quarta-feira, 4 de março de 2015





Comentários ao artigo:

A direita não precisa de impeachment

Com Eduardo Cunha e Joaquim Levy agindo como virtuais primeiros-ministros, Dilma e o PT parecem não governar mais. Por Gilberto Maringoni
por Gilberto Maringoni — publicado 04/03/2015 04:38


  • Boa análise. Mas a conta não é o PT quem paga. É o povo! Não é Levy que veio cobrar a conta, ele só veio dizer qual é o valor e como vamos pagar. A conta foi feita nos últimos 4 anos. Só chegou com juros.
    O PT ao menos poderia agilizar a tributação para os ricos. Minimizaria essa sangria desatada.
    E vamos torcer para esse ano passar logo.
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        É isso mesmo, tanto que a esquerda se sente traída nesse início de mandato. Tudo que temíamos que acontecesse em uma possível eleição do Aécio, aconteceu mesmo com a eleição da Dilma.
        O que não consigo entender é essa vontade louca de impeachment mesmo com o jogo a favor da direita e da oposição. É de uma esquizofrenia absurda tudo isso! É muita pós-modernidade pra minha cabeça.
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            Comparo essa disputa entre governo e oposição como a disputa dos porquinho pela a melhor peito da porca,e a Petrobras é a melhor.
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                Quem escolhe seus ministros é o governante que não teve confiança para escolher alguém do PT, já vimos muita ingerência do partido e do Lula, quanto ao PMDB enquanto apoio do governo era excelente quando sai do caminho traçado pelo governo já não vale nada.
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                    Esse Levy é fera , tá enquadrando direitinho a presidenta .
                    Mais um pouco e ele manda colocar um relógio de ponto na sala dela e desconta os dias não trabalhados.
                    Ja deve fazer mais de um ano que ela não trabalha.
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                        C.C ?
                        Faça como o Lula:-Não leia e não goste!
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                            Esquece o autor de mencionar que, antes da "escalada na taxa de juros", Dilma baixou os juros a marretada, com péssimo resultado. O fracasso econômico de 2011 - 2014 deve-se à política econômica heterodoxa nacional-desenvolvimentista deste governo.
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                                Análise perfeita do início ao fim.
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                                    Não é a direita reacionária nem são os tucanos que querem o impeachment. Para eles, como diz o autor, talvez seja mais útil "acomodar". Quem está querendo o impeachment é uma parcela desorganizada da classe média, aquela mesma que foi às ruas em junho de 2013. É gente de todo tipo, com todo tipo de ideologia, a maioria de esquerda. Alguns até votaram na presidenta (sic) e se sentem traídos por ela. Outros não conseguem fechar os olhos às evidências gritantes de participação (no mínimo, de omissão criminosa) da presidenta (sic) na roubalheira da Petrobrás. Indignação cívica não é coisa de político, é coisa de "amador". Os partidos agem segundo estratégias, mas as pessoas agem segundo seu senso moral. É por isso que os tucanos não querem saber de impeachment e é por isso que o PT quer debitar na conta dos tucanos essa ideia. Há, é evidente, grandes riscos institucionais em uma campanha pelo impedimento da presidenta (sic), mas foram seus (dela e dos seus mentores) erros que trouxeram a tempestade: tanto a ideia de impeachment quanto a inevitabilidade do Levy.
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                                        O Golpe já parece nitidamente em marcha................., valendo-se agora o vil PMDB e a conspiradora Mídia Tapuia........................., esta acenando com o clamor popular..................., torcendo pelo ""lock ou""t dos caminhoneiros (Empresários dos Transportes e afins) na tentativa de reedicão da Marcha de 64..........................!!!!!!
                                        Dilma.........................., venha para as ruas enquanto há tempo......................!!!!!
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                                            Concordo no que se refere ao Levy. 
                                            No que se refere ao Cunha, não foi o PT que elegeu o Cunha. Foi o povo, com o auxílio inestimável da lei que permite doações de empresas aos candidatos e que fez com que Cunha fosse o candidato que mais recebeu doações (arrecadou R$ 6,8 milhões). O projeto que proíbe as doações repousa na mesa do ministro Gilmar Mendes há 11 meses. Me pergunto se vai ter bolo de aniversário pago pelas empresas e os que receberam doações.
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                                                No que se refere a Dilma, foi o povo com auxílio inestimável da lei que permite doações de empresas, tendo ela a campanha que mais arrecadou doações.
                                                  • Avatar
                                                    Certo, porem, foi a falta de articulacao politica do governo e PT que entregaram a presidencia da camara ao Eduardo Cunha. Emfim, foram as escolhas da Dilma, a inercia e prostracao do PT, diante dos acontecimentos que nos colocaram na situacao em que estamos. Eatas escolhas da Dilma, bem como, a inercia do PT tem se mostrado, ate agora, um completo suicidio politico.
                                                    • Avatar
                                                      Ótima análise de conjuntura.
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                                                          Como assim Gilberto? Por R$ 6.000,00 Collor foi deposto por articulação do Lula. Porque precisa ser diferente com Dilma? Já se prova a inépcia da nossa presidente com o cargo de líder do país. Menos proselitismo.




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                                                            Com Eduardo Cunha e Joaquim Levy agindo como virtuais primeiros-ministros, Dilma e o PT parecem não governar mais. Por Gilberto Maringoni
                                                            por Gilberto Maringoni — publicado 04/03/2015 04:38


                                                            A ação da oposição brasileira em busca doimpeachment embute dois significados: o golpismo e a inutilidade. O golpismo, por tentar derrubar no tapetão uma presidente eleita com 54 milhões de votos, sem que exista qualquer indício ou investigação em curso sobre sua lisura no desempenho do cargo. A inutilidade porque Dilma Rousseff e seu partido aparentam ter perdido o comando da administração em quase todas as suas esferas importantes.
                                                            Frise-se: não sofreram golpe algum. Entregaram o poder por livre e espontânea vontade.
                                                            inferno econômico que o País enfrenta é opção feita pela mandatária já em seu primeiro mandato.
                                                            Ao tomar posse, em 2011, Dilma e o PT tiveram como meta principal derrubar o crescimento econômico. O país tivera uma elevação do PIB da ordem de 7,5% no ano anterior. Era algo excepcional, após um mergulho de 0,3% negativos em 2009. O capital financeiro e a mídia bradavam contra um hipotético descontrole inflacionário que jamais se concretizou.
                                                            Dilma – apesar de saber que o mundo atravessava a mais profunda crise econômica em 80 anos – não titubeou. Atendeu ao clamor da grande finança e iniciou uma escalada das taxas de juros. A Selic saltou de 10,75%, no início de 2011, para 12,5% em julho, aumentando a sobrevalorização cambial. Anunciou também cortes orçamentários da ordem de 55 bilhões de reais.
                                                            A tática foi um sucesso, do ponto de vista do rentismo. O PIB despencou para 2,7% no mesmo ano, 0,9% em 2012, 2,2% em 2013 e chegou a algo em torno de zero em 2014.
                                                            Em tempos de retração mundial, as medidas tiveram o condão de derrubar expectativas, investimentos e sobreapreciar o dólar, inibindo as exportações.
                                                            A indústria nacional acusa o golpe. Depois de alcançar 27,5% na composição do PIB, em 1985, o percentual veio caindo ao longo dos anos. Em 1995 era de 16%, em 2004 subiu para 19,2% e desceu para 13,3% em 2013. É indicador semelhante ao ano de 1955. (Os números são do IBGE, citados em estudo da Fiesp).
                                                            Resultado: um mandato medíocre em termos de desenvolvimento.
                                                            Ao se reeleger, em 2014, Dilma fez o que é de conhecimento geral. Nomeou um ministério conservador, deu curso a medidas contracionistas e virou as costas para sua base social.
                                                            Não se sabe o que a chefe do Executivo tinha em mente, pois ela quase não se dirige à população. Seu partido tampouco explica o sentido das escolhas.
                                                            Eleita com uma margem de 3 milhões de votos sobre Aécio Neves, a mandatária decepcionou seu eleitorado, faltou com a verdade na campanha – pesquisa Datafolha constata que 47% das pessoas percebe isso – e entregou postos chave da administração a setores que lutaram por sua derrota em outubro.
                                                            Poderia ter feito diferente? Poderia. Mas teria de contrariar interesses e fazer escolhas sobre quem deveria pagar a conta da recuperação econômica. Caminho diverso ao tentado por seu partido desde 2003.
                                                            O teólogo Leonardo Boff, que se encontrou com a presidente no palácio em 25 de novembro, afirmou ter externado suas preocupações a ela. Eis suas palavras:
                                                            “A gente tem liberdade de dizer que há reticências a certos nomes, que nos preocupam, mas por outro lado sabemos que ela tem uma mão firme, não se deixa conduzir, ela conduz. Isso nos dá certa tranqüilidade”. 
                                                            Tal expectativa não se materializou. Joaquim Levy foi indicado por Dilma para atender ao mundo financeiro, a quem ela decidiu – aqui sim – tranquilizar.
                                                            A direita de sua base aliada, vendo a opção presidencial por fazer pouco caso de seu eleitorado tradicional, nas primeiras medidas após a posse, percebeu a queima de capital político no ar. Viu ali a chance de empalmar o segundo poder da República e completar um cerco nada difícil de se realizar. Assim, Eduardo Cunha partiu confiante para a disputa da Câmara, com o aval do vice-presidente Michel Temer.
                                                            Vitorioso, fez o que nem Lula e nem Dilma ousaram no início de suas gestões: Cunha colocou sua pauta de forma dura e clara no centro da mesa. As medidas são conhecidas: reforma política conservadora, CPI da Petrobras, audiência com cada um dos 39 ministros, fim a qualquer avanço nos terrenos dos costumes e bloqueio de medidas de democratização da mídia.
                                                            A tática de se começar uma gestão mostrando a que se vem não é nova. Foi popularizada por Franklin Roosevelt, que criou a métrica de definir a ação de um governo em seus primeiros cem dias. Nos primeiros cem dias de seus mandatos, Lula e Dilma colocaram no tabuleiro a pauta dos adversários, “para acalmar os mercados”. O resultado está aí.
                                                            Uma presidente fraca não consegue mais conter o ímpeto recessionista de seu ministro da Fazenda. Levy é um liberal previsível. Esgrime o discurso da estabilidade acima de tudo, contra diretrizes de crescimento e distribuição de renda. A mídia o elegeu, juntamente com Eduardo Cunha, um dos condestáveis do governo. Atuam como virtuais primeiros-ministros. Juntos definem por onde caminhará a administração na política e na economia.
                                                            O PMDB – base de apoio – mostrou suas patas em programa televisivo na última semana de fevereiro: o governo é uma plêiade de feudos autônomos, propriedade privada da agremiação. Cada ministro da sigla fala de seu cercadinho, com metas estanques. Não existe governo, não há coalizão, não há PT.
                                                            Aliás, há um Partido dos Trabalhadores.
                                                            Trata-se daquela agremiação que cabe a Lula enquadrar, segundo orientações de Eduardo Cunha. O presidente da Câmara ameaçou fazer corpo-mole na votação do ajuste fiscal, caso o ex-presidente não acerte as pontas de seu partido e da CUT.
                                                            Lula, aparentemente, não piscou. Tomou um voo para Brasília na última semana de fevereiro e instou seus senadores a fecharem questão em favor das medidas recessivas. O mesmo comportamento teve o presidente do PT, Rui Falcão, que comandou uma manobra na Executiva Nacional destinada a colocar seus correligionários em linha com os desígnios de Joaquim Levy.
                                                            Num quadro desses, para que impeachmentO que a direita liberal quer mais? O PT e Dilma têm se mostrado aliados vantajosos.
                                                            O pacote da Fazenda provocará desemprego, descontentamento popular, inflação e estagnação.
                                                            Não será o conservadorismo clássico – PSDB e DEM – quem arcará eleitoralmente com o ônus do prejuízo. E nem os colegas de Michel Temer e Eduardo Cunha.
                                                            A conta ficará integralmente para o PT, que verificará melhor o estrago em 2016 e em 2018.
                                                            Dilma aparenta não governar. Pouco aparece em público e parece se dedicar a tarefas miúdas da gestão, além de afazeres particulares. Avessa a articulações políticas, poderá continuar assim, enquanto sangra em público, com remota chance de retomar as rédeas da situação.
                                                            A mídia valoriza o que seriam agora dois varões de Plutarco – Levy e Cunha –, em detrimento da mandatária eleita. Estão a toda hora nas telas e páginas da imprensa, opinando, pautando e orientando os rumos do País.
                                                            Dilma e o PT chegaram a esse ponto porque abdicaram de qualquer política de confronto com interesses consolidados dos integrantes do topo da pirâmide social.
                                                            Avaliaram ser possível jogar pelo empate, sem ameaçar a meta adversária. Agora tomam gols atrás de gols, quase numa reprise de Brasil x Alemanha, na Copa.
                                                            Estão dando uma notável contribuição ao estudo da Ciência Política.
                                                            É algo semelhante ao que o filósofo esloveno Slavoj Zizek fala em seu livro Bem vindo ao deserto do real (Boitempo, 2003):
                                                            “No mercado atual, encontramos uma série ampla de produtos desprovidos de suas propriedades malignas: café sem cafeína, cremes sem gordura, cerveja sem álcool (...e) sexo virtual enquanto sexo sem sexo”.
                                                            Inventaram agora o impeachment sem deposição física da presidente.
                                                            *Gilberto Maringoni é professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC e ex-candidato ao governo de São Paulo (PSOL)





                                                            Devolução de MP não compromete estratégia de ajuste fiscal, diz Rossetto

                                                            O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, afirmou nesta quarta-feira, 4, que a devolução, pelo presidente do Congresso, Renan Calheiros, da Medida Provisória que reduz a desoneração da folha de pagamento de empresas não compromete a estratégia de ajuste fiscal do governo.
                                                            "O governo toma iniciativas através de projetos de lei, nós vivemos desafios fiscais. Desafios que, em curto prazo, serão superados e vão colaborar para uma grande estratégia de crescimento econômico e geração de empregos no País", disse. Na noite dessa terça-feira, 3, a presidente Dilma Rousseff assinou um projeto de lei com urgência constitucional com o mesmo tema da Medida Provisória que foi devolvida.
                                                            De acordo com o ministro, os parlamentares continuarão tendo papel importante para o ajuste fiscal. "O Congresso tem grande responsabilidade, várias das medidas serão analisadas pelos congressistas e o governo está muito confiante na aprovação dessas medidas", afirmou.





                                                            Planalto teme deterioração das relações no Congresso




                                                            A presidente Dilma Rousseff está preocupada com o agravamento das retaliações no Congresso após a apresentação da lista da Procuradoria-Geral da República. O temor é que os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não apenas culpem o governo por estarem citados na lista como inviabilizem qualquer votação de interesse do Executivo, criando um clima de instabilidade política. Nesta quarta-feira,4, a presidente se reúne com líderes do Senado e da Câmara a fim de acalmar os ânimos.
                                                            A avaliação interna no Planalto é a de que Cunha pode agir como Renan - que já retaliou o governo ontem - e interpretar que foi incluído "na marra" na lista dos suspeitos da Operação Lava Jato, numa "manobra" arquitetada pela Polícia Federal para neutralizar o seu poder de fogo na Câmara. Na tentativa de se contrapor ao efeito bumerangue, Dilma planeja fortalecer o PMDB, abrindo mais espaço para o partido no primeiro e no segundo escalões da equipe. O problema é que uma das vagas que poderiam ser dadas a Cunha é justamente o Ministério do Turismo, ocupado por Vinícius Lages, afilhado de Renan.
                                                            Ajuste
                                                            Dilma também fará concessões em projetos a fim de evitar novas derrotas que comprometam seu ajuste fiscal. Já aceita afrouxar prazos estabelecidos em duas Medidas Provisórias editadas em dezembro - a 664 e a 665 - que integram seu plano de ajuste. O Planalto aceita diminuir, por exemplo, a carência para o pagamento do seguro-desemprego.
                                                            O modelo antigo estabelecia carência de um semestre, mas o texto do Executivo altera para 18 meses na primeira solicitação, 12 meses na segunda e seis meses a partir da terceira e é justamente esse novo prazo que será flexibilizado para obter aprovação do Legislativo. O governo também deve concordar em flexibilizar a carência para o recebimento de pensão por morte. Antes da medida provisória, não havia carência para esse tipo de benefício. Agora, o pagamento depende de um período de carência de no mínimo 24 contribuições mensais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.




                                                            Cunha e Renan foram avisados que estão na lista de Janot, afirma jornal



                                                            Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atual presidente da Câmara dos Deputados

                                                            De acordo com informações do jornal O Globo, os presidentes da Câmara, deputado Eduardo Cunha, e o presidente do Senado, senador Renan Calheiros, ambos do PMDB, foram informados que estarão na lista de envolvidos com a operação Lava Jato que Rodrigo Janot, procurador-geral da República, enviará ao STF.

                                                            O Globo cita que Renan dava desde a semana passada sinais de irritação relativos ao tema — inclusive, teria declinado jantar com a presidente Dilma Rousseff na última segunda (2) por conta disso. Já Cunha não teria reagido publicamente à suposta presença de seu nome na lista.

                                                            Os dois presidentes foram enfáticos em responder que não estão envolvidos no escândalo. Questionado durante entrevista, Renan afirmou "não ter nenhuma informação" sobre o suposto aviso. Já Cunha, em mensagem enviado a'O Globo, afirmou "não ter sido avisado por ninguém". O presidente da Câmara também disse se tratar de uma mentira.

                                                            Janot deverá entregar o documento ao STF nesta terça-feira (3). A partir de então, o ministro Teori Zavascki irá divulgar os nomes investigados — ele o pretende fazer de uma vez, não em conta-gotas. O ministro entende que, desta forma, evita que os primeiros nomes divulgados corram risco de ter juízo na sociedade e na imprensa maior que os outros.








                                                            Movimentos sociais pró-governo convocam para o dia 13 de março (sexta-feira) uma manifestação nacional para “defender a Petrobras”, enquanto nas redes sociais se divulga o 15 de março (domingo) como protesto a favor do impeachment de Dilma. Mais do que uma divisão da sociedade, acho que essas duas datas expressam a atual fragmentação brasileira. Fragmentação que vai além do gostar ou não de Dilma. É a catalisação nas ruas de múltiplas insatisfações (das quais o governo poderá se safar ou não, a ver).

                                                            O Brasil fragmentado se expressa desde já com caminhoneiros pedindo a redução do preço do diesel e professores no Paraná exigindo seus salários. Em Brasília, com a Câmara, às vésperas de votar medidas de ajuste fiscal, olhando para o próprio umbigo e decidindo reajustar verbas para o exercício do mandato dos deputados. Um custo adicional de R$ 112 milhões, que pesa sobretudo pelo simbolismo do momento, quando se discute restrições do acesso a direitos trabalhistas. País em transe, onde os


                                                            Movimentos sociais pró-governo convocam para o dia 13 de março (sexta-feira) uma manifestação nacional para “defender a Petrobras”, enquanto nas redes sociais se divulga o 15 de março (domingo) como protesto a favor do impeachment de Dilma. Mais do que uma divisão da sociedade, acho que essas duas datas expressam a atual fragmentação brasileira. Fragmentação que vai além do gostar ou não de Dilma. É a catalisação nas ruas de múltiplas insatisfações (das quais o governo poderá se safar ou não, a ver).

                                                            O Brasil fragmentado se expressa desde já com caminhoneiros pedindo a redução do preço do diesel e professores no Paraná exigindo seus salários. Em Brasília, com a Câmara, às vésperas de votar medidas de ajuste fiscal, olhando para o próprio umbigo e decidindo reajustar verbas para o exercício do mandato dos deputados. Um custo adicional de R$ 112 milhões, que pesa sobretudo pelo simbolismo do momento, quando se discute restrições do acesso a direitos trabalhistas. País em transe, onde os partidos políticos inflam-se em número de legendas – são 28 no Congresso – enquanto a maioria da população (75%) os rejeita. 
                                                            A fragmentação se reflete também na raiva de setores e grupos que perdem ou perderam poder aquisitivo. Da nova classe média, ou classe C, cuja ascensão social se mantém em bases precárias e pode estar ameaçada. Não é somente a inflação, mas o acesso a bens de consumo, como celular e TV a cabo, que geraram novos custos para os quais não há renda familiar (até aqui, tivemos um quadro de pleno emprego, mas os trabalhos são precários). Na política, parte da oposição vai para o enfrentamento, embora o governo tenha adotado as medidas econômicas que ela, oposição, defendia em campanha. 
                                                            Toda essa pororoca de disputas e insatisfações estará nas ruas no mês de março que desponta. Com uma pimenta a mais: até lá já saberemos a lista dos políticos acusados pela Procuradoria Geral da República de desvios na Petrobras a serem, possivelmente, julgados pelo STF. Dependendo da extensão da lista e de seus integrantes, a guerra de todos contra todos pode se ampliar, tornando o enredo mais complexo e imprevisível.
                                                            Vale lembrar que contradições e conflitos fazem parte da sociedade. Quando explicitados podem até fortalecê-la. Quem sabe não caminhamos para um país melhor?

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                                                            • Dilma Rousseff durante entrevista no Palácio da Alvorada

                                                              Como uma Caixa de Pandora destampada, do saco do ‘ajuste’ não para de sair maldades. O fim das desonerações na folha de pagamento – uma medida provavelmente até necessária — foi a última delas. Na mesma semana se anunciou o reajuste de mais de 20% nas contas de luz.
                                                              O resultado é que (quase) todos ficaram contra Dilma. Por ironia do destino, os poucos que vem a público, via imprensa, falar bem das medidas são justamente aqueles que apostaram no clima anti-Dilma durante a campanha eleitoral: o chamado “mercado”. Se há alguém de fato otimista no Brasil, são os credores da dívida pública – é para eles que o ‘ajuste’ é feito. Para que a dívida pública brasileira, que consome algo como 10 Programas Bolsa Família/ano, continue pagável. Para quem lucra com a dívida e com os juros, está ótimo, é para isso que serve o superávit primário e o “fazer a lição de casa”.
                                                              De resto, vai se armando uma coalizão social contrária a Dilma que passou a reunir os empresários da FIESP (mordidos com o fim das
                                                              Saiba mais »de ‘Ajuste’ põe (quase) todos contra Dilma

















                                                            Lista de 54 políticos chega ao STF: o que acontece em seguida?



                                                            (Foto: Estadão Conteúdo)


                                                            (Foto: Estadão Conteúdo)
                                                            Na noite desta terça-feira, chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) 28 pedidos de abertura de inquérito contra 54 políticos. Eles foram citados em depoimentos de executivos que fizeram acordos de delação premiada com a Justiça. Advogados e ex-ministros do STF ouvidos pelo GLOBO responderam a perguntas que podem ajudar o leitor a tirar dúvidas sobre os próximos passos da investigação que envolve os parlamentares.
                                                            O que acontece com a entrega da lista ao Supremo?
                                                            O ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato, autoriza a abertura do inquérito. Se autorizar, há uma investigação, são colhidas provas e ouvidos depoimentos de envolvidos.
                                                            Quem fará as investigações que forem autorizadas?
                                                            A Polícia Federal. O Ministério Público supervisiona e pode pedir diligências como perícias. O juiz autoriza a abertura do inquérito e aprova essas diligências.
                                                            O que acontece ao fim das investigações?
                                                            Se for aberto processo, os réus são interrogados e é dado um prazo para as alegações finais de acusação e defesa. Depois, o relator marca o julgamento e os advogados fazem a sustentação oral. Por último, a turma julga.
                                                            Os inquéritos podem correr em sigilo?
                                                            Sim, o ministro pode manter o sigilo de informações como pedidos de busca e apreensão e quebra de sigilo telefônico.
                                                            Quem pode denunciar políticos investigados?
                                                            Só o procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
                                                            A tendência é a abertura de inquéritos em vez de denúncias?
                                                            Sim, já que a procuradoria está fundamentada apenas no teor das delações premiadas. É preciso investigar mais para oferecer denúncias.
                                                            Os políticos têm acesso ao inquérito?
                                                            Sim. A não ser a provas sigilosas que ainda estão sendo produzidas, como escutas telefônicas em andamento. Mas eles têm acesso a todas as provas já produzidas.

                                                            Os acusados podem ser presos na fase do inquérito?
                                                            Sim, desde que existam elementos que fundamentem a prisão preventiva. Se for constatado, por exemplo, que o acusado atrapalha o andamento do processo, se há indícios de que vai fugir ou se representa algum risco a alguém.
                                                            Por que empresários foram denunciados antes dos políticos?
                                                            Porque empresários, que não têm foro privilegiado, foram para a primeira instância, que não tem recesso em janeiro. Já o Supremo, que cuida dos processos de parlamentares, passou mais de um mês em recesso, o que atrasou o andamento das denúncias.
                                                            Quanto tempo demora entre oferecer a denúncia e o início do julgamento?
                                                            Não há um tempo exato. No mensalão, foram cinco anos. Mas criminalistas ouvidos pelo GLOBO acreditam que não deverá passar de três anos, já que os processos da Lava-Jato envolvem menos pessoas do que no caso do mensalão.
                                                            Por que parlamentares são julgados pela 2ª turma do STF?
                                                            Porque mudou o regimento do Supremo. Antes, o julgamento era feito pelo plenário. Mas, para dar agilidade aos julgamentos, agora quem julgam são as turmas.
                                                            Ela poderá julgar os parlamentares com um ministro a menos?
                                                            Sim. Com quatro ministros em vez dos cinco que devem compor a 2a turma, o que pode ocorrer é o empate, que sempre favorece o réu.
                                                            Se forem condenados, os parlamentares podem recorrer ao plenário do Supremo?
                                                            Não, a não ser que a defesa alegue, por exemplo, que foi usada uma prova de forma inconstitucional. Nesse caso, a discussão sai do campo do direito penal e entra na seara da aplicação da Constituição.
                                                            Cabem embargos infringentes aos réus da Lava-Jato?
                                                            Sim. Segundo o regimento interno do STF, cabem embargos infringentes sempre que a decisão do plenário ou das turmas não é unânime. Ou seja, basta que haja um voto divergente entre os ministros para que o réu possa utilizar o recurso.