sábado, 11 de junho de 2016



Planalto, TSE e PMDB reagem à ideia de novas eleições

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Em Brasília
  • Elza Fiúza/Agência Brasil
A declaração da presidente afastada Dilma Rousseff de que apoia uma consulta popular para a realização de novas eleições como saída para a crise política causou reação no Congresso, no Palácio do Planalto e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por um eventual novo pleito.
No TSE, a proposta é vista com ceticismo. A corte avalia que seria difícil viabilizar o plebiscito, considerando que a tramitação no Legislativo seria demorada e os custos somados às eleições seriam muito altos. A visão do tribunal é que o debate poderia acabar concluído só no ano que vem, o que abriria a possibilidade para que as eleições fossem indiretas.
Lideranças petistas no Senado, contudo, utilizam a proposta para negociar o apoio ao impeachment com parlamentares insatisfeitos com a gestão Temer. Só o Congresso pode convocar um plebiscito. A proposta precisaria ser apresentada por no mínimo um terço dos senadores ou deputados e aprovada nas duas Casas por maioria simples.
Há um grupo de 30 senadores que diz simpatizar com a proposta, porém, muitos parlamentares da base aliada e da oposição avaliam que a sinalização de Dilma "chegou tarde". O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), disse que se a proposta tivesse sido feita antes do impeachment, até poderia ser considerada, mas agora só ia gerar mais instabilidade no País.
O líder da minoria na Câmara, deputado José Guimarães (CE), disse que a realização de uma consulta popular sobre novas eleições poderia ser a saída da crise. "Agora é a hora, o assunto está maduro. Esse movimento tende a ganhar corpo dentro e fora do PT, os democratas do País não podem se recusar a discutir uma saída", criticou. O líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi (SP), classificou a proposta de "factoide" criado pelo PT para prejudicar o governo Temer. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

Alckmin critica proposta de Dilma de plebiscito por novas eleições

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No Rio
  • Márcio Fernandes/Estadão Conteúdo
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, defendeu que o PSDB se aproxime do povo para combater a fama de elitista, imposta pelos adversários, segundo ele. "Governo moderno é o que interage", afirmou a uma plateia de pré-candidatos a prefeituras, em curso de preparação para as eleições organizado pelo diretório fluminense do PSDB. Em seu discurso, Alckmin aproveitou para atacar o governo petista e pediu reforma administrativa, com a redução do número de estatais.
"Tem que fechar a EBC. É a TV do Lula. Não tem a menor justificativa. Não tem audiência. E todo dia cria custo", opinou. Ele também criticou a proposta da presidente afastada, Dilma Rousseff, de promover um plebiscito por novas eleições. "É inconstitucional. Eu sou contra", disse Alckmin.
Durante o encontro, os pré-candidatos a prefeituras do Rio pelo PSDB usavam adesivos em suas roupas com a frase "Oposição a favor do Brasil". Segundo Alckmin, o partido liberou para o presidente interino, Michel Temer (PMDB), os "bons quadros que o governo federal precisou", mas não tem a obrigação de fazer parte do governo. "O PSDB tem responsabilidade com o povo. Não precisa, para votar a favor de medidas de reforma, medidas de interesse público, fazer parte do governo. Temos que deixar o presidente à vontade para montar a sua equipe", afirmou.
Alckmin defendeu a promoção de reformas política, judiciária e administrativa. Ele argumentou que existem no país 140 empresas estatais, "um terço delas foi criado nos 13 anos do governo do PT".
Além de defender a venda da EBC, ele destacou a criação da TAV, para operar o trem-bala, projeto que nunca saiu do papel. "Lembra do trem-bala, que ia ligar Campinas (SP), São Paulo e Rio de Janeiro? Não existe trem-bala, não tem ferrovias, não tem nada, mas tem estatal, a TAV", contestou.








STF envia para Justiça de São Paulo inquérito contra Mercadante

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Em Brasília
  • Antonio Cruz/Agência Brasil
    O ex-ministro da Educação, Aloizio Mercadante
O ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou o envio para a Justiça Eleitoral de São Paulo o inquérito que investiga o ex-ministro da educação Aloizio Mercadante por suspeita de crime durante a campanha dele ao governo de São Paulo em 2010.
Com o afastamento da presidente Dilma Rousseff pelo processo do impeachment, o petista foi exonerado do cargo no Executivo e perdeu o foro privilegiado. O inquérito foi aberto no STF em setembro do ano passado e o investiga por crime eleitoral, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
"Tendo em vista que cessou a investidura funcional do ora investigado em cargo que lhe assegurava prerrogativa de foro perante esta Corte, reconheço não mais subsistir, no caso, a competência originária do STF para prosseguir na apreciação deste procedimento de natureza penal", escreveu o ministro.
A investigação contra Mercadante foi instaurada com base na delação premiada do dono da UTC, Ricardo Pessoa, na Lava Jato. O empreiteiro disse que o petista presenciou um acerto de caixa dois para beneficiar a campanha dele ao governo de São Paulo.
Segundo Pessoa, o acordo da UTC era de repassar R$ 250 mil como doação oficial à campanha e outros R$ 250 mil, dados em espécie, de origem ilegal. Mercadante sustenta que recebeu R$ 500 mil em doação oficial declarada à Justiça Eleitoral e rechaça a tese de existência de caixa 2.
Outra delação premiada da Lava Jato, do diretor financeiro da UTC, Walmir Pinheiro, também integra o processo. Segundo Pinheiro, foram feitas três doações eleitorais de R$ 250 mil à campanha de Mercadante, uma pela UTC, a segunda pela Constran e a terceira "por fora".
O caso foi enviado primeiro ao relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki. Como não havia relação com o esquema de corrupção da Petrobras, ele foi sorteado ao ministro Celso de Mello. O processo tramitava de forma oculta na Corte a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Outro lado

A assessoria de imprensa do ex-ministro da Educação Aloizio Mercadante disse nesta terça-feira (7) que ele recebeu com "serenidade" a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de enviar para a Justiça Eleitoral de São Paulo o inquérito que apura um suposto crime de caixa dois durante a sua campanha ao governo de São Paulo em 2010.
Em nota, a assessoria ressalta que a prestação de contas da campanha de Mercadante foi "aprovada integralmente e sem qualquer ressalva" e afirma que o valor de R$ 500 mil doado pela UTC, de Ricardo Pessoa, foi uma doação oficial.
"Mercadante tem a certeza que todas as questões serão devidamente esclarecidas e mantém a confiança na condução dos trabalhos pelo Ministério Público Federal e Justiça Eleitoral", diz a nota.



Erundina lança candidatura em SP e diz que Haddad faz governo 'medíocre'

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Em São Paulo
  • Donaldo Hadlich/Estadão Conteúdo
    A deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), que lança candidatura à Prefeitura de São Paulo
    A deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), que lança candidatura à Prefeitura de São Paulo
Prefeita de São Paulo pelo PT entre 1989 e 1993, a deputada federal Luiza Erundina (PSOL) lança oficialmente nesse domingo (12) sua pré-candidatura à prefeitura da capital com críticas duras ao prefeito Fernando Haddad (PT).
"Haddad faz um governo medíocre. Ele não ousou em nada. A periferia está abandonada", disse ela ao jornal "O Estado de S. Paulo".
Em 2012, quando estava no PSB, Erundina chegou a ser anunciada como candidata a vice na chapa de Haddad, mas desistiu depois que ele se aliou ao ex-prefeito Paulo Maluf (PP).
A estratégia do PSOL em 2016 é atrair os eleitores de esquerda que estão insatisfeitos com o PT. "A sociedade não vê o governo Haddad como a força que representa a esquerda no Brasil. Precisamos rearticular os setores progressistas", afirma a deputada.
A pré-candidata do PSOL também crítica Haddad por, segundo ela, "não ter protagonismo" no movimento nacional contra o presidente interino de Michel Temer. "Esse governo é golpista", afirma Erundina.
A deputada classifica seus demais adversários, o empresário João Doria, do PSDB, o vereador Andrea Matarazzo, do PSD, o deputado Celso Russomanno, do PRB, e a senadora Marta Suplicy, do PMDB, como "representantes da direita conservadora".
O lançamento da candidatura está previsto para as 14h, na quadra do Sindicato dos Bancários, no centro da cidade. O candidato a vice de Erundina será o deputado federal Ivan Valente, também do PSOL.






Janot pede que inquérito contra Lula vá para a Justiça Federal, no Paraná

Marcelo Brandão - Repórter da Agência Brasil
O procurador Rodrigo Janot deseja que o Supremo Tribunal Federal remeta inquérito contra o ex-presidente Lula para a Justiça Federal, em Curitiba José Cruz/Agência Brasil
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que remeta inquérito contra o ex-presidente Lula para a Justiça Federal. O processo se refere ao conteúdo da delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral.
Na delação, Delcídio disse que o ex-presidente Lula tentou interferir para evitar que o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Ceveró, assinasse acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. No dia 8 de abril, Lula prestou depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) e negou as acusações.
A argumentação de Janot é que, com a cassação do mandato de Delcídio, nenhum dos denunciados no inquérito tem foro privilegiado. A decisão está nas mãos do ministro do STF, Teori Zavaski. Caso siga a recomendação de Janot, o processo envolvendo Lula vai para o juiz Sérgio Moro, em Curitiba.
Compra do silêncio
No início de maio, a Procuradoria-Geral da República denunciou Lula com base na delação de Delcídio do Amaral. De acordo com a PGR, Lula atuou "na compra do silêncio" do ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, a fim de evitar que ele assinasse acordo de delação premiada com a força-tarefa de investigadores da Operação Lava Jato.
Os fatos motivaram a prisão, no ano passado, do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS). A prisão foi embasada por uma gravação apresentada à PGR por Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor. Segundo a procuradoria, o senador ofereceu R$ 50 mil por mês para a família de Cerveró e mais um plano de fuga para que o ex-diretor deixasse o país.
 



Moro chama Dilma como testemunha de Marcelo Odebrecht

Odebrecht está negociando acordo de delação premiada com a força-tarefa do Ministério Público Federal

postado em 10/06/2016 21:17 / atualizado em 10/06/2016 21:25

O juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, mandou comunicar a presidente afastada Dilma Rousseff que ela foi arrolada como testemunha de defesa do empreiteiro Marcelo Bahia Odebrecht, preso desde 19 de junho de 2015 e condenado a 19 anos e quatro meses de prisão por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema de propinas montado na Petrobras.

A decisão de Moro ocorre em um momento crucial da Lava Jato. Odebrecht está negociando acordo de delação premiada com a força-tarefa do Ministério Público Federal. Os investigadores estão na expectativa de que o empreiteiro poderá revelar detalhes sobre financiamento da campanha da petista em 2010 e em 2014.

Desde fevereiro está preso o publicitário João Santana, marqueteiro das campanhas de Lula (2006) e Dilma. A investigação revela depósitos de US$ 7,5 milhões em favor do marqueteiro realizados pela Odebrecht em pleno período eleitoral de 2014. Os advogados de Odebrecht arrolaram Dilma nos autos da Operação Xepa, 26.ª etapa da Lava Jato.


Moro mandou expedir ofício a Dilma solicitando a ela que responda se quer ser ouvida em audiência ou que lhe sejam encaminhadas perguntas por escrito, na forma do artigo 221 do Código de Processo Penal.

"(Marcelo Odebrecht) Arrolou como testemunha a Exma. Sra. Presidente da República Dilma Vana Roussef. Relativamente à ela, observo a necessidade de aplicação do artigo 221 do Código de Processo Penal. Oficie-se, desde logo, em ofício a ser subscrito pelo Juízo, à Exma. Sra. Presidente informando que foi arrolada como testemunha de defesa pelo acusado Marcelo Bahia Odebrecht e indagando se prefere ser ouvida em audiência ou que lhe sejam encaminhadas perguntas a serem respondidas por escrito na forma do artigo 221, §1º, do Código de Processo Penal. Solicite-se resposta, se possível, em cinco dias, já que a ação penal conta com acusados presos."

Em seu despacho, Moro destacou que "não há falar em inépcia da denúncia como alegam alguns defensores".

"Apesar de extensa, é ela, aliás, bastante simples e discrimina as razões de imputação em relação a cada um dos denunciados. O cerne consiste no pagamento de propinas acertadas entre a Odebrecht, agentes da Petrobras e agentes políticos, para os acusados Monica Regina Cunha Moura (mulher do marqueteiro) e João Cerqueira de Santana Filho, o que teria sido feito através do assim denominado Setor de Operações Estruturadas da empresa e mediante entregas de valores em espécie ou depósitos em conta secreta no exterior. Valores de propinas destinados ao Partido dos Trabalhadores em decorrência de contratos das Petrobras teriam sido repassados em pagamentos de serviços de publicidade prestados à referida agremiação política pelos acusados Monica Regina Cunha Moura e João Cerqueira de Santana Filho, cientes estes da origem e natureza criminosa dos valores."
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Depois de avião, Temer corta clipping de notícias de Dilma

RD - REPORTER DIÁRIO


Depois dos aviões da FAB, cartão de crédito, secretárias e seguranças, o governo do presidente em exercício, Michel Temer, cortou o clipping diário de notícias da presidente afastada Dilma Rousseff.
O calhamaço azul apelidado de “mídia” com as principais notícias do dia tem sido “contrabandeado” para o Palácio da Alvorada por aliados remanescentes no Planalto.
Interlocutores afirmam que Dilma soube do corte da “mídia” por uma nota na coluna “Radar”, da revista Veja e ficou irritada. A petista teria pedido a assessores que ligassem para o presidente da EBC, Ricardo Melo, que se comprometeu a tentar restabelecer o envio do clipping.
“São tentativas de constrangimento, de criar obstáculos para a atuação da presidente. É muito pequeno, muito mesquinho, que situações desse tipo aconteçam”, disse o ex-ministro da Justiça e ex-adovogado-geral da União José Eduardo Cardozo.
Na terça-feira, 7, Dilma disse que o governo Temer tenta transformar o Alvorada em uma “prisão dourada”.
Desde que deixou o Planalto a petista acusou diversas tentativas de, segundo ela, impedir sua movimentação política.
Demissão de secretárias, redução do número de seguranças, restrição do uso de aviões da FAB apenas para voos até Porto Alegre, corte no cartão de crédito usado para abastecer o Alvorada (já liberado) e diárias de viagens de assessores têm tirado Dilma do sério.
Na semana passada, enquanto era entrevistada pelo jornal The New York Times, a energia do Palácio caiu seis vezes. No sábado, 4, quando voltou de uma viagem, faltou luz entre 21h e 23h. Segundo assessores, no entorno do Alvorada o fornecimento de energia estava normal.
Em viagem a Belo Horizonte, assessores pagaram diárias de hotel do próprio bolso. Com a limitação do uso de aviões, Dilma tentou ir em voo comercial para Campinas, onde se encontra com intelectuais nesta quinta-feira, 9, mas como haviam apenas quatro passagens disponíveis o PT fretou um avião de sete lugares.
Nesta quarta-feira, 8, o deputado Jorge Solla (PT-BA) conseguiu aprovar requerimento na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara cobrando explicações do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, sobre os cortes. Mas as “mesquinharias” são debitadas por Dilma na conta do ministro da Secretaria de Governo, Gedel Vieira Lima.
A presidente afastada ficou especialmente irritada com a divulgação do valor de R$ 62 mil gasto com despesas do Alvorada no último mês. “Parece que os R$ 62 mil são só para mim”, reclamou.
Na sexta-feira, 10, Dilma poderá finalmente usar um avião da FAB, que vai buscá-la em São Paulo e levá-la a Porto Alegre.







Nas entrelinhas: O jogo está jogado

Publicado em Jornalista, colunista do Correio Braziliense
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As votações revelam que o governo provisório tem uma ampla base de apoio no Congresso, o que a presidente Dilma Rousseff nunca conseguiu
O dólar caiu 2,28% e as ações da Petrobras subiram 8% ontem, um dia depois da divulgação dos pedidos de prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), do senador Romero Jucá (PMDB-RR), do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) e do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), caciques do PMDB. Por quê? Ora, principalmente porque na mesma terça-feira em que vazaram os pedidos, o Senado aprovou a indicação do novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, por 56 votos favoráveis, 13 contrários e uma abstenção. A decisão sepultou definitivamente a “nova matriz econômica” de presidente afastada Dilma Rousseff, que quebrou o país. E restabeleceu as políticas de meta de inflação e câmbio flutuante. No caso da Petrobras,  de nada adiantaria a alta do petróleo sem que a nova administração de Pedro Parente restabelecesse a confiança dos investidores.
Na Câmara, o presidente interino Michel Temer conseguiu a aprovação, em segundo turno, da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prorroga até 2023 a permissão para o governo usar livremente parte de sua arrecadação, a chamada Desvinculação de Receitas da União (DRU). A aprovação do texto-base se deu por 340 votos a favor e 96 contrários. A medida é fundamental para o ajuste fiscal e segue para o Senado. Na próxima semana, o Palácio do Planalto deverá encaminhar à Câmara a proposta de teto para a elevação do gasto público, considerando o crescimento do PIB e a inflação. Estarão dadas as condições para o ajuste fiscal de curto prazo e médio prazos; o de longo, dependerá da elevação da idade mínima para aposentadorias, que será uma batalha mais difícil.
As votações revelam que o governo provisório tem uma ampla base de apoio no Congresso, o que a presidente Dilma Rousseff nunca conseguiu. Isso está servindo para blindar a política econômica do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. A reação dos mercados, portanto, foi imediata, apesar da confusão política, que é de pirar o cabeção de muita gente, a começar pelos correspondentes estrangeiros. Na terça-feira, o site do The New York Times havia publicado entrevista de Dilma na qual a presidente afastada diz que tem esperança de voltar ao cargo, entre outras coisas, porque acredita que seis senadores mudarão de posição. E desceu o sarrafo na política econômica.
Mas o que bombou mesmo nas redes sociais foi a prisão do “japonês da Federal”. O policial federal Newton Ishii, símbolo da Operação Lava-Jato, estava condenado desde 2003, por envolvimento em contrabandobf, mas havia recorrido da sentença. Sua prisão era pedra cantada entre procuradores e delegados, porém, diante do fato de ter atuado tão intensamente durante as prisões dos envolvidos no escândalo da Petrobras, não deixou de ser um espanto para a opinião pública. É difícil explicar no exterior como as coisas funcionam no Brasil.
Enquanto isso, o pedido de prisão dos caciques do PMDB apresentado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi tratado nos meios políticos e jurídicos de Brasília como uma espécie de drible a mais. Entretanto, o ministro-relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, a quem cabe examinar o pedido, não comentou o assunto. Pode ser que o requerimento esteja acompanhado de provas muito robustas. Mesmo assim, a comissão mista que instrui o pedido de impeachment da Dilma Rousseff começou a maratona de oitivas de testemunhas de acusação e de defesa de Dilma, sob a presidência do fleumático senador Raimundo Lira (PMDB-PB). A expectativa é de que, em 90 dias, seja dado o veredito sobre o crime de responsabilidade. Ninguém tem dúvida de que a comissão pedirá o afastamento e a cassação de Dilma. É jogo jogado, apesar do esperneio petista.
Luz no túnel
Assim como é jogo jogado o desfecho da Operação Lava Jato, em termos de investigação criminal. As delações premiadas de Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro se somarão às dos ex-senadores Delcídio do Amaral e Sérgio Machado e às dos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto da Costa e Nestor Cerveró, sem falar nos demais. O esquema montado pelo PT durante os governos Lula e Dilma, em parceria com caciques do PMDB e do PP, foi completamente desnudado. Possivelmente, entrarão na roda os contratos com os governos estaduais, que serão investigados por outra força-tarefa, e sobrará também pra a antiga oposição, inclusive para o PSDB.
No Brasil, historicamente, as crises institucionais foram resolvidas por meio da conciliação ou do golpe de estado. No primeiro caso, o protagonista sempre foi o Congresso; no segundo, os militares. O fato novo na crise tríplice que o país atravessa é que ela está sendo decantada. A crise econômica já tem uma luz no fim do túnel, graças ao governo provisório de Temer. A crise ética também se aproxima de um desfecho, a cargo do Supremo Tribunal Federal (STF). A superação da crise política depende do Congresso. Começa pelo afastamento definitivo de presidente Dilma, mas ninguém sabe como acabará, exceto que a solução passará pelas eleições de 2018. Quem sobreviver, verá.