quarta-feira, 28 de outubro de 2015




Cunha tornou-se o gênio da lâmpada de Dilma

Josias de Souza



Suponha que você se chama Dilma Rousseff e preside um país chamado, digamos, Brasil. Você é uma pessoa bem-intencionada. Governa para todos os brasileiros, mas se vangloria de dar prioridade aos mais pobres. Assumiu o seu segundo mandato há menos de dez meses. Embora você se ache a melhor gestora que você já viu, admite que a coisa está feia. Porém, dispõe de três anos, dois meses e três dias para mudar tudo.
Suponha que você está pedalando sua bicicleta nas imediações do Palácio da Alvorada e atropela uma lâmpada mágica. De dentro da lâmpada sai um gênio. Ele diz que quer ajudar você a honrar os compromissos que o João Santana assumiu com povo na campanha passada. O gênio pergunta quais são as quatro prioridades da sua gestão. Ele não costuma atender a mais de três pedidos por pessoa. Mas foi com a sua cara. E decidiu conceder-lhe um bônus.
Você responde rapidamente: “Engavetar o pedido de impeachment, aprovar a meta de fechar as contas de 2015 com um rombo de algo entre R$ 51,8 bilhões e R$ 103 bilhões, além de destravar na Câmara as votações da DRU e da CPMF. O gênio se irrita. Faz cara de nojo. E volta para o interior da lâmpada resmungando: “Você não precisa de mim. Tente o Eduardo Cunha.”
A esse ponto chegou Dilma Rousseff. Tornou-se 'cunhodependente'. E o gênio da Câmara condiciona a felicidade do governo à preservação do seu mandato.


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Psol lança pré-candidatura de Marcelo Freixo para prefeitura do Rio



25/10/2015 - 15h50

Psol lança pré-candidatura de Marcelo Freixo para prefeitura do Rio

RIO DE JANEIRO - O Psol lançou hoje a pré-candidatura do deputado estadual Marcelo Freixo para a prefeitura do Rio no ano que vem. Durante seu discurso, Freixo criticou o prefeito Eduardo Paes pela nomeação da filha de um assessor do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. O caso foi revelado pelo Estadão este domingo.
"A nossa pré-campanha pode acabar com esse conjunto de maracutaias que se transformou a política do Rio de Janeiro", disse Freixo.
Danielle Alves, filha de Altair Alves Pinto, assessor do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, está lotada na Casa Civil da prefeitura do Rio desde junho do ano passado. Segundo nota da assessoria do prefeito Eduardo Paes, Danielle foi nomeada após um pedido de Cunha.
Ela e sua mãe também são donas da empresa Guarujá Granitos, no interior do Espírito Santo. A marmoraria forneceu e instalou todas as divisórias e bancadas dos banheiros do Maracanã reformado para a Copa do Mundo de 2014.
Ao citar o caso, Freixo disse que "tem muita gente que lembra que o banheiro do Maracanã fedia antes da reforma". "Acho que agora esse banheiro fede mais. Estou contando isso porque está nos jornais", afirmou.
Essa é a segunda vez que o deputado disputa a prefeitura. Em 2012, ele ficou em segundo lugar, com 28% das intenções de voto. O prefeito Eduardo Paes foi reeleito em primeiro turno.
Estadão Conteúdo

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Disputa iniciada na campanha eleitoral prossegue nos tribunais e no Congresso



25/10/2015 - 10h21

Disputa iniciada na campanha eleitoral prossegue nos tribunais e no Congresso

SÃO PAULO - A polarização da campanha de 2014 se estendeu para o Congresso e acabou mantendo aceso o espírito de disputa eleitoral no País. Enquanto a presidente Dilma Rousseff (PT) enfrenta um processo de judicialização do resultado das urnas, com ações questionamento a legitimidade de seu mandato no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seu adversário, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), frequentemente cita as eleições em suas críticas à presidente.
Na maioria dos pronunciamentos feitos no plenário do Senado, o tucano critica ações do governo e procura relacioná-las à campanha do ano passado. Na semana passada, por exemplo, Aécio afirmou que o governo petista adotou as chamadas pedaladas fiscais ?única e exclusivamente para vencer as eleições?. Por sua vez, integrantes do governo e a própria Dilma, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também se defendem das críticas alegando que a oposição ?não desceu do palanque.
Em 2015, Aécio assinou a coautoria de cinco projetos no Senado, entre eles o que propõe o fim da reeleição e a unificação dos mandatos de cargos executivos em cinco anos, ambos citados na campanha. A assessoria do senador argumentou que a quantidade dos projetos apresentados não é sinônimo da qualidade da atividade parlamentar.
Alçada à condição de candidata com a morte de Eduardo Campos (PSB), de quem era vice na chapa, a ex-ministra Marina Silva chegou a ocupar o primeiro lugar na disputa com a proposta de se firmar como terceira via - uma alternativa à tradicional polarização PT versus PSDB. Mas após a eleição, na qual terminou em terceiro lugar e apoiou Aécio no 2º turno, a ex-ministra submergiu.
Em 2015, Marina obteve no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o registro da Rede Sustentabilidade, partido que conta hoje com cinco deputados. Hoje, a ex-ministra se dedica ao papel de dirigente partidária. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Estadão Conteúdo

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Campanhas eleitorais de 2014 esconderam crise, dizem marqueteiros políticos




5/10/2015 - 10h18

Campanhas eleitorais de 2014 esconderam crise, dizem marqueteiros políticos

SÃO PAULO - Exatamente um ano após uma das mais duras eleições presidenciais da política brasileira, as campanhas que municiaram o confronto entre Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (então no PSB) ainda provocam debates intensos e permanecem no epicentro da atual crise política.
Na avaliação de alguns dos mais requisitados profissionais do mercado de marketing político do País, a difícil situação econômica de 2015 - o déficit das contas públicas pode chegar a R$ 70 bilhões - e a aplicação de um ajuste fiscal deixaram claro que os protagonistas da disputa ?jogaram para baixo do tapete? os sinais do que viria pela frente.
Em maior ou em menor grau, a avaliação é de que os três concorrentes adotaram estratégias descoladas da realidade para não assustar o eleitor. ?As campanhas varreram para debaixo do tapete os problemas. Quando acenderam as luzes do salão, o quadro era completamente diferente daquilo que foi discutido nos palanques em 2014?, afirma o publicitário Paulo Vasconcelos, que comandou a campanha de Aécio no ano passado.
Procurado pelo Estado, João Santana, responsável pelo marketing de Dilma Rousseff, não respondeu ao pedido de entrevista. Um ministro do governo que participou ativamente da campanha petista, no entanto, reconheceu que a então candidata errou na abordagem do cenário econômico. Segundo ele, a presidente poderia ter vencido a eleição com uma ?campanha mais realista?, o que teria evitado a sensação de que Dilma ?mentiu? ao País.
Um dos responsáveis pelas primeiras campanhas majoritárias do PT, o publicitário Chico Malfitani, que em 2014 comandou a campanha ao Senado de Eduardo Suplicy (derrotado por José Serra), faz análise dura sobre a estratégia de Dilma. ?Se analisarmos o que está acontecendo com o ajuste fiscal, sim, o PT mentiu na campanha. Não sei se na cabeça do João Santana passava a ideia de que o futuro ministro da Fazenda seria o Joaquim Levy e que teríamos o ajuste fiscal. Fica fácil culpar o marqueteiro agora?, diz.
Na campanha, Aécio falava sobre a necessidade de aplicar ?remédios amargos? na economia, mas em eventos fechados com empresários. ?Poderia parecer alarmismo ou irresponsabilidade dizer que o Brasil caminhava para uma situação tão crítica. De qualquer forma, essa informação não estava disponível para a oposição. Faz um mês que o Tribunal de Contas da União determinou que os números do ano passado não eram corretos?, diz Vasconcelos.
?Você erra por ação e omissão. Imagino que o pessoal do Aécio, da área econômica, pudesse imaginar que o cenário não estava bom. Mas, se você fala isso numa campanha, pode parecer impopular. Então, não fala nada?, diz Nelson Biondi, responsável pela campanha vitoriosa do governador Geraldo Alckmin (PSDB) em 2014.
Para Felipe Soutello, um dos estrategistas da campanha presidencial de José Serra em 2010, Dilma fez no ano passado a ?negação? do que era evidenciado nos laudos técnicos, mas Aécio não soube capitalizar isso. ?As campanhas levaram ao extremo, em 2014, a tentativa de dourar a pílula?.
Autor do livro ?De como Aécio & Marina ajudaram a eleger Dilma?, que assinou em parceria Fernanda Zucaro, o marqueteiro Chico Santa Rita compartilha do mesmo raciocínio. ?As outras campanhas foram incapazes de ver as inverdades da campanha da Dilma e atacar isso corretamente.? As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Estadão Conteúdo

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domingo, 25 de outubro de 2015



Brincando de impeachment

O Ministro Marco Aurélio de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal) está longe de ser um petista. Dia desses, chegou a fazer um apelo pela renúncia da presidente Dilma Rousseff e do vice-presidente Michel Temer.
Mas tem um profundo respeito pela profissão que abraçou. Sabe que a força do Judiciário está no seu legalismo, no estrito respeito às leis e procedimentos. E um colega que manipula procedimentos e interpretações conspurca o Judiciário e, por tabela, a imagem de todos os operadores de direito.
Daí sua indignação ao tomar conhecimento que seu colega e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Dias Toffoli havia declarado que iria consultar PT e PSDB para saber se haveria alguma resistência à indicação de Gilmar Mendes para a relatoria do processo que julga as contas de Dilma.
Para Mello, “a iniciativa de Toffoli é inimaginável”. Em entrevista ao programa Roda Viva, manifestou sua vontade de ligar para Gilmar Mendes, para saber se houve mesmo essa "extravagância" por parte do presidente do TSE. E recomendou a Toffoli que “desautorize” as informações publicadas.
Por lei, só se aceitam juízes indicados por sorteio.
***
Toffoli e Gilmar não são os únicos a brincar com a democracia brasileira. A leviandade com que está sendo tratado o tema do impeachment mereceu uma condenação  severa de André Ramos Tavares, professor da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. “A abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) sem a prova de crime de responsabilidade cometido no exercício do mandato vai significar a vitória do oportunismo de plantão, um flagelo à Democracia brasileira e um escárnio à Constituição”.
***
Nos últimos dias, alguns advogados paulistas passaram a defender a tese de que crises de governabilidade são suficientes para fundamentar pedidos de impeachment.
É o caminho mais fácil para transformar o Brasil em uma república das bananas. Basta uma crise econômica, um presidente que perca provisoriamente o controle da base política, para grupos de mídia montarem uma campanha de escândalos e qualquer Fiat Elba servir de álibi para o impeachment.
***
Admitir a tese do impeachment por perda de governabilidade, seria conferir aos grupos de mídia – e aos parlamentares carcará – o poder supremo sobre as instituições.
São esses brucutus do direito que, na Venezuela, acabaram legitimando a atuação de Hugo Chavez e sucessores. O poder excessivo de grupos de mídia levou à queda de um presidente liberal, Carlos Andres Perez, ao enfraquecimento de outro, social-democrata Rafael Caldera. Quando Chaves assumiu, uma mídia viciada e irresponsável ajudou a conferir legitimidade ao seu governo, ao pretender impor a mesma mão pesada que abateu seus antecessores e ter encontrado a reação..
O que pretendem esses oportunistas do direito? Provar que, no Brasil, só se consegue governabilidade com regimes ditatoriais?
***
Dilma cometeu todos os erros políticos e econômicos e é capaz que cometa mais alguns. Mas como responsabilizar um governo que há quase um ano enfrenta diuturnamente o terceiro turno?A questão do impeachment não é uma mera disputa entre oposição e governo. É a diferença entre uma democracia saudável e uma república bananeira.
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Coment




Janio de Freitas: Taradinhos do impeachment e remanescentes do governo FHC preservam Eduardo Cunha

publicado em 11 de outubro de 2015 às 18:20


Cunha, um dos Marinho e Aécio-001



Vozes da moralidade
Taradinhos do impeachment e remanescentes do governo FHC preservam o presidente da Câmara, Eduardo Cunha
Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo, sugerido por Antônio David
A situação pessoal embaraçosa, com o presumido risco de perder milhões de dólares resguardados no exterior para não os perder, deve ter mexido com a frieza de Eduardo Cunha. Mas Eduardo Cunha exagera, supondo-se “execrado”. Muito ao contrário. Eduardo Cunha não está sozinho, não foi abandonado por causa de acusações. E tanto conta com fraternidades espontâneas, como dispõe de armas para produzir interessados em não o incomodar. Ou só fazê-lo em último desespero de causa.
A verdadeira atitude do PSDB, até ontem (10), de benevolência quando as provas contra Eduardo Cunha já levam a pedidos de sua cassação, provém de duas vertentes. Os taradinhos do impeachment preservam o presidente da Câmara porque esperam dele que instale a ação para a derrubada de Dilma e não têm pudor de dizê-lo. Aécio Neves não foi sugerir a Eduardo Cunha que se licenciasse coisa nenhuma, se nem disfarçou o desejo de que seja poupado para encaminhar o processo. O “aquilo” em que esses taradinhos só pensam não é aquilo, é o impeachment.
A outra vertente de proteção peessedebista a Eduardo Cunha veio dos mais velhos que ainda influem no partido. São remanescentes do governo Fernando Henrique. Ou seja, do escândalo das privatizações causado por grampos telefônicos que levaram à saída forçada de ministros e de outros do governo, comprometidos com fraudulências surpreendidas pelas gravações.
Confrontado de repente com uma pergunta sobre a origem das fitas, o general Alberto Cardoso, da Casa Militar, disse que foram encontradas sob um viaduto em Brasília. A verdade era outra. A maior parte dos procedimentos para as privatizações transcorreu no Rio, sede das empresas e do BNDES, além das extensões de ministérios também envolvidos, como Indústria e Fazenda. Tudo se passava, portanto, nos domínios territoriais e operacionais de Eduardo Cunha, presidente da Telerj, a telefônica estatal do Rio, no governo Collor e até a posse de Itamar Franco.
Logo, nada de extraordinário que, pelas investigações ou por dedução, o circuito fechado do governo Fernando Henrique desse as gravações como obra de Eduardo Cunha, que em anos recentes já fora dado como responsável por grampos em série. No seu “diário” de presidente, Fernando Henrique refere-se a Eduardo Cunha deste modo, transcrito da revista “piauí” pela Folha: “O Eduardo Cunha foi presidente da Telerj, nós o tiramos de lá no tempo do Itamar porque ele tinha trapalhadas, ele veio da época do Collor”. Esse “nós” é invenção da vaidade. Fernando Henrique estava indo para Relações Exteriores e nada teve com a exoneração rápida de Eduardo Cunha, decidida e feita por Itamar. Sem sequer considerar trapalhadas, mas, como muitas outras demissões, por ser ligado a PC Farias.
Gravações clandestinas não começam no exato momento comprometedor da conversa. Quem as instalou pode fazer coleções de conversas, personagens e assuntos. E quem sabe que gravações podem trazer-lhe complicações, diretas ou indiretas, não ousa contra o possível colecionador. A não ser quando o veja batido, esvaído, inerte. Como muitos têm esperado ver Eduardo Cunha, para lembrar-se de que são grandes defensores da moralidade. Privada e pública.
Mas não só de grampeamentos se fazem coleções biográficas. Como ex-presidente da Telerj, Eduardo Cunha sabe –e ninguém duvide de que também comprove– que a estatal dava dinheiro a políticos. Quantias fixas. Mês a mês. Por nada.
E Eduardo Cunha não só investigou. Também pagou. Se vai cobrar, ainda não se sabe.
Leia também:
André Singer: Em 2014, quem seria era a Caixa e não a presidente. Qual o crime, então? 
Artur Scavone convoca Dilma à luta






Comentários ao texto de Janio de Freitas - No Blog Viomundo - acessado 24/10/2015: Matéria:

Janio de Freitas: A rigor, não se sabe o que será esse mandato. Sabe-se o que não será

publicado em 05 de outubro de 2015 às 01:46

COMENTÁRIOS:

Batista Neto Jose
Interessante nesse texto é que a abordagem do tema "toma lá dá cá", pelo Janio de Freitas, me lembra o tratamento dado no Brasil às mulheres vítimas de abuso sexual. Nesse caso, na política, suja e degradada deliberadamente pelo sistema criado para que seja assim, a vítima de achaque sistemático e continuado é considerada é acusada de responsabilidade pelo ataque que lhe infligem porque a mídia distorce tudo. E o Jânio, falando desse jeito, não nos ajuda a entender que o buraco é mais embaixo.

nac
11/10/2015 - 07:42
Façamos nós, também, uma mea culpa, nós elegemos esse Congresso fisiologista temos grande parcela de culpa de tudo que está a ocorrer, incluindo nossas vicissitudes.
Responder
Morvan
05/10/2015 - 14:10
Boa tarde.
Mestre Jânio faz, como lhe é corriqueiro, uma análise sóbria do “modus politicandi” do Brasil e da inércia em não aceitar e não coonestar estas práticas deletérias, as quais se perdem no tempo e se “renovam” a cada período de [relativa] normalidade institucional, idem. Por fim, o governante não é senão o condutor, o gestor da política da Elite. Ou implementa como eles o querem ou leva um sacode, com o pomposo nome de Impeachment; ou sem.
A reeleição, corpo estranho ao Direito Eleitoral brasileiro, vem ainda tornar a política mais ininteligível ao cidadão, pois aprofunda o personalismo em detrimento da legítima e saudável representatividade e da alternância, esta que, mudando as peças partidárias, mas mantendo a matiz ideológica, seria de grandes valia e aprendizado para a população. Infelizmente, tal instituto já se incorporou ao hábito e ao Direito, sendo a sua revogação sequer aventada pela esquerda.
Mas, reitere-se: Jânio é um grande articulista.
Saudações “Os reajudiciários dizem sempre, a cada esbulho legal, ser apenas ‘um ponto fora da curva’, mas o Direito, no Brasil, é o Ponto Fora da Curva“,
Morvan, Usuário GNU-Linux #433640. Seja Legal; seja Livre. Use GNU-Linux.
Responder
FrancoAtirador
05/10/2015 - 13:57
.
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Em episódio relatado em seu novo livro o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB)
.
conta que recusou um pedido do deputado Francisco Dornelles (PPB-RJ, hoje PP) para nomear
.
o Deputado Eduardo Cunha [então, também filiado ao PPB-RJ] para a diretoria comercial da Petrobras.
.
Segundo FHC, ele apontou “problemas com esse nome”,
relembrando o período em que Cunha foi presidente da Telerj.
.
“Nós os tiramos de lá no tempo de Itamar Franco porque ele tinha trapalhadas”.
.
Em outro trecho publicado pela piauí, Fernando Henrique relata com detalhes as negociações
para incluir o extinto PPB [antigo PDS, hoje PP] de Dornelles, Paulo Maluf (SP) e Esperidião Amin (SC)
no governo e, assim, viabilizar uma maioria no Congresso que garantisse
a aprovação das reformas cobradas pela sociedade [SIC! Leia-se: FMI].
.
“Parece que o PPB não aceita o Ministério da Reforma Agrária sem o Incra.
.
Luiz Carlos (Santos, PMDB, líder do governo na Câmara)
.
sugeriu que ampliássemos a oferta
.
e incluíssemos o Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo (MICT).
.
Isso para mim é dolorido, por causa da Dorothea (Werneck, titular da pasta),
que é uma ministra de quem eu gosto, e ela tinha que ser avisada dessa manobra”,
registra o ex-presidente em 25 de abril de 1996.
.
O relato continua no mesmo dia.
.
“O (Pedro) Malan (ministro da Fazenda) veio com aquela
de que não quer saber do Dornelles (no MICT),
eu expliquei as circunstâncias e tal,
e ele disse que a Dorothea estava magoada.
Claro, eu sei que ela está magoada (…)
Fui à casa da Dorothea. Eu tinha que ir (…)
Dorothea é uma pessoa admirável
e fui ficando com raiva de mim mesmo.
.
Porque na verdade eu fiz a escolha de Sofia,
não tinha jeito, eu sei que não tem jeito,
porque ou tem o PPB [de José Janene],
ou não passam as reformas,
mas justamente em cima da Dorothea
é uma coisa muito pesada para ela e para mim (…)
.
Enfim, começo a sentir o travo amargo do poder,
no seu aspecto mais podre de toma lá, dá cá,
porque é isto: se eu não der algum ministério,
o PPB [de Eduardo Cunha] não vota;
.
se eu não puser o Luiz Carlos Santos, o PMDB não cimenta,
.
e muitas vezes – o que Dorothea diz tem razão –
.
fazemos tudo isso e eles não entregam o que prometeram”.
.
(http://jornalggn.com.br/noticia/em-livro-fhc-diz-que-se-recusou-a-nomear-cunha-para-petrobras)
.
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Cunha#Filia.C3.A7.C3.A3o_ao_PPB_e_aproxima.C3.A7.C3.A3o_com_Francisco_Silva)
((https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Progressista_(Brasil)#Partido_Progressista_Brasileiro_.28PPB.29))
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Cunha#Amizade_com_Garotinho_e_presid.C3.AAncia_da_Cehab)
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Cunha#Deputado_estadual_.282001-2002.29)
(https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Cunha#Deputado_federal_.282003-presente.29)
.
.
Responder
Urbano
05/10/2015 - 13:20
Fazer tentem não é andar….
Responder
Zilda
05/10/2015 - 12:16
Por mais boa vontade que tenhamos com Dilma não dá para não saber que ela é responsável por boa parte do que estamos vendo agora. Negou-se a governar, a fazer política como se fosse possível. Escondeu-se, não deu nenhuma satisfação à população por ter dado esse cavalo de pau no programa de governo. Quantas vezes era necessária a Rede nacional para explicar o que estava acontecendo, pedir o apoio da população. Nada disso foi feito. Pior: aceitou todo tipo de achincalhe, de desrespeito como se fizesse parte do processo democrático. E não faz. Só nessa republiqueta de bananas a autoridade máxima é desrespeitada como tem sido e não há consequências. O pior: está sobrando para o PT, para Lula, para o projeto que estava em andamento.
Responder
Julio Silveira
05/10/2015 - 11:43
A questão das justificativas sobre as opções que este governo vem fazendo não me convencem. Todos sabemos que o PMDB é um saco de gatos, e em muitos casos de gatunos, convivendo em harmonia para proveito geral. Mas mesma lá tem alguns que querem por suas ambições, mantem um discurso mais afinado com aquilo que busca-se para evoluir o Brasil.
Deveria convir ao governo a companhia desses, até para que pudessem ser desmascarados ante a opinião publica se fosse apenas blefes oportunistas, como provam que são na maioria do casos, inclusive no partido da governante.
Mas ainda assim por desmascará-los a utilidade cultural já seria enorme.
Mas não, o governo prefere não correr o risco de apresentar alguém com possibilidade de vir a ser o que promete, e acabar criando uma concorrência real. Por isso tem preferido os parceiros mais abjetos de dentro do PMDB, que são os mais passiveis de serem comprados. Aliás, para sermos completamente sinceros, essa tem sido uma estratégia de todos os governos, que só prejudicam a cultura politica e o próprio país, por que tem criado e dado poder a gente da pior espécie, na politica desestimulando o surgimento de boas opções para o Brasil. A luta pelo poder tem favorecido os mais inescrupulosos ao invés dos mais virtuosos.
Responder
Sidnei Brito
05/10/2015 - 10:45
José Serra certa feita disse algo mais ou menos assim: “no Congresso você tem todo tipo de congressista; só tem um tipo de congressista que eu não vi lá: o congressista que não foi eleito”.
Eu acrescentaria, todos os congressistas foram eleitos dentro da regra do jogo, que é a do voto proporcional.
Não é de hoje que vemos excrescências. O cara é eleito presidente – ou governador, prefeito – e o mesmo eleitor lhe oferece um parlamento hostil.
Ou durante a campanha se fazem acordos de todo tipo, para ter tempo de propaganda, e terminada a eleição, aqueles acordos se esvaem – ou se mostram frágeis – antes mesmo de iniciado o governo.
Aí quando vem a “realpolitik” velha de guerra, a gente finge estar abismado com as esquisitices que rolam.
E alguém aí se lembra que no começo de seu primeiro mandato, Lula quis esnobar o PMDB? Parece que não deu – e não daria – muito certo, não?
Responder
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Janio de Freitas: A rigor, não se sabe o que será esse mandato. Sabe-se o que não será

publicado em 05 de outubro de 2015 às 01:46 - Viomundo


Quanto pior
O que existe no Brasil sob o nome de política é outra coisa. Mas o governante é forçado a aceitar o jogo
por Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo
Decorridos nove meses do ato de sua criação –qualquer semelhança com outro período assim é mera coincidência–, dizem na Presidência que começa o segundo mandato de Dilma Rousseff. Embora não seja a Dilma Rousseff eleita para um segundo mandato. Nem o mandato, no melhor sentido de incumbência e representação, seja o entregue a Dilma Rousseff pela maioria dos eleitores.
A rigor, não se sabe o que será esse mandato. Sabe-se o que não será. Os retalhos que vêm formar um pretenso ministério não têm o mínimo de ideia e de substância. Condicionados, além do mais, ao único objetivo verdadeiro do governo: empobrecer-se e empobrecer a atividade econômica da qual depende a grande maioria da população.
Que conceitos regeram a (de)formação desse governo hipotético? Dilma Rousseff explicou: “O governo de coalizão, como é o caso do meu [sic] e de todos os governos depois da democratização, precisam de apoio no Congresso. Nós vivemos em uma democracia e temos que dialogar com o Congresso eleito pelo povo, em favor da população”.
Sem dúvida. Mas não há como ver no recém-chegado Celso Pansera mais do que um representante de Eduardo Cunha e do clã Picciani, e, ainda bem, não do Congresso. Todos os novos ministros representam apenas os grupos do mercantilismo toma-lá/dá-cá, que enoja o país. E por tal condição é que foram adotados, para aplacar as voracidades ainda não atendidas. Foi aceito como bom para o ministério, portanto, o que devia ser recusado a priori.
O oposto, a negação a associar-se aos grupos da política degenerada, é visto como alternativa irreal. Mas o repudiado pelo país quase todo não é a irrealidade, é a realidade. Contra essa opressão da realidade maldita é que vale a pena batalhar. E é preciso batalhar. Se é para sujeitar-se à realidade por ser realidade, por que, por exemplo, combater a corrupção espraiada pelo país todo, tão fácil e tão rentável? Adotemos o lucrativo tráfico de drogas que é uma realidade de todas as classes.
O que existe no Brasil sob o nome de política é outra coisa. Mas o governante, por melhores que sejam seus propósitos, é forçado a aceitar o jogo, ou não governará. Substituída a política pela grande teia de interesses, ao governante não restam meios operacionais fora dessa cadeia –é a convicção estabelecida.
Mas o que falta aos governantes é, sobretudo, determinação para exigir outras relações com políticos e partidos. Importa-lhes preservar suas perspectivas e as conveniências partidárias, os apoios e os arranjos grupais. A obviedade, porém, é outra: no país em que mesmo um guri oportunista e ignorante convoca massas e é atendido, só por fazê-lo para protestos contra os métodos e consequências da falsa política e do desgoverno, são desnecessárias outras evidências do poder oferecido pela saturação da tolerância pública. Tão disponível, da mesma ou de outras formas, para o guri quanto para o governante que repudiasse “a realidade”.
A solução aceita por Dilma como ruptura do cerco peemedebista faz o seu reencontro com Lula. Dele partiu não só o apoio para os maus enlaces já encaminhados. Mais do que isso, Lula incentivou-a a sujeições ainda mais extremadas. Como a incorporação ao ministério de um representante de Eduardo Cunha. E o atendimento ao velho desejo do PMDB de tirar Aloizio Mercadante da Casa Civil, o que os peemedebistas nem cobravam mais.
Aliás, Dilma já desejava ter Jaques Wagner nas proximidades há muito tempo, pensou até em dar-lhe uma sala na Presidência como ministro da Defesa. Não colou. Agora Jaques Wagner é o novo ministro da Casa Civil, que tem muito trabalho. Mas quem vai trabalhar?
O que importa é estar tudo pronto, enfim: quanto pior, pior.
Leia também:
Leitora de 15 anos do Viomundo detona Eduardo Cunha 



Sindipetro e o neocolonialismo: Desvalorizar Petrobrás é estratégia de longo prazo para fazer do Brasil grande exportador de óleo cru

publicado em 07 de agosto de 2015 às 21:01

do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista, integrante da Federação Nacional dos Petroleiros
Com base nos dados da Petrobrás e do mercado, analisamos que especuladores internacionais fabricam o “prejuízo” da Petrobrás para privatizá-la. Uma simples comparação entre o valor de mercado (que é especulativo) e o valor patrimonial da empresa comprova que a desvalorização da Petrobrás é parte de uma campanha internacional para quebrar a empresa com intuito de privatizá-la.
O valor de “mercado” caiu de R$ 380 bilhões em 2010 para R$ 128 bilhões em 2014, uma queda de 200%. Já o valor patrimonial manteve-se o mesmo entre 2010 e 2014.
Para criar o ambiente necessário para realizar leilões, vender ações e ativos da empresa, vender a BR Distribuidora e a Transpetro, assim como ações da Braskem (petroquímica onde a Petrobrás é sócia) era necessário “fabricar” um prejuízo para a Petrobrás que, a cada ano, tem tido um lucro líquido de cerca de R$ 25 bilhões.
O governo Dilma, através de Aldemir Bendini, presidente da Petrobrás, desvaloriza a Petrobrás para desmontá-la e, em seguida, privatizá-la. Repete a fórmula usada por FHC para privatizar as estatais na década de 1990, como fez com a Vale do Rio Doce.
A manobra que gerou o prejuízo de R$ 21,5 bilhões em 2014
Para chegar a este valor, fez-se uma coisa inédita: foi lançada no balanço da empresa uma perda de R$ 6,2 bilhões referente à propina de 3% em todos os contratos das 27 empresas do cartel identificados na Operação LavaJato, entre 2004 e 2012. E o pior: isso foi feito por exigência da PricewaterhouseCoopers — empresa norte-americana que até agora não tinha visto nada da corrupção generalizada na Petrobrás.
Um balanço contábil deveria ser objetivo sobre quanto se vendeu, arrecadou, lucrou e perdeu. Ou seja, utilizar um critério subjetivo com percentual aleatório, sem identificar quem pegou o dinheiro, quem pagou e em que contrato específico, revela uma manobra contábil para “fabricar” um prejuízo inexistente. Lançou-se valores distribuídos entre os setores da empresa como “gastos adicionais capitalizados indevidamente” devido à corrupção, sem a comprovação do valor exato, lançando o percentual de 3% em todos os contratos.
Legitimado por esta falsa estatística, o governo se apressou em atacar os trabalhadores e jogar todo o peso da crise sobre as costas dos mais fracos, com corte drástico de investimentos e demissão em massa, ao invés de enfrentar os bancos internacionais e as multinacionais: por estes dados oficiais, a empresa perdeu 8.298 trabalhadores diretos no PIDV e 69 mil terceirizados, isto é, demissão em massa de 77 mil trabalhadores, em apenas um ano.
Em meados de 2015 já temos 85 mil demissões e deve ultrapassar em mais de 100 mil demissões entre trabalhadores diretos e terceirizados.
A real situação
No que se refere a reservas de petróleo e gás, o pré- sal brasileiro tem um potencial de reserva da ordem de 300 bilhões de barris, dos quais 60 bilhões já foram descobertos pela Petrobrás. Esta riqueza do pré-sal está estimada em torno de 6 trilhões de dólares.
Com estas reservas, já temos autossuficiência para mais de 50 anos e o Brasil será um dos 10 maiores produtores de petróleo do mundo. Como uma empresa com tais reservas trilionárias pode ser um “mico”, como está se apresentando na grande imprensa?
Para se ter uma ideia, hoje extraímos 20 mil barris por dia/poço, enquanto extraíamos 1.200 barris por dia/poço entre 1974 e 1995. O mesmo pode-se afirmar pela alta rentabilidade da Petrobrás quando analisamos o custo de extração do petróleo e o valor de venda do barril.
No resultado do primeiro trimestre de 2015, o custo médio de extração do barril de petróleo pela Petrobrás ficou em 13,27 doláres. O pagamento de royalties e impostos por barril chegou a 20,05 dólares. Assim, chegamos a um custo de 33,27 dólares. O preço do barril no mercado internacional está na sua maior baixa. No primeiro trimestre de 2015 estava cotado em 53,97 dólares.
Ora, se na pior baixa do preço do petróleo a Petrobrás consegue lucrar 20,65 dólares por barril, produziu 2 milhões e 100 mil barris por dia, chega-se a um lucro de 15,8 bilhões por ano. Isso na pior cotação do petróleo dos últimos 10 anos!
Toda a produção realizada pelos operários da Petrobrás, sem contar as operações financeiras e administrativas, gera um lucro bruto em média de R$ 80 bilhões. Também gera um lucro operacional antes dos impostos e operações financeiras (EBITDA, dinheiro gerado para o caixa da empresa por ano) de, aproximadamente, R$ 70 bilhões.
Isto significa que as operações de produção da empresa são muito rentáveis e que as supostas perdas e prejuízos de 2014 são fictícios — resultado de uma ilusão contábil. Tanto é assim que, no primeiro trimestre de 2015, a Petrobrás já apresentou um lucro líquido de R$ 5 bilhões, com expectativa de lucrar cerca de R$ 20 bilhões em 2015. Como pode dar prejuízo uma empresa que aumenta sua produção de petróleo e derivados ano após ano? Que aumenta suas vendas de combustíveis?
Petrobras x multinacionais
Para quem ainda não está convencido, apresentamos uma breve comparação entre a Petrobrás e as multinacionais do primeiro mundo. A companhia brasileira é a única entre as 5 maiores do setor que está aumentando sua produção de petróleo. Todas as outras estão em queda. São elas: Exxonmobil (EUA), British Petroleum (britânica), Shell (anglo-holandesa) e Chevron (EUA).
Para quem e para quê serve a desvalorização?
O que está em curso é uma verdadeira campanha de desvalorização da Petrobrás patrocinada pelos bancos internacionais, com apoio dos bancos nacionais e países imperialistas que estão arrematando a Petrobrás e a riqueza do nosso subsolo por uma mixaria.
PSDB é o parceiro histórico desse golpe e o PT, por sua vez, capitula ao imperialismo.
Com isso, pretendem atingir os seguintes objetivos:
1. Aumentar o preço dos combustíveis para elevar o lucro da Petrobrás, pois 53% vão para grandes bancos internacionais.
2. Derrubar norma que obriga fabricação nacional da maior parte dos componentes para extração do óleo do Pré-sal. Com isso, fortalecem a indústria dos países estrangeiros e quebram a indústria nacional. Não por acaso, alardeia-se o suposto atraso da indústria brasileira.
3. Defendem a redução dos investimentos em todos os setores que atua a empresa, sob o pretexto de priorizar o Pré-sal. É esse argumento que “justifica” o desmonte da Petrobrás com a venda de refinarias, bens petroquímicos, logística, etc. Essa venda de ativos (desinvestimento) tem como objetivo arrecadar dólares para pagar a dívida da Petrobrás com os grandes bancos internacionais.
4. Defendem priorizar totalmente a extração de óleo do Pré-sal na forma de óleo cru para exportação, o que beneficia os Estados Unidos e países da Europa — praticamente sem reservas de petróleo convencional. Por isso, a correria para explorar o Pré-sal.
5. Privatizar a BR Distribuidora, líder do mercado de vendas de combustíveis, com 7.931 postos, distribuídos em todo o país, vendendo por ano R$ 100 bilhões e possui quase 40% do mercado de combustíveis do Brasil.
6. Privatizar a Transpetro, que opera 54 navios, 7 mil quilômetros de oleodutos e 7 mil quilômetros de gasodutos.
7. Querem que a Petrobrás venda ações na Bolsa de Valores para arrecadar dinheiro e fazer caixa. Ou seja, derrubam o valor de suas ações através de uma campanha de mentiras para que os bancos internacionais possam comprar as ações a preço de banana.
O que Lula e Dilma fizeram?
Como afirmamos, o PSDB sempre foi e continua sendo o parceiro histórico das multinacionais para privatizar a Petrobrás. Porém, devemos nos perguntar: o que fizeram Lula e Dilma até agora para reverter esse processo?
Na realidade, junto com a elite nacional (vide o agora falido Eike Batista) os governos do PT acabaram se rendendo perante as chantagens do mercado. O governo petista segue o mesmo receituário neoliberal do governo tucano, mudando apenas a forma de entregar nossas riquezas ao estrangeiro.
Prova disso é o anúncio do 13º leilão de áreas de petróleo e gás para outubro de 2015, com o qual pretende arrecadar cerca de R$ 2 bilhões. Para piorar, está previsto para 2016 o leilão de áreas do Pré-sal.
A parceria com os banqueiros internacionais, que são donos de quase metade da Petrobrás hoje, se expressa nas palavras do presidente da empresa, Aldemir Bendini. “Como já pude mencionar em algumas ocasiões, nosso objetivo é desenvolver uma companhia rentável, com excelência em governança e que seja capaz de utilizar de maneira eficiente sua base de ativos para gerar o máximo de valor aos seus acionistas e investidores”.
Este mesmo senhor foi indicado por Dilma para realizar o maior projeto de desmonte e de privatização da Petrobrás, que tem o nome de “reestruturação” e “desinvestimento”. É o maior ataque à Petrobrás, desde o fim do monopólio estatal.
A Petrobrás está sendo desmontada e privatizada aos pedaços. Terceirização, venda de ativos e desnacionalização fazem parte de um longo processo de privatização da empresa, iniciado no governo de FHC e seguido nos governos de Lula e Dilma.
Como resultado de 12 anos de leilões, entre 1997 e 2009, o governo FHC concedeu 484 blocos nos cinco leilões, enquanto Lula concedeu 706 blocos, reduzindo a parte da Petrobrás e aumentando a fatia das empresas privadas.
Com a descoberta do Pré-sal no governo Dilma, retomaram-se os leilões e em 2013 vendeu-se o campo de Libra. As multinacionais ficaram com 60% ao preço de 1% do valor das reservas.
O presidente da Total, Denis Palluat de Besset, classificou a vitória do consórcio no leilão de Libra de “sucesso formidável”.
“Para nós o Brasil é importante e estratégico. Estamos aqui para ficar 100 anos pelo menos“, disse. A felicidade não é à toa. O volume recuperável de petróleo no Campo de Libra é de 8 a 12 bilhões de barris. Supondo-se que Libra produza 10 bilhões de barris a um valor da produção de 75 dólares por barril, essa área pode gerar uma receita bruta de 750 bilhões de dólares.
Admitindo-se um custo de produção de 100 bilhões de dólares e royalties de 115 bilhões de dólares, tem-se um excedente em óleo de aproximadamente 500 bilhões para ser dividido entre a União e os contratados sob o regime de partilha de produção (Petrobrás, Shell, Total, CNPC e CNOOC). Assim, as multinacionais, que são donas de 60% de Libra, vão faturar 300 bilhões de dólares, sendo que pagaram apenas 3 bilhões de dólares. Ou seja, gastaram 1% do valor que vão receber. Um negócio da China!
A terceirização
A terceirização dos serviços na Petrobrás se iniciou nas áreas de segurança e alimentação para tomar conta de todos os setores, incluindo atividades-fim, atualmente. No governo FHC, os terceirizados subiram para 120 mil funcionários.
Nos dois mandatos de Lula subiram para 300 mil, chegando a 360 mil terceirizados de um total de 440 mil funcionários (82% da mão-de-obra da empresa). Em dezembro de 2014 tínhamos 78% da mão de obra terceirizada, trabalhando em condições precárias, ganhando 20% do que ganha o funcionário direto, muitas vezes sem direitos trabalhistas, amargando os maiores índices de mortes por acidente de trabalho.
Não raras vezes, as terceirizadas fecham as portas sem pagar os funcionários e reabrem com outro CNPJ. Os gestores da Petrobrás e o governo fecham os olhos para estas irregularidades.
A terceirização também desmistifica a visão que a corrupção só existe nas empresas estatais. A operação Lava-Jato demonstrou que os corruptores são as grandes empresas nacionais e multinacionais e a terceirização é porta de entrada da corrupção nos serviços públicos.
Os companheiros terceirizados, que são superexplorados e têm maior exposição aos riscos, estão pagando, com a perda de mais de 100 mil postos de trabalho, pela crise e roubalheira realizada pelo governo do PT e pelos grandes empresários.
A desnacionalização
A venda de ações é outra forma de privatização: vai perdendo peso estatal e vai dominando o setor privado, principalmente multinacional. Antes de 1997, o governo detinha 87% do total do capital da empresa. Em 2015, o governo já é minoritário.
Chegamos a uma situação em que 53% do capital total da Petrobrás é de propriedade privada, com os grandes bancos estrangeiros concentrando a maioria das ações: Bank of New York Mellon, BNP, Gap, CreditSuisse, Citibank, HSBC, J.P. Morgan, Santander, BlackRock, entre outros.
Estes bancos, donos das multinacionais do petróleo, são controlados pelas duas famílias mais ricas do Mundo: a família Rockfeller, dos EUA, e a família Rothschild, da Inglaterra e da França.
Os quatro maiores bancos dos EUA (Bank of America, JP Morgan, Citibank e Wells Fargo, juntamente com o Deutsche Bank ,BNP, Barclays) são donos das quatro grandes petroleiras: ExxonMobil, Royal Dutch Shell, BP e Chevron. Esses grandes bancos e petroleiras são controlados pelas famílias Rockfeller e Rothschild.
Através destes grandes acionistas estrangeiros da Petrobrás, estas duas famílias controlam boa parte do petróleo brasileiro e da Petrobrás. Trocando em miúdos, a Petrobrás está semiprivatizada e semidesnacionalizada. O governo tem o controle da Petrobrás, porém ao vender ações na Bolsa de Nova York, subordinou a Petrobrás ao imperialismo.
Hoje, a maior parte dos lucros da Petrobrás já é distribuída na Bolsa de Nova York. Entre 2004 e 2013, em dez anos, a empresa entregou 41 bilhões de dólares aos donos de ações preferenciais, que são na maioria estrangeiros. Apesar de ter lucros bilionários, estes acionistas estão colocando a Petrobrás no banco dos réus.
Fundos de investimento de oito países abriram processos contra a empresa em um tribunal de Nova York. Fato que revela a perda de soberania do Brasil e da Petrobrás, que será julgada noutro país, sem levar em conta as leis brasileiras nem tampouco o caráter público da companhia. Como se isso não bastasse, Bendine informou que a Petrobrás vai abrir o capital de negócios, isto é, pretende vender ações da empresa. Se efetivar este crime, será mais um passo na privatização e desnacionalização da empresa, pois quem pode adquirir grandes lotes de suas ações são bancos internacionais.
A venda de ativos
A direção da empresa já se desfez de ativos no valor de R$ 8,3 bilhões (2013) e R$ 9,3 bilhões (2014). Pretende também se desfazer de partes da empresa no valor de 13 bilhões de dólares, entre 2015 e 2016. A Petrobrás já vendeu o bloco BC-10, na Bacia de Campos, para a Shell, e o campo de Pitu, no Rio Grande do Norte, recém-descoberto, para a British Petroleum.
Isto é privatização sem leilão nem licitação. A empresa pretende vender cerca de 50% de seu valor patrimonial em apenas quatro anos (de 2015 a 2019); quer desmantelar a frota de petroleiros, vender a BR Distribuidora, se desfazer dos ativos de gás, vender a participação na Braskem no valor de R$ 3,6 bilhões; pretende também se desfazer de campos de petróleo terrestres, marítimos, de refinarias.
O maior projeto de privatização da Petrobrás tem o nome de “Plano de Negócios e Gestão PNG) 2015/2019”, cujo objetivo é desmontar a Petrobrás para privatizá-la.
O endividamento
Desde 2012, a Petrobrás entrou numa zona de superendividamento. Ela tem dívida superior a cinco vezes a geração de caixa. Deve cerca de R$ 320 bilhões. O alto endividamento está comendo os lucros e travando os investimentos. A notícia pior ainda não foi dada: cerca da metade desta dívida está vinculada a taxas de juros flutuantes.
Se valorizar o dólar, por exemplo, ou houver uma alta de juros nos EUA (coisa que está programada para 2015), pode elevar esta dívida para níveis estratosféricos, e pode quebrar a Petrobrás. Isto significa que numa forte recessão mundial e no Brasil, pode quebrar a empresa.
O endividamento é uma forma de privatização, pois hipotecou sua produção futura de cinco anos com os grandes bancos internacionais. Obriga também a Petrobrás a retirar o petróleo do Pré-sal em velocidade superior às necessidades de consumo do Brasil, apenas para exportar óleo cru e receber dólares para pagar a dívida, gerando um círculo vicioso infernal.
Ou seja, temos que exportar todo o Pré-sal rapidamente, para recolher dólares e pagar a dívida com bancos internacionais, que determinam os juros de acordo com notas de empresas de rating, que não passam de especuladores internacionais. Em cada 10% de desvalorização do Real, a Petrobrás perde parte considerável do seu lucro. Uma grande desvalorização do Real, provocado pela alta do dólar, pode quebrar a Petrobrás do dia para a noite, em operações especulativas.
A estratégia neoliberal para o Brasil: grande exportador de óleo cru
A estratégia de secundarizar o refino veio com FHC em 1999 e permaneceu até 2004. Por isso, o governo neoliberal priorizou a importação de refinados, como forma de quebrar a indústria nacional.
Ficamos 35 anos sem construir nenhuma refinaria. Durante o governo Lula se projetou a construção de quatro refinarias: Comperj no Rio de Janeiro, Abreu e Lima em Pernambuco, e outras duas refinarias, uma no Maranhão e outra no Ceará.
Porém, a direção da empresa, se aproveitando da “crise” que se instalou com a operação LavaJato, se apressou em suspender a construção de todas as refinarias. Bendini, em entrevista no Valor Econômico de 2 de fevereiro de 2015, afirmou: “A grande geração de valor para a Petrobrás é o aumento de sua produção. O aumento da exploração é o coração da empresa, é o que dá resultado…”
Por isso, o Relatório da Administração de 2014 informa a suspensão de todos os investimentos em refinarias: “Recentes circunstâncias levaram nossa Administração a revisar nosso planejamento e implementar ações para preservar o caixa e reduzir o volume de investimentos. Por meio desse processo, optamos por postergar os seguintes projetos: Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e segundo trem de refino da Refinaria Abreu e Lima (Rnest). Refinarias Premium: em janeiro de 2015, decidimos encerrar os projetos de investimento para a construção das refinarias Premium I e Premium II.”
Não tem sentido reduzir investimentos em refinarias, onde somos deficitários, gastando cerca de 15 bilhões de dólares em importação de combustíveis todo ano, e desinvestir em refinarias para girar tudo para a produção e extração de óleo do Pré-sal, para exportar barato e importar caro.
Nos dias de hoje, fica claro qual o plano neoliberal para a Petrobrás: grande exportadora de óleo cru e importadora de refinados.
Uma orientação neocolonial, pois retorna o Brasil à condição que tinha até 1940: exportador de produtos primários e importador de manufaturados. Todos os planos de investimentos da Petrobrás alocam cerca de 80% dos investimentos em extração e produção de óleo, em detrimento do abastecimento, que recebe apenas 10% dos investimentos.
Assim, a partir de 2009, começamos a amargar um déficit bilionário com importação de combustíveis, tornando fundamental a construção de novas refinarias no Brasil, principalmente para a produção de óleo diesel, nafta e gasolina. Exportamos óleo cru barato e importamos derivados 35% mais caros. Isto representou uma perda de cerca de 15 bilhões de dólares, preço de uma refinaria por ano que estamos perdendo.
Ataque à Petrobras é parte da recolonização do Brasil
E o país se converteu no “celeiro do mundo”, em grande produtor de matérias primas e alimentos, enquanto a indústria nacional agoniza. O ano de 2009, como momento do giro do Brasil em direção ao passado colonial: construímos um parque industrial forte entre 1955 e 1985. Daí em diante, a indústria brasileira está definhando.
Desde 1990, com a subida do Collor e a aplicação da orientação neoliberal, favoreceu as multinacionais em detrimento da indústria nacional. Alocou-se recursos na área de alimentos, matérias-primas e energia para converter o Brasil (junto com a América do Sul) em “celeiro do mundo”.
Somos grandes exportadores de minério de ferro e estamos importando trilhos de trem a preços sete vezes mais caros que o minério exportado. Somos os maiores exportadores de carne bovina do mundo e não podemos comer carne de gado, estamos exportando celulose e importando bíblias em português da China. Chegamos ao cúmulo de importar feijão preto!
É a volta da antiga economia colonial agroexportadora, de energia e matérias-primas. Será que todo o atraso colonial, provocado pelos países que impuseram seu domínio ao Brasil, não foi suficiente para aprendermos a lição? Pau-Brasil, cana-de-açúcar, ouro, café, escravidão…
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