4 cenas da sexta e um Brasil pulverizado
Cena 1
O projeto de lei contra abuso de autoridade, parado há três meses, vai voltar a ser discutido no Senado. O texto propõe punição para agentes públicos que, entre outras coisas, façam publicidade de investigação antes da ação penal instaurada ou o constrangimento causado por depoimento sob ameaça de prisão. A informação é do relator da proposta, Romero Jucá (PMDB-RR), que em gravações divulgadas em maio foi pego defendendo o impeachment de Dilma Rousseff como forma de “estancar a sangria” e deter o avanço da Lava Jato, diz reportagem do Estado de São Paulo.
Outro peemedebista, o presidente do Senado, Renan Calheiros, foi responsável por desengavetar a proposta de 2009. Vários dos pontos do projeto estão de acordo com as reclamações dos parlamentares sobre os métodos de investigação da Lava Jato.
Cena 2
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, réu em três processos e protagonista de mais quatro investigações, recusou a sugestão de aliados que gostariam de vê-lo novamente no comando do PT, informa o colunista Josias de Souza; Lula sustenta que o PT precisa de “renovação" e diz que sua presença na direção do partido interessa mais aos adversários, interessados em arrancá-lo do cenário de 2018
Cena 3
Em processo de conclusão de um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal para mais de 50 executivos, incluindo o ex-presidente Marcelo Odebrecht, a maior empreiteira do Brasil deverá fazer um pedido de desculpas público semelhante ao que fez a Andrade Gutierrez.
Segundo o jornalista Matheus Leitão, do G1, a diferença, porém, é que a Odebrecht quer divulgar o texto, que está sendo elaborado, de forma espontânea, ao contrário da Andrade Gutierrez, que o fez por determinação do juiz Sérgio Moro, após o acordo de leniência ter sido homologado no âmbito da Lava Jato.
Cena 4
Embora o tema principal do encontro tenha sido a economia, o encontro de Michel Temer com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na quarta-feira também tratou das repercussões da Lava Jato para o PMDB e o PSDB, informa Kennedy Alencar. O tucano deu conselhos políticos ao peemedebista no encontro no Palácio do Jaburu, em Brasília
“FHC disse a Temer que a sua experiência na época do Plano Real mostrou que é importante ter o apoio da opinião pública para conseguir aprovar projetos no Congresso. O tucano afirmou que Temer deveria continuar cuidando diretamente da articulação política, mas deveria ser o principal comunicador do governo a fim de votar as medidas econômicas.
Na visão de FHC, isso daria força política a Temer para enfrentar eventuais problemas que surgirão contra o PMDB e o PSDB nas delações premiadas de executivos da Odebrecht, da OAS e da Andrade Gutierrez no âmbito da Lava Jato. PMDB e PSDB são os principais partidos de apoio à administração Temer.”
Grand Finale: O Brasil chega a 2017 absolutamente pulverizado
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