Lula articula com senadores do PT estratégia de reversão de votos anti-Dilma
Em Brasília
-
Thiago Bernardes/Estadão Conteúdo
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu nesta terça-feira
(17) articular uma estratégia para reverter votos que levaram,
quinta-feira passada, ao afastamento da presidente Dilma Rousseff pelo
Senado.
Em reunião na manhã desta terça-feira com senadores do
PT em São Paulo no Instituto Lula, o líder petista disse que é possível
atuar na mudança de posição de 10 a 12 votos de senadores que
concordaram com a abertura do processo de impeachment de Dilma, mas
poderiam futuramente absolvê-la no julgamento.
A estratégia,
batizada informalmente de "formiguinha", será focada em duas principais
frentes: a partir da instrução do processo, convencer senadores para
impedir que votem pela condenação da presidente afastada por crime de
responsabilidade; e reforçar, dentro e fora do País, em especial no
próprio Senado, o discurso de que o impedimento de Dilma é um golpe.
Essas ações, avaliam os participantes do encontro, estão vinculadas
diretamente ao sucesso do governo do presidente em exercício, Michel
Temer, que consideram ilegítimo. Por isso, os petistas querem adiar o
julgamento de Dilma até o limite dos 180 dias previstos em lei do
afastamento da presidente.
A ideia é que, quanto maior o prazo
de vigência do governo interino, maiores serão as chances de erro na
gestão Temer - e eventual volta de Dilma. O grupo do presidente em
exercício, por sua vez, quer acelerar a votação.
Na conversa,
Lula prometeu se empenhar pessoalmente para conversar com senadores que,
a seu juízo, poderiam mudar de voto no julgamento. Na mira das
abordagem, entre outros, estão Cristovam Buarque (PPS-DF), Omar Aziz
(PSD-AM), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e Acir Gurgacz (PDT-RO) -
antes da votação do impeachment, o ex-presidente se reuniu com os dois
últimos em um hotel em Brasília.
Contudo, a avaliação de Lula
com senadores do PT é que as chances de reversão do quadro são ínfimas,
mas não se pode deixar de manter a pressão sobre o governo Temer durante
o período do julgamento da presidente afastada pelo Senado.
Participaram do encontro, além do ex-presidente, o ex-líder do governo
Dilma no Senado Humberto Costa (PT-PE) e o atual líder do PT na Casa,
Paulo Rocha (PA). Humberto Costa, aliás, deverá assumir em breve a
liderança petista no Senado.
Os dois senadores foram a São Paulo
e retornaram a Brasília ainda hoje a tempo de participar de um
encontro, promovido pela presidente afastada no Palácio do Alvorada, com
os senadores que votaram pela permanência dela na semana passada.
Oposição
O grupo também definiu as linhas gerais de como será a oposição petista
ao governo Temer no Congresso. A ideia é que, a despeito das críticas
de ilegitimidade, se faça uma oposição construtiva sem se colocar sempre
contra as medidas do presidente em exercício.
No caso de
eventuais votações polêmicas, como o retorno da CPMF e a reforma da
Previdência, os petistas vão defender que a nova base aliada de Temer
diga publicamente que são favoráveis. Somente com essa condição que a
bancada poderia dar apoio às medidas.
Apesar do temor de aliados
do presidente em exercício, o PT também não pretende criar objeções
para, por exemplo, aprovar indicações de autoridades para a gestão
Temer.
Um dos exemplos seria o do economista Ilan Goldfajn,
confirmado na manhã desta terça-feira para ser presidente do Banco
Central. A indicação dele terá de passar pela Comissão de Assuntos
Econômicos (CAE) do Senado, colegiado presidido pela petista Gleisi
Hoffmann (PR).
O Senado afastou Dilma. O que acontece agora?
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Lula articula com senadores do PT estratégia de reversão de votos anti-Dilma
Em Brasília
- Thiago Bernardes/Estadão Conteúdo
Em reunião na manhã desta terça-feira com senadores do PT em São Paulo no Instituto Lula, o líder petista disse que é possível atuar na mudança de posição de 10 a 12 votos de senadores que concordaram com a abertura do processo de impeachment de Dilma, mas poderiam futuramente absolvê-la no julgamento.
A estratégia, batizada informalmente de "formiguinha", será focada em duas principais frentes: a partir da instrução do processo, convencer senadores para impedir que votem pela condenação da presidente afastada por crime de responsabilidade; e reforçar, dentro e fora do País, em especial no próprio Senado, o discurso de que o impedimento de Dilma é um golpe.
Essas ações, avaliam os participantes do encontro, estão vinculadas diretamente ao sucesso do governo do presidente em exercício, Michel Temer, que consideram ilegítimo. Por isso, os petistas querem adiar o julgamento de Dilma até o limite dos 180 dias previstos em lei do afastamento da presidente.
A ideia é que, quanto maior o prazo de vigência do governo interino, maiores serão as chances de erro na gestão Temer - e eventual volta de Dilma. O grupo do presidente em exercício, por sua vez, quer acelerar a votação.
Na conversa, Lula prometeu se empenhar pessoalmente para conversar com senadores que, a seu juízo, poderiam mudar de voto no julgamento. Na mira das abordagem, entre outros, estão Cristovam Buarque (PPS-DF), Omar Aziz (PSD-AM), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e Acir Gurgacz (PDT-RO) - antes da votação do impeachment, o ex-presidente se reuniu com os dois últimos em um hotel em Brasília.
Contudo, a avaliação de Lula com senadores do PT é que as chances de reversão do quadro são ínfimas, mas não se pode deixar de manter a pressão sobre o governo Temer durante o período do julgamento da presidente afastada pelo Senado.
Participaram do encontro, além do ex-presidente, o ex-líder do governo Dilma no Senado Humberto Costa (PT-PE) e o atual líder do PT na Casa, Paulo Rocha (PA). Humberto Costa, aliás, deverá assumir em breve a liderança petista no Senado.
Os dois senadores foram a São Paulo e retornaram a Brasília ainda hoje a tempo de participar de um encontro, promovido pela presidente afastada no Palácio do Alvorada, com os senadores que votaram pela permanência dela na semana passada.
Oposição
O grupo também definiu as linhas gerais de como será a oposição petista ao governo Temer no Congresso. A ideia é que, a despeito das críticas de ilegitimidade, se faça uma oposição construtiva sem se colocar sempre contra as medidas do presidente em exercício.No caso de eventuais votações polêmicas, como o retorno da CPMF e a reforma da Previdência, os petistas vão defender que a nova base aliada de Temer diga publicamente que são favoráveis. Somente com essa condição que a bancada poderia dar apoio às medidas.
Apesar do temor de aliados do presidente em exercício, o PT também não pretende criar objeções para, por exemplo, aprovar indicações de autoridades para a gestão Temer.
Um dos exemplos seria o do economista Ilan Goldfajn, confirmado na manhã desta terça-feira para ser presidente do Banco Central. A indicação dele terá de passar pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, colegiado presidido pela petista Gleisi Hoffmann (PR).