sexta-feira, 17 de julho de 2015



Tudo é epílogo depois que a Dilma e o Lewandowski reuniram-se em Portugal

Josias de Souza
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Fachada do hotel em que Dilma se reuniu com Lewandowski e Cardozo, na cidade portuguesa do Porto
O que aconteceu na última terça-feira, dia 7 de julho, durante a passagem de Dilma Rousseff pelo Hotel Sheraton, na cidade portuguesa do Porto? Pode-se afirmar com 100% de certeza que lá, na elegante hospedaria, a presidente se encontrou com o comandante do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, e com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Pode-se declarar também, sem margem para dúvidas, que os três tentaram manter a reunião em segredo. Por último, é imperioso constatar que essa conversa, por disparatada, jamais deveria ter ocorrido.
Desde que o primeiro delator da Lava Jato começou a soar, a plateia esperava pelo sinal de que o fim, ou pelo menos a encrenca terminal que empurraria a cena para o caos, estivesse próximo. Aguardava-se o fato que justificasse o uso do ponto de exclamação que se escuta quando as pessoas dizem “não é possível!” Pois bem, o sinal foi dado. Esse episódio do encontro que se pretendia clandestino de Dilma com Lewandowski e Cardozo vai ficar, no enredo da tragicomédia nacional, como um marco da derrocada. De agora em diante, tudo é epílogo.
Depois de Paulo Roberto Costa, o Paulinho, já moveram os lábios outros 17 delatores. O mais recente foi Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC e coordenador do cartel que roubou pelo menos R$ 19 bilhões dos cofres da Petrobras. Antes dessa delação, Dilma silenciava sobre a Lava Jato. Era problema do PT. Por mal dos pecados, os depoimentos de Pessoa empurraram para dentro da caixa registradora da última campanha da presidente R$ 7,5 milhões roubados na Petrobras. E madame teve de dizer algo: “Não respeito delator”.
Dentro de dois dias, a Justiça Eleitoral tomará o depoimento de Ricardo Pessoa. E os R$ 7,5 milhões podem ser enfiados nas páginas de um processo em que o Tribunal Superior Eleitoral perscruta a prestação de contas da campanha de Dilma. O julgamento está previsto para setembro. Em tese, o veredicto pode levar à destituição de Dilma e do vice-presidente Michel Temer. Dessa decisão caberia um recurso para o STF de Lewandowski.
Outro assunto que pode morrer na Suprema Corte é o parecer que o Tribunal de Contas da União emitirá em agosto sobre a contabilidade do governo Dilma referente a 2014. São grandes, muitos grandes, enormes as chances de o TCU rejeitar a escrituração do governo. Algo que, no limite, poderia levar à abertura no Congresso de um processo de afastamento de Dilma pela prática de crime de responsabilidade.
Foi contra esse pano de fundo que Dilma conversou com Lewandowski e Cardozo em Portugal. Descobertos pelo repórter Gerson Camarotti, eles tentam emplacar uma fantasia que não faz nexo. Nessa versão, difundida pelo ministro da Justiça, sua chefe e o presidente do Supremo conversaram sobre o projeto que concedeu aos servidores do Judiciário reajuste salarial médio de 59,5%.
Veja bem: Dilma e Lewandowski trabalham em prédios vizinhos, um defronte do outro, com a Praça dos Três Poderes de permeio. Poderiam conversar sobre salários de servidores numa audiência oficial, em Brasília. Mas querem convencer a plateia de que, tendo cruzado o Atlântico, alguma razão inadiável levou-os a dialogar sobre a folha do Judiciário num furtivo encontro noturno, no faustoso hotel de Portugal. A esse ponto chegamos: o absurdo adquiriu uma doce, persuasiva, admirável naturalidade.
O brasileiro é um sujeito de poucos espantos. Horroriza-se pouco, é verdade. Mas convém não cutucar a paciência alheia com vara tão curta. Dilma estava a caminho da Rússia. Aterrissou em Portugal a pretexto de reabastecer o jato presidencial. Em vez de Lisboa, preferiu o Porto. Lewandowski e Cardozo estavam na cidade de Coimbra. Participavam de um seminário de nome sugestivo: “O Direito em Tempos de Incertezas.”
Na versão oficial, Lewandowski soube por Cardozo que Dilma faria escala em Portugal. E pediu ao ministro da Justiça que intermediasse o encontro com a presidente. Em Brasília, o mandachuva do STF poderia cruzar a praça a pé para chegar à sala de Dilma. Em Portugal, teve que vencer os cerca de 120 quilômetros que separam Coimbra do Porto. E querem que ninguém faça a concessão de uma surpresa. É certo que o brasileiro baniu dos seus hábitos o ponto de exclamação. Mas há limites para o cinismo.
Em agosto de 2007, quando a denúncia da Procuradoria da República sobre o escândalo do mensalão foi convertida pelo STF em ação penal, Lewandowski foi o ministro que mais divergiu do voto do relator Joaquim Barbosa. Foram 12 divergências. Discordou, por exemplo, do acolhimento da denúncia contra José Dirceu e José Genoino por formação de quadrilha.
A despeito das diferenças, o Supremo mandou ao banco dos réus todos os acusados. Terminada a sessão, Lewandowski foi jantar com amigos numa casa de repastos chamada Expand Wine Store. Em dado momento, soou-lhe o celular. Era o irmão, Marcelo Lewandowski.
O ministro levantou-se da mesa e foi para o jardim externo do restaurante. Para azar de Lewandowski, a repórter Vera Magalhães, acomodada em mesa próxima, ouviualgumas de suas frases. Coisas assim: “A imprensa acuou o Supremo. […] Todo mundo votou com a faca no pescoço.” Ou assim: “A tendência era amaciar para o Dirceu”.
Lewandowski insinuou que, no seu caso, o amaciamento não traria prejuízos à imagem: “Para mim não ficou tão mal, todo mundo sabe que eu sou independente”. Deu a entender que, não fosse pela “faca no pescoço”, poderia ter divergido muito mais: “Não tenha dúvida. Eu estava tinindo nos cascos.”
Convertidas em manchete, as frases de Lewandowski produziram constrangimento no STF. Presidente do tribunal na época, Ellen Gracie, hoje aposentada, divulgou uma nota. Nela, escreveu:
“O Supremo Tribunal Federal – que não permite nem tolera que pressões externas interfiram em suas decisões – vem reafirmar o que testemunham sua longa história e a opinião pública nacional, que são a dignidade da Corte, a honorabilidade de seus ministros e a absoluta independência e transparência dos seus julgamentos. Os fatos, sobretudo os mais recentes, falam por si e dispensam maiores explicações.”
Dos oito ministros indicados por Lula, Lewandowski foi o primeiro cujo nome seguiu para o Diário Oficial depois da explosão do mensalão. O escândalo ganhou o noticiário em maio de 2005, quando Roberto Jefferson jogou o esquema no ventilador numa entrevista à repórter Renata Lo Prete. E Lewandowski chegou ao tribunal em fevereiro de 2006.
Professor com mestrado e doutorado na USP, Lewandowski era desembargador em São Paulo quando Lula o escolheu. Formara-se na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, berço sindical e político de Lula. A família Silva não lhe era estranha. A mãe do ministro fora vizinha de Marisa Letícia, a mulher de Lula. No julgamento do mensalão, mostrou-se solidário sempre que topou com petistas graúdos.
Considerando-se o cargo em que está investido no momento, seria recomendável que Lewandowski narrasse aos colegas de toga e ao país, em sessão pública, transmitida pela TV Justiça, o que sucedeu entre as quatro paredes do Sheraton, na cidade do Porto, na noite da última terça-feira, dia 7 de julho. Seu silêncio pode levar as almas mais desconfiadas a supor que Lewandowski continua “tinindo nos cascos''.
Quanto ao resto dos brasileiros, entre eles os deputados que ouvirão José Eduardo Cardozo na CPI da Petrobras na próxima quarta-feira, ai dos que ousarem encarar os fatos sem horror. Sobretudo depois que ficou entendido que, a partir de agora, tudo é epílogo. Pode ser um epílogo curto ou longo. Só não pode ser medíocre.

COMENTÁRIOS 190

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  1. Avatar de JSLemos

    JSLemos

    4 dias atrás
    A imprensa se calou sobre este fato, salvo raríssimas exceções como Josias de Souza e O Antagonista. A "oposição" está muda. Isto é uma vergonha!!! É o escancaramento de que o Supremo, na figura do seu presidente que eu me recuso a pronunciar o nome, assim como as outras instituições estão de joelhos diante do Executivo. A paciência do povo está no limite!!!
    1. Avatar de Fernando de Noronha

      Fernando de Noronha

      ontem
      Para duas pessoas que trabalham a poucos metros uma da outra terem que se encontrar em Portugal, sendo que para isso a Dilma criou um parada por la sem divulgacao de agenda, realmente cheira muito mal...
    2. Avatar de seth sp

      seth sp

      3 dias atrás
      E alguém ainda duvida que o Estado brasileiro está aparelhado? Essa mulher que se diz "presidenta" ainda está com as chaves do cofre nas mãos e, em muitas ocasiões, parece ser, literalmente, uma metralhadora giratória, atirando para TODOS os lados, com seu mal humor característico e o dedo em riste de forma arrogante...Por outro lado, com Toffolli "apurando" as urnas eleitorais e Lewandowski "blindando" os "cumpanheiros", NINGUÉM segura essa quadrilha! Nós, cidadãos e pagadores de impostos estamos sendo descaradamente usados para o projeto de poder dessa corja!
    3. Avatar de PulgaVilmar

      PulgaVilmar

      3 dias atrás
      JOSIAS PARABÉNS ! SOU SEU FÃ . AGORA ... PRESIDENTE DA REPÚBLICA PRESTES À SER INVESTIGADA E JULGADA , MINISTRO DA INJUSTIÇA TENDENCIOSO E PRESIDENTE DO SUPREMO QUE TODOS SABEMOS É PETISTA , SE ENCONTRANDO ÀS ESCONDIDAS NA CALADA DA NOITE ??? PODE ISSO ARNALDO ??? TÁ TUDO DOMINADO !!!
  2. Avatar de lll Esquerda Inimiga do Brasil lll

    lll Esquerda Inimiga do Brasil lll

    4 dias atrás
    ALERTA TOTAL : Os comunistas e esquerdistas vendo seu mundo desabar, vão tentar junto com a CNBB,MST, MTST, PSOL, PSTU, PCO e a coligação de partidinhos vendidos, dar o golpe no BRASIL. TOTAL PROTEÇÃO AO JUIZ MORO E A PF, mande e-mail para a câmara e o senado! ESTA INFÂMIA , ESTA PROMISCUIDADE ENTRE O STF E O GOVERNO ILEGÍTIMO TEM QUE PARAR AGORA!
    1. Avatar de seth sp

      seth sp

      3 dias atrás
      O grande aliado dessa quadrilha não é o STF, não é a imprensa vendida, não são as instituições aparelhadas...O grande aliado é o povo...Um povo é omisso, fraco, covarde, preguiçoso...O maior exemplo disso é quando o bloco do Cordão do Bola Preta reuniu 2 milhões de pessoas para pular o carnaval e uma manifestação contra a quadrilha, no mesmo ano, reuniu sómente 6 mil pessoas na Orla de Copacabana! O povo só quer saber mesmo é de carnaval e samba...Então que se ferre quando suas contas de luz vierem com o valor dobrado e esperarem 4 anos para fazerem uma cirurgia no SUS, isso sem contar a péssima educação e a segurança pública falida!
    2. Avatar de lrineu Sbornia

      lrineu Sbornia

      4 dias atrás
      ATENÇÃO CATÓLICOS! O Decreto contra o comunismo é uma designação popular de um documento da Igreja Católica, publicado pelo Santo Ofício no dia 1 de Julho de 1949, durante o pontificado do Papa Pio XII. Este documento confirmou a excomunhão automática ipso facto (ou latae sententiae) de todos os católicos que, em obstinação consciente, defendiam abertamente o comunismo e colaboravam com organizações comunistas e afins. Além deste célebre documento de 1949, outros decretos contra o comunismo também foram publicados pelo Santo Ofício entre as décadas de 1940 e 1950. "Codex Iuris Canonici" promulgado em 25 de janeiro de 1983 NÃO REVOGOU A APOSTASIA. SER COMUNISTA = EXCOMUNGADO. Veja no youtube: Estudante PUC Goias DESMASCARA CNBB - PT- COMUNISTAS! VEJAM A INFILTRAÇÃO!!!!
    3. Avatar de conflitodeinteresse

      conflitodeinteresse

      4 dias atrás
      ACABOU: " NÃO VI, NÃO SEI, É MENTIRA ". Agora ESCANCAROU TUDO e o impeachment está próximo??? Como é possível uma REUNIÃO NA CALADA DA NOITE: DILMA + LEVANDOVISCK + MINISTRO DA JUSTIÇA. QUE ISSO????????? QUE ISSO????? ACERTARAM O QUE???
  3. Avatar de 13582196

    13582196

    4 dias atrás
    isso é prova de que o Lewandowski, o Tofolli e o Fachin são juízes tendenciosos, mancomunados com o PT!
    1. Avatar de lrineu Sbornia

      lrineu Sbornia

      4 dias atrás
      VEJA NO YOUTUBE : Estudante da PUC Goiás DESMASCARA palestrantes da CNBB que são do PT. A INFILTRAÇÃO COMUNISTA NO BRASIL.
  4. Avatar de Veve.

    Veve.

    4 dias atrás
    È um encontro secreto entre dilma e lewandovsk, ou entre executivo e judiciário? O STF precisa vir à público esclarecer isso! lewandovsk representava a si mesmo, ou representava o judiciário?
    1. Avatar de Manezinho de Sambaqui

      Manezinho de Sambaqui

      3 dias atrás
      É o chefe reunido com seu advogado e leão de chácara.
    2. Avatar de lrineu Sbornia

      lrineu Sbornia

      4 dias atrás
      O QUE VOCÊ ACHA DA COREIA DO NORTE? "DEMOCRÁTICA NÉ?" VEJAM O QUE ACONTECEU NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE GOIAS NO YOUTUBE: Apologia a Loucura Comunista. GOVERNANTES BRASILEIROS APOIANDO !
    3. Avatar de silveste

      silveste

      4 dias atrás
      Eu concordo com você,são nossos empregados,portanto devem explicação a você,eu, nós brasileiros pagadores de altíssimos impostos em troca de nada.
  5. Avatar de DeCastanho

    DeCastanho

    4 dias atrás
    A "UNIDADE DA CORJA" na escuridão da noite!!!
  6. Avatar de REAÇA REAGINDO A TUDO QUE NÃO PRESTA

    REAÇA REAGINDO A TUDO QUE NÃO PRESTA

    4 dias atrás
    Como todos puderam ler, vejam só o PERIGO EM QUE ESTÁ O BRASIL nas mãos deste pessoal do STF aparelhado pelo governo comunista e inimigo do Brasil. É hora dos Brasileiros responderem apoiando a imprensa livre e a VERDADEIRA JUSTIÇA!
    1. Avatar de Rianni

      Rianni

      4 dias atrás
      É o que resta a fazer se o STF não desempenhar suas funções de acordo com a Legislação e proteger o Partido das Trevas. Isso poderia ser impensável até antes das eleições - tal sistema eleitoral do jeito que apresentado sem que nem candidatos, nem Partidos, nem quaisquer Instituições pudessem ter acesso já configura em ESTELIONATO ELEITORAL. O Sistema Eleitoral é o que não deve deixar a menor dúvida sobre as lisuras das eleições, pois trata-se de um sistema que vai conduzir os destinos da Nação e dos seus cidadãos. Nunca o TSE poderia proceder com essa blindagem. E o resultado foi uma eleição que não convenceu, mas de forma merecida, nunca houve antes uma VITÓRIA COM TANTO SABOR DE DERROTA! O contrário também prevaleceu. A oposição escapou de ter que fazer aquilo que a Seita iria se aproveitar para se livrar de tanta sujeira que tem feito nesses doze anos, mas o lixo lhe caiu no colo.
    2. Avatar de Cesar Marcelo de O Paiva

      Cesar Marcelo de O Paiva

      4 dias atrás
      Infelizmente, no caso do alto aparelhamento da Suprema Corte, só ha uma forma de retroagir: intervenção militar. Fecha o Congresso, SFT e voltamos ao seculo XX, mais precisamente, 31 de março de 1964. Estamos caminhando para isso como unica solução viavel para o que esta em curso.
  7. Avatar de Cesar Marcelo de O Paiva

    Cesar Marcelo de O Paiva

    4 dias atrás
    Não é a primeira vez que isso acontece e que o ministro da Justiça esteja envolvido. Uma coincidencia infeliz? Muito dificil acreditar. Segundo os especialistas, "um raio nao cai no mesmo lugar vezes". Infelizmente, e é com grande tristeza que afirmo isso, nao estamos sendo governados por poderes Institucionais. O pais esta nas maos, na pior das hipoteses, de um "sindicato do crime". O jornalista foi impar em definir a situação: bastava atravessar a rua para fazer a reuniao com a presidente. Não precisava atravessar o Atlantico para discutirem um assunto domestico cujos custos, alem dos valores eticos e da decencia, foram altos para o contribuinte brasileiro. Coisa de transformar o PCC e o CV em OGNs sem fim lucrativo.
  8. Avatar de silveste

    silveste

    5 dias atrás
    Josias,meu grande mestre Josias,por mais que a canalhice brade dizendo o contrário... Eu do alto brado de humor patriótico exclamo:Viva o que resta da nossa corajosa,soberana,justa imprensa brasileira;viva!Mil vezes viva.Boa parcela da sadia sociedade brasileira não terá,como sempre não tive,mais dúvidas do que hoje representa a nossa Suprema Corte pra já tão combalida justiça brasileira.Hoje ela,a Suprema Corte,já está quase bolivarianizada,pois esta é a grande meta do lulopetismo para o povo brasileira.Graças,também,corajoso Cunha,com "PEC da bengala" este surto foi,espero,momentaneamente estancado...Viva,também,ao Presidente da Câmara,Eduardo Cunha.
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