sábado, 3 de setembro de 2016


Movimentos de esquerda se dizem contrários a tática 'black bloc'

Movimentos de esquerda rechaçaram a participação de adeptos da tática "black bloc" em manifestações organizadas por eles contra o governo de Michel Temer.
Os chamados "black blocs" são adeptos de tática anarquista que prega adestruição do patrimônio. Grande quantidade deles tem participado dos protestos desta semana.
Guilherme Boulos, coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), que integra a Frente Povo Sem Medo, afirmou que "nas nossas manifestações, não há espaço para práticas dessa natureza".
Segundo ele, que participou da organização do ato de segunda-feira (29), quando não houve a presença dos "blocs", os adeptos da tática não devem participar do ato chamado pela Povo Sem Medo e pela Frente Brasil Popular para este domingo (4), na avenida Paulista.
"Eles não vem porque sabem que a gente tem uma posição muito clara a esse respeito", afirmou.
Marlene Bergamo/Folhapress
PODER - 19//08/2015 - Um dos lideres da manifestacao pela democracia que ocorrera no proximo dia 20, Guilherme Boulos, por quer se distanciar do Planalto e do PT.. Foto - Marlene Bergamo/ Folhapress - 0717.
Guilherme Boulos, coordenador do MTST, que integra Frente Povo Sem Medo
O coordenador da Central de Movimentos Populares, Raimundo Bonfim, um dos movimentos que compõem a Brasil Popular afirmou ainda que, caso adeptos da tática apareçam no ato de domingo, eles devem ser "convidados a se retirar".
Ele diz, porém, que a organização centralizada da manifestação afasta os "black blocs". "Eles vêm onde têm condições de arrastar o pessoal para as suas ações no final do ato", afirma ele. "Ou quando não tem uma organização muito centralizada, como eram os protestos do MPL [Movimento Passe Livre, que liderou as manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo]."
Excetuando-se segunda, as manifestações desta semana não tiveram organização centralizada. Na quarta, membros da Povo Sem Medo, inclusive Boulos, chegaram a comparecer no protesto, mas sem fazer parte da organização.
Os trajetos têm sido definidos por meio de assembleias entre os manifestantes, e os eventos nas redes sociais, criados por coletivos difusos pela internet, como o "Luta pela Democracia", e pessoas físicas. A Folha tentou entrar em contato com esses organizadores, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
Também foi procurado pela reportagem o coletivo Democracia Corinthiana, que ajudou na organização dos trajetos dos atos de terça e quarta.
"A organização difusa pode ser um fator que potencializa o aparecimento dos 'blocs', mas acho que não é determinante", afirma Laryssa Sampaio, membro da coordenação nacional do Levante Popular da Juventude, também da Brasil Popular.
De acordo com Sampaio, o principal motivo do crescimento do número de "blocs" nos protestos é a "repressão policial". A opinião é compartilhada por Boulos. "Nós entendemos que eles não foram os principais responsáveis pelo confronto, e sim o excesso da PM", disse ele.
Já ela diz também que o Levante tem "divergências políticas" com os adeptos da tática por serem contra a violência, mas que, caso esses apareçam na manifestação de domingo, o caminho deve ser o diálogo. "Nós já fizemos manifestações onde eles apareceram, e conseguimos construir um diálogo com eles."
David Villalva, membro do coletivo Luta pela Democracia, que organizou os atos de terça (30), quarta (31) e quinta (1º), afirmou ser contra a ação dos "black blocs". "Estamos num momento que é muito difícil, você tem controle até certo ponto. Tem muita gente querendo fazer tudo certo, mas tem aqueles que querem desvirtuar o ato", afirmou.
Ele disse também que no protesto de terça, os próprios membros do coletivo denunciaram à polícia a presença de black blocs. O coletivo não faz parte da organização da manifestação desta sexta-feira.