segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

TRANSGÊNICOS - É PRECISO ACORDAR PARA ESSE PERIGO !

O texto abaixo, de Fátima Oliveira (vide bibliografia no final deste artigo) é parte
de um trabalho da autora, denominado Afinal, qual é mesmo o "suave veneno" dos transgênicos?
(Os impactos ambientais e na saúde humana ainda são uma incógnita) retirados do site http://www.agronline.com.br, como uma contribuição ao estudo que estamos propondo.
(obs. veja a matéria completa no blog: estudosgma.blogspot.com desta data)

Os impactos ambientais e na saúde humana ainda são uma incógnita
(Fátima Oliveira)


Os impactos ambientais e sobre a saúde humana dos transgênicos ainda não estão estabelecidos, conforme leis elementares de biossegurança, logo é importante duvidar da tão propalada inocuidade dos transgênicos, já que as evidências dos malefícios são um fato. Por exemplo, o feijão transgênico da EMBRAPA - contém um gene da castanha-do-pará - ao ser testado nos EUA causou reações alérgicas.

Pesquisas realizadas em 1998 pelo médico escocês Arpad Puzstai demonstraram que batatas transgências de genes que produzem lectins (proteína que danifica as células do sistema imunológico) podem modificar o metabolismo humano. Pusztai durante 100 dias alimentou ratos com batatas bioengenheiradas produtoras de lectins, cujos resultados foram: retardo do crescimento e menor resistência às infecções, quando comparados com ratos alimentados com batatas naturais.

No meio ambiente, as sementes modificadas podem provocar desequilíbrios. Por serem mais resistentes à ação de pesticidas ou doenças, há o risco de que elas, num processo de seleção, eliminem as sementes naturais. Ou mesmo que se misturem a outras, pela polinização, criando espécies debilitadas ou estéreis. "No caso da soja transgênica no Brasil, por exemplo, diz Rifkin, a planta, que é resistente a herbicidas, pode vir a provocar a polinização de ervas daninhas. As ervas alteradas só serão descobertas anos depois, quando representarem uma séria ameaça a lavouras, já que serão resistentes a herbicidas. Quando isso ocorrer, o seguro contra catástrofes oferecido pela Monsanto já terá vencido e não se poderá responsabilizar ninguém pelo prejuízo". (8), (9).

Mas ouçamos Claudine Guérin-Marchand, responsável pela pesquisa do CNRS, indicada pelo Instituto Pasteur, Paris, França: "A introdução de novos genes em uma planta pode conduzir a fenômenos desconhecidos e pouco previsíveis; aparecimento de novas alergenicidades ou toxicidades e aumento da toxicidade natural. Os riscos relacionados com a presença de genes de resistência a antibióticos ainda são controversos. Temos poucos dados sobre este problema e nenhuma conclusão" (10).

Considerando os argumentos mencionados é que Áustria e Grécia proibiram plantações experimentais de transgênicos em seus territórios e o Comitê Ambiental do Parlamento Europeu estuda uma moratória para os transgênicos. Redes de supermercados, como Tesco e Carrefour, já anunciaram que não terão produtos transgênicos e seus derivados em suas prateleiras. A Nestlé está sendo pressionada por consumidores, em vários países do mundo, para que assuma o compromisso de não utilizar transgênicos em seus produtos.

Sou de opinião que, tendo em conta a ignorância da ciência, não podemos permitir que os transgênicos passem a fazer parte de nossa alimentação tal como os produtos alimentícios da natureza, sob pena de que talvez sequer tenhamos tempo para maldizer o amanhã.

* Fátima Oliveira. Médica. Bolsista da Fundação MacArthur, projeto: "Divulgação e Popularização da bioética: direitos, reprodutivos". Coordenação Nacional da UBM/União Brasileira de Mulheres; Conselho Diretor da CCR/Comissão de Cidadania e Reprodução e da RedeSaúde/Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos. Da Diretoria da SBB/Sociedade Brasileira de Bioética. Consultora técnica do MUSA - Mulher e Saúde, BH. Integrante do GET/CNS - Grupo Executivo de Trabalho/Conselho Nacional de Saúde para Revisão da Resolução 01/88 sobre Experimentação Envolvendo Seres Humanos, novembro de 1995 a outubro de 1996; da CONEP/MS - Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde, outubro de 1996 a junho de 1997.

Co-autora de Fundamentos da bioética (Paulus, 1996); Tecnologias Reprodutivas: gênero e ciência (UNESP, 1996) e Ciência e Tecnologia em debate (Moderna, 1998).

Autora de Engenharia genética: o sétimo dia da criação (Moderna, 1995); Bioética: uma face da cidadania (Moderna, 1997) e Oficinas Mulher Negra e Saúde (Mazza Edições, 1998).

Organizadora da página Rede de Informação sobre Bioética: bioética&teoria feminista e anti-racista http://culturabrasil.art.br/RIB