terça-feira, 13 de outubro de 2015



Se a Andrade Gutierrez torcia por Aécio, por que deu RS$ 11 milhões para a campanha da Dilma?

Vamos resgatar o abre do furaço do Estadão:
“Troca de mensagens de Whatsapp de executivos da cúpula da Andrade Gutierrez, a segunda maior empreiteira do País e que está na mira da Lava Jato, durante as eleições no ano passado revelam a torcida dos empreiteiros e até a decepção com a derrota do então candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. “Bora Brasil!! Bora Aécio!!!”, disse Ricardo Sá, presidente global da AG Private, divisão da empresa que cuida de clientes do setor privado em todo o mundo, quando a apuração dos votos no segundo turno mostrava o tucano à frente.
As informações constam do iPhone de Elton Negrão de Azevedo Júnior, que deixou a empresa após ser preso na 14ª fase da operação e ser denunciado por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Em seu aparelho foi localizado um grupo de conversas no aplicativo intitulado “presidentes AG”.
O que já sabemos: a empreiteira Andrade Gutierrez pagou propina em seis obras, disse em depoimento de sua delação premiada na Operação Lava-Jato o ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco. Barusco susteve  que mantinha contato com Antonio Pedro e, posteriormente, com Paulo Dalmazzo, que, segundo ele, eram diretores da empreiteira.  A Andrade Gutierrez, referiu Barusco,  tinha seis grandes contratos com a Petrobras: 3 na área de abastecimento, dois em gás e energia e um em serviços.
Em 29 de julho passado a Justiça Federal abriu ação penal contra o empresário Otávio Marques de Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, e mais 12 investigados na Operação Lava-Jato. A Procuradoria da República atribui ao empreiteiro e aos outros acusados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.  A decisão foi do juiz federal Sérgio Moro.
Sob delação premiada, o engenheiro Mário Góes, apontado como operador de propinas, fez acusações outras. Seguindo suas dicas, ora se sabe  que, entre 2007 e 2009, a empresa repassou quase R$ 5 milhões à Rio Marine, empresa de Mário Góes, simulando consultorias para a plataforma P-57. Desse total, R$ 3,5 milhões seriam propina a Barusco.
Mário Góes reveloua primeira vez que foi procurado para dividir comissões com Pedro Barusco foi no início da década de 2000. “Mas o negócio não deu certo, eo esquema de propina começou entre 2003 e 2004”. Mário Góes contou que em 2008 foi criada uma conta só para pagamentos a Barusco. A Zagope, empresa do grupo Andrade Gutierrez que atuava em Angola, fechou contrato com uma empresa na Suíça controlada por Mário Góes, mas que nunca prestou um serviço. O valor: US$ 6 milhões.
Mário Góes disse que recebeu das mãos de Antônio Pedro Campello, da Andrade Gutierrez, por duas ou três vezes de R$ 100 a R$ 200 mil em sua residência.
Mário Góes contou que quando começou a participar do esquema de recebimento de propina, ouviu de Pedro Barusco que o então diretor Renato Duque gostava mais de jantares, cabendo a ele, Barusco, atuar na diretoria de Serviços da Petrobras. E que o Partido dos Trabalhadores estaria dando suporte a esse tipo de atividade.
Mário Góes confessou ter destruído provas a mando de Barusco.

A pergunta que não quer calar
Bom: já que estamos na era do “é para ingles ver”, segue a íntegra da cartilha de ética e conduta que a Andrade Guirierrez sustém. Lindo, não?
http://www.andradegutierrez.com/CodigodeEtica/codigo_de_etica_ag_DIGITAL.pdf
Agora uma perguntinha seminal: se a Andrade Gutierrez torcia por Aécio Neves, por que deram grana para a campanha de Dilma?
A Andrade Gutierrez, segunda na lista dos maiores doadores, tratou PT e PSDB com suposta imparcialidade: entregou 50% para Aécio e 46% para Dilma.
O tucano recebeu R$ 12 milhões da Andrade Gutierrez e Dilma R$ 11 milhões.
A resposta a isso é muito elementar: com R$ 11 milhões nas mãos, é claro que Dilma se lembraria de Andrade Gutierrez para continuar a fatiar com a construtora  a grana desviada via Petrolão…