segunda-feira, 11 de maio de 2015


Sem nocaute da oposição, Dilma sai das cordas



impeachment arquivado momentaneamente pela oposição, manifestações de rua em declínio, panelas incorporadas ao cotidiano, empreiteiros da Lava Jato fora da prisão e a opção pelo ajuste assumida, o Governo Dilma II encerra seus terríveis primeiros quatro meses longe das cordas. No primeiro round do mandato – ainda faltam 11 – a oposição venceu mas não levou a petista a nocaute. O que virá agora?
Pela narrativa do governo os efeitos adversos do ajuste, como desemprego e queda da atividade econômica, serão sentidos até no máximo o próximo ano, com a economia voltando a crescer (é isso que interessa) em 2017. Dilma encerraria, assim, seu mandato em termos razoáveis e o país seguiria adiante. Para onde, não se sabe. Já no enredo oposicionista, a petista sobreviverá isolada com a pauta política comandada à revelia do Planalto e o PT à deriva.
Entre uma ponta e outra, vive-se o presente. No Brasil do ajuste, poucos ganham e muitos perdem. Ganham os que lucram com a dívida pública brasileira (o ajuste é para garantir crescentes reservas de dinheiro para pagar os juros). Ganham também setores empresariais que se beneficiarão, por exemplo, de novas concessões do governo na área de infraestrutura. Ganham exportadores e o agronegócio com a desvalorização do real. De resto, perdem quase todos, principalmente os assalariados.
Não é a primeira vez que se faz um ajuste das contas públicas (mais impostos, menos gastos) no Brasil. Não é a primeira vez também que um governo do PT – que em tese defende os trabalhadores – faz um ajuste (o de 2003 promovido por Lula foi mais intenso do que o atual). Para o país que elegeu Dilma, porém, e que de alguma forma escolheu uma agenda identificada com uma sociedade menos desigual e com mais oportunidades, fica difícil adivinhar o que a presidente está enxergando para além do próximo round.
Com o PT debilitado, a presidente isolada e o Congresso de perfil conservador, os próximos meses poderão sinalizar para onde vai o barco. O Brasil quer mudanças, mas quais seriam estas? Uma sociedade mais inclusiva via forças de mercado, seria isto? Quais partidos & políticos encampam de fato este projeto?
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Imagem:Redebrasilatual/Flickr