sábado, 7 de novembro de 2015



Se Marin fala da conexão de Lula e João Santana, o mundo vai se liquefazer como em Mariana

(ERBS JR. / Erbs Jr./ Frame Photo/ AE)(ERBS JR. / Erbs Jr./ Frame Photo/ AE)
Pouco antes de começar a Copa do Mundo, aqui no Brasil, um amigo jornalista foi visitar José Maria Marin, em seu apartamento na alameda Casa Branca, nos Jardins. Seco e grave, Marin lhe confidenciou:
– Você se considera jornalista investigativo? Se sim, tente investigar o esquema que o marqueteiro João Santana montou com Lula no exterior…não há quem consiga investigar isso e eu sei de tudo, mas fico apenas com a dica que te dou…
Marin não falou mais. Nem meu amigo o procurou novamente. Sobre o esquema? Era então inexpugnável, indevassável, porque não tínhamos ainda a Lava Jato.
Mas sobre esse esquema publiquei dois posts, em março e  maio de 2015:
https://br.noticias.yahoo.com/blogs/claudio-tognolli/revista-epoca-e-folha-de-s-paulo-aprofundam-193407022.html
Pois bem: eis o que saiu em Veja:
“João Santana, condutor das últimas grandes vitórias do PT, está em via de se transformar no mais novo estorvo do partido. Ele entrou na mira da Operação La­va-Jato. A partir da análise do emaranhado de contas mantidas em paraísos fiscais, o marqueteiro da campanha da presidente Dilma está sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público. Informações enviadas ao Brasil pelas autoridades da Suíça, que cooperam com os investigadores brasileiros, indicam que Santana recebeu secretamente dinheiro do esquema por meio de contas mantidas no exterior. Há indícios de que dinheiro do petrolão foi usado para pagar, lá fora, despesas de campanhas do PT. VEJA confirmou com três envolvidos na investigação que o marqueteiro do PT é figura central de um novo polo de apuração de ilícitos. Nas palavras de um investigador, “nunca antes a Lava-Jato chegou tão perto do Palácio do Planalto”.
A inclusão de João Santana na lista de suspeitos tem potencial devastador. Foi no auge do escândalo do mensalão que Duda Mendonça, o mago das campanhas petistas, admitiu à CPI dos Correios que recebera no exterior o pagamento pelos serviços prestados durante a eleição de Lula. Agora, no auge do petrolão, João Santana, o sucessor de Duda, aparece como investigado pelas mesmas razões. Santana comandou as campanhas vitoriosas de Dilma Rousseff em 2010 e 2014, destacando-se na última por teatralizar uma série de mentiras sobre a realidade brasileira. “São especulações tão irrealistas e genéricas que não tenho nem o que comentar”, disse Santana a VEJA na sexta-feira. Os dados enviados pelas autoridades suíças estão no Departamento de Recuperação de Ativos (DRCI) do Ministério da Justiça”.
Tudo o que Marin confidenciou (e não foi muito) se fez verdade.
Marin fez delação premiada sobre a Fifa. Se fala o que sabe sobre a conexão João Santana-Lula, o mundo vai se liquefazer como em Mariana…

Claudio Tognolli

Claudio Julio Tognolli é jornalista há 35 anos e já passou por “Veja”, “Jornal da Tarde”, “Caros Amigos”, “Joyce Pascowitch”, “Rolling Stone”, “Galileu”, “Consultor Jurídico”, rádios CBN, Eldorado e Jovem Pan e “Folha de S. Paulo”. Ganhou prêmios de jornalismo e literatura como Esso e Jabuti. É diretor-fundador da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e membro do ICIJ (International Consortium of Investigative Journalism). Professor da ECA-USP, escreveu 12 livros.


quarta-feira, 4 de novembro de 2015



O ódio a Simone de Beauvoir no Enem é uma prova de que ela está certa









GAZETA DO POVO - CAIXA ZERO - ROGÉRIO GALINDO


A questão sobre a filósofa Simone de Beauvoir no Enem provocou um escândalo nacional na semana passada. Houve revolta por parte da bancada mais conservadora no Congresso, acusações de doutrinação por parte do MEC e, por incrível que pareça, pelo menos uma Câmara Municipal, em Campinas, aprovou uma moção de repúdio ao ministério da Educação.
Por estranho que pareça, o medo que o texto usado causa pode ser visto como uma prova de sua veracidade. Fosse falso o que a autora defende, não haveria qualquer motivo para que se acirrassem os ânimos, para que alguém se preocupasse com ela.
Afinal, o que diz o texto de Beauvoir? Basicamente, que nossa ideia do que é ser “mulher” tem muito de social, e não é totalmente biológica. Olha o texto aí de novo:
“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.”
Os vereadores de Campinas, horrorizados, tentaram entender se isso queria dizer que “alguém é mulher de dia e homem de noite”. Não é mentira. Isso foi dito na Câmara. Então, para facilitar a interpretação do texto, vamos lá: troque-se “mulher” por “feminina”. Não fica exatamente a mesma coisa, mas talvez ajude.
O que Beauvoir estava dizendo é que ninguém nasce seguindo naturalmente os padrões sociais que se esperam de uma mulher. Ela é “mulher” num primeiro instante, pelos cromossomos, pela genitália. Só. Ser o que chamamos de “feminina” exige todo um treinamento (adestramento?). Das roupas rosas à leitura de Marie Claire. Da submissão à moda à submissão ao homem. Exige a submissão a um estereótipo.
Uma prova do que Beauvoir defende pode ser geográfica. Ser mulher no Brasil pode incluir (e até exigir) sensualidade, biquínis mínimos, corpo de revista. Fazer o mesmo na Arábia Saudita é ser diferente do que se espera de uma mulher lá. E pode levar a sérios problemas para quem não se adapta às questões e preconceitos sociais de lá.
Outra pode ser uma prova histórica: ser mulher na Roma Antiga, ou na Londres do século 18 é diferente do que é ser mulher hoje, digamos, nos Estados Unidos. Porque tudo tem a ver não apenas com cromossomos e genitália, mas também com expectativas e construções sociais. Dá para negar?
Mas a prova que os opositores da filósofa ofereceram com sua reação ao Enem é mais sutil, embora igualmente importante. Por que eles não querem que se divulgue uma teoria como essa? Os argumentos de quem entendeu minimamente o texto – esqueça os vereadores de Campinas – são de que isso pode influenciar os alunos.
Se os antifeministas estivessem tão certos de que nada muda o que é “ser mulher”, que as mulheres são o que são independente do resto, não precisariam se preocupar tanto com Beauvoir. Ela seria inócua. Seu texto seria um mero absurdo, ou algo que não causaria transformação alguma.
Eles se preocupam, porém, porque sabem que tomar consciência do aspecto social da construção do feminino é poder libertar-se dele. É poder escolher entre aceitar o estereótipo, a submissão ao que se espera socialmente de alguém, ou confrontar isso. O texto é “perigoso” porque faz perceber que há opções. Que as mulheres não precisam ser exatamente como são hoje.
Que, afinal de contas, ninguém nasce “mulher”. Torna-se.
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segunda-feira, 2 de novembro de 2015



Claudio Tognolli

Zavascki: a Teori na prática é outra: ou o desMOROnamento da Lava Jato

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu  que o inquérito sobre o esquema de corrupção na companhia estatal Eletronuclear deve ser separado do processo da Petrobras.
O caso saiu das mãos do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal no Paraná.
Com a medida, os autos relacionados à estatal do setor elétrico deverão ser encaminhados à Justiça Federal no Rio de Janeiro, sede da Eletronuclear.
E o segundo ataque de Teori:ele  já havia fixado pela  suspensão do processo por meio de liminar concedida no começo de outubro, a pedido da defesa de Flavio Barra, executivo da empreiteira Andrade Gutierrez. Os advogados de Barra postularam que o caso não tinha relação com o esquema na Petrobras.
Lembrem-se: a  senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o ex-ministro Paulo Bernardo foram citados em depoimentos da Lava Jato. O esquema era de fraudes em contratos de serviços prestados no Ministério do Planejamento por uma empresa de São Paulo.
Já escrevi sobre isso:
https://br.noticias.yahoo.com/blogs/claudio-tognolli/lava-jato-stf-do-pt-entra-para-a-história-das-023858327.html
E Zavascki concordou com a tese de que o caso não se relacionava ao inquérito da Lava Jato e concluiu que não deveria mais relatá-lo no STF.
O  processo foi redistribuído. E  Dias Toffoli acabou sorteado. E as investigações em primeira instância deixassem de ser comandadas por Moro.
A bomba da Eletronuclear envolve o senador Edison Lobão (PMDB-MA), ex-ministro de Minas e Energia. O dono do UTC, Ricardo Pessoa, em um dos seus depoimentos, susteve que fez encontro Lobão, em 2014. E este lhe pediu R$ 30 milhões para campanhas eleitorais do PMDB.
Refere Ricardo Pessoa que o então ministro solicitou um porcentual entre 1% e 2% do valor total do custo das obras tocadas por um consórcio formado pela UTC e mais seis empreiteiras na usina de Angra 3, cuja administração cabe à estatal Eletronuclear.
Já te contei aqui sobre quem divide a cela com Pizzolato: um velho aplicador de golpes junto de…Edson Lobão!
https://br.noticias.yahoo.com/blogs/claudio-tognolli/saiba-que-está-na-cela-com-pizzolato-velho-155707144.html
Dividir para conquistar
Demorou mas fizeram no STF o que o PT sabe fazer de melhor: dividir para conquistar.
Dividir para conquistar (ou dividir para reinar) (derivado grego: διαίρει καὶ βασίλευε), é ganhar o controle via fragmentação das maiores concentrações de poder, impedindo que se mantenham individualmente.
O conceito refere-se a uma estratégia que tenta romper as estruturas de poder existentes e não deixar que grupos menores se juntem.
Dividir para conquistar foi utilizado pelo governante romano César (divide et impera), Filpe 2 da Madedônia e por ninguém menos que Napoleão(divide ut regnes). Aulo Gabíneo também repartiu a nação judaica em  cinco para poder dominar, relata Flavio Josefo em A Guerra dos Judeus.
Maquiavel cita uma estratégia militar parecida no livro IV de Dell'arte della guerra: para Maquiavel, “ um capitão deve se esforçar ao máximo para dividir as forças do inimigo, seja fazendo-o desconfiar dos homens que confiava antes ou dando-lhe motivos para separar suas forças, enfraquecendo-as”.
O STF do PT entra para a  história das enciclopédias, contribuindo armagedonicamente para o verbete “Dividir para conquistar".
Lenta, mas de maneira plural, oblíqua, ladina, começou o “DesMOROnamento da Lava Jato”.







Explode em Portugal escândalo citando Lula e Dirceu; investigado o comprador da empresa de Lulinha; ex-presidente luso na mira dos tiras

No início de setembro, o semanário Sol,  revelou que na casa de Luís Oliveira Silva, sócio e irmão de José Dirceu, o antigo homem forte de Lula da Silva, a Polícia Federal apreendeu um documento com uma anotação sobre a “Portugal Telecom”.
O trecho acima é da imprensa portuguesa, datado desse 2 de novembro, vulgo hoje.
Outro trecho de hoje:
“Foi neste contexto que o ex-Presidente da República Mário Soares foi sondado pela PT, para ajudar a criar pontes com o Presidente Lula. E é Soares que aconselha Granadeiro a procurar o escritório de advocacia Fernando Lima, João Abrantes Serra e José Pedro Fernandes, a LSF & Associados. O gabinete é sócio no Brasil de José Dirceu, o líder petista conhecido como facilitador de negócios, a quem a LSF chegara anos antes por via de José Pedro Fernandes. Mas será Abrantes Serra a apresentar Dirceu a Nuno Vasconcelos e a Rafael Mora, da Ongoing (e a Miguel Relvas). Dirceu, que surgiu nos epicentros dos grandes escândalos que rebentaram no Brasil ("mensalão”, Lava-Jato e “petrolão”), é classificado pela Polícia Federal como o “chefe da quadrilha”
Entenderam?
A Andrade Gutierrez foi a empreiteira que comprou por 4 milhões de reais a empresa de Lulinha, em 2005. Via Sergio Andrade, Lulinha vendeu à Telemar, do mesmo Sérgio, seu negócio de Ronaldinho. O MPF inocentou Lulinha.
A Telemar ficou tão grande que virou a Oi.
Mas agora a bomba explode em Portugal: a telefonia brasileira, via construtora Andrade Gutierrez, molhou a mão de políticos portugueses, como até o presidente Mario Soares, num gigantesco esquema de corrupção.
Vejam esse trecho que saiu na mídia portuguesa hoje:
“As investigações que hoje decorrem no Brasil e em Portugal, de modo autónomo, mas com canais abertos, já deixam levantar a ponta do véu sobre possíveis pagamentos de várias dezenas de milhões de euros ao universo restrito do ex-Presidente da República Lula da Silva, bem como a ex-governantes e gestores brasileiros e portugueses. Movimentos financeiros que as autoridades suspeitam poderem ter saído de veículos internacionais ligados aos accionistas da Oi, encabeçados pela construtora Andrade Gutierrez, através de territórios como Angola (onde opera também via Zagope) e Venezuela…
…O presidente da Andrade Gutierrez é réu no processo Lava-Jato, sendo-lhe atribuídos os crimes de corrupção, de lavagem de dinheiro e de organização criminosa. Otávio Azevedo é considerado a cabeça da engrenagem que possibilitou o acordo entre a PT e a Oi em Julho de 2010. Um negócio que necessitou de múltiplas autorizações políticas dos dois lados do Atlântico e que começou a ser preparado no final de 2007 como resposta à intenção firme da Telefónica de adquirir os 50% da brasileira Vivo que estavam nas mãos da PT e que era o motor de crescimento da empresa portuguesa”.

Ou seja: a empreiteira-telefônica que comprou a empresa do Ronaldinho de Lula é investigada por ter corrompido políticos portugueses com a ajuda de Zé Dirceu…
É isso que podemos chamar de Globalização, não?

Querem ler mais?
http://www.publico.pt/economia/noticia/x-1713019


domingo, 1 de novembro de 2015



Revista francesa Le Point diz que saída de Dilma é necessária para a recuperação do país

Notícia copiada do site MSN Notícias -

http://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/revista-francesa-le-point-diz-que-sa%C3%ADda-de-dilma-%C3%A9-necess%C3%A1ria-para-a-recupera%C3%A7%C3%A3o-do-pa%C3%ADs/ar-BBmHlXh?li=AAaB4xI&ocid=mailsignoutmd

acessado: 02-11-2015


Revista francesa Le Point diz que saída de Dilma é necessária para a recuperação do país
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Em editorial na sua última edição, a revista semanal francesa Le Poin", de linha editorial conservadora, descreve um cenário sombrio da situação econômica do Brasil e se coloca a favor da saída de Dilma Rousseff do governo. Para a publicação, essa seria a única via para uma possível recuperação. E ainda completa: quanto mais cedo melhor.
O texto, assinado por Nicolas Baverez, começa afirmando que os Jogos Olímpicos do Rio correm o risco de se tornar, como os de Atenas em 2004, um sinal da falência do país. Imaginados para comemorar o milagre brasileiro, "eles poderiam acelerar a queda de uma nação de proa dos Brics com Lula ao símbolo do colapso dos emergentes com Dilma Rousseff.
© Fournis par RFI
A dinâmica que havia feito do Brasil a sétima economia do mundo acabou, segundo a revista. Enquanto que o crescimento do PIB chegou a 7,5% em 2010, a economia está em recessão em 2015, pela primeira vez desde os anos 1930, com retração de 3%. A inflação atingiu 9,4%. O desemprego é de 7,5% da população economicamente ativa. A pobreza aumenta.
O texto prossegue afirmado que um déficit duplo se instalou: o déficit corrente de 4,5% do PIB, e o déficit orçamentário de 9%, que levou a uma dívida pública de 70% do PIB. A nota do Brasil foi rebaixada pelas agências de classificação de risco financeiro para a categoria de investimentos especulativos. O real perdeu mais da metade do seu valor em relação ao dólar, em menos de um ano. A companhia petrolífera nacional, a Petrobras, ilustra o desastre do país, escreve a Le Point. Depois de ter tido o maior aumento de capital da história do capitalismo, a empresa registrou mais de 12 bilhões de euros de perda em 2014, devido ao gigantesco caso de corrupção. Os desvios de dinheiro ultrapassam 2 bilhões de euros e beneficiaram principalmente o Partido dos Trabalhadores.
Motores parados
Os dois motores de crescimento do país estão parados: o consumo interno está bloqueado pelo super endividamento dos lares, ligado à progressão do crédito na última década; a venda de matérias-primas, que representam 60% das exportações, foi afetada pela crise na China e pelo contra-choque do petróleo. Além disso, o sistema previdenciário corre o risco de implodir.
Segundo a revista, o país representa todas as piores características dos emergentes: competitividade degredada, exposição à desaceleração da economia chinesa; forte dependência da renda de hidrocarburantes; dívida externa elevada; duplo déficit estrutural da balança corrente e das contas correntes.
Dilma procura atribuir a catástrofe a causas conjunturais. Mas a Le Point diz que elas são apenas reveladoras dos profundos desequilíbrios que minam o país: estagnação da produtividade do trabalho, cujo custo aumentou em 150% em dez anos; déficit crônico de investimentos (18% do PIB contra 31% na Índia); fraqueza da concorrência indissociável de um protecionismo endêmico; indigência dos serviços públicos, corte dos gastos sociais; fraqueza do Estado, que se traduz em uma corrupção sistemática e um aumento da violência (alta de 10% dos homicídios).
A revista diz que as causas da crise são internas e acrescenta que Dilma não tem nem a vontade nem a legitimidade para interromper a espiral infernal na qual a demagogia meteu o seu país. Sua saída do governo é um requisito à recuperação do Brasil. E finaliza afirmando: quanto mais cedo melhor.



Delator identifica mais depósitos de propina da Odebrecht no exterior

De São Paulo
O ex-gerente de Engenharia da Petrobras Pedro Barusco afirmou em interrogatório nesta quinta-feira (29) que identificou 'mais depósitos' de offshores da Odebrecht no exterior. Barusco disse em sua delação premiada, iniciada há cerca de um ano, à força-tarefa da Operação Lava Jato que havia recebido propina da maior empreiteira do país, no exterior, via offshore Construtora Del Sur. "A identificação das origens (do pagamento de propina), quando eu fiz meu depoimento era um, hoje já tem um nível de conhecimento bastante maior", afirmou.
Em julho deste ano, a Procuradoria da República revelou contas supostamente usadas pelo grupo em nome de empresas offshores Smith & Nash Engeinnering Company, Arcadex Corporation, Havinsur S/A, Golac Project, Rodira Holdings, Sherkson Internacional. A partir dessa descoberta, Barusco afirma que identificou novos repasses da Odebrecht.
"Da Odebrecht, sempre (recebi) lá fora. Sempre recebi em contas na Suíça. Eu consegui identificar recebimento só de uma fonte que eu recebia da Odebrecht, que era aquela Constructora del Sur. Quando o Ministério Público fez uma apresentação, eu vi na televisão, colocou que outras contas, outras offshores seriam da Odebrecht, eu identifiquei, nos meus documentos bancários, depósitos dessas novas offshores que foram colocadas pelo Ministério Público", disse Barusco.
"Eu consegui identificar mais depósitos que seriam supostamente da Odebrecht. Fiz essa revisão e mandei para o Ministério Público, para o Dr. Deltan (Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato). Eu tenho lá com o Dr. Deltan a identificação de depósitos daquelas contas offshores que foram colocadas pelo Ministério Público."
Ao juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, Pedro Barusco afirmou que sobre os depósitos em suas contas no exterior, 'só verificava na conta se caiu determinada quantia, mais nada'.
"Às vezes, falava: vai cair US$ 200 mil, US$ 300 mil. Eu identifiquei uma vez que caiu. Normalmente, não vinha, mas dessa vez veio a origem. Eu identifiquei que seria da Odebrecht. Teria que cair 'X' da Odebrecht, caiu e veio dessa Construtora Del Sur. Eu lembro que eu fiquei com isso na cabeça", afirmou Barusco.
Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, a Construtora Del Sur fez 9 transferências, de cerca de US$ 1 milhão, em 2009. Barusco confirmou estes depósitos e disse que identificou outros de offshores reveladas pela Procuradoria.
"Eu tinha na documentação bancária algumas origens Innovation Research, Klienfeld, só que eu não relacionava de quem eu tinha recebido. Eu tinha a origem, mas não sabia como relacionar. Quando o Ministério Público falou que era da Odebrecht, eu identifiquei que era da Odebrecht."
A Odebrecht nega taxativamente envolvimento no esquema de corrupção instalado na Petrobras.
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Operação Lava Jato da PF216 fotos

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21.set.2015 - O executivo José Antunes Sobrinho (de camisa azul), um dos donos da Engevix, realiza exame de corpo delito no IML (Instituto Médico Legal) de Curitiba (PR) para a realização de exame de corpo de delito. Ele foi preso preventivamente em Santa Catarina. O executivo é suspeito de ter pago propinas em cima de contratos da empreiteira com a Eletronuclear que somavam R$ 140 milhões, entre 2011 e 2013. Os valores teriam sido pagos para a Aratec, empresa controlada pelo ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva. A Polícia Federal deflagrou a 19ª fase da Operação Lava Jato mirando em pagamentos no exterior Leia mais Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo
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