Muitos homens,
parceiros, filhos, pais, maridos, companheiros, sobrinhos, netos, alunos,
chefes, gerentes, proprietários, colegas de trabalho, etc começaram a entender
que, realmente, a idéia do 08 de março não era bem aquela, a de agradecer ou
demonstrar um certo reconhecimento à pessoa que se mata para cumprir com as
coisas destinadas às mulheres que foram estabelecidas pela sociedade em que
sempre mandaram os homens e passaram a respeitar esse posicionamento das
mulheres e a mudar o seu modo de ser para se adaptarem às novas circunstâncias.
A mulher começava a conquistar seus direitos com suas próprias lutas.
Há daqueles
que ainda não compreenderam e forçam a barra para manter o estado de coisas.
Estão sempre em confronto e nem percebem de onde vem o mal estar que lhes
incomoda. Muitos já estão em extinção.
A sociedade
machista tenta preservar os valores. Para isso, as estruturas de dominação
contribuem e muitas vezes assumem a linha de frente na pregação desses valores
que podemos chamar, da sociedade patriarcal. Por exemplo, na televisão.
Raramente as novelas deixam de apresentar cenas de casamento. Mesmo quando a
moça/mulher está grávida, procuram mostrar o casamento consertando as coisas. E
vemos também novelas em que a mulher negra ao desempenhar um papel de classe
social antes espaço da mulher branca, há um certo mal estar na apresentação da
empregada branca dessa patroa negra e tudo o mais que circula em torno da
mulher branca da mesma classe.
Em Guararema é
possível ver mulheres trabalhadoras dando um duro danado nas Frentes de
Trabalho, ganhando miséria, sem carteira assinada, sem o devido reconhecimento
da sua luta, muitas vezes em jornadas duplas. Espero que um dia estejam
organizadas em suas associações e até mesmo Sindicato, porque quando se sonha
junto e se luta junto já se está no caminho da transformação. A elas, o meu abraço e solidariedade.
Guararema, 08 de março de 2012. Julio Miyazawa