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Dilma entra em campo para salvar meta fiscal e desmobilizar impeachment
POR NATUZA NERY
01/12/2015 02h01
Cartada final A poucas horas da decisão que pode culminar com um processo de impeachment contra Dilma Rousseff, o Palácio do Planalto ainda não sabia "ler" o adversário. No escuro em relação aos próximos passos de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ministros petistas se preparavam para o pior na semana mais decisiva do ano até agora. A presidente da República precisou entrar em campo para garantir, de um lado, a aprovação da nova meta fiscal e, de outro, o seu próprio pescoço.
Cara a cara Com a dupla missão, Dilma chamará nesta terça cada um de seus ministros políticos e ainda fará pessoalmente reunião com líderes da Câmara e do Senado.
Discórdia Ainda na expectativa de que os petistas votem com Cunha no Conselho de Ética, o Planalto segue irritado com a nota de Rui Falcão sobre Delcídio do Amaral (PT-MS). Acha que ela inibe os deputados que podem salvar Cunha e aumenta a desconfiança do peemedebista.
Cavalo da chuva Cunha, a propósito, não abrirá o processo de deposição da presidente da República nesta terça-feira.
Prato frio O chefe da Câmara só deve mexer no vespeiro do impeachment nos dias seguintes. Não quer parecer revanchista. Mas já contabilizava os três votos do PT no Conselho de Ética como contrários a ele.
Bancarrota Cunha, aliás, avaliava, em conversas reservadas, a situação de André Esteves: "Quebraram o cara. Agora vão quebrar o banco."
Zelotes Investigadores rastrearam outras seis medidas provisórias que serviram aos interesses de lobistas e empresas privadas, entre elas do setor automotivo.
Homem ao mar O governo também quer se livrar do fardo chamado Delcídio, mas desde que sua digital não apareça. A tolerância de Dilma em relação ao senador se esgotou quando este declarou que ela participou da indicação de Nestor Cerveró.
Estilingue Vem aí mais uma campanha do PT contra Joaquim Levy. O partido defenderá o deficit zero para 2016, enquanto o titular da Fazenda insiste em manter a meta de superavit primário de 0,7% do PIB. "As agências de risco não são bobas, sabem que é impossível cumprir", diz um dirigente.
Primeirão Suplente