sexta-feira, 10 de outubro de 2014

RETROSPECTIVA - A 16 DE SETEMBRO 2014


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“Não podemos cair numa aventura regressiva”, diz Marilena Chauí

setembro 16, 2014 14:40

Em ato político, artistas e intelectuais reafirmam apoio a Dilma Rousseff e classificam Marina Silva como “uma aventura”
Por Marcelo Hailer
Aconteceu nesta segunda-feira (15) o ato #RedeCulturaComDilma, que marca o apoio de vários artistas e intelectuais à candidatura da presidenta Dilma Rousseff (PT) à reeleição. Um manifesto assinado por Chico Buarque, Marieta Severo, Otto, Beth Carvalho, Marilena Chauí, entre outros, foi lançado na tarde desta segunda. No documento, os signatários declararam que o Brasil não pode “permitir o retrocesso”.
A primeira a falar e declarar o seu apoio a Dilma Rousseff foi Ana Paula Oliveira, do Coletivo Matutada, um dos pioneiros a ser contemplados pela política dos Pontos de Cultura. Ela ressaltou a importância de tal política para as periferias do Brasil. “As cotas e os Pontos de Cultura foram uma revolução. Sou fruto de um Ponto de Cultura, posso citar aqui o Fora do Eixo, a Cooperifa. É por tudo isso que estou na rede de apoio à presidenta. Estamos prontos pra construir uma política de cultura na periferia, não apenas como reparação. Estamos prontos para ser o maior eixo de cultura desse país”, disse Oliveira.
Posteriormente à fala de Oliveira, o evento prestou uma homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer (1907-2012), que esteve presente no último evento de apoio dos artistas e intelectuais à campanha de Dilma, em 2010. Este ano, ele foi representado pelo filho Paulo Niemeyer no ato. Durante a celebração da memória do homem que desenhou Brasília, o público gritava “Oscar Niemeyer, presente”, uma forma clássica de celebrar aqueles que já se foram.
Após a homenagem, foi a vez da filósofa e professora da USP (Universidade São Paulo), Marilena Chauí, declarar o seu apoio à presidenta. “Eu amo o PT, eu amo o Lula, eu amo a Dilma e é esse amor que me traz aqui hoje, pois eu amo a liberdade”, declarou Chauí, que depois comentou a respeito da polarização entre Dilma Rousseff e Marina Silva.
“Eu julgo que as candidaturas estão polarizadas de uma maneira que convoca a nós, intelectuais, artistas, estudantes, para uma tarefa profunda e intensa: a polarização entre um caminho com um rumo seguro, certeiro, do começo até agora e o risco de uma aventura regressiva. Não é apenas regressão, é aventura. Temos que esclarecer o povo brasileiro para que essa aventura não venha destruir anos e anos de construção econômica, cultural e social”, defendeu a professora.
Por fim, Marilena Chauí disse não entender algumas posições de Marina Silva. “Não posso compreender como alguém que não gosta da política pode aspirar pelo posto mais alto da República e, se você não tem um partido que trabalha com você, como é que você vai fazer isso se não tem partido? Ou vai ser marionete ou a imperatriz da China. Estou convocando os intelectuais, os artistas, os estudantes para esta tarefa de ajudar a esclarecer a sociedade brasileira, pois o povo tem um caminho perfeito que está dado”, disse.
Antes do teólogo Leonardo Boff iniciar a sua explanação, a cantora Beth Carvalho pediu o microfone e fez uma rápida canja. “Deixa a Dilma me levar/ Dilma leva eu/ Dilma Dilma Dilma/ Todo mundo é com a Dilma”, cantou Beth Carvalho. “Em seu primeiro encontro, eu cantei e você ganhou, e agora vai conseguir o seu segundo mandato, se Deus quiser!”, disse a sambista.
Leonardo Boff iniciou afirmando que é próprio dos intelectuais ficarem “distantes” de partido político, mas que em certos momentos é preciso tomar posição. “Quando percebemos que conquistas dos povos estão em risco, não podemos ficar equidistantes, temos que tomar uma posição e é por isso que estou aqui e em outras partes do Brasil apoiando a Dilma Rousseff”, declarou o filósofo da Teologia da Libertação.
Boff ainda citou o economista Caio Prado para dizer que a gestão do PT está promovendo uma revolução no Brasil. “Caio Prado dizia que a revolução é introduzir as transformações de anseio popular que nunca foram atendidas, dar um rumo ao país. Lula e Dilma fizeram esse tipo de revolução. Isso não pode ser perdido e desfeito. Não houve apenas uma alternância de poder, mas de classe social. Aqueles que estiveram há séculos à margem conseguiram se organizar, criar a libertação e uma nova consciência social”, disse Boff.
Foto: Coligação Com a Força do Povo






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JORNAL DO BRASIL
http://www.jb.com.br/eleicoes-2014/noticias/2014/09/15/artistas-e-intelectuais-fazem-ato-em-apoio-a-reeleicao-de-dilma-rousseff/

Artistas e intelectuais fazem ato em apoio à reeleição de Dilma Rousseff

Nomes como Leonardo Boff e Marilena Chauí se reúnem com Lula no Oi Casagrande






Nunca o Brasil havia vivido um processo tão profundo e prolongado de mudança e justiça social, reconhecendo e assegurando os direitos daqueles que sempre foram abandonados", reforça manifesto
“Não vamos voltar para trás, e faremos isso investindo em educação qualificada, para todos, e colocando a cultura dentro da nossa estratégia de crescimento e desenvolvimento econômico. Não queremos só obras, queremos utopias. Não queremos só vantagens materiais, queremos nos compreender”, disse Dilma. "Vamos colocar a Cultura dentro da nossa estratégia de crescimento econômico”, salientou.
Primeiro, no entanto, conforme frisou o ex-presidente Lula, é preciso fazer a reforma política. Ele enumerou a partir deste ponto uma série de medidas necessárias para a continuidade de transformações. Com críticas à grande imprensa - "Não se discute mais economia, agora tudo é com analista de mercado" -, ao próprio partido - "Cada um tem seus defeitos e suas virtudes"- e ao discurso dos candidatos de oposição, o ex-presidente buscou apresentar a importância do novo olhar às camadas mais pobres e defendeu um possível fim dos financiamentos privados de campanhas políticas.
"Nós temos uma pobreza histórica que nós temos que recuperar." A saída, apontou, seria o maior acesso dos brasileiros à educação, lembrando do acesso das classes mais baixas às universidades, inclusive em instituições do exterior, a partir de programas como o Ciência sem Fronteiras. Enquanto antes o discurso predominante na sociedade brasileira era que "pobre nasceu para ser pobre" e de que era possível traçar o nível de escolaridade de uma pessoa a partir da cor de sua pele, por exemplo, "a não ser que se tratasse de filho de jogador de futebol ou de artista famoso", hoje já não é mais possível se basear em tais critérios, acredita o ex-presidente.
Sobre a candidata à presidência que disputa a corrida eleitoral com Dilma Rousseff, Lula comentou: "Eu tenho dito pra todo mundo que eu não vou falar mal da Marina. Agora, hoje eu não falei mal dela, eu apenas falei que governar este pais é tão importante que é um cargo que não deve ser terceirizado. A gente tem que decidir a cada hora, você não tem tempo de ficar processando, processando. Tem uma hora que tem que tomar decisão", criticou, falando ainda sobre a necessidade de se governar com uma base aliada e sobre a principal qualidade de Dilma Rousseff que o conquistou, a lealdade. 
"Com a capacidade de elaboração da Dilma, eu não conheço ninguém igual. (...) Muita gente diz que ela é durona, mas hoje, no Brasil, não tem ninguém com a qualidade dessa companheira para enfrentar este mundo perverso que está aí, com a crise econômica."
O teólogo Leonardo Boff, colunista do Jornal do Brasil e um dos que lideram o manifesto em prol da candidatura da petista, o cantor Chico César e a filósofa Marilena Chauí destacaram as mudanças promovidas desde a entrada do Partido dos Trabalhadores no poder.
Para a filósofa Marilena Chauí, a Eleição deste ano convoca os intelectuais, artistas e cientistas a se posicionarem em defesa de um projeto que transformou o Brasil. “Corremos o risco de uma aventura regressiva. Que essa aventura não venha como um tsunami destruir o que construímos nos últimos anos”, destacou.
O teólogo Leonardo Boff também abordou a revolução que os governos Lula e Dilma promoveram no Brasil. “Lula e Dilma fizeram uma revolução pacífica e democrática que nunca houve no nosso país. Atenderam às aspirações nunca atendidas de um povo. Estas conquistas de 12 anos devem ser assumidas por todos nós, que devemos lutar para conservá-las e enriquecê-las”, disse, sinalizando ainda a necessidade de investimento na Cultura e de distribuição de terras e melhor planejamento das cidades.
"Há pessoas por aí lançando borboletas fantasiosas, mas que se esquecem de plantar as flores para que as borboletas venham. Lula e Dilma plantaram esse jardim para que viessem as borboletas verdadeiras e não as virtuais", completou Boff.
O músico Chico César ressaltou a presença no ato de representantes de diferentes segmentos culturais do país, como do carimbó e do Maracatu. "Tivemos nos últimos 10 anos essa inclusão social através da cultura. Quando a professora Marilena Chauí fala de uma modificação no mapa social do Brasil, nós que fazemos cultura percebemos que temos a obrigação moral de defender essas mudanças. Não podemos nos deixar conduzir por nenhum tipo de aventura ou de desventura. Sonhar não quer dizer não ter juízo", declarou.
Chico César falou também sobre a melhor distribuição de recursos para agentes culturais fora do eixo Rio-São Paulo. "Artista não pode ser alienado, cultura é para incluir", completou.
O manifesto intitulado "A Primavera dos direitos de todos: ganhar para avançar", que já circulava na internet com nomes como Luis Fernando Veríssimo, Frei Beto, Paulo José e Flávio Aguiar, abriu o evento. "Nós consideramos que nunca o Brasil havia vivido um processo tão profundo e prolongado de mudança e justiça social, reconhecendo e assegurando os direitos daqueles que sempre foram abandonados", diz um dos trechos do documento. "Abandonar esse caminho para retomar fórmulas econômicas que protegem os privilegiados de sempre seria um enorme retrocesso.". 
Em seu discurso, Dilma se comprometeu a usar a Cultura para promover Educação e fortalecer a economia brasileira. “A cultura faz parte da nossa projeção de nação". De acordo com ela, o setor pode ser beneficiado pelo Pré-Sal, pelo programa Brasil de Todas As Telas, lançado neste ano para estimular a produção de conteúdos nacionais de audiovisual, e pelo subsídio a projetos culturais pelo BNDES. “Não tem como fazer sala de cinema com o prefeito pagando juros de mercado. E ainda tem gente querendo acabar com o subsídio federal”, comentou.
A educação brasileira, que foi colocada como principal beneficiada pelos futuros frutos do pré-sal, também deve receber maior atenção, disse a candidata, com os professores recebendo um salário adequado. 
Dilma também aproveitou para ressaltar sua crítica à proposta da campanha de Marina Silva em relação ao Banco Central: "É estarrecedor que se coloque a independência do Banco Central como um objetivo de governo."