sábado, 27 de junho de 2015


Nova delação amplia foco da Lava Jato

CARTA CAPITAL
por Redação — publicado 27/06/2015 10h05, última modificação 27/06/2015 10h18
Ricardo Pessoa, da UTC, teria citado campanhas petistas de Lula, Dilma e Haddad e o senador Aloysio Nunes (PSDB)
Reprodução
A delação premiada feita pelo empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC e apontado como chefe do cartel que atuava na Petrobras, ampliou o foco da Operação Lava Jato. De acordo com vazamentos à imprensa, Pessoa teria citado 18 políticos como beneficiários do esquema, alguns mencionados pela primeira vez no escândalo, e atrelado doações feitas legalmente e registradas na Justiça Eleitoral a desvios ocorridos na Petrobras.
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Entre os favorecidos pelo esquema, citados em reportagens da revista Veja e confirmados pelo jornal O Globo, estariam as campanhas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2006; a campanha do prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) em 2012; o tesoureiro da campanha da presidenta Dilma Rousseff (PT) em 2010, José Di Fillipi; a campanha de Dilma em 2014, bem como seu tesoureiro, o atual ministro da Comunicação Social, Edinho Silva (PT); o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante; o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, preso na Lava Jato; e o ex-ministro José Dirceu (PT).
Outro citado é o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), um dos principais líderes da oposição atualmente e vice na chapa presidencial de Aécio Neves (PSDB-MG), segundo colocado nas eleições presidenciais de 2014.
Estariam na nova delação, também, os senadores Fernando Collor (PTB-AL), Edison Lobão (PMDB-MA), Gim Argello (PTB-DF), Ciro Nogueira (PP-PI) e Benedito de Lira (PP-AL), os deputados Arthur Lira (PP-AL), Júlio Delgado (PSB-PE) e Eduardo da Fonte (PP-PE) e o ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado.
Como vários dos citados têm prerrogativa de foro privilegiado, a delação premiada foi remetida ao Supremo Tribunal Federal, instância na qual o ministro Teori Zavascki já a homologou. A delação, sozinha, não serve como prova, no entanto. Como os outros vários delatores, Pessoa precisou fornecer provas ou indicações de como as autoridades podem obter provas para comprovar suas denúncias. Caso as informações sejam confirmadas, Pessoa pode ter benefício em sua pena quando for condenado.
Os ministros Edinho Silva e Aloizio Mercadante negaram ter recebido doações ilegais. “O ministro Edinho Silva esteve com o empresário Ricardo Pessoa por três vezes para tratar de doações de campanha. A primeira, quando o conheceu, foi quando o empresário esteve no comitê da campanha, em Brasília. O empresário, após o primeiro contato, organizou o fluxo de doações em três parcelas que totalizaram R$ 7,5 milhões. O ministro Edinho jamais tratou de assuntos relacionados a qualquer empresa ou órgão público com o referido empresário. As contas da campanha presidencial de Dilma Rousseff foram auditadas e aprovadas por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral”, declarou o ministro.
O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, confirmou que recebeu dois pagamentos de 250 mil reais, da UTC e da Constran, para sua campanha ao governo de São Paulo, em 2010. Disse, no entanto, que os valores foram recebidos de forma legal e declarados à Justiça Eleitoral, que aprovou a prestação de contas. A direção do PT também reafirmou que todas as doações recebidas pelo partido são legais e registradas na Justiça Eleitoral.
O tucano Aloysio Nunes usou a mesma defesa que os petistas. Em nota, o parlamentar reconhece que recebeu a quantia para a sua campanha eleitoral ao Senado em 2010, mas disse que o valor foi legalmente declarado à Justiça Eleitoral. O senador disse ainda que não conhece o empreiteiro e que não tem nada a esconder. “Nunca fui procurado por Ricardo Pessoa, nem antes e nem depois da campanha, para patrocinar pleitos junto à Petrobras, uma vez que, entre outras razões, é pública e notória a minha frontal oposição ao governo petista, à sombra do qual esse senhor prosperou.Aliás, não conheço Ricardo Pessoa; nunca o vi mais gordo e muito menos mais magro".




Edinho Silva: Me causa indignação que meu nome tenha sido envolvido

 
    

 postado em 27/06/2015 14:49
 Agência Estado - EM.COM.BR
Brasília, 27 - Brasília, 27/06/2015 - O ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, se disse hoje "indignado" com as acusações feitas pelo presidente da UTC, Ricardo Pessoa, que em delação premiada teria apontado repasses irregulares à campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff, e afirmou que toda a arrecadação eleitoral do comitê da petista foi feita dentro da legalidade.

Edinho foi o tesoureiro da campanha pela reeleição de Dilma. "Me causa indignação que o meu nome tenha sido envolvido em uma delação premiada. Me causa indignação o vazamento seletivo dessa delação premiada e me causa indignação a construção da tese de criminalização, também seletiva, das doações da nossa campanha, quando outras campanhas também receberam doações semelhantes, com o mesmo caráter", declarou Edinho, em coletiva ao lado do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

"Ao longo da trajetória, nenhum empresário fez qualquer afirmação que insinuasse que os meus diálogos não tivessem ocorrido dentro da legalidade, com lisura e transparência", acrescentou o ministro. Ele destacou ainda que as contas de Dilma foram "rigorosamente auditadas e aprovadas por unanimidade" pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que as contribuições feitas por Pessoa representam "apenas 2%" do total arrecadado na reeleição da petista.

"Eu jamais tive qualquer diálogo com esse empresário que não fosse o diálogo que o tesoureiro de campanha tem, como os demais tesoureiros tiveram com ele. O que ele pactuou foram doações legais, dentro da legalidade", enfatizou o ministro.

Edinho criticou o que chamou de "vazamentos seletivos" do depoimento e disse que vai constituir advogado e pedir acesso à delação premiada de Pessoa. "Se confirmado o conteúdo divulgado pela imprensa - caso se confirmem as mentiras divulgadas -, eu tomarei as medidas judiciais em defesa da minha honra", rebateu Edinho. "O que farão cessar os benefícios decorrentes de uma delação premiada que não expressa as verdades dos fatos", concluiu.




Após embolia pulmonar, Joaquim Levy passa bem e viaja aos EUA com Dilma

 
    

 postado em 27/06/2015 12:33 / atualizado em 27/06/2015 12:43
 Estado de Minas - EM.COM.BR
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, viaja neste sábado à noite para os Estados Unidos. Ele acompanha a presidente Dilma Rousseff em sua visita oficial ao país – a primeira após as denúncias de espionagem da agência de inteligência norte-americana, em 2013. Levy foi hospitalizado na noite de ontem (26), em Brasília, e diagnosticado com embolia pulmonar, mas manteve a agenda.

A assessoria do Ministério da Fazenda informou que Levy deixou o Hospital do Coração do Brasil no início da madrugada deste sábado, dormiu em casa e passa bem. A embolia pulmonar se dá quando ocorre coágulo em uma artéria pulmonar. Os sintomas mais frequentes são dores torácicas, falta de ar, apneia e tosse seguida de sangramento.

O ministro embarcará à noite, em voo comercial, e lá se integrará à comitiva da presidente. Em 2013, Dilma cancelou a viagem que faria aos Estados Unidos após as denúncias de que a Agência Nacional de Segurança do país espionou empresas estatais e autoridades brasileiras, incluindo a própria presidente.

A agenda nos Estados Unidos inclui compromissos com empresários, em Nova York; reunião de trabalho com Barack Obama, em Washington, e visitas à sede do Google, ao Centro de Pesquisas da Nasa e à Universidade Stanford – todas na Califórnia. Dilma deve retornar ao Brasil na manhã de quinta-feira (2).

Com Agência Brasil




Líder do PSDB na Câmara diz que nova delação dificulta situação de Dilma

 
    

 postado em 26/06/2015 21:19
 Agência Estado - EM.COM.BR
Brasília, 26 - O líder em exercício do PSDB na Câmara dos Deputados, Nilson Leitão, considerou que a delação premiada do ex-presidente da UTC, Ricardo Pessoa, dificulta a situação da presidente Dilma Rousseff, do governo e do PT. Em sua avaliação, o conteúdo do depoimento do empreiteiro reforçar as suspeitas de que as campanhas eleitorais do PT foram financiadas com recursos de origem ilícita.

O partido vai discutir a apresentação de pedidos de convocação dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Edinho Silva (Secretaria de Comunicação) na CPI da Petrobras. "A cada delação, mais nomes do governo e do entorno da presidente Dilma vão sendo envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras. Hoje, mais dois ministros foram citados na delação do empresário da UTC: Mercadante e Edinho Silva, além de dois tesoureiros petistas. E à medida que as investigações avançam, tomam corpo as suspeitas de que as campanhas que elegeram e reelegeram a presidente Dilma foram irrigadas com recursos ilícitos", afirmou por meio de nota.

Leitão considera que o esquema de corrupção na Petrobras é uma continuidade do mensalão. "É o mesmo modus operandi para um mesmo objetivo - manter o PT no poder a qualquer preço", disse.





Pimentel vê 'abuso' de mandados no país

 
    

 postado em 27/06/2015 08:19 / atualizado em 27/06/2015 10:11
 Agência Estado - EM.COM.BR
Belo Horizonte - Pelo segundo dia consecutivo o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), aproveitou discurso em agenda oficial para reclamar do que classificou de uso abusivo no País de mandados de busca e prisões temporárias. “Hoje é contra um. Amanhã pode ser contra todos”, afirmou ontem, durante cerimônia em que recebeu a medalha do mérito da Defensoria Pública de Minas Gerais, na capital. A investigação contra Pimentel, que pelo cargo que ocupa tem foro privilegiado, foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça, como determina a legislação.

Na manhã dessa quinta-feira, 25, um escritório utilizado pelo governador durante a campanha ao Palácio Tiradentes no ano passado foi vasculhado pela Polícia Federal dentro da Operação Acrônimo, que investiga a atuação do empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, em campanhas do PT. Os agentes deixaram o local com um malote e um computador.

No discurso desta sexta-feira, 26, o governador afirmou ser preciso “ficar atento ao que está ocorrendo”. “Sem dúvida nenhuma perde a justiça, e perde muito, quando inquéritos se transformam em espetáculos midiáticos, pirotécnicos, jogando no lixo as regras judiciais, até de sigilo judicial”.

Na primeira fase da Operação Acrônimo, deflagrada em 29 de maio, a Polícia Federal prendeu o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, libertado depois do pagamento de fiança. As investigações que levaram às duas etapas da Acrônimo começaram depois das eleições do ano passado, quando Bené foi detido no aeroporto de Brasília com R$ 113 mil em espécie.







Antes de reunião sobre crise, Dilma pedala por Brasília

 
    

 postado em 27/06/2015 13:31
 Agência Estado - EM.COM.BR
Brasília, 27 - Brasília, 27/06/2015 - Antes de se reunir com ministros para discutir a crise aberta pela revelação de detalhes sobre a delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, a presidente Dilma Rousseff pedalou neste sábado pelas ruas de Brasília na companhia da filha, Paula Rousseff, e de auxiliares. Aparentando bom humor, ela deixou o Palácio da Alvorada às 7h12, retornando 44 minutos depois após cumprir um trajeto de 5,2 quilômetros pela Vila Planalto, bairro em que fica a residência oficial da presidente, às margens do Lago Paranoá.

Dilma pediu que jornalistas não a assediassem no percurso. No retorno, desejou um bom fim de semana aos repórteres que a esperavam na porta do Alvorada. Em seguida, reuniu-se com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante, para debater os novos desdobramentos da Operação Lava Jato.

Além de Paula, acompanharam Dilma no "pedal" seu

personal trainer

e o general Marcos Antônio Amaro dos Santos, chefe da segurança pessoal da presidente. Depois da malhação e da reunião, ela já embarcou para Nova York.

Como revelou o jornal

O Estado de S. Paulo

, o dono da UTC citou supostos repasses irregulares ao tesoureiro da campanha de Dilma em 2010, José de Filippi, e ao ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Os valores foram descritos em planilha intitulada "Pagamentos ao PT por caixa 2", entregue à Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro Mercadante, citado no mesmo documento, teria sido beneficiado com R$ 250 mil em 2010, quando concorreu, sem sucesso, ao Governo de São Paulo. Os três citados negam qualquer irregularidade.

A revista "Veja" deste sábado diz que o empreiteiro envolveu ao menos 18 políticos no esquema de repasses eleitorais, propina e corrupção na Petrobras. Segundo a reportagem, houve pagamentos para as campanhas de Dilma em 2014 e do ex-presidente Lula em 2006. O empresário citou também o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), o ministro Edinho e o senador Edison Lobão (PMDB-MA), os três da base do governo, além do senador de oposição Aloysio Nunes (PSDB-SP).




Cardozo: governo não conhece delação de Pessoa

 
    

 postado em 27/06/2015 14:37
 Agência Estado - EM.COM.BR
Brasília, 27 - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, iniciou a coletiva de imprensa para comentar os últimos desdobramentos da Operação Lava Jato ressaltando, logo no início da entrevista, que o governo não teve acesso ao conteúdo da delação premiada do dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa, por seu conteúdo estar sob sigilo legal. Mesmo assim, destacou o ministro, o governo não poderia "deixar de firmar uma posição, nem de informar à opinião pública" sobre o que foi noticiado.

"Vários órgãos de imprensa divulgaram informações que, em tese, diziam respeito a uma delação premiada homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) do presidente de uma empreiteira, a UTC, senhor Ricardo Pessoa. É importante frisar que essa delação está em sigilo legal e, portanto, o governo, o Ministério da Justiça não têm acesso aos seus termos. Razão pela qual nós não podemos afirmar a veracidade de se consta ou não dessa declaração, o dessa delação premiada, as informações colocadas pela imprensa", enfatizou Cardozo.

"Todavia, não poderíamos deixar de firmar uma posição, nem de informar à opinião pública a fatos e circunstâncias que dizem respeito ao que é noticiado pela imprensa, sem que saibamos o que consta na delação premiada do senhor Ricardo Pessoa", acrescentou.

Em seguida, o ministro informou que seu colega, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, iria falar sobre o assunto, até porque havia sido citado na delação. "Assim sendo, até por ter sido citado pela imprensa, nós teremos a oportunidade de ter aqui no Ministério da Justiça o ministro Edinho Silva que então falará com os senhores acerca dos fatos divulgados pela imprensa e que efetivamente dizem respeito a ele e à sua atuação como tesoureiro". Edinho Silva foi tesoureiro da campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014. Neste momento, ele concede entrevista, ao lado do ministro Cardozo.