quarta-feira, 19 de agosto de 2015



Aécio agora diz que vai procurar PMDB para discutir saída da crise

Jornal GGN - O senador Aécio Neves (PSDB), que participou do protesto de 16 de agosto na capital mineira cobrando a saída de Dilma Rousseff (PT) do poder, disse nesta terça (18), à imprensa, que fará uma "reunião com líderes dos partidos de oposição, inclusive com setores do PMDB", para discutir uma "solução" para a crise política que a presidente petista atravessa neste segundo mandato.
A posição de Aécio foi divulgada um dia após ele se encontrar com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e outros líderes do seu partido, para alinhar o discurso. A Folha de S. Paulo observou que o gesto de FHC ocorre "menos de duas semanas depois de peemedebistas começarem a sondar outras siglas e o empresariado sobre as chances de eles darem ao vice-presidente Michel Temer condições de governar, caso a crise leve ao afastamento da presidente".
A fala de Aécio não deixou claro que tipo de saída será debatida pela oposição agora. Desde o começo do ano, o próprio PSDB vem mudando a bandeira constantemente. Ora pede a cassação do mandato de Dilma por crime eleitoral; ora, impeachment por crime de responsabilidade fiscal com as pedaladas. FHC chegou a falar em "renúncia" como ato de grandiosidade por parte da petista.
A Folha ressaltou que a "disposição de Aécio em conversar com o PMDB evidenciou um recuo da ala que o apoia no tucanato." Isso porque os deputados do grupo do ex-candidato a presidente vinham empunhando a bandeira do impeachment e, depois, a renúncia de Dilma e Temer e a convocação de novas eleições. Agora, segundo o jornal, reconhecem que cometeram excessos. O senador Cássio Cunha Lima, por exemplo, disse que não foi "feliz na declaração".
A IstoÉ foi um dos primeiros veículos a reportar o início da campanha pró Temer na presidência, no lugar de Dilma. Em julho, a revista disse que a substituição seria boa para o País, pois o vice reúne as condições necessárias para atenuar os ânimos e governar sem ameaças até 2018 - quando, então, não participaria da eleição como presidenciável. A revista chegou a dizer que Temer, se presidente num horizonte próximo, reuniria todas as lideranças políticas e partidárias para fazer um pacto pela governabilidade. Ele teria paz em sua nova função enquanto os demais políticos deveriam se ocupar de preparar o próprio caminho para a próxima eleição.
Nesta quarta (19), o colunista Ricardo Noblat (O Globo) escreveu um texto contrariando sua posição até agora: defendeu que Dilma permaneça no cargo. Mas não por legitimidade. Segundo o jornalista global, ninguém deveria assumir a bucha que é o governo em meio à crise econômica, pois corre o risco de só ter resultados negativos para apresentar em 2018. Além disso, a queda de Dilma poderia ser encarada como golpe e depositar mais votos por simpatia ao próximo candidato do PT: Lula.