sábado, 11 de junho de 2016


Câmara aprova em 2º turno prorrogação da DRU até 2023; texto vai ao Senado

Em Brasília -
  • AP Photo/Felipe Dana
A Câmara dos Deputados aprovou na tarde desta quarta-feira (8) em segundo turno, a redação final da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prorroga a DRU (Desvinculação de Receitas da União) até 2023. Em mais uma demonstração da força da base aliada de Michel Temer no Congresso Nacional, a matéria foi aprovada por 340 votos a 90. Houve ainda uma abstenção. Um destaque ao texto foi rejeitado pelos parlamentares.
O projeto passou com folga, já que eram necessários 308 votos favoráveis para a aprovação. A PEC segue agora para o Senado, onde poderá ser analisada diretamente em plenário. Para que seja promulgada, deverá ser aprovada também em dois turnos, por 3/5 dos 81 senadores, ou seja, por pelo menos 49 votos. Foi pela possibilidade de tramitação mais rápida que o governo Temer decidiu priorizar as articulações na PEC da DRU que tramitava na Câmara, em vez de focar na proposta no mesmo sentido que estava no Senado.
Todos os parlamentares presentes do PT, PCdoB, PSOL e Rede votaram contra a PEC. Votos negativos vieram ainda da maior parte dos deputados do PDT. Partidos da base do governo Temer e que comandam ministérios também registraram votos contrários, como o PSB (4), o PP (2), o PSDB (2) e PV (1).
A DRU é um mecanismo que dá mais liberdade ao governo no uso das receitas obtidas por meio de tributos federais vinculados por lei a fundos ou despesas. Na prática, permite à União aplicar os recursos vinculados por lei a áreas como educação, saúde e previdência social em qualquer despesa considerada prioritária e na formação de superávit primário, desde que respeitando os gastos mínimos constitucionais exigidos para cada área.
A proposta foi criticada pelo deputado oposicionista Caetano (PT-BA). Para ele, a medida não poderia ser tomada por um governo interno. "Vai prejudicar os aposentados, vai prejudicar a educação e a saúde pública, que já está na UTI", disse. A fala foi rebatida por Daniel Coelho (PSDB-PE), que afirmou ter defendido a prorrogação da DRU mesmo quando era oposicionista, durante a gestão de Dilma Rousseff. "A oposição não pode ultrapassar os limites do interesse da sociedade", disse.
De acordo com o relator da PEC, deputado Laudívio Carvalho (SD-MG), foram criadas mentiras sobre a proposta durante a tramitação. "A saúde está preservada em nosso relatório, a educação também. São pontos que estão na Constituição, assim como a Previdência Social", disse. "O governo afastado queria (a aprovação da DRU) no ano passado e não teve competência", completou.

Prazo

A proposta aprovada em plenário não sofreu mudanças do texto proveniente da comissão especial. O instrumento prorroga a DRU até 31 de dezembro de 2023, estabelecendo que a autorização para remanejar o Orçamento da União será retroativa a 1º de janeiro deste ano. A retroatividade foi alvo de questionamentos de parlamentares, que a consideram inconstitucional. Eles tentaram tirar a possibilidade de a desvinculação retroagir, mas não conseguiram aprovar emenda nesse sentido. A última autorização para a DRU venceu em 31 de dezembro de 2015.
O texto da PEC aprovado na Câmara também prevê que a alíquota do Orçamento da União que o Executivo poderá remanejar seja elevada de 20%, como foi até o ano passado, para 30%. Além disso, prevê a criação de uma espécie de DRU para Estados e municípios - chamadas de DRE e DRM, respectivamente - nos mesmos termos da DRU, mas prevendo explicitamente que o remanejamento não pode afetar recursos destinados à Saúde e à Educação.
A Câmara tinha aprovado a PEC da DRU em primeiro turno na madrugada de 2 de junho. Para que pudesse fazer a segunda votação nesta semana, deputados aprovaram nessa terça-feira (7) requerimento de quebra de interstício, para retirar o prazo regimental de cinco sessões exigido entre a votação em primeiro e segundo turno.




Na comissão do impeachment, procurador e auditor atribuem crise econômica a pedaladas

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Do UOL, em Brasília
  • Alan Marques - 8.jun.2016/Folhapress
    O procurador do Ministério Público junto ao TCU, Júlio Marcelo de Oliveira
    O procurador do Ministério Público junto ao TCU, Júlio Marcelo de Oliveira
Como testemunhas de acusação ouvidas nesta quarta-feira (9) na comissão do impeachment no Senado, o procurador do Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), Júlio Marcelo de Oliveira, e o auditor do TCU, Antônio Carlos D'Ávila Carvalho, afirmaram que as chamadas pedaladas fiscais praticadas pelo governo durante a gestão de Dilma Rousseff foram responsáveis pelo agravamento de crise econômica no país.
Já os servidores de carreira do Tesouro Nacional, o coordenador-geral de Operações de Crédito, Adriano Pereira de Paula, e o secretário-adjunto, Otávio Ladeira de Medeiros, disseram que a quitação do passivo de 2015 foi feita até 28 de dezembro, ou seja, dentro do exercício e em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal. Os depoimentos foram vistos de forma positiva pelos aliados de Dilma, que elogiaram os servidores, apesar de terem sido listados como testemunhas de acusação.
A reunião da comissão foi encerrada pelo senador Raimundo Lira (PMDB-PB) às 2h10, depois de quase 15 horas de duração. Por conta do horário, a sessão de oitiva de testemunhas do processo que seria realizada nesta quinta-feira (9) foi cancelada e adiada para a próxima segunda-feira (13).
A sessão foi marcada mais uma vez por bate-boca entre aliados de Dilma e senadores pró-impeachment, por causa das regras do interrogatório das testemunhas e pela divergência de opiniões sobre a conduta de Dilma.
A estratégia dos congressistas que defendem a presidente Dilma Rousseff é demonstrar que ela não cometeu crimes de responsabilidade porque não tinha ciência de que tais atos eram ilegais, já que o TCU teria mudado o entendimento sobre eles posteriormente, levando o próprio governo a quitar as dívidas com os bancos.

Primeira testemunha

O procurador do Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), Júlio Marcelo de Oliveira, primeira testemunha indicada pela acusação ouvida na comissão especial do impeachment no Senado, afirmou nesta quarta-feira (8) "não ter dúvidas" de que há uma relação direta entre a maquiagem nas contas públicas e a crise econômica no País. Responsável pelas representações que levaram o TCU a condenar as pedaladas fiscais e a edição de decretos irregulares, Júlio considera que esses artifícios implicaram no aumento da dívida pública e na perda de confiança.
"Danos aos alicerces da economia brasileira que podem levar anos para serem recuperados", disse.
Para o procurador, Dilma cometeu uma "fraude democrática", realizando feitos que não conseguiria manter com a arrecadação do período. "Tudo isso leva a uma dúvida sobre o compromisso do governo em manter uma postura coerente e correta para sustentação da dívida, porque se ela perde o controle os agentes econômicos serão penalizados, sofrerão em algum momento um prejuízo seja por uma reestruturação da dívida, seja por uma inflação fora de controle, algum ajuste acaba sendo feito, então o artifício das pedaladas que levou a uma expansão insustentável do gasto público está na raiz da profunda crise", declarou.
Durante a sua oitiva, Júlio afirmou ainda que após a auditoria do TCU concluiu que o governo da presidente Dilma Rousseff utilizava instituições financeiras (BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica) como um "cheque especial" e uma "linha de financiamento" para gastos e despesas primárias do Executivo.
Ele enfatizou diversas vezes durante as suas respostas aos questionamentos dos senadores que a presidente Dilma Rousseff sabia que cometia irregularidades. "A presidente tinha consciência disso (que violava a Lei Orçamentária)? Sim, porque ela mesma enviou o Projeto de Lei nº 5, para alterar a meta. E, na exposição de motivos, ela mesma disse que não teria mais condições de cumprir a meta vigente", afirmou.
"É obrigação da presidente ter consciência disso, quer dizer, não podemos construir a teoria da irresponsabilidade do Presidente em que o Tesouro fica devendo bilhões aos bancos federais, e o Presidente da República ou a Presidente da República se declara inconsciente do que está acontecendo."
Nos questionamentos, a estratégia dos aliados de Dilma é defender que a presidente não estava ciente de que cometia irregularidades ao emitir decretos e que o TCU mudou o seu entendimento sem alertar o Executivo. Júlio, por outro lado, nega a versão e disse que os próprios funcionários do governo alertaram a presidente.
Para ele, a representação do Ministério Público de Contas, em agosto de 2014, foi um aviso. Depois, em abril de 2015, quando houve o julgamento do TCU, ele avalia que "não tinha como a instituição ter sido mais clara".
O procurador rechaçou a tese da defesa de que houve uma mudança de entendimento no TCU entre 2014 e 2015. Ele considera que a instituição não precisava ter feito alertas prévios ao Executivo.
"O que a lei prevê sobre alertas são alertas para limites de pessoal, que estão próximos de serem descumpridos, não é para fraudes que estão sendo descobertas naquele momento. Quando se descobre uma fraude, se faz um julgamento, se diz: 'Essa fraude está acontecendo e não pode acontecer. Corrija-se'. Foi o que aconteceu", afirmou o procurador.
Júlio reafirmou diversas vezes que não houve mudanças no TCU. "O entendimento do TCU de dezembro é o mesmo que ele apresentou em abril, quando ele identificou a fraude. O TCU, quando identificou as fraudes fiscais, chamadas pedalas, imediatamente rechaçou, não houve entendimento para ser modificado. Muito mais eficaz do que emitir um alerta é fazer um julgamento categórico. Esse entendimento, todas as vezes que o Tribunal se pronunciou, ele confirmou sua repulsa, o seu rechaçar por essa conduta adotada ilegalmente pelo governo."
Júlio é a primeira testemunha de acusação ouvida na segunda fase do processo de impeachment. 
André Dusek - 8.jun.2016/Estadão Conteúdo
Antônio Carlos D'Ávila Carvalho, auditor fiscal do TCU
Antônio Carlos D'Ávila Carvalho, auditor fiscal do TCU, foi a segunda testemunha a ser ouvida nesta quarta-feira pela comissão do impeachment. Ele defendeu o trabalho de auditoria feita pelo órgão nas contas de Dilma, na questão da abertura de créditos suplementares. Questiona por senadores sobre a manifestação do TCU apenas em 2014, e não em relação aos anos anteriores, afirmou que "não houve mudança de entendimento do tribunal". Ele afirmou ser "gravíssimo" editar crédito suplementar sem autorização do Poder Legislativo.
Carvalho citou especificamente para justificar a posição do órgão a Lei de Responsabilidade Fiscal, como está inscrito no artigo 33 da lei: "A instituição financeira que contratar operação de crédito com ente da Federação, exceto quando relativa à dívida mobiliária ou à externa, deverá exigir comprovação de que a operação atende às condições e limites estabelecidos". Ele disse que a lei é clara e que o governo Dilma a contrariou.
O auditor atribuiu às manobras do governo a crise que o país enfrenta, a exemplo do que fizera a outra testemunha ouvida, Júlio Marcelo de Oliveira. "É o principal fator que nos levou à crise econômica." Ele relatou que, quando se debruçou sobre as contas de Dilma, se perguntava se o que ele estava encontrando de desvio era fato ou não e chegou a duvidar de si mesmo. "Infelizmente, o que estava vendo era o cometimento de atos contrários aos fundamentos da Lei de Responsabilidade Fiscal".
O auditor fez ainda uma analogia do caso com sua situação doméstica, dizendo ser ele o Executivo e a mulher dele, o Legislativo e o Judiciário. E que se ele tivesse feito gastos sem autorização dela, a mulher certamente teria pedido seu impeachment.
Carvalho detalhou que a auditoria de 2014 foi feita por dois auditores, por ele mesmo e por Charles Santana de Castro. Na análise das contrarrazões apresentadas pelo governo, segundo ele, foram no total 14 auditores empregados, todos eles concursados. Segundo ele, o que foi encontrado em 2014 não se compara aos atos semelhantes dos governos Luiz Inácio Lula da Silva e de Fernando Henrique Cardoso, embora ela lembre que não pertencia ao TCU à época do TCU. Ele confirmou o que chamou de "falseamento" das contas.
Carvalho também foi indicado pelos autores da denúncia contra Dilma, os juristas Miguel Reale Jr., Janaína Paschoal e Hélio Bicudo.

Servidores do Tesouro Nacional

Moreira Mariz/Agência Senado
Adriano Pereira de Paula, coordenador-geral de Operações de Crédito do Tesouro Nacional
Adriano Pereira de Paula, coordenador-geral de Operações de Crédito do Tesouro Nacional, foi a terceira testemunha a ser ouvida. Pereira de Paula afirmou que as orientações para atrasos nos pagamentos para o custeio de políticas públicas, inclusive os repasses de recursos ao Banco do Brasil para subsidiar os empréstimos do Plano Safra, vieram de autoridades da área econômica do governo da presidente afastada Dilma Rousseff.
O coordenador explicou que a partir de 2015 os técnicos do Tesouro Nacional foram chamados pela equipe econômica para que mostrassem em que pé estavam as transferências de verbas ao Banco do Brasil. Os servidores, como ele informou, propuseram a quitação dos débitos o que ocorreu até o final de dezembro do ano passado.
O servidor afirmou ser plausível dizer que o valor do Plano Safra não seja definido por um único integrante do governo federal, ou seja, retirando a autoria da presidente afastada Dilma Rousseff da operação de crédito chamada de pedalada fiscal.
Pereira de Paula disse que toda a quitação do passivo de 2015 foi feita até 28 de dezembro, ou seja, dentro do exercício e em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O funcionário do Tesouro disse que houve restos a pagar em 2016, mas que eram tecnicamente possíveis.
As declarações do servidor do Tesouro foram tão satisfatórias para a defesa que o ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, parabenizou a testemunha da acusação e não quis fazer a ele nenhuma outra pergunta.
Moreira Mariz/Agência Senado
Otávio Ladeira de Medeiros, secretário-adjunto do Tesouro Nacional
Quarta testemunha a ser ouvida, o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Otávio Ladeira de Medeiros, confirmou o que já havia sido dito por Adriano Pereira de Paula, que os atrasos do governo federal nos repasses para subsidiar os empréstimos do Plano Safra foram regularizados até o final de 2015. "Os fluxos do Plano Safra foram regularizados o mais rápido possível. Ao longo de 2015 foram feitos os pagamentos referente àquele ano. Quanto ao estoque da dívida esperou-se a decisão do Tribunal de Contas da União para que pudéssemos fazer o pagamento", informou o servidor.
Ele confirmou que, em 2013, a equipe do órgão identificou problemas fiscais, mas não fez nenhum encaminhamento especial para a presidente Dilma.
O servidor afirmou ainda que, em 2015, ano que é analisado no processo de impeachment, houve "inflexão" em relação aos anos anteriores, no sentido de que o governo se esforçou em fazer pagamentos atrasados e quitar débitos. Dessa forma, "todos os pagamentos foram realizados até dezembro", inclusive as pedaladas. (Com informações do Estadão Conteúdo e Agência Senado)






"A lei é para todos", diz Skaf sobre pedidos de prisão de peemedebistas

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Em São Paulo
  • Divulgação/Ayrton Vignola/Fiesp
    O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e outros representantes de entidades empresariais em reunião de apoio ao pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff
    O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e outros representantes de entidades empresariais em reunião de apoio ao pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, disse nesta sexta-feira, 10, que "a lei é para todos" e que, "se for comprovado crime, tem que haver punição". Ele fez a afirmação ao ser perguntado sobre o que achava dos pedidos de prisão contra membros de peso do PMDB, sigla a qual Skaf é filiado. "É natural que a lei tem que ser para todos", disse.
Skaf fez questão, no entanto, de destacar que a sua posição e a da Fiesp são de separar o trilho da crise política do trilho da economia. Segundo ele, a crise política tem o seu tempo e tem que ser respeitado, mas os 200 milhões de habitantes que querem emprego, o empreendedorismo e a necessidade do povo brasileiro não podem ficar marginalizados nessa história.
"Então nós queremos um trilho em que corra a crise política e um outro em que corra a economia", disse Skaf. Acrescentou que a sensação é de que a economia já está encostando no fundo do poço e que há uma possibilidade de que seja retomado o crescimento. Skaf afirmou que a entidade acabou de revisar a sua projeção de PIB (Produto Interno Bruto) deste ano, de uma queda de 4% a 5% para um recuo de 2% a 3%.
O dirigente da Fiesp reafirmou que o governo precisa cortar gastos e desperdícios, porque, segundo ele, há uma arrecadação muito alta no Brasil, de R$ 2 trilhões, e só o governo federal tem um orçamento R$ 1,1 trilhão. "Se aumentar impostos fosse a solução, estaríamos com a saúde financeira perfeita. Até porque ao longo dos anos os impostos aumentaram e não diminuíram", afirmou.
Ontem, Skaf disse ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e ao presidente em exercício, Michel Temer, que a Fiesp é radicalmente contra o aumento e a criação de novos impostos. Ao ser indagado se será ouvido por Meirelles, que é considerado um superministro de Temer, Skaf disse que ministros e superministros fazem parte do governo e que a sociedade já deu mostras de que pode impedir decisões de ministros e de superministros. "Eu sou parte da sociedade e estarei com ela em todo o tempo para evitar aumento de impostos", afirmou.
Skaf disse também que não era o momento para o governo reajustar o salário dos servidores públicos, que deve ter impacto de R$ 60 bilhões nas contas públicas até 2019. "Essa é uma decisão de governo, mas não era o momento para elevar salários e gastos. É o momento de se buscar eficiência. O meu partido aqui é a Fiesp, e eu não estou em campanha de nada", disse Skaf, após ter recebido o ministro da Cultura, Marcelo Calero.


Corregedoria arquiva 5 reclamações contra Moro por grampos de Lula e Dilma

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Em São Paulo
  • Eduardo Anizelli/Folhapress
    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente afastada, Dilma Rousseff,
A Corregedoria Regional da Justiça Federal da 4ª Região arquivou nesta sexta-feira (10) as cinco reclamações disciplinares encaminhadas por advogados contra o juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, responsável pelos processos da Operação Lava Jato. A decisão do corregedor geral da Justiça Federal da 4ª Região foi encaminhada hoje para a Corregedoria Nacional de Justiça do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para ciência.
As reclamações alegavam que o magistrado teria cometido ilegalidades ao deixar de preservar o sigilo das gravações e divulgar, inclusive, comunicações telefônicas de autoridades com privilégio de foro. Também questionavam a realização de interceptações sem autorização judicial. Requeriam a instauração de processo administrativo disciplinar contra Moro e seu afastamento dos julgamentos da Operação Lava Jato.
Em março deste ano, Moro tornou público, nos autos da Operação Aletheia - desdobramento da Lava Jato que pegou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva -, um grande acervo de grampos telefônicos, envolvendo diálogos do petista com a presidente afastada Dilma Roussef e outras autoridades com foro privilegiado.

EM CONVERSA, DILMA FALA DE "PAPEL" PARA USAR EM CASO DE NECESSIDADE


Imediatamente, defensores de investigados criticaram duramente o juiz da Lava Jato, alegando que ele não poderia ter tornado públicas as conversas.
Comunicado sobre as reclamações, o juiz Sérgio Moro juntou ofício com as informações que prestou ao STF (Supremo Tribunal Federal) relativas às decisões judiciais atacadas e ressaltou que a questão da divulgação dos áudios é matéria de debates entre os ministros do STF.
O corregedor regional, desembargador federal Celso Kipper, observou que as decisões de Moro foram devidamente justificadas e que "não se vislumbra nos atos mencionados qualquer intencionalidade por parte do magistrado que revele motivação além do legítimo exercício jurisdicional".
Para Kipper, não é possível identificar atos por parte de Moro que tenham extrapolado o âmbito do exercício da função jurisdicional.
"O invocado direito à intimidade e ao sigilo dos atos processuais não é absoluto e assim não pode por si só caracterizar os atos do juiz como contrários à conduta funcional", acentuou o corregedor.
Kipper ressaltou que a Operação Lava Jato ramificou-se em dezenas de operações policiais e ações penais, envolvendo muitos investigados, e exigiu do magistrado inúmeras decisões, "sendo natural e até salutar que existam contestações".
"Embora os peticionários tenham apresentado críticas à atuação do magistrado, não trouxeram qualquer prova de que sua atuação pudesse configurar, sequer em tese, falta disciplinar, não ensejando qualquer medida a ser tomada por esta corregedoria", destacou Kipper.





Moro chama Dilma como testemunha de Marcelo Odebrecht

De São Paulo
  • Roberto Vinicius/Estadão Conteúdo
    A presidente afastada, Dilma Rousseff
O juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, mandou comunicar a presidente afastada Dilma Rousseff que ela foi arrolada como testemunha de defesa do empreiteiro Marcelo Bahia Odebrecht, preso desde 19 de junho de 2015 e condenado a 19 anos e quatro meses de prisão por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa no esquema de propinas montado na Petrobras.
A decisão de Moro ocorre em um momento crucial da Lava Jato. Odebrecht está negociando acordo de delação premiada com a força-tarefa do Ministério Público Federal. Os investigadores estão na expectativa de que o empreiteiro poderá revelar detalhes sobre financiamento da campanha da petista em 2010 e em 2014.
Desde fevereiro está preso o publicitário João Santana, marqueteiro das campanhas de Lula (2006) e Dilma. A investigação revela depósitos de US$ 7,5 milhões em favor do marqueteiro realizados pela Odebrecht em pleno período eleitoral de 2014.
Os advogados de Odebrecht arrolaram Dilma nos autos da Operação Xepa, 26.ª etapa da Lava Jato.
Moro mandou expedir ofício a Dilma solicitando a ela que responda se quer ser ouvida em audiência ou que lhe sejam encaminhadas perguntas por escrito, na forma do artigo 221 do Código de Processo Penal.
"(Marcelo Odebrecht) Arrolou como testemunha a Exma. Sra. Presidente da República Dilma Vana Roussef. Relativamente à ela, observo a necessidade de aplicação do artigo 221 do Código de Processo Penal. Oficie-se, desde logo, em ofício a ser subscrito pelo Juízo, à Exma. Sra. Presidente informando que foi arrolada como testemunha de defesa pelo acusado Marcelo Bahia Odebrecht e indagando se prefere ser ouvida em audiência ou que lhe sejam encaminhadas perguntas a serem respondidas por escrito na forma do artigo 221, §1º, do Código de Processo Penal. Solicite-se resposta, se possível, em cinco dias, já que a ação penal conta com acusados presos."
Em seu despacho, Moro destacou que "não há falar em inépcia da denúncia como alegam alguns defensores".
"Apesar de extensa, é ela, aliás, bastante simples e discrimina as razões de imputação em relação a cada um dos denunciados. O cerne consiste no pagamento de propinas acertadas entre a Odebrecht, agentes da Petrobras e agentes políticos, para os acusados Monica Regina Cunha Moura (mulher do marqueteiro) e João Cerqueira de Santana Filho, o que teria sido feito através do assim denominado Setor de Operações Estruturadas da empresa e mediante entregas de valores em espécie ou depósitos em conta secreta no exterior. Valores de propinas destinados ao Partido dos Trabalhadores em decorrência de contratos das Petrobras teriam sido repassados em pagamentos de serviços de publicidade prestados à referida agremiação política pelos acusados Monica Regina Cunha Moura e João Cerqueira de Santana Filho, cientes estes da origem e natureza criminosa dos valores."




Em SP, manifestantes se dividem entre volta de Dilma e novas eleições

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Guilherme Azevedo
Do UOL, em São Paulo
  • Guilherme Azevedo/UOL
    Cartazes com a imagem de Temer foram queimados durante ato na Paulista
    Cartazes com a imagem de Temer foram queimados durante ato na Paulista
Os manifestantes presentes na noite desta sexta-feira (10) na avenida Paulista, em São Paulo, eram unânimes no desejo de ver o presidente interino, Michel Temer (PMDB), ser retirado do governo, mas divergiam entre a vontade de ver Dilma Rousseff (PT) retomar o mandato e a de realização de novas eleições para presidente.
Nas contas dos organizadores, 100 mil pessoas participaram da manifestação (a Polícia Militar informou que não vai divulgar estimativa de público), em clima pacífico e festivo, que incluiu show do cantor e compositor Chico César. "O mel da mocidade é o fel dos governantes", cantou, em homenagem ao movimento estudantil. A Paulista ficou bloqueada para o trânsito nos dois sentidos, em todas as suas faixas, desde a rua da Consolação até depois do Masp (Museu de Arte de São Paulo), onde foi montado o palco do ato.
Guilherme Azevedo/UOL
Para estudante, "Temer é ilegítimo"
Portando um cartaz onde se lia "Temer é verbo, não presidente", Joana Frydman, 18, estudante, questionava a legitimidade do presidente interino: "Não reconheço Temer como presidente, porque o plano de governo dele é ilegítimo, não foi votado. Eu defendo eleições gerais". Joana estivera dois dias antes na mesma Paulista, para protestar contra a cultura do estupro, junto com outras centenas de mulheres.
Nayara Oliveira, do movimento popular da saúde em Campinas (SP) e militante do PT, defende a volta de Dilma ao cargo de presidente e que ela termine seu mandato. Mas com uma condição: que assuma o compromisso de governar com as pautas dos movimentos sociais e populares, abandonando projetos de ajuste fiscal. "Dilma tem que se apoiar aqui, nas pessoas que a estão defendendo, a sua base social", posicionou. Para Nayara, Dilma deve, sim, é taxar as grandes fortunas.
A ativista diz que o impeachment foi um jeito de a direita fazer mudanças e cancelar direitos sociais sem ter conseguido isso nas urnas. "Querem atrasar o país em pelo menos 100 anos. Abolir a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] de um jeito inconstitucional." Mas confessa estar em dúvida quanto ao futuro, mesmo se Dilma conseguir reverter o impeachment. "Não sei o que pode acontecer."
Guilherme Azevedo/UOL
Ativista quer volta de Dilma com compromisso social
Kazumi Munakata, professor de história do programa de pós-graduação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), que veio à Paulista "porque Temer é golpista e ilegítimo", se mostra inclinado à proposta de convocação de novas eleições gerais, por meio de um plebiscito popular proposto pela própria Dilma, em seu retorno. Nessa hipótese, que está sendo discutida dentro do próprio PT, o plebiscito também incluiria uma agenda política básica para a população votar.

Temor de criminalização

Os líderes dos movimentos sociais reunidos nesta sexta na Paulista compartilharam uma preocupação ao microfone: a de uma suposta escalada da criminalização dos movimentos. O primeiro a externar esse temor foi Gilmar Mauro, um dos principais dirigentes nacionais do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). Ele citou que sem-terra estariam sendo perseguidos e presos injustamente.
Carina Vitral, presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), alertou para a perseguição aos estudantes, citando a criação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da UNE, na Câmara dos Deputados, que vai investigar o financiamento público da entidade. "A CPI da UNE é um retrocesso e um absurdo", criticou, dizendo que a última vez em que a UNE foi investigada se deu na ditadura militar, em 1964.
Em seu discurso, Gilmar Mauro, do MST, chamou o governo Temer de "governo medíocre e miserável" e disse que ele "não terá sossego". Para o líder, a exemplo das gerações passadas, "a geração de hoje não deixará o golpe avançar". Carina Vitral chamou o impeachment de Dilma de "golpe misógino", atentando duplamente: contra a democracia e as mulheres.
Guilherme Boulos, coordenador do MTST (Movimento dos Sem-Teto), discursou contra os planos anunciados por Temer: "O programa deles é que não cabe na democracia. E por isso só conseguem fazer através de um golpe". E pediu, com ironia: "Devolve a faixa, Temer".
O ato na Paulista se encerrou pouco antes das 21h, depois de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter discursado, atacado o governo Temer, defendido o retorno de Dilma e mais uma vez sugerido que será candidato a presidente, em 2018.

"QUANTO MAIS ME PROVOCAM, MAIS EU CORRO RISCO DE VIRAR CANDIDATO", DIZ LULA