Líderes
de partidos de oposição na Câmara vão se reunir na noite desta
segunda-feira, 12, em Brasília, para definir a estratégia a ser adotada
para dar seguimento ao eventual processo de impeachment da presidente
Dilma Rousseff. Eles farão nesta terça-feira, 13, um aditamento ao
pedido de impedimento apresentado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel
Reale Júnior. O documento está nas mãos do presidente da Câmara, Eduardo
Cunha (PMDB-RJ), que deve se manifestar somente nesta terça, 13.
A ideia dos oposicionistas é incluir no pedido de impeachment
relatório do Ministério Público de Contas segundo o qual o governo
repetiu as chamadas "pedaladas fiscais" em 2015. Para a oposição, o
argumento de que o atraso nos repasses de recursos do Tesouro Nacional a
bancos neste ano derruba a tese que vem sendo adotada por Cunha de que
não se pode abrir processo de impedimento com base em irregularidades
cometidas no mandato anterior. Na semana passada, o Tribunal de Contas
da União (TCU) rejeitou por unanimidade as contas do mandato anterior da
petista com base nas "pedaladas".Na última semana, Reale Júnior já havia feito um aditamento apontado que o governo "pedalou" também neste ano. Em julho, o jornal O Estado de S.Paulo mostrou que a Caixa fechara o mês de março com um déficit de R$ 44 milhões na conta para pagamento de Seguro-Desemprego, que é 100% financiada por recursos do Tesouro. Esse buraco indica que houve falta de recursos e que o banco pode ter sido forçado a usar, novamente, recursos próprios para pagar o programa.
O novo aditamento usará o relatório do procurador Júlio Marcelo de Oliveira, responsável pela investigação que aponta que o governo atrasou a transferência de R$ 40,2 bilhões aos bancos públicos no primeiro semestre de 2015, montante maior que o verificado em todo o ano passado (R$ 37,5 bilhões).
A reunião desta noite também servirá para que a oposição discuta a repercussão da nota divulgada por PSDB, DEM, PPS, PSB e Solidariedade em que pediram o afastamento de Cunha para que ele pudesse se defender. O comunicado foi emitido sem consenso e integrantes de ao menos três desses partidos, PSDB, DEM e Solidariedade, entendem que a manifestação foi um equívoco.
Tanto para governo quanto para a oposição e para deputados próximos a Cunha, a nota não passou de um jogo de cena para responder a cobranças feitas pela opinião pública e pelas bases eleitorais dos deputados que pedem a saída de Dilma, mas se omitiam em relação à situação de Cunha, apontado pelo Ministério Público da Suíça como detentor de contas naquele país. As contas, também em nome de familiares do peemedebista, também teriam sido utilizadas para pagar aulas de tênis e cursos no exterior.
Caso Cunha indefira o pedido de
impeachment, a oposição apresentará um recurso ao plenário, que pode
aprová-lo por maioria simples, 50% mais um dos presentes na sessão. Cabe
ao presidente da Câmara decidir quando o recurso será apreciado pelos
deputados.
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