Roberto Jefferson a este blog: se Dirceu não o tivesse espionado, ele não teria denunciado o Mensalão
Estive essa manhã com o ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB.
“Se Zé Dirceu não tivessse botado a Abin em cima de mim eu não teria denunciado o Mensalão. A política é a arte da negociação. Eles vierem em cima de mim, eu fui pra cima deles”, me disse Roberto Jefferson.
Explicando: O governo do PT deu o maior tiro no seu pé quando, enquanto ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu meteu suas garras na Abin. Todos os dias Dirceu, Lula e o general Jorge Félix se reuniam às 12h30. E Dirceu dava as ordens sobre quem a Abin deveria grampear.Mas pelo menos devemos a Zé Dirceu o maior fogo amigo que o PT já produziu.O PTB de Roberto Jefferson não precisava tanto da grana do Mensalão. O partido tinha em mãos os cargos nos Correios. Livres assim, foram alvos de José Dirceu: que ordenou que a Abin plantasse provas contra o PTB para poder garrotear o partido ao PT.Ao retirar o general José Elito da parada, e colocar Berzoini à frente da Abin, ( ele é homem que pensa e age como Dirceu) Dilma radicalizou perigosamente essa área.Não custará que a Abin dê novamente um tiro sobre o próprio governo.Vou te contar como isso aconteceu no passado recente, sob Lula. Este episódio é melhor explicado no livro que lancei em junho do ano passado, como o tenente-coronel André Soares, sobre a Abin.
Confira algo sobre o livro:
http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/2015/05/1631869-ex-agente-da-abin-abre-a-tampa-do-esgoto.shtmlhttps://br.noticias.yahoo.com/blogs/claudio-tognolli/ezxclusivo-arapongas-da-abin-deixaram-terrorista-183413278.html
Pois bem: a Operação Monte Carlo, da PF, focou-se em prender agentes ilegais na Abin.Um deles, o policial Jairo Martins de Souza, foi quem gravou a fita que detonou, em 2005, o escândalo do Mensalão. Trata-se da cena em que um ex-funcionário dos Correios, Maurício Marinho, aparece recebendo uma propina de R$ 3 mil. É do conhecimento público que Jairo Martins era um “empregado” da quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Recebia R$ 5 mil mensais e tinha a função de cooptar policiais e também levantar informações que pudessem prejudicar os negócios do grupo. Em 2005, na crise do Mensalão, Jairo Martins depôs no Congresso e disse que gravou a fita com Maurício Marinho por “patriotismo”. Não se sabe, ainda, se Cachoeira estaria por trás da denúncia. Em seus primeiros quatro anos de governo, Lula usava a Agência Brasileira de Inteligência para obter antecipadamente informações de corrupção. Todos os dias, meio dia e meia, Lula se reunia com o general Jorge Félix, do gabinete de segurança institucional. Ali lhe eram repassados os nomes dos membros do governo de quem Lula deveria publicamente se afastar. Por isso a ABIN começou a remunerar, com verbas secretas, policiais federais: para saber deles quem do governo iria cair nas mãos das operações da PF. Lula sempre aplaudiu e apoiou publicamente essas operações porque, afinal de contas, já sabia de tudo antes. Para entender, comece com o que foi declarado publicamente.
Na página da ABIN, na internet consta o seguinte extrato:“Cumprindo promessa formulada em sua campanha presidencial, o Presidente Fernando Collor de Melo, empossado em 1990, extinguiu o SNI, no bojo de ampla reforma administrativa. Para a continuidade do exercício da atividade de Informações, foi criada a Secretaria de Assuntos Estratégicos - SAE. Sua concepção era similar à que orientava as ações do antigo SFICI, ou seja, retornava-se ao modelo composto por um órgão superior intermediário entre os produtos de Inteligência e o Presidente da República. De acordo com o texto da nova lei, a EsNI passou a se chamar Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Recursos Humanos - CEFARH. Houve, na realidade, mais uma tentativa de depuração do exercício da atividade de Inteligência, particularmente no caso da produção de conhecimentos sobre a conjuntura interna, buscando-se eliminar questões que envolvessem matérias de natureza ideological”.O papel do general Jorge Félix com Lula era justamente o de suprir o presidente com informações de corrupção em ministérios, que antigamente brotavam de agentes arapongas lotados, nesses mesmos ministérios, institucional e legalmente por atribuição do SNI –o que Collor justamente extinguiu.Pois bem, vejamos o caso de Jairo Martins de Souza, o araponga, teve uma missão no governo Lula: gerar provas contra o partido de Roberto Jefferson. Por quê? Porque o partido não precisava do mensalão petista para sobreviver: viviam das nomeações e sinecuras dos Correios, como aquelas arrumadas para esposas de policiais federais no DNIT, órgão do Ministério dos Transportes.