sexta-feira, 29 de janeiro de 2016



É hora de parar de esconder que Lula é investigado na Operação da Lava Jato

Josias de Souza
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Triplex do condomínio Solaris, no Guarujá
Novo alvo da Operação Lava Jato: triplex do edifício Solaris, no Guarujá, no litoral paulista
Está cada dia mais difícil fingir que Lula não é alvo de nenhuma investigação. De tanto repetirem que o ex-presidente não é investigado, o brasileiro começou a desconfiar. Será que não é? É grande o esforço para convencer o país de que o Lula que todo mundo vê não é o Lula de verdade, é outro personagem. Até Lula já acredita que o Lula que está na cara não é ele. “O próprio Sérgio Moro disse que eu não sou investigado”, declarou, na semana passada.
O problema é que, toda vez que os investigadores se mexem, esbarram no Lula que a infantaria petista diz que não é o Lula. Deflagrada nesta quarta-feira, a 22ª fase da Operação Lava Jato apura a suspeita de que a empreiteira OAS pagou propinas por meio de transações imobiliárias. O epicentro da apuração é o edifício Solaris, um condomínio de apartamentos assentado à beira mar, na praia de Astúrias, no Guarujá.
No despacho em que determinou mais um lote de prisões e batidas policiais de busca e apreensão, o juiz Sérgio Moro anotou que há a suspeita de que a OAS “teria utilizado o empreendimento imobiliário no Guarujá para repasse disfarçado de propina a agentes envolvidos no esquema criminoso da Petrobras''. No papel, os alvos centrais da investigação são o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, uma empresa baseada no Panamá e a própria OAS. Porém…
A lista de 11 apartamentos sob investigação inclui o número 164 A do edifício Solaris. Hummmm… Vem a ser um triplex luxuoso que Lula adquiriu por meio de uma cota da Bancoop, cooperativa que era presidida por Vaccari antes de ir à breca, sob denúncias de corrupção. Do nada, surgiu a OAS. A empreiteira concluiu a obra da cooperativa falida e, de quebra, submeteu o imóvel cuja propriedade era atribuída a Lula a uma reforma do balacobaco. O triplex da família Silva ganhou até elevador privativo. Depois que os mimos ganharam as manchetes, Lula e sua mulher, Marisa Letícia, informaram ter desistido do imóvel.
Batizou-se a nova fase da Lava Jato de “Triplo X”. Por que diabos tenta-se novamente escamotear o fato de que Lula está sob investigação?, eis o ‘X’ da questão. Provocado, o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Lava Jato, declarou:
“Nós investigamos fatos. Se houver um apartamento lá que esteja em seu nome [de Lula] ou que ele tenha negociado, vai ser investigado como todos os outros. […] Todos os apartamentos e todas as pessoas que tiveram ligação com este empreendimento são investigadas. Nenhuma pessoa em especial. Temos notícia que a família [de Lula] estaria desistindo de comprar o imóvel.”
Conforme já foi comentado aqui, Lula já havia se tornado personagem de quatro inquéritos. Um deles refere-se justamente ao apartamento do Guarujá. Responsável pelo processo, o promotor Cássio Conserino, de São Paulo, avisou que formalizará uma denúncia contra o ex-presidente e sua mulher. Vai enquadrá-los no crime de lavagem de dinheiro. Acusa-os de ocultar a posse do triplex reformado pela OAS.
Nas outras investigações, Lula é chamado ora de “informante” ora de “testemunha”. Mas é tratado nos interogatórios como investigado. Num processo, a Polícia Federal apura, em Brasília, a suspeita de envolvimento de Lula no loteamento político que deixou a Petrobras vulnerável à pilhagem. Noutro, a mesma PF esquadrinha o suposto envolvimento de Lula no caso de venda de medidas provisórias. Noutro mais, a Procuradoria da República apura indícios de que Lula traficou influência no exterior em favor de empreiteiras que remuneraram suas palestras.
Se Lula não é investigado, que personagem é esse que está pendurado de ponta cabeça nas manchetes? Ou o PT providencia rapidamente um exame de DNA ou alguma autoridade precisa comparecer à boca do palco para dizer, sem subterfúgios, algo assim: “Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República Federativa do Brasil, é, obviamente, investigado. Suspeita-se do seu envolvimento em crimes variados. Ao final dos processos, assegurado o amplo direito de defesa, vai-se saber se o personagem é culpado ou inocente. Por ora, é suspeito, muito suspeito, suspeitíssimo.”






No Titanic do PT, Lula é o maestro da orquestra

Josias de Souza
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A Lava Jato instilou no PT um ambiente de salve-se quem puder. Quem não está preso no porão de Curitiba foge para os barcos salva-vidas. Ouve-se ao longe a orquestra tocando enquando desliza pelo salão. O naufrágio do PT imita o afundamento do Titanic. Lula segura sua orquestra no salão.
Ao convocar o maestro do petismo e a mulher dele, Marisa Letícia, para prestardepoimento sobre o triplex do Guarujá, o Ministério Público de São Paulo injetou dramaticidade na cena. Há nove dias, com água pelo pescoço, com as caldeiras explodindo e tubarões entrando pelas escotilhas, Lula esforçava-se para manter a pose.
“Não sou investigado”, jactava-se a um grupo de blogueiros. “Se tem uma coisa de que me orgulho é que não tem, nesse país, uma viva alma mais honesta do que eu”, autovangloriava-se. Era como se ensinasse aos seus músicos: “Toquem com brio, nem uma nota fora do lugar!”
As palavras de Lula dão um significado —ou pelo menos um fundo musical— ao grande desastre do partido que já foi considerado o transatlântico da ética. O maestro e a ex-primeira dama serão inquiridos como “investigados”, informa o Ministério Público. E o maestro, esgrimindo a batuta: “Com brio, companheiros, com brio!”
Sem se dar conta do desnível acentuado do chão e da água que começa a invadir o trombone e os trompetes, o PT prepara para a segunda quinzena de fevereiro sua festa de aniversário. Incluirá na celebração uma homenagem a Lula. A data ainda não foi fixada. Uma boa sugestão seria 17 de fevereiro, dia do depoimento do maestro. Ajustando-se o repertório, a orquestra petista passaria a executar hinos religiosos. Até o fundo.






Michel Temer diz que impeachment perdeu força

29 de janeiro de 2016
Em campanha para continuar no comando do PMDB, o vice-presidente da República, Michel Temer, voltou a falar hoje (29) em unidade, desta vez na Paraíba. Temer disse que as divisões entre setores da sociedade prejudicam o país. “Temos de ter responsabilidade com o país e por isso estamos propondo essa pacificação entre todos os setores da sociedade”, disse.
Segundo ele, o PMDB quer ajudar o país a sair da crise política e econômica. “O que está em pauta é o país, não é mais o partido ou o governo”, afirmou. Temer disse que a possibilidade de impeachment da presidenta Dilma Rousseff perdeu força. “Eu acho que perdeu força [o impeachment]. Eu confesso que há tempos tinha mais força, consistência. Mas acho que hoje perdeu muito a consistência”, disse.
O vice-presidente defendeu a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). “Nós esperamos que esse diálogo prossiga, que haja convencimento da necessidade da CPMF. Mas, em princípio, se puder se evitar, bem, mas se não for possível, em caráter excepcional e transitório, é que se pode admitir, disse.
O retorno da contribuição foi defendido por Dilma durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o chamadoConselhão. Durante o encontro Dilma afirmou que a aprovação da CPMF é a melhor opção para solucionar os problemas do governo no momento e que o volta seria “rigorosamente temporária”.
Ontem (28), o vice-presidente iniciou uma série de viagens pelo país, buscando unidade em torno do seu nome para continuar presidindo PMDB. A decisão sobre quem comandará a legenda será tomada na Convenção Nacional da legenda, marcada para março.
Ao visitar o Paraná, Temer afirmou que a intenção do partido este ano é lançar o máximo de candidatos próprios nas eleições municipais para construir uma candidatura à Presidência em 2018.
Na Paraíba, Temer disse que o PMDB exerce um “poder extraordinário” no país, ocupando a presidência da Câmara dos Deputados, com Cunha, e do Senado, com Renan Calheiros (AL) e que merece chegar ao poder em 2018. "Eu almejo que o PMDB tenha um candidato a presidente da República. Ele exerce um poder extraordinário no país e merece chegar ao poder no país.
Da Paraíba, Temer partiu para o Rio Grande do Norte, onde foi recebido pelo ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves. O vice-presidente encerra a agenda de viagens com uma visita a Pernambuco, no início da noite.

Luciano Nascimento, da Agência Brasil





Lava Jato investiga condomínio no Guarujá onde Lula teria apartamento

27 de janeiro de 2016
Procurador-geral Carlos Fernando dos Santos Lima durante entrevista à Reuters
Procurador-geral Carlos Fernando dos Santos Lima durante entrevista à Reuters 23/6/2015 REUTERS/Rodolfo Buhrer
(Reuters) - O Ministério Público Federal (MPF) vai investigar todos os apartamentos do condomínio Solaris, no Guarujá (SP), por suspeita de terem sido usados para lavagem de dinheiro proveniente de esquema de corrupção na Petrobras, incluindo um eventual apartamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse nesta quarta-feira o procurador da operação Lava Jato Carlos Fernando do Santos Lima.
O suposto pagamento de propina pela empreiteira OAS por meio de imóveis no condomínio faz parte das investigações da 22ª etapa da operação Lava Jato, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Federal com o nome "Triplo X".
"Temos pessoas que são investigadas na Lava Jato que têm um benefício dado pela OAS em apartamentos nesse prédio, isso pode ser um indicativo de lavagem de dinheiro e pagamento de propina", disse Lima em entrevista coletiva em Curitiba, onde estão concentradas as investigações do esquema criminoso envolvendo a petroleira.
O empreendimento foi assumido pela OAS das mãos da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), que já teve como presidente o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, atualmente preso no âmbito da Lava Jato. Segundo o MPF, há indícios de lavagem de dinheiro por parte de familiares de Vaccari utilizando apartamentos no local.
"Nós entendemos que todos os apartamentos do condomínio Solaris devam ser investigados", acrescentou o procurador.
Questionado se um suposto apartamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no condomínio também seria alvo da investigação, o procurador afirmou: "Nós investigamos fatos. Se houver um apartamento lá que esteja em seu nome ou que ele tenha negociado, ou alguém de sua família, vai ser investigado como todos os outros."
De acordo com a Polícia Federal, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Bancoop e na OAS nesta quarta. Também houve operação de buscas em endereços em São Paulo, Santo André e São Bernardo do Campo, um reduto de Lula.
Em nota, o Instituto Lula disse que o ex-presidente "repudia qualquer tentativa de envolver seu nome em atos ilícitos investigados na chamada Operação Lava Jato".
"Lula nunca escondeu que sua família comprou, a prestações, uma cota da Bancoop, para ter um apartamento onde hoje é o edifício Solaris. Isso foi declarado ao Fisco e é público desde 2006. Ou seja: pagou dinheiro, não recebeu dinheiro pelo imóvel", acrescentou o comunicado publicado no site do Instituto Lula.
Além de investigar o suposto esquema de propina por meio dos imóveis, a nova etapa da Lava Jato também mira um suposto grupo criminoso que possibilitava a investigados na Lava Jato movimentar recursos recebidos de propina no exterior.
A movimentação irregular seria realizada por meio da empresa Mossack Fonseca, especializada em abrir companhias offshores, segundo o Ministério Público Federal.
A Mossack Fonseca disse em nota que a "empresa está sendo injusta e erroneamente envolvida em assuntos os quais não temos qualquer envolvimento ou ingerência alguma". A empresa afirmou ainda que não participou da compra, empréstimo ou financiamento de qualquer imóvel, e que não oferece assessoria imobiliária no Brasil.
Foram expedidos seis mandados de prisão contra pessoas ligadas à empresa nesta quarta-feira, dos quais três foram cumpridos no Brasil e outros três são para suspeitos que estariam no exterior. Alguns dos presos seriam laranjas de pessoas que ainda estão sendo investigadas quem são, segundo o MPF.
A Lava Jato investiga esquema bilionário de corrupção envolvendo a Petrobras e outras empresas e órgãos públicos, empreiteiras e partidos e políticos, e já levou à prisão vários ex-executivos da petroleira e de empreiteiras, além de políticos.
A empreiteira OAS ainda não se manifestou.
(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)




Lava Jato vai chegar em Santarosa: esgotosfera já começa a tremer dentro dos sapatos

Claudio Tognolli
29 de janeiro de 2016
Em dezembro de 2014 este blog trouxe a figurinha carimbada de Venina “Veneno”, ex-gerente executiva da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, née Venina Velosa da Fonseca.

Pois bem: veio dela a história de que a assessoria de imprensa da Petrobras distribuia pixulecos milionários para produtoras de video ligadas aos chamados “blogueiros do campo social”, que alias também aqui já foram devidamente enfocados –menos pela qualidade do que produzem do que pelos milhões que auferem da viúva:
Sabe-se agora que a Lava Jato vai investigar a comunicação social da Petrobras.

Em 20 de março de 2015 o presidente da Petrobras, Almir Bendine, chamou um assessor e mandou que ele demitisse o gerente executivo de Comunicação Institucional, Wilson Santarosa.
Ex-sindicalista, e amigo do ex-presidente Lula, Wilson Santarosa ocupava havia 12 anos o cargo.

Ele controlava toda a verba de comunicação e publicidade institucional da Petrobras. Em 2013, por exemplo, a estatal gastou só em publicidade institucional R$ 300 milhões.  No ano passado o jornal O  Globo denunciou que “até o terceiro trimestre do ano passado, foram R$ 1,337 bilhão gastos com a área de Relações Institucionais e Projetos Culturais, de responsabilidade dele”.

Wilson Santarosa foi dirigente da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Mandava prtaticamente sozinho na Petros, o bilionário fundo de pensão dos funcionários da estatal.
Wilson Santarosa foi indicado por Lula e pelos  ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken, morto em 2013.
Bem: a Lava Jato vai chegar nele. E se Santarosa fizer delação premiada, a blogosfera do “campo social” vai para a cadeia : todinha.
Atentai, pois, terráqueo: Santarosa é o futuro inescapável…