Ministros do PMDB querem que Temer deixe Dilma lidar com a crise sozinha
QUA, 08/07/2015 - 14:21
Jornal GGN - Desde que assumiu a coordenação política a pedido de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (PMDB) vem ajudando a criar as condições mínimas de governabilidade para a presidente. Seu desempenho na articulação com o Congresso tem dado andamento ao ajuste fiscal, prioridade do Planalto. Com ele, as bancadas do PMDB na Câmara e no Senado somam votos em todos os itens, a despeito das "malcriações" de Eduardo Cunha e Renan Calheiros.
O que aconteceria se Temer deixasse Dilma lidar sozinha com a crise agora que o PSDB, mais do que nunca, aposta que uma nova eleição presidencial sairá antes de 2018? Ao que tudo indica, há uma ala do PMDB muito interessada em descobrir.
Diariamente, a velha mídia tem noticiado, em reportagens e notinhas em colunas políticas, que o grupo peemedebista que quer desembarcar rapidamente do governo tem dado empurrões em Temer, para que o vice-presidente abandone a coordenação política com a desculpa de que já cumpriu seu papel. O resultado imediato disso seria o isolamento de Dilma e a aquisição de mais força por parte de Cunha e Renan. Não à toa, o presidente da Câmara já disse com todas as letras que Temer está sendo "sabotado" pelo próprio PT na missão de ser o bombeiro do Planalto, e deveria logo abrir mão desse papel.
Na edição da Folha desta quarta-feira (8), é a vez de caciques peemedebistas endossarem o pedido de Cunha, mas com outra desculpa: a de que Temer é bom demais para ser um mero "negociador de cargos". "Nós dissemos a ele que o papel que lhe deram na articulação política termina por apequenar a sua história. O colocam como responsável por negociar cargos e não é essa a contribuição que ele deve dar", disse o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB).
"Segundo pessoas próximas a Temer, a ala de entusiastas da sua saída do posto de articulador político do governo conta ainda com o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, e o ex-ministro Moreira Franco. (...) Esses interlocutores avaliam que Temer deveria assumir um papel de 'estadista', articulando uma saída para a crise com setores que hoje estão em conflito com o governo Dilma", escreveu a Folha.
Um outro grupo avalia, ainda, os riscos que Temer corre ao permanecer ao lado de Dilma no momento em que a oposição aposta na derrota da presidente no Tribunal Superior Eleitoral. Lá, por provocação do PSDB de Aécio Neves - derrotado na última disputa presidencial -, Dilma enfrenta acusações de que sua campanha de reeleição recebeu doações fruto de propina do esquema da Petrobras. Se o TSE entender que houve crime eleitoral, a chapa Dilma-Temer deve ser cassada, e novas eleições serão convocadas em até três meses.
"Diante de manifestações do PSDB de que queria cassar, no TSE, a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, o PMDB fez consultas a juristas", publicou o colunista Ilimar Franco (O Globo) nesta quarta, denotando que os peemedebistas buscam, muito provavelmente em vão, uma saída para Temer em caso de cassação. "Esses disseram aos seus dirigentes que a tese não tem qualquer sustentação. A prestação de contas das campanhas não é conjunta (da coligação), mas feita separadamente pelos partidos."
Do lado de Dilma, "ministros e líderes acham que o maior risco para a presidente seria a adesão total da sigla (PMDB) ao movimento, com Eduardo Cunha e Renan Calheiros à frente (que quer o impeachment). O Planalto se fia no vice Michel Temer. 'É ele quem tem de garantir o apoio'", disse um ministro, segundo o Painel da Folha de hoje.
"Auxiliares diretos do vice-presidente, no entanto, dizem que ele não vai influenciar essas conversas e que agora está preocupado em cumprir seu papel institucional de auxiliar o governo e o país a atravessarem a crise. 'O Temer chegou aonde chegou sendo cauteloso e moderado. Até porque sabe que, num movimento em falso, pode se tornar alvo dos dois lados [PT e PSDB]', avaliou um colaborador do vice", complementou o jornal.