Lava Jato provoca instabilidade mas corrupção deve ser enfrentada, diz Moro
Do UOL, em São Paulo
O juiz federal Sergio Moro afirmou na noite desta sexta-feira
(8) que as investigações da Lava Jato provocam "inegavelmente
instabilidade política", mas que a corrupção sistêmica no Brasil deve
ser enfrentada e não escondida debaixo do tapete. "O juiz decide com
base nas leis, com base nos fatos. Eu não posso ficar pensando no
impacto político daquilo que decido", afirmou o titular da 13ª da Vara
Federal de Curitiba, durante palestra realizada em Chicago (EUA) para
estudantes brasileiros no exterior.
"Eu não acerto todas, eu posso cometer meus erros. Mas sempre decido com a pretensão de correição das decisões, com base na lei. Eu não posso levar em conta questões políticas, questões partidárias", acrescentou o juiz, que foi ovacionado e aplaudido de pé pelo público presente.
Ao ser questionado sobre a divulgação das escutas telefônicas das conversas entre o ex-presidente Luiz Inácio da Lula e a presidente Dilma Rousseff, o juiz preferiu não se pronunciar. "Eu não tenho total liberdade para falar sobre casos pendentes, e creio que fui exaustivo ao prestar informações ao STF e minha informação se tornou pública." Porém, ele acrescentou que tem total confiança na decisão que tomou.
Sem se referir a nomes de envolvidos nos processos, Moro voltou a afirmar que o pagamento de propinas em contratos da Petrobras era "a regra do jogo", como foi dito a ele por diversos delatores do esquema de corrupção. "O pior de um quadro de corrupção sistêmica não é o custo econômico e sim a progressiva erosão da confiança da população na regra da lei e na democracia." Ele acrescentou que "assusta" a corrupção disseminada no Brasil.
"As instituições democráticas estão funcionando bem no Brasil, é o que eu vejo com as manifestações de ruas, que são pacíficas. Nós temos um problema econômico muito sério, preocupante. Eu acho que o importante é termos a confiança de que nossas instituições estão melhores, que nossa democracia seja aprofundada e que deixe de estar contaminada pela corrupção sistêmica", afirmou o juiz.
Moro voltou a falar da Operação Mãos Limpas ao mencionar as críticas feitas às investigações da Lava Jato. "O grande problema da operação na Itália foi a reação política, a democracia italiana não foi forte suficiente para evitar a desconstrução da investigação."
Questionado pelo médico Drauzio Varella -- um dos palestrantes do evento -- sobre a baixa condenação de políticos do Lava Jato, o juiz respondeu que o grande problema é que o STF tem uma série de funções além de julgar políticos com foro privilegiado. Segundo Moro, isso faz com que haja uma maior lentidão no julgamento dos processos.
A conferência em Chicago é organizada pela Brasa (Associação de Estudantes Brasileiros no exterior) e continua neste sábado com palestras de Joaquim Barbosa, Marina Silva, Joaquim Levy e Pérsio Arida, entre outros.
O pedido é de desmembramento da investigação, retirando a competência de Moro. Com relação aos alvos com foro privilegiado, ela ficaria com o próprio STF; nos demais casos, seria distribuída para a Justiça Federal de São Paulo, onde, segundo os autores, a maior parte dos crimes teria ocorrido inicialmente.
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"Eu não acerto todas, eu posso cometer meus erros. Mas sempre decido com a pretensão de correição das decisões, com base na lei. Eu não posso levar em conta questões políticas, questões partidárias", acrescentou o juiz, que foi ovacionado e aplaudido de pé pelo público presente.
Ao ser questionado sobre a divulgação das escutas telefônicas das conversas entre o ex-presidente Luiz Inácio da Lula e a presidente Dilma Rousseff, o juiz preferiu não se pronunciar. "Eu não tenho total liberdade para falar sobre casos pendentes, e creio que fui exaustivo ao prestar informações ao STF e minha informação se tornou pública." Porém, ele acrescentou que tem total confiança na decisão que tomou.
Sem se referir a nomes de envolvidos nos processos, Moro voltou a afirmar que o pagamento de propinas em contratos da Petrobras era "a regra do jogo", como foi dito a ele por diversos delatores do esquema de corrupção. "O pior de um quadro de corrupção sistêmica não é o custo econômico e sim a progressiva erosão da confiança da população na regra da lei e na democracia." Ele acrescentou que "assusta" a corrupção disseminada no Brasil.
"As instituições democráticas estão funcionando bem no Brasil, é o que eu vejo com as manifestações de ruas, que são pacíficas. Nós temos um problema econômico muito sério, preocupante. Eu acho que o importante é termos a confiança de que nossas instituições estão melhores, que nossa democracia seja aprofundada e que deixe de estar contaminada pela corrupção sistêmica", afirmou o juiz.
Moro voltou a falar da Operação Mãos Limpas ao mencionar as críticas feitas às investigações da Lava Jato. "O grande problema da operação na Itália foi a reação política, a democracia italiana não foi forte suficiente para evitar a desconstrução da investigação."
Questionado pelo médico Drauzio Varella -- um dos palestrantes do evento -- sobre a baixa condenação de políticos do Lava Jato, o juiz respondeu que o grande problema é que o STF tem uma série de funções além de julgar políticos com foro privilegiado. Segundo Moro, isso faz com que haja uma maior lentidão no julgamento dos processos.
A conferência em Chicago é organizada pela Brasa (Associação de Estudantes Brasileiros no exterior) e continua neste sábado com palestras de Joaquim Barbosa, Marina Silva, Joaquim Levy e Pérsio Arida, entre outros.
STF julga ação contra Moro
O STF (Supremo Tribunal Federal) irá decidir nas próximas semanas a ação que trata da competência de Moro para continuar julgando os processos relacionados à Operação Lava Jato. Trata-se da reclamação constitucional de Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula. A ação, que aponta um grampo ilegal possivelmente na origem da Lava Jato e afirma que a investigação já não deveria mais estar nas mãos de Moro, será relatada por Teori Zavascki, mesmo ministro que está com outros processos sobre a competência do juiz de Curitiba na operação.O pedido é de desmembramento da investigação, retirando a competência de Moro. Com relação aos alvos com foro privilegiado, ela ficaria com o próprio STF; nos demais casos, seria distribuída para a Justiça Federal de São Paulo, onde, segundo os autores, a maior parte dos crimes teria ocorrido inicialmente.
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Imagem
enviada por internauta mostra manifestante carregando boneco gigante do
juiz Sérgio Moro durante protesto na orla da praia de Boa Viagem, no
Recife (PE) VEJA MAIS > Imagem: Cláuber Miranda/via WhatsApp
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Em
março de 2014, tem início a operação Lava Jato, conduzida pela Polícia
Federal (PF). A operação começou investigando grupos criminosos que
usavam uma rede de lavanderias e postos de combustíveis para movimentar
dinheiro ilícito, mas se expandiu: identificou desvio e lavagem de
dinheiro envolvendo diretores da Petrobras, as principais empreiteiras
do país e políticos brasileiros. Na foto, o juiz federal do Paraná
Sérgio Moro, responsável pelas ações penais nos casos que não envolvem
políticos VEJA MAIS > Imagem: Ricardo Borges/Folhapress
O que Lula já falou sobre Sergio Moro
Do UOL, em São Paulo