sexta-feira, 29 de abril de 2016


Secretário-geral da ONU pede respeito à Constituição e à democracia no Brasil

Em Genebra
  • Salvatore Di Nolfi/Keystone via AP
    Thomas Bach, presidente do COI, Ban Ki-Moon, secretário-geral das Nações Unidas, Carlos Arthur Nuzman e o príncipe de Mônaco, Albert 2º
    Thomas Bach, presidente do COI, Ban Ki-Moon, secretário-geral das Nações Unidas, Carlos Arthur Nuzman e o príncipe de Mônaco, Albert 2º

O secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, pede que a crise política brasileira seja solucionada "o mais rapidamente possível" e que a Constituição e a democracia sejam respeitadas no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em um evento para marcar a entrada da flama olímpica na sede da ONU, na Suíça, nesta sexta-feira (29) foram as perguntas sobre a crise política no Brasil que dominaram. Ban apelou pela "transparência" no processo no país.
Apesar de alertar que o assunto era um problema interno nacional, Ban insistiu que "está seguindo o que está acontecendo no Brasil". "Como secretário-geral da ONU, eu sinceramente espero que haja o resultado de um processo muito transparente e que siga os procedimentos democráticos e a Constituição. Isso é o que eu peço e o que espero das instituições democráticas do país nos próximos meses."
"Fiquei encorajado de ver a presidente Dilma Rousseff em Nova York, na cerimônia de assinatura do Acordo Climático. Como secretário-geral da ONU, minha única esperança é que essa atual crise seja resolvida o mais rápido possível, de maneira transparente, com os procedimentos democráticos e constitucionais", completou.
Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), também reconheceu que o Brasil vive "uma crise" e que a sociedade está "dividida". Mas apostou que a chama olímpica e o evento vão "unir os brasileiros". "Jogos Olímpicos são sempre desafiadores", disse. "Os últimos meses são sempre mais difíceis", completou.
"O Brasil está numa situação difícil, um país com profundas divisões neste momento. Os Jogos, portanto, são uma grande oportunidade, e todos podem estar orgulhosos por serem brasileiros. Estamos confiantes de que teremos uma Olimpíada excelente", disse.
Bach, porém, se negou a comentar declarações da equipe de procuradores de que as obras da Rio-2016 serão as próximas a serem investigadas na Operação Lava Jato.
"Não vou especular sobre as intenções de procuradores no Brasil. São independentes e tenho certeza de que vão trabalhar dentro das regras do país. Do meu lado, ouvimos dos organizadores e do ministro de Esporte que todos os trabalhos foram feitos de forma transparente e essa é a informação que confiamos", disse.

Governo

Vivendo sua pior crise econômica em décadas, o governo brasileiro e os dirigentes esportivos usam uma cerimônia na ONU com a chama olímpica nesta sexta, em Genebra, para garantir que o evento será "economicamente sustentável". "Como um país em desenvolvimento, tivemos muitos desafios na preparação dos Jogos", disse o ministro dos Esportes, Ricardo Leyser. "Mas quanto maior o desafio, maior o legado. Serão Jogos inesquecíveis", disse.
Falando em nome da presidente Dilma Rousseff, Leyser insistiu que esporte, desenvolvimento e paz "são complementares". "A chama representa os valores do esporte como forma de garantir a paz", insistiu. "O Brasil está orgulhoso a ter os Jogos pela primeira vez na América do Sul. Um povo que luta por sua dignidade", afirmou.
O governo também deixou claro que, apesar da crise, o evento terá um impacto positivo. "A Rio 2016 é resultado de mais de uma década de investimentos sociais e em infraestrutura. Ela gerou emprego e revitalizou o Rio", afirmou.
Leyser também minimizou o custo público do evento. "Apesar de envolver significativos investimentos públicos, ele foi pago essencialmente pelo setor privado. A fortaleza da economia brasileira e dos empresários foi crucial para o evento. Temos confiança de que os jogos serão economicamente e socialmente sustentáveis. Todo o país vai se beneficiar, e o Brasil vai ser um melhor lugar para viver depois", afirmou.
Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Organizador da Rio-2016, também insistiu no impacto econômico do evento. "Ele será economicamente sustentável e irá transformar o Rio. Prometemos um legado tangível. Os brasileiros farão grandes jogos e vão se sentir mais confiante. Os Jogos vão mostrar que o Brasil vai sempre sair de problemas mais fortes e comemoraremos", disse Nuzman.
"O Rio está pronto para fazer história. Ficamos mais fortes quando temos obstáculos", completou. Segundo ele, os organizadores "não têm um segundo a perder".
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Última ministra do PMDB, Kátia Abreu diz que apoio a Dilma "não tem paixão"

Ricardo Marchesan
Do UOL, em Brasília


 ministra da Agricultura, Kátia Abreu, disse que seu apoio à presidente Dilma Rousseff "não tem paixão", mas sim "realismo e pragmatismo".
A declaração foi dada durante reunião da comissão do impeachment no Senado nesta sexta-feira (29). Ela foi convidada para falar em defesa de Dilma, ao lado do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, e do ministro Nelson Barbosa (Fazenda).
Última representante do PMDB a ainda ocupar um ministério no governo Dilma, Kátia Abreu é também amiga pessoal da presidente e voltou a defendê-la: "Estou com a presidente Dilma porque acredito na sua idoneidade, na sua honestidade e no seu espírito público."
A ministra da Agricultura foi chamada para falar à comissão sobre as operações financeiras que ficaram conhecidas como "pedaladas fiscais", uma das denúncias no pedido de impeachment.
As pedaladas são como ficou conhecido o atraso nos repasses do governo a bancos públicos, o que foi entendido pelo TCU (Tribunal de Contas da União) como uma forma proibida de empréstimo dos bancos ao governo.
Em 2015, a denúncia do impeachment cita atrasos de repasses para o Plano Safra, que somariam R$ 3,5 bilhões. O programa é executado pelo Banco do Brasil e oferece juros mais baratos a produtores rurais. O governo, então, restitui ao banco a diferença na remuneração entre os juros subsidiados e os que seriam praticados pelo mercado.
Na visão de Kátia Abreu, as pedaladas não podem ser consideradas empréstimos de bancos públicos ao governo federal e chamou essa hipótese de "absurdo".
"Operação de crédito é o que agricultor faz com o banco: assina um contrato e vai trabalhar, plantar sua roça. Mas nesse caso não existe contrato de mútuo. Isso não pode ser encarado como empréstimo", disse.
Ela comparou a operação com o atraso no pagamento de um serviço contratado. "Se eu contrato alguém para fazer vigilância de minha casa e atraso o pagamento, eu tomei emprestado ou eu que estou atrasada?"

O que já foi dito na comissão do Senado

Ontem (28), a comissão ouviu os autores da denúncia do impeachment, o jurista Miguel Reale Junior e a advogada Janaína Paschoal.
Reale reforçou o argumento de que a presidente Dilma cometeu crime de responsabilidade na prática das pedaladas fiscais e ao editar seis decretos de abertura de crédito orçamentário.
Segundo Reale, as pedaladas foram uma forma de maquiar o rombo nas contas públicas e um tipo de empréstimo proibido por lei feito dos bancos públicos ao governo.
"Nunca antes na história do Brasil houve volume e quantidade extraordinária, por tempos tão longos, de operações de crédito com um cheque especial que foi sendo feito pelo governo junto às suas instituições, às instituições financeiras que ele controla, o que, aliás, é proibido pela Lei dos Crimes Financeiros", disse.
As pedaladas são como ficou conhecido o atraso nos repasses do governo a bancos públicos, o que foi entendido pelo TCU (Tribunal de Contas da União) como uma forma proibida de empréstimo dos bancos ao governo. Com o atraso nos repasses, o bancos tinham que arcar momentaneamente com recursos próprios o pagamento de programas federais como o Bolsa Família, seguro desemprego e empréstimos a juros mais baixos para investimentos empresariais.
Sobre os decretos de abertura de crédito, Reale afirmou que existe crime de responsabilidade porque eles foram editados pela presidente sem a autorização do Congresso Nacional, num momento em que havia dificuldade para cumprir a meta fiscal (economia para pagar juros da dívida pública).
"A infração existe, porque não houve autorização das Casas legislativas", disse. "Se houver autorização legislativa, pode haver, mas, sem autorização legislativa, é infração", afirmou o jurista.
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) rebateu os argumentos de Reale. Para o petista, como o cumprimento da meta fiscal só é determinado no fim do ano, não houve crime na edição dos decretos, pois o governo conseguiu reduzir a meta fiscal daquele ano por meio de projeto aprovado pelo Congresso Nacional.
"E quanto a esse princípio da anualidade das metas fiscais, professor, isso está em todo livro de direito que discute o tema. As metas são anuais, professor. É um equívoco gigantesco", afirmou Lindbergh.
O senador também disse que o entendimento do TCU (Tribunal de Contas da União) até 2015 era de que ao enviar projeto de lei alterando a meta fiscal o governo já estaria autorizado a trabalhar com a nova meta.
A denúncia do impeachment sustenta que Dilma editou os decretos depois de ter enviado ao Congresso o projeto para reduzir a meta. O que provaria que a presidente ampliou a previsão de gastos num momento em que sabia que não iria conseguir atingir a meta fiscal estabelecida.
Na próxima semana a comissão do impeachment deve ouvir especialistas convidados pela acusação e pela defesa.
O parecer do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) será apresentado na próxima quarta-feira (4), e votado na sexta-feira (6). Ele deverá opinar sobre se há elementos para a abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma.
Depois de passar pela comissão, o plenário do Senado delibera novamente sobre o tema. É preciso maioria entre os 81 senadores para que o processo seja aberto e a presidente afastada.
Arte/UOL




Cardozo pede suspeição de relator do impeachment, mas comissão nega

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Felipe Amorim e Ricardo Marchesan
Do UOL, em Brasília

O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, pediu nesta sexta-feira (29), em reunião da comissão do impeachment do Senado, a suspeição do relator da comissão, o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG). O pedido, porém foi negado.
O argumento usado por Cardozo para pedir o afastamento do senador tucano da relatoria era de que há ligações dos autores do pedido de impeachment com o partido de Anastasia, o PSDB, principal partido de oposição.
O pedido de suspeição foi negado pelo presidente da comissão, Raimundo Lira (PMDB-PB). Lira afirmou que a comissão já havia negado pedido semelhante contra o relator feito por senadores da base do governo. Na ocasião, a comissão entendeu que como o próprio Anastasia não é autor do pedido do impeachment, não haveria impedimento para ele ocupar o cargo.
A Lei do Impeachment diz que o pedido de impedimento deve ser apresentado por cidadãos brasileiros, e não pode ser apresentado por partidos políticos. Com base nesse argumento, a maioria dos senadores da comissão descartou a suspeição contra Anastasia.
Lira também afirmou que nesta fase do processo do impeachment apenas os senadores poderiam apresentar requerimentos à comissão.
Na reunião da comissão na quinta-feira (28), a advogada Janaína Paschoal afirmou ter recebido R$ 45 mil do PSDB para elaborar um parecer sobre se seria possível um pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Janaína também afirmou que foi convidada para elaborar o parecer pelo jurista Miguel Reale Junior, ex-ministro do governo FHC (Fernando Henrique Cardoso) e filiado ao PSDB.
Ontem, Janaína afirmou que cobrou pelo estudo justamente por não ser filiada ao PSDB. Ela disse que elaborou um estudo sobre se haveria possibilidade para a apresentação de um pedido de impeachment contra Dilma, mas reforçou que não foi contratada para apresentar o pedido.
A advogada chegou a criticar o PSDB por ter apoiado "tarde" o pedido de impeachment apresentado num primeiro momento por ela e pelo jurista Hélio Bicudo -- Reale e Janaína assinam a denúncia do impeachment junto com Bicudo.
"Se isso acontece com os subscritores da denúncia, não pode alguém do mesmo partido relatar esse processo. Há uma suspeição objetiva, independentemente das condições pessoais, da honorabilidade do nobre senador Anastasia", afirmou Cardozo.
Em sua manifestação, Janaina negou veementemente ter ligações com partidos políticos.

Fatores para rejeição

O ministro Cardozo listou três novos fatores de por que, na visão da defesa, a denúncia do impeachment contra Dilma deve ser rejeitada.
Ele afirma que os deputados não poderiam ter anunciado seus votos, a favor e contra o impeachment, antes da votação na Câmara, porque isso fere a imparcialidade do processo. Ele citou, inclusive, os placares diários divulgados por meios de comunicação, contabilizando os votos.
O advogado-geral também apontou que partidos orientaram o voto e fecharam questão sobre o impeachment. O PP, por exemplo, definiu o voto a favor do impedimento e ameaçou de expulsão os deputados que votassem de maneira contrária. "O voto do parlamentar é de consciência, não é partidário. Não pode haver fechamento de questão nem orientação partidária", afirmou Cardozo.
O ministro disse que essas decisões, que invalidariam a denúncia, são da Corte Interamericana de Direitos Humanos, do qual o Brasil faz parte.
Por fim, Cardozo defendeu que o que é dito pelos parlamentares na hora do voto fica vinculado à decisão, e muitos justificaram seu voto citando questões que não estavam na denúncia original, que é sobre as chamadas pedaladas fiscais e os decretos suplementares.
"Votou-se por tudo: pela Lava Jato, pela solidadriedade. Votou-se por vários fatores", disse Cardozo. Ele defende que isso viciaria o processo, e o tornaria nulo.

O que já foi dito na comissão do Senado

Antes de Cardozo, falaram nesta sexta-feira em defesa da presidente Dilma Rousseff os ministrosNelson Barbosa (Fazenda) e Kátia Abreu (Agricultura).
Ontem (28), a comissão ouviu os autores da denúncia do impeachment, o jurista Miguel Reale Junior e a advogada Janaína Paschoal.
Reale reforçou o argumento de que a presidente Dilma cometeu crime de responsabilidade na prática das pedaladas fiscais e ao editar seis decretos de abertura de crédito orçamentário.
Segundo Reale, as pedaladas foram uma forma de maquiar o rombo nas contas públicas e um tipo de empréstimo proibido por lei feito dos bancos públicos ao governo.
"Nunca antes na história do Brasil houve volume e quantidade extraordinária, por tempos tão longos, de operações de crédito com um cheque especial que foi sendo feito pelo governo junto às suas instituições, às instituições financeiras que ele controla, o que, aliás, é proibido pela Lei dos Crimes Financeiros", disse.
As pedaladas são como ficou conhecido o atraso nos repasses do governo a bancos públicos, o que foi entendido pelo TCU (Tribunal de Contas da União) como uma forma proibida de empréstimo dos bancos ao governo. Com o atraso nos repasses, os bancos tinham que arcar momentaneamente com recursos próprios o pagamento de programas federais como o Bolsa Família, seguro desemprego e empréstimos a juros mais baixos para investimentos empresariais.
Sobre os decretos de abertura de crédito, Reale afirmou que existe crime de responsabilidade porque eles foram editados pela presidente sem a autorização do Congresso Nacional, num momento em que havia dificuldade para cumprir a meta fiscal (economia para pagar juros da dívida pública).
"A infração existe, porque não houve autorização das Casas legislativas", disse. "Se houver autorização legislativa, pode haver, mas, sem autorização legislativa, é infração", afirmou o jurista.
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) rebateu os argumentos de Reale. Para o petista, como o cumprimento da meta fiscal só é determinado no fim do ano, não houve crime na edição dos decretos, pois o governo conseguiu reduzir a meta fiscal daquele ano por meio de projeto aprovado pelo Congresso Nacional.
"E quanto a esse princípio da anualidade das metas fiscais, professor, isso está em todo livro de direito que discute o tema. As metas são anuais, professor. É um equívoco gigantesco", afirmou Lindbergh.
O senador também disse que o entendimento do TCU (Tribunal de Contas da União) até 2015 era de que ao enviar projeto de lei alterando a meta fiscal o governo já estaria autorizado a trabalhar com a nova meta.
A denúncia do impeachment sustenta que Dilma editou os decretos depois de ter enviado ao Congresso o projeto para reduzir a meta. O que provaria que a presidente ampliou a previsão de gastos num momento em que sabia que não iria conseguir atingir a meta fiscal estabelecida.
Na próxima semana a comissão do impeachment deve ouvir especialistas convidados pela acusação e pela defesa.
O parecer do relator Antonio Anastasia (PSDB-MG) será apresentado na próxima quarta-feira (4), e votado na sexta-feira (6). Ele deverá opinar sobre se há elementos para a abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma.
Depois de passar pela comissão, o plenário do Senado delibera novamente sobre o tema. É preciso maioria entre os 81 senadores para que o processo seja aberto e a presidente afastada.
Arte/UOL

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Questionada sobre integrar governo, Kátia responde Caiado: "não lhe dei essa ousadia"

Ricardo Marchesan
Do UOL, em Brasília

Durante reunião da comissão do impeachment no Senado, nesta sexta-feira (29), a ministra Kátia Abreu (Agricultura) discutiu com o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), que a questionou sua presença no governo.
Abreu, única ministra do PMDB ainda no governo Dilma Rousseff, disse que não tinha dado a "ousadia" e que a questão era pessoal.
Em sua fala, Caiado disse à ministra que sua presença no governo "causa constrangimento". Tanto Caiado quanto Abreu são ligados ao agronegócio.
"É algo difícil de poder continuar atendendo um governo que neste momento fomenta cada vez mais a invasão, a destruição do setor produtivo, aí manipulado pelo MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra] e muito bem financiado pelo atual governo", afirmou Caiado.
A ministra disse que não responderia "questões pessoais", e que não tinha dado a "ousadia" ao senador, citando o apoio de Caiado ao ex-presidente Fernando Collor de Mello, que sofreu impeachment em 1992.
"Eu me recuso a responder questões pessoais, de foro íntimo, se fico ou não fico no governo. Mesmo porque quando vossa excelência foi um dos únicos 33 votos que apoiou o Collor e ficou contra o impeachment, eu jamais o questionei, lhe respeitei e não lhe dei essa ousadia", disse Abreu.
Quando retomou a palavra, Caiado respondeu: "Tenho que dizer à minha nobre colega, senadora Kátia Abreu, que eu evolui".
Ainda assim, Kátia Abreu não deixou de elogiar o senador Caiado e o classificou como "um companheiro nas lutas do setor agropecuário."
 
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MARINA SILVA DIZ QUE HÁ BANALIZAÇÃO DA PALAVRA "GOLPE"

NO RIO
  • PEDRO LADEIRA/FOLHAPRESS
    Marina voltou a defender novas eleições
    MARINA VOLTOU A DEFENDER NOVAS ELEIÇÕES
A EX-SENADORA MARINA SILVA (REDE), CANDIDATA DERROTADA NA ÚLTIMA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL, VOLTOU A DEFENDER A CONVOCAÇÃO DE NOVAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS E NEGOU QUE SEJA MOTIVADA POR INTERESSE PESSOAL AO FAZÊ-LO. ELA TAMBÉM CRITICOU A POSIÇÃO DO GOVERNO E DA BASE ALIADA DE CLASSIFICAR DE GOLPE UMA EVENTUAL SAÍDA DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF.
"ESTÁ HAVENDO UMA BANALIZAÇÃO DA PALAVRA 'GOLPE'. DAQUI A POUCO, A CRIANÇA PEGA A BALA DA OUTRA NO RECREIO E SE USA A PALAVRA GOLPE. A DITADURA, ESSA, SIM, GOLPEOU A NOSSA DEMOCRACIA. NOVA ELEIÇÃO NÃO TEM NADA A VER COM GOLPE."
MARINA TAMBÉM AFIRMOU QUE A DEFESA PELA REALIZAÇÃO DE NOVAS ELEIÇÕES NÃO TEM RELAÇÃO COM UMA POSSÍVEL PARTICIPAÇÃO DELA NO PROCESSO ELEITORAL. "SÓ UMA NOVA ELEIÇÃO PODERÁ ESTABILIZAR O PAÍS, DAR CREDIBILIDADE E LEGITIMIDADE PARA UMA AGENDA DE TRANSIÇÃO. A MINHA POSIÇÃO É DE INSISTIR NUMA NOVA ELEIÇÃO PELO CAMINHO DO PROCESSO NO TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. O IMPEACHMENT ALCANÇA A LEGALIDADE, MAS NÃO A FINALIDADE", AFIRMOU MARINA, NO RIO, SEM DIZER SE SAIRIA NOVAMENTE CANDIDATA. "NINGUÉM PODE FALAR EM CANDIDATURA ANTES DE DEVOLVER AOS CIDADÃOS A POSSIBILIDADE DE VOTAR. QUANDO COMECEI A DEFENDER A TESE, SEQUER PODIA ME CANDIDATAR. DEFENDO POR CONVICÇÃO".
MARINA VOLTOU A DEFENDER NÃO APENAS A SAÍDA DE DILMA ROUSSEFF, MAS TAMBÉM A IMPOSSIBILIDADE DE O VICE-PRESIDENTE ASSUMIR O CARGO DIANTE DE UM EVENTUAL IMPEACHMENT DA PRESIDENTE. A EX-SENADORA DEFENDE A IMPUGNAÇÃO DA CHAPA DILMA-TEMER.

É GOLPE OU NÃO É GOLPE? JURISTAS OPINAM

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'Estamos com ele': A cidade do Líbano que torce para que Temer vire presidente

Tariq Saleh
De Btaaboura (Líbano) para a BBC Brasil

Enquanto no Brasil o vice-presidente Michel Temer (PMDB) enfrenta desconfiança de parte da população – 60% querem sua renúncia, afirma o Datafolha – na pequena cidade de Btaaboura, no norte do Líbano, "sua aprovação é de 100%", ao menos segundo as contas do prefeito da cidade.
"Nós acompanhamos de perto pela televisão e sabemos da rejeição e acusações que ele enfrenta no Brasil. Mas estamos ao lado dele até o fim. Se Deus quiser, o próximo presidente da República do Brasil será Michel Temer", diz à BBC Brasil o advogado Bassam Barbar, prefeito da localidade de 700 habitantes.
A explicação para tanta torcida é que o peemedebista tem raízes na pacata cidade. Sua família imigrou para o Brasil em 1924 – ele nasceria em Tietê (SP) 16 anos depois.
Temer visitou Btaaboura em 1997, quando era presidente da Câmara dos Deputados, e em 2011, já como vice de Dilma Rousseff, hoje alvo de um pedido de impeachment. Foi recebido com festa: virou nome de uma rua na entrada da cidade e ganhou uma placa.
Com a possibilidade de que assuma o Palácio do Planalto, uma praça está em construção para uma nova homenagem – cerca de US$ 100 mil (cerca de R$ 350 mil) foram gastos no projeto.
O prefeito rebate as críticas de que seria melhor aplicar a verba em melhorias para a localidade, que tem poucos recursos.
"Gastamos esse dinheiro para também nos orgulharmos de nós mesmos. Porque não temos ninguém em Btaaboura que chegou a um cargo tão grande. Essa praça em homenagem a Michel Temer é algo ainda simples para ele, mas para nós é algo grande", diz.
Mohamad Chreyteh/BBC
Segundo prefeito, "100% da população da cidade" apoia Temer
Btaaboura tem como principal fonte de renda sua pequena produção de azeitonas e azeite de oliva. Nas ruas, há poucos jovens ou movimentação.
"A maioria das pessoas aqui, principalmente os jovens, estuda e trabalha em Beirute (capital do Líbano, a 75 km dali) ou até mesmo fora do país, e é natural que tenhamos este sentimento por um filho daqui, mesmo que em seu país ele enfrente rejeição ou acusações", completa Barbar.

'Apoio incondicional'

O prefeito conta que todos os 700 habitantes do vilarejo, encravado nas montanhas, estão a par de que um "filho" da cidade está no centro das atenções no Brasil.
Não há nenhuma pesquisa para confirmar a estimativa do prefeito, mas, mesmo os moradores ouvidos pela BBC Brasil que disseram não conhecer Temer muito bem declararam seu apoio e entusiasmo com a perspectiva de ele virar presidente.
"Não acompanho as acusações que enfrenta, nem sua vida política, mas a cidade parece não se importar", diz o dono de empresa de construção Michel El Mir, de 45 anos, que viu o vice em uma de suas visitas à cidade.
"E por que me importaria? Não o conheço, mas o apoio, torço para que seja presidente apenas pelo fato de ele ter origem libanesa."
O ferreiro Mikhael Bayeh, de 43 anos, disse ter visto na TV que Temer "é controverso (no Brasil)", mas que isso não impede que os moradores apenas "vejam o lado positivo" do peemedebista.
Arquivo pessoal/BBC
Temer esteve no país em 2011, quando rua com seu nome (grafado incorretamente) foi inaugurada
"Aqui no Líbano, nossos próprios políticos estão envolvidos em corrupção, desvios, nepotismo. E continuam sendo apoiados em suas cidades de origem de forma incondicional", afirma.
Temer foi citado por delatores na Operação Lava Jato como um dos beneficiários do escândalo de corrupção da Petrobras, o que ele nega.

Imigração

O professor brasileiro Roberto Khatlab, historiador da Universidade de Kaslik, no Líbano, e autor de diversos livros sobre a imigração libanesa, diz ser uma tradição local valorizar figuras de renome internacional com origem ligada ao país.
"A cantora Shakira e a atriz Salma Hayek têm ascendência libanesa, e ambas visitaram no passado suas cidades de origem, sendo recebidas com festa e honras. O bilionário mexicano Carlos Slim, umas das pessoas mais ricas do mundo, também foi recebido com ovação em sua cidade de origem no Líbano", conta.
Btaaboura, assim como várias outras cidades e vilarejos no Líbano, teve um passado marcado por eventos trágicos e ondas de emigração, acrescenta.
O maior fluxo de pessoas a deixar a região viajou a partir da segunda metade do século 19, principalmente por causa da "opressão, feudalismo, guerras civis, massacres, problemas de ordem econômica, demográfica, política e divergências religiosas", explica.
"São 10 milhões de libaneses espalhados pelo mundo, e cerca de 4 milhões no Brasil. E os que se tornaram políticos, empresários e artistas de sucesso são recebidos e vistos como vencedores."
Mohamad Chreyteh/BBC
Família de Elias Bahij Soueid é amiga da de Temer no Brasil

Sem presidente

Apesar de o Líbano estar sem presidente eleito desde maio de 2014 – seus deputados não conseguem chegar a um acordo sobre um novo governante para o país – o Brasil é que está no centro das atenções, conta o prefeito.
"As pessoas aqui acompanham mais a possibilidade do Temer virar presidente do Brasil do que o processo presidencial aqui no Líbano", diz Barbar.
"Em 2011, quando Temer esteve aqui, disse a ele que, se Deus quisesse, aquela seria a última visita dele como vice-presidente e que nós de Btaaboura o receberíamos em sua próxima visita como presidente da República".
Hoje, o peemedebista é o principal assunto nas reuniões e churrascos na casa do prefeito, onde já se discute, por exemplo, como será a festa que eles pretendem organizar caso ele realmente assuma a Presidência.
Mohamad Chreyteh/BBC
Primo do vice esteve no Brasil em 1997
Entre os frequentadores dos encontros está o eletricista brasileiro Elias Bahij Soueid, de 70 anos. Nascido na mesma Tietê de Temer, ele migrou para a terra de sua família aos 17 anos. Lá, casou-se com uma libanesa e teve três filhos.
"Gosto muito dele (Temer), apesar do que dizem sobre ele no Brasil. Acho que pode ajudar o Brasil se virar presidente", diz.
Sua família é amiga da de Temer desde os tempos de Tietê. "Ele e sua família sempre iam lá em casa, ele era amigo do meu pai. Quando ele veio para cá, em 1997, me reconheceu e trocamos algumas palavras."
Em frente à antiga casa da família de Temer, construída com as pedras de cor ocre típicas do Líbano, Soueid conta que voltou ao lugar em mais de 60 anos. Mas, para a população, o prédio é um símbolo de que habitantes de Btaaboura podem fazer sucesso no exterior, afirma.
Ao lado da casa, o engenheiro civil Nizar Temer, 65, primo do vice, lembra da viagem que fez a Brasília, em 1997, quando visitou o Congresso Nacional.
"Achei o lugar bastante bonito e grande. Meu primo era então presidente da Câmara e me levou para conhecer o local", mostrando um retrato que tirou com o peemedebista na época.
Ele diz monitorar as notícias sobre o atual momento político brasileiro e estar confiante de que o primo chegará ao Planalto.
"Aqui em Btaaboura todos torcemos por ele."
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