terça-feira, 18 de julho de 2017



Biógrafo britânico diz que Lula foi conivente com 'sistema corrupto', mas vê investigação politizada

Presidente LulaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionAcadêmico diz que defensores de Lula poderão se aproveitar da possibilidade de viés político nas investigações
Autor de Lula of Brazil, biografia de Luiz Inácio Lula da Silva lançada em 2008 e que critica o legado de seu governo - pedindo em especial uma postura mais forte contra a corrupção na política brasileira -, o acadêmico britânico Richard Bourne saiu em defesa do ex-presidente ao comentar a denúncia oferecida na quarta-feira pelo Ministério Público Federal do Paraná.
Para Bourne, a maneira como as acusações foram apresentadas endossa a percepção que um processo politizado, apesar de seus elogios à operação Lava Jato. "As investigações devem ser elogiadas por revelar práticas corruptas de empresas, intermediários e políticos de vários partidos, e uma das críticas que tenho a Lula é que ele nunca se posicionou em algum tipo de cruzada contra a corrupção", diz o britânico em entrevista à BBC Brasil.
"Mas quando o MP faz acusações graves contra Lula sem apresentar provas contundentes, ele endossa o argumento dos defensores de Lula de que há aspectos políticos na investigação ou mesmo uma campanha para desacreditá-lo."
Na quarta-feira, Lula foi denunciado pelo MPF por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em relação ao caso do tríplex no Guarujá, acusado de ser o "comandante máximo" de uma "propinocracia". Em pronunciamento nesta quinta, Lula disse que o MPF construiu "uma mentira, um enredo de novela". "Provem uma corrupção minha que irei a pé até Curitiba. (...) "Não compreendi como você convoca uma coletiva, gastando dinheiro público, para dizer 'não tenho prova, tenho convicção'."
O acadêmico diz que a atuação do Judiciário reforça sua percepção de que as forças mais à direita da política brasileira estão "com muito medo" da possibilidade de Lula ser uma presença forte nas eleições presidenciais de 2018.
O procurador federal Deltan Dallagnol, que ofereceu a denúncia contra LulaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionO procurador federal Deltan Dallagnol, que ofereceu a denúncia contra Lula
"Mesmo que não se candidate, Lula pode exercer forte influência, e o risco de acusações sem muitas provas é de que o ex-presidente e o Partido dos Trabalhadores possam tirar vantagem para se dizerem vítimas de perseguição política. E, pelo menos no momento, eles têm razão para reclamar. Não foram políticos do PT, por exemplo, que manifestaram desejo de encerrar os trabalhos da Lava Jato", explicou Bourne, referindo-se às gravações divulgadas em maio que mostravam políticos do PMDB, incluindo o ex-ministro do governo Temer Romero Jucá, reclamando das investigações sobre corrupção na Petrobras.
Porém, Bourne também vê responsabilidade de Lula na situação por causa da falta de um posicionamento mais incisivo contra o que chama de "sistema político corrupto" e pelas alianças políticas feitas para alavancar o projeto de poder do PT.
"Ele não hesitou em se comprometer com o sistema para se manter no governo. Devemos lembrar que sua administração ficou marcada pelo escândalo do mensalão. Se há suspeitas, elas devem ser investigadas, mas você precisa de provas para sustentar essas acusações e não afetar a credibilidade da operação".
O britânico se disse surpreso com o momento vivido pelo homem sobre o qual escreveu. "Jamais esperei que um dia fosse ver a possibilidade de Lula ser preso. Escrevi meu livro na época de sua reeleição (2006), em uma época que a imagem pública de Lula era certamente bem diferente de hoje", conta.

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domingo, 16 de julho de 2017




É vital decidir rápido se Lula fica inelegível, diz filósofo

 Folhapress 1 hora 9 minutos atrás 




Operador Lúcio Funaro vai entregar mamatas de Dilma com Cuba



 Claudio Tognolli,Yahoo Notícias sáb, 15 de jul 09:47 BRT 









Após condenação de Lula, Marina reúne aliados e se apresenta como candidata ao Planalto em 2018

POR PAINEL


Ela lá No dia seguinte à condenação do ex-presidente Lula, Marina Silva chamou líderes da Rede no Congresso para uma conversa sobre 2018. Até então enigmática sobre sua disposição em concorrer ao Planalto, deu sinais de que decidiu entrar no páreo. Quer montar, desde já, uma agenda de candidata. Marina disse que há “um grande vácuo” na política e afirmou que a Rede precisa apresentar uma “alternativa aos polos”. Nesta segunda (17), participa de encontro com artistas no Rio.
Pauta comum A reunião da ex-senadora na capital fluminense está sendo organizada pelo ator Marcos Palmeira. Participam do encontro nomes que têm defendido a saída do presidente Michel Temer do Planalto.
Suprema teia Na conversa com aliados, quando o assunto foi a possível filiação Joaquim Barbosa e Carlos Ayres Britto, Marina disse que atua para ter os dois ex-presidentes do STF nos quadros do partido. Ambos são vistos como nomes ideais para compor uma chapa com ela em 2018.
Novo alvo Na volta de sua viagem à China, que começa no dia 21, o prefeito de São Paulo, João Doria, desembarcará em Curitiba. Participa de almoço com comida típica a convite de associações empresariais. A visita foi confirmada logo após ele pedir  apoio ao juiz Sergio Moro, o algoz de Lula, em vídeos.
Afina o discurso Com a perspectiva real de Lula se tornar inelegível, Doria, que se notabilizou pela autoria dos mais duros ataques ao petista no tucanato, deve adotar como mantra a defesa da Lava Jato. É uma forma de marcar oposição ao discurso do petista, ainda que ele fique de fora da corrida de 2018.
Tem limite Mensagem postada nas redes sociais pelo procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, causou rebuliço entre advogados. No texto ele anuncia um evento que vendia ingressos para quem quisesse conhecer os investigadores. O dinheiro seria doado.
Porta-voz O presidente da OAB, Claudio Lamachia, entrou na polêmica.”O uso do combate à corrupção e da Lava Jato para autopromoção contraria os princípios da impessoalidade e da moralidade. Espera-se que servidores tenham o interesse público como um fim e a discrição como meio de trabalho.”
Sensível demais O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi alvo de debate em rodas de investidores após usar o Twitter para dizer que não aceitaria negociar medida provisória com edições à reforma trabalhista.
Valor de face Mais preocupado com a forma do que com o conteúdo da mensagem, o mercado buscou junto a seus analistas informações sobre o perfil decisório de Maia, que vai assumir o Planalto caso Temer seja afastado. À primeira vista, disseram, pareceu precipitado.
A quem importa Com o texto, Maia acenou para o eleitorado que pode colocá-lo em definitivo no Planalto: o plenário da Câmara. O deputado conseguiu amenizar a má impressão defendendo, em seguida, a reforma da Previdência e a tributária, também na rede social.
Promessa é dívida Em meio às especulações sobre a criação de mecanismo que substitua o imposto sindical, Michel Temer convidou o relator da reforma trabalhista na Câmara, Rogério Marinho (PSDB-RN), para almoçar. Reafirmou que não mudou de opinião sobre o fim do tributo.

Malhação de Judas A posição do presidente irritou integrantes da Força Sindical, que passaram a ironizá-lo. “A partir de agora, Temer vai ganhar uma estátua na sede da CUT”, disse o secretário-geral da entidade, João Carlos Gonçalves, o Juruna.
Com o inimigo A CUT é a única grande central a favor do fim do imposto. Mas, ligada ao PT, ela se opõe a Temer.

TIROTEIO
A pior coisa que existe na vida pública são os famosos lambe-botas: aqueles que juram paixão no Palácio do Planalto e traem na CCJ.
DO DEPUTADO BETO MANSUR (PRB-SP), sobre traições na votação da denúncia contra o presidente Michel Temer na CCJ, mesmo após trocas no colegiado.

CONTRAPONTO
Ato Falho
Na quinta (13), o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), relator na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do texto que pedia a rejeição da denúncia contra Michel Temer, finalizava a leitura de seu parecer quando acabou cometendo uma gafe. Dirigindo-se ao presidente do colegiado, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), ele afirmou:
— No direito penal, não existe culpa presumida, meu caro presidente Rodrigo Rocha Loures.
— Perdoe-me, deputado: é Rodrigo Pacheco! — corrigiu de pronto, ainda no comando da CCJ.
— Até porque esse Rodrigo não busca mala em pizzaria — provocou o petista Henrique Fontana (RS).




quarta-feira, 28 de junho de 2017

Rambo venezuelano

:

quem é o piloto que pediu a saída de Maduro

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O presidente venezuelano Nicolás Maduro já inventou contra si dezenas de golpes de Estado e sempre usou isso para aumentar ainda mais a repressão.
Daí ser natural que, quando um helicóptero lançou, neste terça-feira 27, granadas contra a sede do Tribunal Supremo de Justiça, em Caracas, muitos pensaram em se tratar de uma encenação.
Pois eis que o piloto do helicóptero, o inspetor da polícia científica Oscar Pérez é um ator que gosta de aparecer como um aventureiro destemido para as câmeras. 
Em sua conta no Instagram, o policial se mostra como um homem de ação. É um Chuch Norris do Caribe. Ou um Rambo venezuelano. O melhor dos seus vídeos é um em que Pérez pula de paraquedas de cima de um helicóptero, levando consigo um cachorro desesperado.
@OSCARPEREZGOV Oscar Perez
Pérez está sendo caçado pelas autoridades da Venezuela depois de sobrevoar  a sede do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) em Caracas com um helicóptero , e divulgar uma mensagem na qual exige a renúncia do presidente Nicolás Maduro .
A ação cinematográfica não é novidade para o que parecer ser uma ação rebelde do policial de 36 anos — em 2015, ele participou do filme “Muerte Suspendida” como um dos protagonistas.
Maduro classificou o ato como um “ataque terrorista” e o acusa de ter disparado tiros e jogado granadas contra o prédio do Supremo. Em vídeos divulgados na internet é possível ouvir o som dos disparos. Já as bombas parecem não ter explodido.