o golpe paraguaio, ainda defendido por alguns dos seus aliados na mídia, que teria um final imprevisível.
O governo Dilma-2 está cavando a sua própria cova desde que resolveu esnobar o PMDB, e não adianta Lula ficar pensando em 2018 porque, do jeito que vamos, o país não aguenta até 2018.
Nem Dilma, em seus piores pesadelos, poderia imaginar este cenário de terra arrasada — ou não teria se candidatado à reeleição, da qual já deve estar profundamente arrependida.
DILMA PROTETORA DAS EMPREITEIRAS?
O advogado Modesto Carvalhosa, 82 anos, esteve sempre ao lado das boas causas, a ponto de haver sido preso três vezes pela ditadura no período 1969/71, como “membro auxiliar” da ALN e VPR.
O advogado Modesto Carvalhosa, 82 anos, militou contra a ditadura militar e foi preso como mem bro da resistência
O advogado Modesto Carvalhosa, 82 anos, militou contra a ditadura militar e foi preso como membro da resistência
Também se destacava por suas posturas e atitudes constestatórias, na linha da contracultura; liderou a primeira greve de professores e funcionários do ensino superior contra o regime militar, em 1977; teve participação destacada nas lutas pela anistia e pela preservação da natureza; e foi o organizador e coordenador d’O livro negro da corrupção (Paz e Terra, 1995 – leia o e-book aqui).
Então, é chocante a acusação frontal que, como especialista em Direito Econômico e mercado de capitais, faz à presidenta Dilma Rousseff, de estar querendo “proteger as empreiteiras” corruptoras cujos delitos vêm sendo devassados pela Operação Lava-Jato.
Quando leio coisas deste tipo, lembro-me da campanha simplista que outrora era feita contra brinquedos inspirados em filmes de bangue-bangue: “Hoje mocinho, amanhã bandido”. Pior ainda, na minha opinião, seria “hoje guerrilheira, amanhã amiguinha das empreiteiras”.
Celso Lungaretti, jornalista e escritor, foi resistente à ditadura militar ainda secundarista e participou da Vanguarda Popular Revolucionária. Preso e processado, escreveu o livro Náufrago da Utopia. Tem um ativo blog com esse mesmo título.
Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.








segunda-feira, 2 de março de 2015


Lei dos Caminhoneiros sem vetos é um erro e acidentes vão aumentar, alerta ABCR


A Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) criticou a decisão anunciada pela presidente Dilma Rousseff de sancionar o Projeto de Lei 4.246/12 - conhecido como Lei dos Caminhoneiros - sem vetos, como tentativa de colocar fim à mobilização da categoria.
Para a entidade que representa as concessionárias de rodovias, se aprovada sem vetos, a nova lei "vai significar exatamente o oposto do que a sociedade deseja". "Na prática, passaremos a ter, por exemplo, estradas com mais acidentes, pedágios mais caros, fretes mais elevados, aumento dos custos logísticos e dos preços finais dos produtos transportados por vias rodoviárias", diz a nota da entidade.
"O que poderia ser um avanço para a categoria vai se transformar num grande retrocesso para a profissão, pesar no bolso dos brasileiros e aumentar as taxas de acidente e mortalidade na estrada", completa o texto.
Nesta madrugada, governo e caminhoneiros chegaram a um acordo para acabar com os bloqueios nas estradas. "Nossa expectativa é que a categoria se sensibilize com as conquistas e encerre o movimento", disse o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, após o acordo.
O acordo fechado na madrugada garante sanção integral da Lei do Caminhoneiro; carência de 1 ano para pagamento das parcelas de financiamento de caminhões pelo Finame e Pró-Caminhoneiro; elaboração de tabela referencial de frete por entidades representativas de caminhoneiros, transportadoras e embarcadores com mediação do Ministério dos Transportes; e ausência de aumento de diesel para caminhoneiros por seis meses, entre outras questões.
O documento foi assinado por Miguel Rossetto (Secretaria Geral da Presidência), pelo ministro Antônio Carlos Rodrigues (Transportes) e 11 representantes de trabalhadores.
Para a ABCR, "ao arcar com custos logísticos mais elevados, viagens mais demoradas, manutenção mais frequente do caminhão, os caminhoneiros serão os mais prejudicados". A entidade destaca ainda que é preciso envolver os embarcadores no debate da nova lei.
"É importante lembrar que os caminhoneiros têm direito ao vale pedágio, a ser pago pelo embarcador. Há, portanto, necessidade de envolver os embarcadores em toda esta discussão do PL antes de sancionar uma lei que poderá ter sérias consequências para a própria categoria", diz a nota.
A entidade diz ainda que um dos efeitos da liberação do pagamento do eixo suspenso será o aumento do pedágio para todos os usuários, "como forma de manter viabilidade das concessões de rodovias".
"O aumento do peso dos caminhões também vai significar pedágios mais caros. Isso porque os efeitos da sobrecarga sobre a vida útil dos pavimentos são de redução média de mais de 1,5 ano na vida útil do pavimento para 5% de sobrecarga e redução de mais de 3 anos na vida útil do pavimento para 10% de sobrecarga", explica a entidade. "Na ponta, isso significa acréscimo considerável do custo de manutenção das rodovias brasileiras, sejam elas públicas ou privadas", completa.
A ABCR ressalta que espera que o governo federal realize "uma análise técnica" das questões apontadas pelas concessionárias, "para que não se prossiga com a sanção de artigos que significarão, na ponta, mais acidentes, rodovias menos seguras e caminhoneiros autônomos mais sobrecarregados."





Fiat paralisa produção por falta de peças, e JBS suspende atividades

Bloqueio de caminhoneiros afeta as exportações pelos portos de Santos, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná

POR 

SÃO PAULO, FLORIANÓPOLIS, PORTO ALEGRE e CUIABÁ - A manifestação dos caminhoneiros insatisfeitos com a alta dos combustíveis começou a afetar as exportações pelos portos de Santos, em São Paulo, e Paranaguá, no Paraná, bem como a atividade de algumas empresas. Nesta terça-feira, os motoristas bloquearam o acesso e a saída do Porto de Santos - o mais movimentado da América Latina, com uma circulação de cerca de nove mil caminhões por dia. Os acessos foram liberados apenas no fim da noite. A chegada ao Porto de Paranaguá, por onde é exportada parte da safra de soja do país, também foi obstruída. E em plena época de colheita. Se ao menos 900 caminhões passam por lá diariamente, nesta terça havia somente 45 veículos no pátio, transportando apenas 10% da soja e do farelo previstos para ser embarcados.
Unidade da JBS em Lins, São Paulo: empresa paralisou produção por causa de greve - DARIO LOPEZ-MILLS / AP
Os prejuízos ainda não foram estimados, mas se estendem para bem além das docas. Em Minas Gerais, a fábrica da Fiat de Betim - onde são montados três mil veículos por dia - dispensou os seis mil funcionários do primeiro e segundo turnos por falta de componentes e peças para a montagem dos veículos. O bloqueio da Rodovia Fernão Dias (BR-381), principal ligação entre São Paulo e Minas Gerais, comprometeu a entrega. Na segunda-feira, a montadora já havia dispensado trabalhadores pelo mesmo motivo.
No Sul do país, a JBS foi forçada a suspender as operações em oito unidades, além das do Mato Grosso do Sul - o que representa 75% da capacidade de produção de aves e suínos da empresa. E tudo por causa da falta de matéria-prima e embalagens, que não chegaram ao destino.
Segundo o Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), veículos que transportam leite in natura estão sendo impedidos de levar suas cargas para abastecer as indústrias de processamento. A entidade ingressou na Justiça Federal com um pedido de liminar para desbloquear as rodovias no estado.
- Entendemos o pleito dos caminhoneiros, mas acredito que a cadeia leiteira e outras atividades econômicas não podem ser prejudicadas. No caso do leite, há cargas destinadas ao abastecimento da cesta básica, de creches e hospitais. O protesto está causando prejuízo econômico à indústria e produtores e poderá provocar dano ambiental, devido à eventual necessidade de descarte de leite caso o protesto perdure - advertiu o presidente do órgão, Alexandre Guerra.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado (Setcergs) também alerta para o risco de desabastecimento de combustível caso o movimento persista por mais um ou dois dias. O presidente Afrânio Kieling disse já ter identificado a possibilidade de uma interrupção total da BR-101, principal ligação do Rio Grande do Sul com o centro do país.
- Reconhecemos que o prejuízo dos profissionais é grande, mas não compactuamos com greves - resumiu Kieling.
A Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) estimou que, se o protesto se mantiver por mais dois dias, haverá problemas no abastecimento de carnes e hortigranjeiros. No norte do estado, alguns postos de combustíveis já registraram falta de gasolina nas bombas.
Em Santa Catarina, o efeito do protesto é mais severo. O produtor de leite Heindert Sand, de Campo Erê, por exemplo, jogou fora três mil litros quando foi surpreendido na noite de segunda-feira pela notícia de que a indústria não faria a coleta no dia seguinte.
A Cooperativa Aurora, maior processadora de alimentos do país, informou que poderá interromper totalmente a produção. Em comunicado, a empresa alertou que os estoques de ração têm condições de atender à demanda das granjas associadas somente até amanhã. E o Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados (Sindileite) suspendeu desde a segunda-feira a coleta nos pontos de produção do Oeste catarinense devido às dificuldades de transporte.
A situação começou a se complicar também em Mato Grosso, onde a região norte do estado já registra falta de combustível em vários pontos. Hoje à tarde, enormes filas de carros já se formavam nos postos de Sinop, a maior cidade da região, localizada a 500 quilômetros de Cuiabá. Por volta das 14h, cinco postos visitados pelo GLOBO não tinham mais óleo diesel, e o volume de álcool era suficiente apenas para terminar a o dia.
— A situação é gravíssima. Quando a manifestação terminar, ainda deverá demorar vários dias para o problema de abastecimento ser resolvido - constatou Jonas de Paula, proprietário de um posto e de uma distribuidora de combustível em Sinop, onde não chega nenhum nenhum caminhão desde sábado passado.
No campo, o combustível também se fez sentir. Por falta de óleo diesel, colheitadeiras de soja estão paradas em muitas fazendas. Até o último domingo, o total colhido representava 35% da área plantada de soja - 12 pontos percentuais a menos que o verificado no mesmo período da safra passada. Também há risco de aves e suínos morrerem de fome por falta de ração.
— O problema é muito grave. Se o bloqueio acabar agora, ainda deve demorar ainda uns seis dias para chegarem novos carregamentos de combustível. Até lá muita soja estará com avaria - lamentou o presidente do Sindicato Rural de Sinop, Antônio Galvan.
No Pará, cerca de 50% dos caminhoneiros aderiram à paralisação. Mas, segundo o presidente do Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens no Estado do Pará (Sindicam-PA), Eurico Tadeu Ribeiro, a ordem é não tumultuar em um estado onde 75% dos produtos hortifruti são importados:
— Nossa orientação sindical é não fazer bloqueio de vias para não prejudicar mais. Basta parar em algum posto com mínima estrutura e conforto e não trabalhar, deixando o governo federal resolver.
*Especial para O GLOBO

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8 COMENTÁRIOS

  • José Mello • 
    Eu só quero dizer uma coisa: Caminhoneiro, eu estou do seu lado! Apoio totalmente esse protesto, mas digo a você que votou nesse governo fajuto: NÃO JOGUE SEU VOTO NO LIXO OUTRA VEZ, OK?
  • André Silveira Peres • 
    Paralisação justa!!! Governo não da o mínimo de atenção e valor para o setor; aliás, pra quase nenhum no País, principalmente o povo. Combustível, taxa alta de imposto, IPTU, etc. Aonde vamos parar, qual o futuro do nosso país? Estamos todos dentro do barco, inclusive as nossas gerações futuras. Uma Vergonha! Criam e fazem a bagunça, pra depois o povo pagar o pato!!!!! VAMOS ACORDAR E BATER DE FRENTE COM ESSA DITADURA VESTIDA DE DEMOCRACIA!!!!
  • Oeddy • 
    Não vejo nenhum AJUSTE FISCAL! O que vejo é um IMPÔSTAÇO enfiado de Goela abaixo nos brasileiros. Aumento de COMBUSTÍVEIS, ENERGIA, DO CÂMBIO, IMPOSTOS, QUEBRA DE DIREITOS TRABALHISTAS e PREVIDENCIÁRIOS. Não precisava nenhum ECONOMISTA para MALTRATAR a População e fazê-la PAGAR a CONTA da MÁ GESTÃO com CORRUPÇÃO e DESVIOS DE RECURSOS PÚBLICOS! a Verdade é que o PT APARELHOU O ESTADO BRASILEIRO!!!
  • Marcos Ferreira de Melo • 
    A CULPA DA GREVE SAO DOS POLITICOS QUE ROUBARAM A PETROBRAS E AGORA QUER QUE O POVO PAGUE O AUMENTO DO COMBUSTIVEL, DILMA VAGABA.
  • Luis Carlos F • 
    É INACREDITÁVEL...........................NOVO AUMENTO DA GASOLINA A PARTIR DE PARTIR DE 01 DE MARÇO......Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) publicou nesta terça-feira (24) no Diário Oficial da União nova tabela com os preços de combustíveis a serem usados como o preço médio de combustíveis em 15 Estados e no Distrito Federal, a partir de 1º de março.






Governo cede, mas caminhoneiros estão divididos sobre fim dos protestos

Executivo acena com lei que fixa jornada e tabela para frete. Fim da paralisação nas estradas não está garantido

POR 


Em Camaquã (RS), caminhões bloqueiam passagem de veículos no Km 390 da BR-116, nesta quarta-feira 25 Foto: Pedro H. Tesch / Brazil Photo Press / Agência O Globo - Terceiro / Agência O Globo


BRASÍLIA E RIO — O governo decidiu ceder à pressão dos caminhoneiros e atender a praticamente todas as reivindicações do movimento que paralisou as principais rodovias do país nos últimos dias, confiante na possibilidade de acordo. A presidente da República vai sancionar sem vetos a lei do caminhoneiro, que fixa jornada de trabalho desses profissionais e permite que veículos vazios não paguem pedágio. O governo também vai conceder carência de 12 meses nos empréstimos Pró-caminhoneiro e do Finame, do BNDES, feitos pelos caminhoneiros para aquisição de veículos. Para tentar resolver o problema dos preços dos fretes - que vêm caindo principalmente por causa da redução dos preços dos grãos no mercado internacional -, será instalada uma mesa de negociações entre caminhoneiros e empresários, com participação do governo. O objetivo é fixar uma tabela referencial de fretes. Não está claro, porém, se o esforço do governo surtirá efeitos.
O ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, informou no fim da noite desta quarta-feira que os representantes dos caminhoneiros aceitaram o acordo proposto pelo governo para encerrar os protestos que bloqueiam rodovias no país.
— Fechou o acordo exatamente como o ministro Rossetto (da Secretaria Geral da Presidência da República) apresentou. Eles aceitaram. Já assinamos — afirmou o ministro. — Só vai ser cumprido o que nós combinamos na hora em que forem liberadas as estradas.
Mesmo com a assinatura do acordo, o presidente da Confederação Nacional dos Transporradores Autônomos (CNTA), Dilmar Bueno, não soube garantir se os protestos nas estradas serão encerrados. Ele observou que as entidades vão aconselhar os caminhoneiros a parar a mobilização.
— O movimento foi levantado de forma autônoma, independente. Cabe a eles (os caminhoneiros) a avaliação das conquistas que tivemos aqui na negociação e o esforço do governo em realmente atender ao pleito específico dos caminhoneiros— disse. — Cabe aos caminhoneiros avaliar se compensa continuar com o movimento — completou.
Questionado sobre como os sindicatos comunicarão os trabalhadores a respeito do acordo, Bueno disse que as lideranças vão repassar a ata da reunião para que elas sejam distribuídas aos caminhoneiros. Mas ele não soube precisar a formar como isso será realizado e disse contar com o apoio da imprensa.
— Acho que a imprensa pode colaborar com o país e colocar isso de forma ampla para que todos os caminhoneiros tomem conhecimento do acordo — afirmou.
Um dos líderes do Comando Nacional de Transportes, Ivar Luiz Schmidt, disse que as entidades que assinaram a ata não representam o movimento e que a paralisação continuará. Ele afirmou representar cerca de 100 pontos de paralisação nas rodovias e garantiu que, sem a redução do preço do diesel em R$ 0,50 até que seja estabelecida a política do frete mínimo, os bloqueios serão mantidos.
— Nós não aceitamos o acordo. Quem está fechando a ata são representantes de sindicatos e de associações que não fazem parte do movimento. Amanhã (nesta quinta-feira), vamos ver se realmente a paralisação acabou - disse Ivar.
A Lei dos Caminhoneiros teve o texto base aprovado em julho do ano passado, mas emendas só foram aprovados no dia último dia 11. Desde então estava pronta para ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff, mas havia chance de alguns pontos serem vetados. Os deputados aprovaram uma mudança no texto isentando de pedágio eixos suspensos nos caminhões. A lei fixa a jornada de trabalho dos caminhoneiros em até oito horas por dia, com a possibilidade de duas horas extras diárias.
O governo também está receptivo em relação ao preço mínimo do frete, mas irredutível quanto à redução do preço do diesel ou qualquer subsídio, como declarou a própria Dilma.
ALÍQUOTA ÚNICA SOBRE O FRETE
Uma ideia sugerida nesta quarta-feira ao governo foi a implementação de uma alíquota única em todo o território nacional de ICMS sobre o frete - valor varia em cada uma das 27 unidades da federação - e que o frete de qualquer produto não seja inferior à pauta (valor referencial para a cobrança de ICMS).
Um participante das reuniões contou que o governo está enfrentando dificuldades para negociar com os caminhoneiros porque o movimento é disperso e não há interlocutores que representem efetivamente o conjunto de profissionais que estão há uma semana protestando. Um ministro contou que os governadores dos estados começaram a se mobilizar para tentar achar soluções para destravar o fluxo de produtos pelo país. Com os alimentos parados nas estradas, os estados deixam de arrecadar o ICMS sobre essas mercadorias.
Nesta quarta-feria, um grupo de ministros recebeu representantes da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da BR Foods. No encontro, os empresários apresentaram ao governo a situação do transporte de alimentos pelas estradas brasileiras.