Existe uma cultura do golpe, mas não há condições para isso, diz Dilma
por Redação — publicado 12/08/2015 20h58, última modificação 12/08/2015 21h11
Presidenta justificou sentimento de estelionato eleitoral ao dizer que situação econômica mudou durante a campanha presidencial
Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff rechaçou, nesta quarta-feira 12, em entrevista ao jornal SBT Brasil, a possibilidade de renunciar ao cargo por conta dos pedidos de impeachment no Congresso e em manifestações populares. Dilma afirmou que os protestos contra sua gestão são “normais”, mas criticou a “tentativa” de se criar um clima de “intolerância” no Brasil.
“Devemos evitar a intolerância porque a intolerância divide o País. Há um processo de intolerância como nunca visto antes no Brasil, a não ser no passado quando foi interrompida a democracia”, alertou ao lembrar do golpe militar de 1964. “A cultura do golpe existe ainda, mas não há condições materiais de ocorrer”, complementou ao responder o jornalista Kennedy Alencar.
A presidenta também falou sobre o sentimento de “estelionato eleitoral” na base social que a elegeu por conta de promessas de campanhas que não forma cumpridas. Dilma justificou dizendo que asituação econômica do Brasil mudou ao longo da campanha eleitoral. “Houve uma série de mudanças no cenário econômico do Brasil e do mundo, (...) que impactou principalmente os países emergentes. Quando a situação mudou, eu tive que mudar”, admitiu.
Sobre o ajuste fiscal, a presidenta respondeu que o Brasil estaria em situação “muito pior” caso essas reformas tivessem começado ainda em seu primeiro mandato. Mas defendeu que espera uma melhora da situação econômica até o começo de 2016.
A presidenta também comentou sobre o acirramento político na Câmara dos Deputados por conta do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A petista afirmou que o governo não está isolado e elogiou o trabalho do Congresso. No entanto, afirmou que é preciso “aumentar a consciência política”, sem citar Cunha. “No Brasil, o humor na política decorre do humor na economia, mas não é possível as ‘pautas-bomba’”, enfatizou.
Em seguida, ela comentou o acordo feito com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), em torno da chamada “Agenda Brasil”, para minimizar a crise política no Congresso. Questionada sobre propostas polêmicas do peemedebista, como, por exemplo, a ideia de passar a cobrar pelos atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), Dilma negou que o governo concorde com todas as ideias.
“Tem muita coisa boa nessa agenda e tem várias coisas que o governo eventualmente não concorda. Isso não significa que essa agenda não seja valorosa e uma boa iniciativa do Renan”, sinalizou. Por fim, Dilma se negou a falar da possibilidade do Congresso votar pedidos de impeachment contra ela e sinalizou que o governo pode fazer “reformas” quando foi questionada sobre um eventual reforma ministerial com redução do número de ministérios.