segunda-feira, 7 de dezembro de 2015


Renan diz a aliados que deixará de votar LDO para acelerar impeachment

De Brasília
O presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), sinalizou a aliados próximos nesta segunda-feira, 7, que deixará de colocar em votação a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no fim de ano, impedindo o recesso parlamentar. A manobra ajuda os planos da presidente Dilma Rousseff de manter o Congresso em funcionamento para acelerar a votação do impeachment, pois o governo acha que detém o apoio para derrubá-lo.
Além de evitar o recesso, a estratégia de Renan também faz com que a presidente não precise se expor, solicitando formalmente uma convocação extraordinária do Congresso. Isso porque, segundo a Constituição, o Parlamento só pode ser convocado se houver a aprovação pela maioria absoluta da Câmara e do Senado. Como o jornal O Estado de S.Paulo publicou no domingo, essa votação seria encarada como uma prévia do impeachment, o que o governo não deseja no momento.
Segundo artigo 57 da Constituição, a sessão legislativa do ano não pode ser interrompida sem a aprovação da LDO pelo Congresso. Renan é o responsável por fazer a pauta conjunta. A proposta pode entrar na pauta do Congresso até o dia 22 e não ser votada ou nem sequer ir à votação, tendo o mesmo efeito prático em qualquer uma das circunstâncias.
Contudo, a não votação da LDO de 2016 causará uma inédita situação. Essa norma - que é apreciada geralmente no meio do ano, sendo pré-requisito para o recesso de julho - não foi votada desde então. A lei de diretrizes serve de base para o orçamento do próximo ano e, caso essa última não seja apreciada mas a LDO sim, o governo ao menos pode lançar mão dos chamados duodécimos - quando o governo só pode a cada mês um doze avos da execução orçamentária.
Sem LDO, uma situação peculiar, ainda não se sabe ainda como o governo começará a ser gerido do ponto de vista orçamentário a partir do início de 2016.
Ampliar

Quem já se declarou contra e a favor do impeachment de Dilma?23 fotos

1 / 23
A FAVOR - Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ex-presidente da República (1995-2002): FHC não se posicionou de forma enfática a favor do impeachment e, no início do ano, chegou a dizer que tirar Dilma do cargo "não adiantaria nada". No entanto, ele mudou o discurso e diz que o processo pode fazer o Brasil caminhar novamente. "O Brasil não pode ficar paralisado. E, no momento, ele está", disse o tucano à BBC Brasil dois dias depois de Cunha aceitar o pedido Leia mais Ernesto Rodrigues/Folhapress
Leia mais em: http://zip.net/bbsvxG