sexta-feira, 25 de setembro de 2015



Vem aí o Ministério do Pau-Mandado

(Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil)

Dilma Rousseff, informam os jornais, ganhou fôlego ao conseguir, no Congresso, a manutenção de parte dos vetos da chamada “pauta-bomba”, conjunto de projetos que ampliariam os gastos públicos e fariam o governo agonizar, ainda mais, em praça pública.
Era a prévia, e um alento, para a votação do pacote de ajuste fiscal, considerado definitivo para a sobrevivência da atual gestão, e de um eventual pedido de impeachment. Era o aceno também a um mercado inquieto, de que nem tudo está fora de controle na base aliada – um aceno tão eficiente que o dólar não deixou de disparar.
Para tanto, o governo precisou alargar até esgarçar o conceito de realpolitik, também conhecido como banho gelado de pragmatismo a quem imagina ser possível governar e ser governado com ideias e princípios.
Nas negociações sobre a reforma ministerial, avança a possibilidade de o governo ampliar a participação e o orçamento do PMDB na Esplanada. O Ministério da Saúde e da Integração Nacional entrariam na conta.
À boca pequena, os limites da conveniência política em um sistema de coalizão são definidos da seguinte maneira: cria-se uma espécie de cordão sanitário sobre áreas estratégicas - Fazenda, Saúde e Educação, por exemplo - e negocia-se outros terrenos com os tubarões em troca de apoio. Ninguém jamais vai admitir, mas é o que pode ser observado na montagem de qualquer equipe ministerial – com ou sem porteira fechada.
O que Dilma oferece ao PMDB - ou melhor, aos muitos PMDBs dentro das bancadas de cada PMDB - é a redução dessa barreira sanitária. É também um corte em uma das últimas barreiras imunes ao derretimento de seu apoio popular. Falo dos que ainda batem no peito para defender um governo que, apesar de erros crassos, conseguiu, entre outros acertos, levar médicos a regiões historicamente relegadas ao abandono. (Beneficiários e apoiadores de projetos como Minha Casa, Minha Vida, agora alvo de cortes, e da expansão das universidades federais, hoje sob risco de sucateamento, já não tinham tanto o mesmo ímpeto para saber em defesa da petista). 
Entre os nomes listados pelos jornais como possíveis ministeriáveis (prazer, leitores) estão deputados de currículos enxutos e denominações autoexplicativas. Um deles já foi chamado pelo doleiro Alberto Youssef de “pau mandado” de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com quem a presidenta negocia diretamente o juízo em torno da rendição – o vice Michel Temer já lavou as mãos. Outro ministeriável, também aliado de Cunha, é relator de alguns dos mais frondosos jabutis produzidos pela Câmara neste ano, entre os quais medidas que anularam dívidas das igrejas, beneficiariam grandes frigoríficos e abriram caminho para a construção de um shopping no Congresso, medida citada como urgente por nove entre dez brasileiros. Sua maior experiência na área de saúde é a administração de um hospital em um município do interior.
O alento se transforma, assim, na medida do desespero. Em tese, o alargamento do conceito derealpolitik, que aceita negociação de áreas estratégicas com deputados (ou “pau-mandados” de deputados) denunciados na Justiça, é uma forma de domesticar aliados e garantir a sobrevivência até 2018. Na prática, é uma forma de deixar de governar sem precisar tirar a faixa.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
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