quarta-feira, 1 de julho de 2015


Lava Jato não pode pautar o país, diz Lula

Ex-presidente pediu também uma trégua ao governo de Dilma Rousseff

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Lula deixa a casa de Renan Calheiros após reunião para aparar arestas com um dos líderes do PMDB.
CRISE

Em reunião realizada na terça-feira (30) com senadores do PMDB, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a situação do país exige “desprendimento” político e pediu apoio à presidenteDilma Rousseff. Um dia após conversar com parlamentares do PT, Lula fez um movimento para reaproximar o PMDB do governo e disse ser preciso impedir que investigações da Polícia Federal, como aOperação Lava Jato, “contaminem” a política e a economia.
“A Lava Jato não pode ser a agenda do país”, insistiu o ex-presidente, em café da manhã na casa do presidente do Senado,Renan Calheiros (PMDB-AL). Em um gesto que causou surpresa, Lula pediu a Renan que “releve” os problemas com Dilma, “fique mais perto” e ajude o governo a sair da crise. Desde que teve o nome incluído nas investigações da Lava Jato, Renan tem criado dificuldades e imposto derrotas ao Planalto em dobradinha com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), outro alvo da PF.
Depois de criticar publicamente a administração de Dilma, que definiu como “governo de mudos”, Lula agora tentou jogar água na fervura em conversas mantidas em Brasília desde segunda-feira (29). Para um senador do PMDB, “ele viu que, chutando o pau da barraca, a barraca cairia na cabeça dele”.

Mercadante

Pouco antes do café da manhã com os senadores do PMDB, Lula se reuniu com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, num hotel de Brasília. O encontro foi mantido sob sigilo. A assessoria do Instituto Lula negou a reunião, confirmada pela reportagem.
O ex-presidente está preocupado com os desdobramentos da delação premiada do empreiteiroRicardo Pessoa, dono da UTC. De uma só vez, o empreiteiro atingiu as campanhas de Dilma, Lula e Mercadante. Não foi só: disse que Edinho Silva, então tesoureiro do comitê da reeleição e hoje ministro da Comunicação Social, teria ameaçado a UTC com o fim dos contratos na Petrobrás, caso não recebesse doações para a campanha. Todos negam as acusações.
Em conversas reservadas, Lula defendeu mais de uma vez a substituição de Mercadante por Jaques Wagner, atual titular da Defesa, e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que, na sua avaliação, não controla a PF. Ainda na terça, em Washington, Dilma foi questionada sobre o assunto e disse que não demite nem nomeia ministro pela imprensa.
Na segunda-feira, em reunião com deputados e senadores do PT, Lula afirmou que os petistas não podem ser ingênuos nem lavar as mãos diante do governo Dilma. “Não existe PT sem governo nem governo sem PT”, argumentou. Ele lembrou que até integrantes do Ministério Público admitiram que a Lava Jato pode chegar perto da eleição presidencial de 2018.
“Todo vazamento é contra o PT. O que eles querem é ver Dilma e o PT sangrarem até lá”, afirmou Lula, diante da plateia petista. Com um discurso que contrariou pronunciamentos anteriores, o ex-presidente disse que o ajuste fiscal é “página virada” e que os petistas precisam divulgar as “realizações” do governo.
“O Plano Nacional de Educação é muito bom. Só que ninguém conhece”, provocou Lula. “Nós precisamos olhar para a frente. Temos que esquecer esse discurso do ajuste e passar para a defesa do crescimento, da retomada do emprego e do controle da situação econômica do país”, emendou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).



Menção de Dilma à ditadura causa mal-estar em Brasília



REPERCUSSÃO

Menção de Dilma à ditadura causa mal-estar em Brasília

Ministros do PT e do PMDB consideraram a tática “desastrosa” pelo fato de a presidente ter sancionado a lei que instituiu a delação premiada

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Causou mal-estar no governo a afirmação da presidente Dilma Rousseff, que disse nos EUA não respeitar delatores. Na ocasião, ela comparou a delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, à confissão obtida sob tortura na ditadura militar. Ministros do PT e do PMDB consideraram a tática “desastrosa”, mesmo porque foi Dilma quem sancionou a lei que instituiu a delação premiada, em 2013.

Dilma defende doação da UTC para sua campanha e diz que ‘não respeita delator’

Presidente afirmou que a contribuição de R$ 7,5 milhões da empreiteirafoi registrada e realizada de maneira legal
Em conversas reservadas, auxiliares de Dilma – militante de extrema-esquerda na ditadura – disseram que, ao tentar se desvencilhar do caso de corrupção na Petrobras, ela acabou levando a crise para sua visita aos EUA. Nos bastidores, todos lamentaram que a tão esperada agenda positiva da presidente, ao se encontrar com Barack Obama, tenha sido ofuscada pela delação de Pessoa.
Houve, ainda, muitos reparos à citação de Joaquim Silvério dos Reis. Motivo: traidor da Inconfidência Mineira, Silvério dos Reis foi o homem que entregou Tiradentes. Para interlocutores de Dilma, a comparação foi infeliz porque, sem querer, ela identificou Pessoa como um homem que fazia parte do círculo do governo, traindo o grupo.
A estratégia do Planalto antes da ida de Dilma aos EUA previa apenas que ela lembrasse das doações da UTC aos senadores tucanos Aécio Neves (MG), adversário do PT na eleição presidencial de 2014, e Aloysio Nunes (SP). Aécio não é citado na delação de Pessoa; Aloysio, sim.
O plano consistia em bater na tecla de que as contribuições eram legais e suprapartidárias. Nas palavras de um ministro, “ecumênicas”. Mas auxiliares de Dilma dizem que ela não suporta ver o nome envolvido em denúncia de corrupção e sempre fala mais que o combinado.








Dilma não pode ‘investir politicamente’ contra leis, diz Joaquim Barbosa


Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal usou o Twitter para disparar críticas contra a presidente

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Albari Rosa/Gazeta do Povo
Joaquim Barbosa voltou a criticar a presidente Dilma Rousseff: mal informada
CRÍTICA

Dilma não pode ‘investir politicamente’ contra leis, diz Joaquim Barbosa

Ex-presidente do Supremo Tribunal Federal usou o Twitter para disparar críticas contra a presidente

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O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa reagiu à fala da presidente Dilma Rousseff, que disse nosEstados Unidos que “não respeita delator”. Sob o argumento que delação premiada “é um instituto penal-processual previsto em lei no Brasil”, Barbosa disse que Dilma é mal assessorada e que um presidente não pode “‘investir politicamente’ contra as leis vigentes, minando-lhes as bases”.
“Caberia à assessoria informar a Presidente que: atentar contra o bom funcionamento do Poder Judiciário é crime de responsabilidade!”, afirmou na segunda-feira (29) Joaquim Barbosa em sua conta no Twitter.
Em uma série de nove mensagens Barbosa criticou a presidente e sua equipe, que estão em visita oficial aosEstados Unidos. Lá, Dilma comentou pela primeira vez as acusações contidas na delação do dono da UTC, Ricardo Pessoa, em que seus ministros Aloizio Mercadante, da Casa Civil, e Edinho Silva, Comunicação Social, são citados. “Zelar pelo respeito e cumprimento das leis do País: esta é uma das mais importantes missões constitucionais de um presidente da República”, alertou Barbosa.
O antigo presidente do STF propõe ainda uma reflexão aos seguidores dele na rede social. “Vocês estão vendo o estrago que a promiscuidade entre dinheiro de empresas e a política provoca nas instituições?”, questionou o ex-ministro.
Em palestra em São Paulo no meio de julho, Barbosa falou sobre corrupção e protestou contra a “relação umbilical existente entre empresas e Poder Público no Brasil. “Precisamos romper com esse capitalismo de compadres, essa história de não conseguir empreender sem ter uma ‘verbinha’ do governo”.