Acusado de golpista, Temer diz que instituições "funcionam regularmente"
Do UOL, em São Paulo
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O vice-presidente Michel Temer afirmou, em um vídeo exibido nesta terça-feira (29) no seminário "Constituição e Crise: A Constituição no contexto das crises política e econômica", realizado em Lisboa, que as instituições brasileiras atualmente funcionam "regularmente" e "cumprem suas tarefas".
Doutor em direito e especialista em direito constitucional, Temer iniciou seu discurso de 20 minutos comentando a Constituição de 1988 e depois afirmou que democracia do Brasil passou por três fases após a abertura política: "liberal", "social" e "da eficiência". Nessa última parte, o vice lembrou os protestos de junho de 2013 e disse que eles representaram um momento onde os brasileiros passaram a exigir "eficiência dos serviços públicos e ética na política".
Temer elogiou então o trabalho das instituições, um dia após receber duras críticas dos petistas Humberto Costa e José Guimarães, líderes do governo no Senado e na Câmara, respectivamente, que disseram que o vice-presidente está comandando um golpe contra Dilma Rousseff.
"Posso dizer com tranquilidade que as instituições do país funcionam regularmente. Legislativo, Executivo, o Judiciário, cumprem suas tarefas. O Judiciário hoje tem uma presença muito forte, significativa, saudada por todos aqueles que se preocupam com um bom comportamento, ético, político, administrativo. O Legislativo, de igual maneira, tem exercido suas funções com muita tranquilidade", afirma Temer, no vídeo.
Seminário polêmico
O seminário é organizado pelo Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) --que tem entre os seus fundadores o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, presente no evento-- em parceria com a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Temer chegou a ser confirmado como participante, mas ficou no Brasil e escolheu por enviar o vídeo --segundo ele, por sugestão de Gilmar Mendes.
O ato com presença de importantes figuras oposicionistas, como os tucanos Aécio Neves e José Serra. Na chegada ao evento nesta terça (29), José Serra foi vaiado por manifestantes pró-governo que protestavam em frente à Universidade de Lisboa (vídeo abaixo).
O seminário, que vai até quinta-feira, chegou a ser apontado como ponto de encontro de oposicionistas para discutir o impeachment de Dilma, pois apenas dois governistas foram convidados --o senador petista Jorge Viana e o ex-advogado-geral da União Luiz Inácio Adams. Além disso, políticos da centro-direita de Portugal, como o presidente Rebelo de Sousa e o ex-premiê Passos Coelho, também apareceram entre os confirmados, mas desistiram de participar.
Nesta terça, que marca o início do seminário, o PMDB deverá anunciar a saída do governo de Dilma Rousseff. Caso a presidente sofra impeachment, Michel Temer é o primeiro na linha sucessória.
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