quarta-feira, 13 de abril de 2016



Pacto de Dilma é diálogo entre cegos e surdos

Josias de Souza
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Prestes a enfrentar a votação do pedido de impeachment na Câmara, Dilma Rousseff voltou a falar em “diálogo” e “pacto”. Não dá nome aos interlocutores nem explica o que deseja pactuar. Já virou rotina. Sempre que não sabe o que fazer, Dilma torna-se uma conciliadora insuspeitada.
Em 2013, ao ouvir o ronco do meio-fio, madame convocou governadores e prefeitos para propor cinco pactos. Ganha um mandato presidencial de quatro anos, com direito a reeleição, quem for capaz de dizer o que foi feito deles.
Em 2014, quando as urnas confirmaram que acabara de ser reeleita por um placar apertado, Dilma anunciou que seu primeiro compromisso seria com o “diálogo”. Transformaria o “calor da disputa” em “energia criativa”. O tempo passou. E ela só entregou vapor.
Dias antes de ser empossada no segundo mandato, Dilma discursou no TSE. Com o hálito da Lava Jato a roçar-lhe a nuca, disse que convidaria “todos os poderes da República” e as “forças vivas” do país para firmar um pacto contra a corrupção. Nada.
Em julho do ano passado, com as contas públicas em petição de miséria, Dilma chamou novamente os governadores a Brasília. Expôs uma receita de bolo que tinha como cereja a CPMF. E sugeriu novos “pactos” e “parcerias”—para reduzir os homicídios, qualificar os jovens, dar segurança ao trânsito, defender a vida…
Já está entendido: os pactos de Dilma são entendimentos firmados entre cegos que não vêem o que se passa à sua volta e surdos que cansaram de dar ouvidos a lorotas. Tudo acertado na gruta úmida do impasse. Um impasse que desaguou no pedido de impeachment.