sexta-feira, 11 de dezembro de 2015



Brasil sem um salvador da Pátria que resgate o país da crise

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Alguns são acusados de embolsar subornos, outros, de cometer crimes eleitorais, ou de formação de quadrilha: estes são os políticos que vão estudar o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.
A primeira mulher presidente do maior país da América Latina pode ser destituída apenas um ano depois de começar seu segundo mandato, devido a acusações de malversação das contas públicas.
Muitos dos políticos que serão diretamente responsáveis pelo destino da presidente Dilma não tem, exatamente, as mãos limpas.
Dos 65 deputados eleitos em polêmicas circunstâncias, na última terça-feira, para integrar uma comissão especial que analisará o processo de impeachment, pelo menos 30% são alvo de investigações penais, segundo estimativa do portal especializado Congresso em Foco.
O arquiteto do movimento para destituir Dilma, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, é acusado de receber até US$ 40 milhões em suborno que teria origem no megaescândalo da Petrobras, e de sonegar esse dinheiro, evadido em contas na Suíça.
Dezenas de outros senadores, deputados e autoridades com foro privilegiado também são acusados de cometer crimes ligados ao escândalo de corrupção na Petrobras.
Depois de imagens transmitidas pela televisão mostrando deputados brigando e aos berros no Congresso esta semana, ou depois da notícia de que a ministra da Agricultura, Katia Abreu, jogou uma taça de vinho no rosto do senador e ex-candidato à presidência, o tucano José Serra, quando ele a chamou de "namoradeira", a ideia de trocar Dilma Rousseff por outro chefe de Estado que faça uma faxina na política brasileira parece ainda mais improvável.
"Não há um salvador nacional impoluto cavalgando no horizonte", comentou o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília.
Impeachment discutido a tapas
A eleição da comissão especial na terça-feira encapsulou o mau humor e os questionamentos quanto à legalidade do impeachment em Brasília.
Deputados pró e anti Dilma travaram uma guerra de gritos e empurrões na votação para formar a comissão, que recomendará se o Congresso deve, ou não destituir a presidente.
Horas depois, o Supremo Tribunal Federal (STF) interveio para suspender a comissão por uma semana, até o dia 16, citando irregularidades.
Na quinta-feira, outro grupo de deputados se enfrentou a tapas, como mostraram as imagens transmitidas pela televisão.
Desta vez, os protagonistas da briga eram integrantes do conselho de ética, que tentaram e fracassaram, repetidas vezes, na tentativa de decidir se se deve abrir uma investigação contra Cunha, que o afaste do cargo.
David Fleischer considerou que 20% dos membros de todo o Congresso enfrentam investigações penais, muitos deles ligados ao escândalo do "Petrolão".
Entre essas figuras-chave, estão o líder do PT no Senado, Delcídio do Amaral, e o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Collor renunciou à presidência em 1992, justo antes de ser destituído pelo Senado por corrupção. Depois, voltou a Congresso, eleito senador.
Para Fleischer, as brigas no Congresso representam um novo ponto baixo. "Porque é um conselho de ética, realmente ninguém ia esperar isso", disse.
Dilma, um bode expiatório?
Para o analista, os brasileiros têm consciência da "corrupção generalizada", mas que, frente à recessão e ao crescente desemprego, a presidente Dilma é "naturalmente" culpada.
"Se vingam na Dilma, porque estão atravessando uma crise terrível", completou.
O consultor de política, Gabriel Petrus, da empresa Barral M Jorge, acredita em que o processo de impeachment foi aprovado de maneira deliberada para distrair o foco de uma classe política assustada com as investigações da Petrobras.
"Estão transferindo a atenção dos escândalos políticos para uma única figura, Dilma, contra quem não há ainda prova concreta de corrupção", completou Petrus. "Parece indignante para nossa democracia", insistiu.
Ao declarar sua inocência diante dos acusadores que sustentam o impeachment, Dilma Rousseff se referiu a Cunha, sem mencioná-lo especificamente: "Não tenho contas no exterior, nunca escondi ativos do público, nunca fui acusada de roubar, ou de aceitar subornos".
Os analistas ressaltam que a presidente está manchada, porque figuras-chave do PT e de seu círculo íntimo estão envolvidas no escândalo.
Se Dilma for destituída, o vice-presidente Michel Temer assume.
"Tem uma ficha limpa, sem acusações sérias contra ele", disse Fleischer. "Por enquanto", completou.
Ontem, o deputado sem partido Cabo Daciolo (RJ) apresentou um pedido de impeachment contra Michel Temer por pedaladas fiscais, a mesma acusação que pesa contra Dilma. A assessoria de Temer respondeu que, quando o vice assume a presidência interina na ausência de Dilma, deve firmar atos de governo que expiram e que não formula a política fiscal do paí