Sem nocaute da oposição, Dilma sai das cordas
Por Rogério Jordão | Rogério Jordão – qui, 7 de mai de 2015
impeachment arquivado momentaneamente pela oposição, manifestações de rua em declínio, panelas incorporadas ao cotidiano, empreiteiros da Lava Jato fora da prisão e a opção pelo ajuste assumida, o Governo Dilma II encerra seus terríveis primeiros quatro meses longe das cordas. No primeiro round do mandato – ainda faltam 11 – a oposição venceu mas não levou a petista a nocaute. O que virá agora?
Pela narrativa do governo os efeitos adversos do ajuste, como desemprego e queda da atividade econômica, serão sentidos até no máximo o próximo ano, com a economia voltando a crescer (é isso que interessa) em 2017. Dilma encerraria, assim, seu mandato em termos razoáveis e o país seguiria adiante. Para onde, não se sabe. Já no enredo oposicionista, a petista sobreviverá isolada com a pauta política comandada à revelia do Planalto e o PT à deriva.
Entre uma ponta e outra, vive-se o presente. No Brasil do ajuste, poucos ganham e muitos perdem. Ganham os que lucram com a dívida pública brasileira (o ajuste é para garantir crescentes reservas de dinheiro para pagar os juros). Ganham também setores empresariais que se beneficiarão, por exemplo, de novas concessões do governo na área de infraestrutura. Ganham exportadores e o agronegócio com a desvalorização do real. De resto, perdem quase todos, principalmente os assalariados.
Não é a primeira vez que se faz um ajuste das contas públicas (mais impostos, menos gastos) no Brasil. Não é a primeira vez também que um governo do PT – que em tese defende os trabalhadores – faz um ajuste (o de 2003 promovido por Lula foi mais intenso do que o atual). Para o país que elegeu Dilma, porém, e que de alguma forma escolheu uma agenda identificada com uma sociedade menos desigual e com mais oportunidades, fica difícil adivinhar o que a presidente está enxergando para além do próximo round.
Com o PT debilitado, a presidente isolada e o Congresso de perfil conservador, os próximos meses poderão sinalizar para onde vai o barco. O Brasil quer mudanças, mas quais seriam estas? Uma sociedade mais inclusiva via forças de mercado, seria isto? Quais partidos & políticos encampam de fato este projeto?
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Imagem:Redebrasilatual/Flickr