quarta-feira, 8 de julho de 2015


E se o Brasil submeter o “ajuste fiscal” a plebiscito?

por João Telésforo — publicado 08/07/2015 11h34, última modificação 08/07/2015 17h31 - CARTA CAPITAL
Com o governo rendido, a mobilização social e o debate são cada vez mais necessários
A Grécia pode até ser o berço da democracia. Mas não parece ter sido lá que nasceu a ideia de submeter à consulta popular o pagamento de uma dívida pública injusta e abusiva, em tempos de grande precariedade social. Anos antes de chegar à Praça Syntagma, essa possibilidade já ocupou o centro do debate público no Brasil. 
Em setembro de 2000, mais de cinco milhões de brasileiros votaram em plebiscito não-oficial convocado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e cerca de 20 entidades da sociedade civil. Mais de 90% deles responderam “não” às seguintes perguntas:
1 - O governo brasileiro deve manter o atual acordo com o Fundo Monetário Internacional?; 
2 - O Brasil deve continuar pagando a dívida externa, sem realizar uma auditoria pública desta dívida, como previsto na Constituição de 1988?; 
3 - Os governos federal, estaduais e municipais devem continuar usando grande parte do orçamento público para pagar a dívida interna aos especuladores?
Diante dessa vigorosa manifestação popular, José Dirceu, então presidente do Partido dos Trabalhadores e deputado federal, apresentou no dia seguinte, na Câmara dos Deputados, o Projeto de Decreto Legislativo 645/2000, determinando a realização de referendo para que a população decidisse sobre a manutenção dos acordos para o pagamento da dívida externa, em termos semelhantes ao do plebiscito da sociedade civil. A proposta de referendo não prosperou no Congresso Nacional, controlado pelo governo tucano de Fernando Henrique Cardoso e pelas velhas bancadas a soldo do poder econômico.
Em dezembro de 2001, o documento Concepção e Diretrizes do Programa de Governo do PT para o Brasil assinalava o compromisso do partido com a auditoria e renegociação da dívida externa. Poucos meses depois, porém, a situação mudou.
Em junho de 2002, Luiz Inácio Lula da Silva, então candidato do PT à Presidência da República, assinava a “Carta aos Brasileiros“, dirigida aos grandes credores da dívida pública. Também conhecido como “Carta aos Banqueiros”, o documento, de que José Dirceu foi um dos principais articuladores, garantia que o PT, caso chegasse à Presidência da República, iria “preservar o superávit primário o quanto for necessário” para garantir o pagamento dos compromissos com a dívida pública. Aquela mesma dívida que o partido antes contestava, junto aos movimentos sociais e à Constituição de 1988, que determina a realização de sua auditoria.
Levados ao governo pelo embalo da insatisfação popular com o desemprego e outros impactos nefastos do neoliberalismo tucano, Lula e o PT honraram o compromisso assumido com o andar de cima: não realizaram auditoria nem renegociação da dívida, e entregaram o comando do Banco Central a um homem de confiança dos grandes bancos nacionais e internacionais: Henrique Meirelles, deputado federal eleito pelo PSDB-GO e egresso da presidência do Bank of Boston.
A estratégia dos governos do PT era cristalina na Carta aos Brasileiros de junho de 2002: tratava-se de implementar políticas sociais “consistentes e criativas”, dizia o documento, nos limites orçamentários impostos pela manutenção da política macroeconômica neoliberal, e nos limites políticos gerais da aliança com os grandes grupos capitalistas brasileiros. Além disso, sinalizava-se para mudanças com continuidade em setores como a política de comércio exterior. 
Treze anos depois, essa política já teve seus limites escancarados. Na hora do impasse, diante da dificuldade ou mesmo impossibilidade de manter uma política “ganha-ganha” de conciliação de classes, o governo Dilma e o PT, com seu “ajuste”, mais uma vez fazem a opção clara por cortar no andar de baixo, nos investimentos em serviços públicos e direitos da classe trabalhadora, como o seguro-desemprego. Será que o povo que votou em Dilma e na bancada do PT está de acordo? E enfatizamos: Dilma e o PT, pois a bancada e a direção do partido já manifestaram apoio majoritário à política do governo. Não cola mais, a esta altura, a manobra de se tentar dissociar o programa do partido da política de seu governo.
Se por um lado Dilma não se elegeu com um discurso ou qualquer compromisso concreto que nos levasse a ter esperança em qualquer guinada substancial para melhor em sua política, por outro lado prometeu à exaustão não retirar direitos dos trabalhadores “nem que a vaca tussa”. Além disso, buscou se diferenciar dos adversários que propunham o ajuste fiscal neoliberal — o mesmo que ela agora implementa. Em 2003, Lula fez no governo – gostássemos ou não – o que anunciou na campanha eleitoral, a partir da Carta aos Brasileiros. A realidade, desta vez, é bem diferente. Não se trata simplesmente de discordância e oposição. Trata-se de um governo que faz exatamente aquilo que anunciou nas eleições que não faria, fraudando a vontade democrática manifestada nas urnas.
A solução? É hora de desenterrar a proposta de consulta popular sobre o ajuste, a retirada de direitos e a precarização de serviços públicos tendo em vista a prioridade dada ao pagamento dos galopantes juros e serviços da dívida pública. Porém, mesmo que alguma bancada, como a do PSOL, apresente proposta nesse sentido no Congresso (fica a dica), sabemos que o eventual projeto de decreto legislativo de referendo popular de ajuste do governo Dilma provavelmente seria arquivado. Até poderia valer a pena, talvez, para levantar o tema. Mas o fundamental, neste momento, é ampliar o debate e a luta na sociedade civil.
A Auditoria Cidadã da Dívida Pública, criada logo após o plebiscito popular da dívida externa, em 2000, faz esse trabalho há 15 anos. Sua coordenadora, Maria Lucia Fattorelli, colaborou no bem-sucedido processo de auditoria da dívida pública do Equador, faz alguns anos, que conseguiu renegociar 70% da dívida daquele país. Neste ano, Fattorelli integra a comissão internacional criada pelo Parlamento grego para auditar a dívida dos helenos e formular subsídios para enfrentar a Troika.
No Brasil, porém, apesar de seu trabalho de excelência técnica e de sua articulação política, o movimento pela auditoria não conseguiu pautar a agenda nacional com força ao longo dos últimos anos. Para além das necessárias críticas ao PT, PSDB e cia, é necessário indagarmos por que não estamos conseguindo sequer promover esse debate na sociedade.
Por que, em junho de 2013 por exemplo, diante de grande demanda por ampliação dos investimentos públicos, os movimentos sociais e organizações populares não foram capazes de instalar esse tema na agenda de discussões do povo, pelo menos? Por que as candidaturas à Presidência da República que pautaram essa questão não chegaram nem a 2% dos votos, em 2010 e em 2014?
Claro, os limites do sistema, o financiamento empresarial de campanhas, o monopólio da mídia e cerco da grande imprensa ao debate do tema, etc.
Mas é preciso procurar os problemas e ausências também nos nossos métodos, prioridades e estilo de trabalho político – como junho, novamente, nos ensinou em definitivo.
Seria o momento de se tentar organizar um amplo referendo popular sobre o ajuste fiscal do governo Dilma? Se a tática dos referendos e plebiscitos populares não for adequada ou não mostrar maior potencial atualmente, quais outros meios estamos utilizando ou podemos inventar para lutar contra o ajuste? A mobilização de rua é fundamental, mas não basta. É necessário instalar o tema no cotidiano de debates da sociedade brasileira, de modo pedagógico, eficaz e em grande escala. Está lançado o desafio.
*João Telésforo é Mestrando em Direito na UnB e militante das Brigadas Populares




Ministros do PMDB querem que Temer deixe Dilma lidar com a crise sozinha

Jornal GGN - Desde que assumiu a coordenação política a pedido de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (PMDB) vem ajudando a criar as condições mínimas de governabilidade para a presidente. Seu desempenho na articulação com o Congresso tem dado andamento ao ajuste fiscal, prioridade do Planalto. Com ele, as bancadas do PMDB na Câmara e no Senado somam votos em todos os itens, a despeito das "malcriações" de Eduardo Cunha e Renan Calheiros.
O que aconteceria se Temer deixasse Dilma lidar sozinha com a crise agora que o PSDB, mais do que nunca, aposta que uma nova eleição presidencial sairá antes de 2018? Ao que tudo indica, há uma ala do PMDB muito interessada em descobrir. 
Diariamente, a velha mídia tem noticiado, em reportagens e notinhas em colunas políticas, que o grupo peemedebista que quer desembarcar rapidamente do governo tem dado empurrões em Temer, para que o vice-presidente abandone a coordenação política com a desculpa de que já cumpriu seu papel. O resultado imediato disso seria o isolamento de Dilma e a aquisição de mais força por parte de Cunha e Renan. Não à toa, o presidente da Câmara já disse com todas as letras que Temer está sendo "sabotado" pelo próprio PT na missão de ser o bombeiro do Planalto, e deveria logo abrir mão desse papel.
Na edição da Folha desta quarta-feira (8), é a vez de caciques peemedebistas endossarem o pedido de Cunha, mas com outra desculpa: a de que Temer é bom demais para ser um mero "negociador de cargos". "Nós dissemos a ele que o papel que lhe deram na articulação política termina por apequenar a sua história. O colocam como responsável por negociar cargos e não é essa a contribuição que ele deve dar", disse o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB). 
"Segundo pessoas próximas a Temer, a ala de entusiastas da sua saída do posto de articulador político do governo conta ainda com o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Eliseu Padilha, e o ex-ministro Moreira Franco. (...) Esses interlocutores avaliam que Temer deveria assumir um papel de 'estadista', articulando uma saída para a crise com setores que hoje estão em conflito com o governo Dilma", escreveu a Folha.
Um outro grupo avalia, ainda, os riscos que Temer corre ao permanecer ao lado de Dilma no momento em que a oposição aposta na derrota da presidente no Tribunal Superior Eleitoral. Lá, por provocação do PSDB de Aécio Neves - derrotado na última disputa presidencial -, Dilma enfrenta acusações de que sua campanha de reeleição recebeu doações fruto de propina do esquema da Petrobras. Se o TSE entender que houve crime eleitoral, a chapa Dilma-Temer deve ser cassada, e novas eleições serão convocadas em até três meses.
"Diante de manifestações do PSDB de que queria cassar, no TSE, a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, o PMDB fez consultas a juristas", publicou o colunista Ilimar Franco (O Globo) nesta quarta, denotando que os peemedebistas buscam, muito provavelmente em vão, uma saída para Temer em caso de cassação. "Esses disseram aos seus dirigentes que a tese não tem qualquer sustentação. A prestação de contas das campanhas não é conjunta (da coligação), mas feita separadamente pelos partidos."
Do lado de Dilma, "ministros e líderes acham que o maior risco para a presidente seria a adesão total da sigla (PMDB) ao movimento, com Eduardo Cunha e Renan Calheiros à frente (que quer o impeachment). O Planalto se fia no vice Michel Temer. 'É ele quem tem de garantir o apoio'", disse um ministro, segundo o Painel da Folha de hoje.
"Auxiliares diretos do vice-presidente, no entanto, dizem que ele não vai influenciar essas conversas e que agora está preocupado em cumprir seu papel institucional de auxiliar o governo e o país a atravessarem a crise. 'O Temer chegou aonde chegou sendo cauteloso e moderado. Até porque sabe que, num movimento em falso, pode se tornar alvo dos dois lados [PT e PSDB]', avaliou um colaborador do vice", complementou o jornal.

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"PSDB DIZER QUE O PT QUEBROU O PAÍS PARECE PIADA", DIZ LÍDER DO GOVERNO

DE BRASÍLIA
O LÍDER DO GOVERNO NA CÂMARA, JOSÉ GUIMARÃES (PT-CE), REBATEU COM ATAQUES NESTA SEGUNDA-FEIRA (6) AS CRÍTICAS FEITAS AO PT E AO GOVERNO DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF PELA CÚPULA DO PSDB NESTE DOMINGO (5) DURANTE CONVENÇÃO DO PARTIDO. GUIMARÃES, QUE TAMBÉM É VICE-PRESIDENTE DO PT, CHAMOU DE "PIADA" A ACUSAÇÃO DE QUE SEU PARTIDO QUEBROU O PAÍS E CLASSIFICOU A OPOSIÇÃO COMO "DIREITA AUTORITÁRIA".
"O FHC SAI DA TRIBUNA DA CONVENÇÃO DO PSDB E DIZ 'O PT QUEBROU O BRASIL'. ELE QUEBROU O BRASIL. QUERIA ATÉ VENDER O BANCO DO BRASIL, A PETROBRAS E TUDO. RECEBEMOS A INFLAÇÃO DE 2002 COM 12,5%. ELES (OS TUCANOS) QUEBRARAM O BRASIL. DIZER QUE O PT QUEBROU O BRASIL PARECE UMA PIADA DESSA GENTE QUE GOVERNOU DURANTE OITO ANOS, COMPROU REELEIÇÃO CONFORME A IMPRENSA DIVULGOU, E VEM AGORA COM ESTES ATALHOS AUTORITÁRIOS E ANTIDEMOCRÁTICOS", AFIRMOU GUIMARÃES QUANDO QUESTIONADO SOBRE A DEFESA DO IMPEACHMENT DA PRESIDENTE. "ISSO É UMA VISÃO ABSOLUTAMENTE AUTORITÁRIA. É UM DESSERVIÇO ISSO QUE O PSDB ESTÁ FAZENDO".
"QUEREM GOVERNAR O BRASIL? GANHEM PRIMEIRO A ELEIÇÃO. A DEMOCRACIA TEM REGRAS. QUALQUER COISA FORA DISSO É UMA AMEAÇA AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO", AFIRMOU O LÍDER DO GOVERNO.
"SE O PT VAI CONTINUAR GOVERNANDO O BRASIL, QUE ELES ESPEREM 2018 E NÃO FIQUEM APREGOANDO O CAOS", DISSE GUIMARÃES. "NÃO É NADA RESPONSÁVEL PARA QUEM QUER UM DIA GOVERNAR O BRASIL. NÃO VAMOS ACEITAR ESSE TIPO DE IMPUTAÇÃO QUE É FEITA AO NOSSO GOVERNO. A PRESIDENTE DILMA FOI ELEITA PELO VOTO POPULAR E É COM ELA QUE VAMOS GOVERNAR ATÉ 2018. O QUE VIRÁ CABERÁ À SOCIEDADE DECIDIR. ESSA COISA DE DISCUTIR IMPEACHMENT É COISA DE UMA OPOSIÇÃO DE DIREITA, TRUCULENTA", CRITICOU O PETISTA.
GUIMARÃES CITOU AINDA IRREGULARIDADES ENVOLVENDO TUCANOS E AFIRMOU QUE ELES NÃO TÊM "MORAL" PARA ACUSAR O PT. "ESSE AGRIPINO MAIA, SENADOR, DENUNCIADO NO SUPREMO POR UM DESVIO DE RECURSO NO RN. ESSE CÁSSIO CUNHA LIMA, FAZ DISCURSO ÉTICO, FOI CASSADO PELO TSE. FALTA MORAL PARA ELES VIREM IMPUTAR. O PRESIDENTE DO PSDB DIZ QUE O TSE TEM QUE JULGAR AS CONTAS DA DILMA. QUER DIZER QUE AS INSTITUIÇÕES VÃO FAZER O JULGAMENTO SELETIVO? NÃO. ISSO NÃO PODE", AFIRMOU GUIMARÃES CRITICANDO "VOZES DO ALÉM QUE FICAM A TODO INSTANTE, ALI NA MOITA, QUERENDO DAR UM PULO ENGOLIR ALGUÉM".
QUESTIONADO A RESPEITO DA ANÁLISE DAS CONTAS DO GOVERNO REFERENTES A 2014, GUIMARÃES DISSE QUE O GOVERNO EXPLICARÁ TODAS AS INDAGAÇÕES AO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO (TCU) PARA QUE TUDO TERMINE "EM BOM TERMO". O LÍDER DO GOVERNO CRITICOU A COMPOSIÇÃO POLÍTICA DO COLEGIADO.
"ACHO QUE O TCU DEVERIA SER UM ÓRGÃO EMINENTEMENTE TÉCNICO, COM SERVIDORES DE CARREIRA. TCU NÃO PODE SER UMA CASA PARA APOSENTADORIA DE POLÍTICOS", AFIRMOU.

 

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Aécio rebate Dilma e diz que 'golpe' é constranger a ação das instituições

De Brasília
  • Ed Ferreira - 22.jun.2015/Folhapress
    O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG)
    O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG)
O presidente nacional do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), disse nesta terça-feira (7) que o discurso do golpe assumido pela presidente Dilma Rousseff e outros petistas frente à ofensiva da oposição é uma estratégia para "constranger" a ação das instituições e da imprensa.
"O discurso golpista do PT tem claramente o objetivo de constranger e inibir instituições legítimas, que cumprem plenamente seu papel", afirmou.
Segundo ele, o PT classifica como "golpe" as denúncias que estão sendo apuradas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assim como as investigações em curso pela Polícia Federal e o Ministério Público.
"Tudo que contraria o PT, e os interesses do PT, é golpe", afirmou.
Principal nome da oposição, Aécio disse que os partidos "continuarão atentos" aos desdobramentos dos casos para garantir "autonomia e independência das instituições brasileiras".
Conforme mostrou o jornal "O Estado de S.Paulo", Dilma afirmou a aliados que vai defender "com unhas e dentes" o seu mandato e classificou como "golpista" a ofensiva da oposição para que ela saia do poder. Em entrevista publicada nesta terça, 7, pelo jornal Folha de S.Paulo, Dilma lembrou a época que foi torturada na ditadura e afirmou que não iria "cair". "Dizer que é golpe em vez de responder as acusações é desmerecer as instituições que existem para defender a sociedade", afirmou Agripino
A oposição mira em pelo menos três caminhos para Dilma do Palácio do Planalto. A principal aposta é cassar a chapa dela e do seu vice-presidente Michel Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no processo que investiga a suspeita de financiamento ilegal da dupla em razão da Operação Lava Jato. O segundo cenário é via Tribunal de Contas da União (TCU), que pode reprovar as contas do governo de 2014 de Dilma, o que pode culminar num processo de impeachment. O grupo de opositores também apresentou uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) em que pede que a presidente explique as declarações do dono da UTC, Ricardo Pessoa.
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É preciso cumprir a Constituição, diz Alckmin, questionado sobre saída de Dilma

De São Paulo
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB-SP), riu constrangido ao ser questionado no evento do setor sucroalcooleiro Ethanol Summit sobre um possível afastamento da presidente Dilma Rousseff do governo. Alckmin fazia uma crítica ao ajuste fiscal, dizendo que ajuste não é política econômica e que o País precisa "para ontem" de medidas para induzir o crescimento econômico. O apresentador William Waack, então, questionou se o próximo governo tem que vir mais rapidamente.
Após uma pausa, o governador tucano respondeu apontando para os companheiros de debate, governadores também tucanos Beto Richa (PR) e Marconi Perillo (GO): "Somos cumpridores da Constituição", afirmou. "Os fatos vão determinar o futuro, nós temos que cumprir a Constituição", insistiu.
A Alckmin não interessaria uma saída de afastamento da presidente por cassação da chapa, que levaria à convocação de novas eleições com Aécio Neves provavelmente ressurgindo como nome do PSDB. Ainda assim, o governador subiu o tom das críticas à presidente como fizeram outros tucanos desde a convenção do PSDB, no domingo, 5.

Mais cedo nesta terça-feira, o governador disse que a presidente Dilma Rousseff foi "infeliz" nas críticas que fez à oposição em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

No Ethanol Summit, além do que chamou de "pitaco" ao ajuste fiscal, Alckmin criticou a alta de juros e de impostos. Disse que o Brasil passou da inflação ao "impostão", com aumento na carga tributária equivalente a 0,9 ponto porcentual do PIB, sendo que a carga extra é destinada à União e não a Estados e municípios.

Alckmin e os outros dois governadores criticaram também a estratégia do governo no passado de congelar preços da gasolina, política que chamaram de "desastrosa", com efeitos "devastadores" sobre o setor do etanol.
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Não existe divisão no PSDB sobre teses de impeachment, afirma Alckmin

De São Paulo
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), divergiu da tese de pressionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que este casse o diploma da presidente Dilma Rousseff e de seu vice, Michel Temer. Tramita no TSE desde o final do ano passado uma ação do partido que pede a cassação do diploma por abuso do poder econômico e político.
"Não cabe nenhuma pressão ao TSE, que é outro Poder. Não temos que pressionar ninguém" , disse o governador nesta terça-feira na saída do Ethanol Summit, evento do setor sucroalcooleiro que ocorre na capital paulista.
Na 12º Convenção Nacional do PSDB, que aconteceu domingo passado em Brasília, os líderes tucanos no Senado e na Câmara adotaram a estratégia de trocar o mote do impeachment pela realização de novas eleições. A ideia da sigla é colocar o TSE no centro da crise e jogar os holofotes da opinião pública no julgamento da ação.
Apesar da declaração, Alckmin negou que o PSDB esteja rachado. "Não existe divisão no PSDB. Nós somos cumpridores da Constituição". Se o TSE votar pela cassação e a decisão for referendada pelo STF, Dilma deixaria o cargo e seriam realizadas novas eleições em três meses. Nesse cenário, Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara, assumiria o comando do País por um trimestre.

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