Brasília.
No Palácio do Planalto, a avaliação sobre a operação Catilinárias, que
vasculhou a casa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é de que
aumenta a instabilidade do governo. Além de Cunha, também foram alvos de
mandados de busca e apreensão dois ministros da presidente Dilma
Rousseff: Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Henrique Eduardo Alves
(Turismo), que terão de se explicar.
Uma pessoa próxima a Dilma afirma que a
operação é ruim para o governo porque “atinge no coração” o partido que é
o principal aliado do governo e com o qual a presidente trava uma
disputa. “Essa operação atinge o PMDB no coração, aumentando a
instabilidade do governo. Eleva o grau de tensão”, diz a fonte.
A presidente partiu logo cedo para Congonhas
(MG), onde inaugurou o Museu de Arte Barroca. No evento, Dilma não
comentou sobre a operação, nem sobre outros fatos políticos. Falou
apenas sobre o museu e sobre a tragédia na cidade de Mariana.
Na avaliação do comando do PT, a operação
pode unificar os peemedebistas em torno do presidente da Câmara, Eduardo
Cunha (PMDB-RJ). Os petistas temem que, alvos da operação, os
peemedebistas venham a concluir que o impeachment, com a chegada de
Michel Temer ao poder, seja a única maneira de proteger o PMDB.
A orientação dentro do governo é de cautela.
Por isto, nota divulgada pelo Planalto afirma ainda que “todos os
investigados têm o direito de apresentar suas defesas, dentro do
processo do contraditório”. Finaliza dizendo que o governo espera que
“este processo fortaleça as instituições brasileiras”.
Ministros admitem que a Lava Jato se tornou
fato “imponderável” para o governo e que a presidente Dilma e sua equipe
têm dificuldade para se blindar dos efeitos das investigações.
A avaliação é a de que, além de lidar com a
crise política e econômica, o Planalto vai enfrentar agora o acirramento
da disputa com o PMDB e será ainda mais fustigado por Cunha.
Além disso, o clima político piorou, sem que
o governo tenha conseguido aprovar projetos importantes no Congresso,
como a Lei de Diretrizes Orçamentárias, a meta fiscal e medidas de
ajuste ainda pendentes.
Ricardo Berzoini pede empenho para base votar as propostas
Brasília. Na reunião com vários líderes e vice-líderes de
partidos da base aliada, no Palácio do Planalto, o ministro da
Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, reconheceu que a nova operação
da Polícia Federal “atrapalha” os planos do governo de votar medidas no
Congresso.
Mas, mesmo assim, segundo parlamentares presentes ao encontro, Berzoini
pediu “empenho” de todos para a votação de propostas consideradas
fundamentais para o Planalto, como a Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO) e o Plano Plurianual (PPA). Se essas propostas não forem votadas, o
governo não pode fazer qualquer gasto no início do ano que vem.
Os parlamentares, neste momento, estão divididos em relação à intenção
do governo em suspender o recesso parlamentar, que, teoricamente, começa
na semana que vem.
Ministro vê esgotamento de Cunha
Brasília. O ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel
Rossetto (PT-RS), afirmou nesta terça que as buscas da Polícia Federal
nas casas do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) reforçam a percepção de
“esgotamento” dele à frente da Câmara dos Deputados.
“O Congresso Nacional, o Poder Judiciário e o Ministério Público têm
que estar muito atentos a esses fatos e muito atentos à percepção da
sociedade em relação ao esgotamento da representação do presidente da
Câmara”, afirmou Rossetto, após participar de uma cerimônia com as
centrais sindicais na sede do ministério, em Brasília.
Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo” no último sábado,
Rossetto classificou como “golpismo” a admissibilidade do processo de
impeachment.
Ação atinge ‘coração’ do PMDB
Entre alvos da operação estão dois ministros que vêm dando suporte contra o impeachment
PUBLICADO EM 16/12/15 - 04h00
Brasília.
A mais recente fase da operação Lava Jato atingiu em cheio as
principais lideranças nacionais do PMDB, partido que está prestes a
romper com a presidente Dilma Rousseff. Entre os 17 alvos da ação de
busca e apreensão desta terça em sete Estados e no o Distrito Federal
(veja a lista completa na página 6), nove são políticos do partido,
incluindo deputados federais, com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha,
colocado no centro da ação, além de ministros, senadores, um prefeito e
de um ex-governador da sigla.
A ação da Polícia Federal (PF) em conjunto
com o Ministério Público Federal (MPF) gerou enorme tensão entre a
cúpula do partido, que se reuniu em vários encontros tão logo começaram a
surgir as primeiras informações sobre os alvos. Batizada de
Catilinárias, a operação acabou ganhando o apelido de “operação PMDB”.
Dois atuais ministros de Dilma que vinham
dando suporte a ela contra o impeachment estão entre os alvos: Celso
Pansera (Ciência e Tecnologia) e Henrique Eduardo Alves (Turismo).
Indicado para o cargo por Leonardo Picciani (PMDB-RJ), forte aliado ao
governo e agora alvo da reação de colegas de partido, Pansera foi ligado
no passado recente a Eduardo Cunha. Em depoimento à Polícia Federal
(PF), o doleiro Alberto Youssef chegou a chamar Pansera de “pau mandado”
de Cunha. Após se tornar ministro, Pansera passou a defender Dilma.
Ex-presidente da Câmara dos Deputados,
Henrique Alves foi indicado ministro pela bancada do partido e com o
apoio do vice Michel Temer. Nesta terça ele chegou a ter uma audiência
com Temer em Brasília. Publicamente, Alves defende a presidente, mas nos
bastidores disse que “fica no cargo até quando Temer quiser”. O vice
tem unido forças no PMDB a favor do impeachment.
Até então principal aliado de Dilma, o
presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi atingido
indiretamente. Houve busca e apreensão na sede do diretório do PMDB de
Alagoas, que é comandado pelo senador. Em 2014, a sigla elegeu como
governador no Estado Renan Filho.
O ex-presidente da Transpetro, Sérgio
Machado, indicado por Renan Calheiros, também foi alvo da operação.
Outros nomes ligados ao senador são do deputado Aníbal Gomes (CE), que
também sofreu busca em sua casa, e do ex-ministro Edison Lobão (MA) que
integra o grupo pró-Dilma no PMDB ao lado de Renan.
Ex-ministro fala
Sem prisões. Ex-ministro da Aviação Civil e um dos auxiliares
mais próximos do vice-presidente Michel Temer, Eliseu Padilha (PMDB)
minimizou nesta terça o impacto em seu partido da operação Catilinárias.
“Tem muita gente presa já, e não tem ninguém preso do PMDB. É um
processo que está em andamento, não vejo nada demais”, afirmou após
encontro com o vice.
Sem preocupação. O ex-ministro disse que o partido
apoia a ação da PF e disse ter “certeza absoluta” de que as ações de
busca e apreensão desta terça não causam nenhum tipo de preocupação ao
PMDB. “O PMDB é o maior partido do Brasil. Temos alguns nomes que sendo
investigados, por enquanto só investigados”.
Camuflados
Operação tática. A 22ª fase da Lava Jato chamou atenção pela
mudança no padrão. Em vez dos tradicionais agentes com coletes pretos,
apareceram agentes com roupas camufladas e fortemente armados. Ao todo,
24 membros do Comando de Operações Táticas, conhecido por participar de
ações onde existe a possibilidade de confronto, como assaltos, atuaram
principalmente na ação na casa de Eduardo Cunha.
Sem perdão
Missa. Num dia atípico, o presidente do Senado, Renan
Calheiros, tentou imprimir clima de normalidade à Casa. Ele manteve as
agendas e participou, pela manhã, de uma missa de Natal. Ao lado dele
estava Fernando Bezerra (PSB-PE), outro alvo da ação desta terça. Na
cerimônia, os padres lembraram que aquele era o momento de pedir perdão a
Deus, “reconhecendo as nossas culpas”. Na hora, nenhum dos políticos
abaixou a cabeça para rezar.
Buscas aconteceram durante homenagem a procuradores
Brasília. Enquanto a Polícia Federal concluía buscas que
tiveram como principal alvo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o
plenário da Casa promovia homenagem à Procuradoria Geral da República
(PGR), responsável pelos pedidos de busca e apreensão. A homenagem se
deu pelo Dia Nacional do Ministério Público, celebrado na última
segunda-feira.
O secretário de relações institucionais da PGR, Peterson Pereira, leu
um artigo do procurador geral, Rodrigo Janot no plenário. “Certa vez fui
questionado sobre até onde iriam as investigações da Lava Jato.
Respondi: é preciso perguntar a essas pessoas até onde elas foram”.
Janot é um dos maiores desafetos de Cunha, que o acusa de fazer uma
“investigação política”.
PUBLICADO EM 16/12/15 - 04h00
Renan reage com irritação à ação da Polícia Federal
Publicado pelo Jornal O Tempo, acesso em 27/12/2015:
Pessoas próximas ao peemedebista dizem que ele ainda
calcula qual será o próximo passo, mas relatam que ele começou a dar
sinais de que pode abandonar a base de sustentação do Planalto
PUBLICADO EM 16/12/15 - 08h22
FOLHAPRESS
Com nomes ligados a atingidos diretamente na nova fase da Operação Lava
Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), demonstrou
irritação, o que preocupa o governo. Até aqui, o peemedebista era um dos
principais e últimos aliados poderosos do Planalto na tentativa de
impedir a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff.
Pessoas próximas ao peemedebista dizem que ele ainda calcula qual será o
próximo passo, mas relatam que, logo após a ação deflagrada pela
Polícia Federal nesta terça (15), Renan começou a dar sinais de que pode
abandonar a base de sustentação do Palácio do Planalto.
Em conversas privadas, o presidente do Senado sinalizou que haverá
recesso parlamentar, pelo menos até meados de janeiro. Ele avalia ser
preciso "baixar a temperatura" política. O governo defende que é preciso
terminar o mais rapidamente possível as discussões sobre o processo de
impeachment. Por isso, a tendência pró-recesso de Renan foi lida no
Planalto como uma advertência.
A operação desta terça-feira também gerou incômodo na cúpula do PMDB,
partido que reúne nesta quarta-feira (16) sua Executiva, já que a maior
parte dos atingidos pertence à sigla. Na reunião, estará em discussão as
filiações que o ex-líder do PMDB na Câmara Leonardo Picciani tem
realizado para tentar recuperar a liderança.
A cúpula partidária quer vetar estas filiações para barrar a iniciativa
do deputado carioca, que tem o apoio do governo e foi substituído por
Leonardo Quintão (MG) com apoio do presidente da legenda, o vice Michel
Temer (SP).
Segundo peemedebistas, caso a estratégia de Picciani dê sinais de
sucesso, a Executiva pode até discutir uma antecipação da convenção da
legenda, marcada para março, para votar um rompimento com o governo.
Por enquanto, a orientação do vice-presidente Temer é ter cautela. Ele
defende não discutir agora um rompimento oficial e quer esperar o
cenário clarear.
A investida da PF foi vista pelo entorno de Renan como um cerco ao
senador e à campanha de seu filho ao governo de Alagoas em 2014 –o
escritório regional do PMDB no Estado foi alvo de batida policial. Houve
um pedido para que a residência do presidente do Senado também fosse
alvo de uma revista, mas o ministro Teori Zavascki barrou.
Pessoas próximas ao peemedebista relataram que Sérgio Machado,
ex-diretor da Transpetro ligado a Renan, teria sido acordado por agentes
da PF com uma lanterna no rosto quando a operação foi deflagrada. Renan
teria considerado a ação abusiva.
Diversas fases do impeachment podem ser diretamente afetadas por
decisões de Renan. Por isso, um possível distanciamento do Planalto é
visto com apreensão pelo governo e expectativa por alas que trabalham
para encurtar a gestão da petista.
Se romper com Dilma, avaliam parlamentares, Renan afundaria o governo petista de vez.
Questionado, Renan se limitou a dizer que vinha colaborando com as investigações sempre que solicitado.
O ministro Joaquim Levy (Fazenda) afirmou nesta sexta-feira que a abertura do processo de impeachment
contra a presidente Dilma é o momento de o governo mostrar "por que é
governo" e afastou o risco de o Congresso voltar a ser obstáculo à
aprovação das medidas de ajuste fiscal. Levy falou a jornalistas na sede
da Abdib (Associação da Indústria de Base), em São Paulo, após reunião
com empresários do setor.
"O impeachment é um motivador para trazer mais transparência e trazer os
compromissos do governo. O importante é mostrar qual é a tua agenda, o
que tu quer fazer. E como tu vai chegar nesse futuro do Brasil", disse.
"A presidente teve muita tranquilidade em deixar claro que se há ali um
desejo, uma vontade irreprimível de avançar no processo, não há por que
recear", completou.
O ministro descartou o risco de o Congresso abandonar a votação as
medidas do ajuste fiscal, afirmando que todas as decisões têm sido
discutidas com deputados e senadores. "É a hora de ter as iniciativas. E
iniciativas juntos", afirmou. "Todas as vezes que foi preciso, o
Congresso respondeu".
Para ele, tanto políticos da base, quando de oposição têm consciência de
que as medidas do ajuste fiscal são "fundamentais" para que o ano de
2016 seja melhor.
Para exemplificar o que acredita ser bom diálogo com o Congresso, Levy
citou que nesta sexta foi dado andamento à PEC 154, que cria fundos de
financiamento aos Estados para complementar a perda de arrecadação com a
reforma do ICMS. O texto incluiu a repatriação de recursos
do exterior, que "cria a oportunidade de colocar mais R$ 20 bilhões no
orçamento do ano que vem, viabilizando o Orçamento do ano que vem",
segundo o ministro.
NOVO REBAIXAMENTO
O titular da Fazenda avaliou que um novo rebaixamento da nota de crédito
brasileira dependerá da resposta do Brasil ao novo momento político.
"O que as agências querem saber é qual é o compromisso que o governo,
congresso, o Brasil têm com o crescimento, com cumprir contratos, ter
uma dívida adequada. Na hora que o governo deixa claro esse compromisso,
inclusive o compromisso com a meta de superavit do ano que vem, acho
que a gente consegue afastar o risco de rebaixamento", avaliou.
Para ele, a aprovação da nova meta fiscal desse ano, com deficit que
pode chegar a R$ 120 bilhões, tampouco será um problema. "Todo mundo
conhece o deficit, ele foi feito de maneira transparente. Se deve a
queda das receitas, pela incerteza política. Se houver foco e esforço, o
caminho é para cima", finalizou.
s diz que o governo precisa mostra o que quer fazer.
Colocar alguém que conduza a economia e mostre o que está fazendo para
alavancá-la. N ã_o há espaço para ortodoxia neste momento de paralização
além do normal. Além do da_no causado pela perda de preço das
commodities, por exemplo.
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Personalidades comentam pedido de impeachment contra Dilma
Um dia depois de Eduardo Cunha acolher o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, personalidades disseram à Folha o que acham da possibilidade do impedimento da petista se concretizar.
A cineasta Anna Muylaert, diretora de "Que Horas Ela Volta", é contra a
abertura do processo, segundo ela uma tentativa de reverter o resultado
das últimas eleições, e diz acreditar que as manifestações contra Dilma
são mais fortes porque ela é mulher. "Sou contra o impeachment, ainda
mais levando em conta de quem vem o pedido", disse.
Já o ex-jogador de basquete Oscar se disse "muito feliz com o atual
momento da política brasileira". "Vamos sofrer um pouquinho, mas
sairemos dessa", afirma.
Veja outras declarações:
PAULA REVERBEL E GABRIELA TERENZI:
Confira o que as personalidades pensam sobre o pedido
O pedido de impeachment não passa de um perigoso golpe contra a democracia na sua expressão maior, que é o voto popular
Nome: Luiz Carlos Barreto
Quem é: produtor de cinema
A FAVOR
O
STF se posicionou pelo rito, e há processos no TCU e no TSE. Se todos
se pronunciarem a favor da saída, sou a favor, pois deve-se cumprir a
lei
Nome: Jorge Maranhão
Quem é: publicitário
CONTRA
Sou
contra até aparecer prova efetiva contra Dilma. Não é por pressão
golpista que a oposição deveria pretender subir ao poder, mas com
melhores políticas
Nome: Guilherme Wisnik
Quem é: arquiteto e urbanista
A FAVOR
Estamos
assistindo a um tiroteio entre quadrilhas. O impeachment é mais do que
necessário para vermos, depois desse lamaçal, o que sobrou e o que vamos
fazer
Nome: Nireu Cavalcanti
Quem é: arquiteto
CONTRA
Só
há uma solução para a crise política no país: juntar esforços, jogarmos
todos pelo time Brasil. O impedimento da líder significaria perda muito
grande para todo o país
Nome: Coen Roshi
Quem é: monja budista e escritora
A FAVOR
Sou
a favor da Lei de Responsabilidade Fiscal, de as pessoas serem
questionadas, de a presidente ser responsabilizada. Mas do jeito com que
o processo foi conduzido, não tem legitimidade
Nome: Nilton Bonder
Quem é: rabino, Congregação Judaica do Brasil
CONTRA
Temos
que lutar para cumprir os programas sociais prometidos. Uma
substituição não resolverá o processo político brasileiro, que está em
destruição
Nome: Diogo Vilela
Quem é: ator
A FAVOR
Ela
enganou uma nação inteira cometendo crime de responsabilidade e
provocando um rombo gigantesco nas contas públicas com o intuito claro
de se reeleger
Nome: Malvino Salvadorator
Quem é: ator
CONTRA
O
impeachment é constitucional, mas precisa se pautar por uma violação da
presidente. As pedaladas já faziam o Lula, Fernando Henrique, Collor.
D. João 6º fez alguma
Nome: Delfim Netto
Quem é: economista
A FAVOR
Só
vi retrocesso na Previdência. Dilma colocou na área um ministro
comprometido com privilégios, e não com soluções. Não posso apoiar um
governo sem visão estratégica
Nome: Renato Follador
Quem é: consultor em Previdência
CONTRA
Prefiro
que o TSE impugne as chapas que fraudaram as eleições. Só a Justiça
pode dar solução aceitável. O Parlamento está mais sujo que pau de
galinheiro
Nome: José Padilha
Quem é: diretor de cinema
A FAVOR
Dilma
não teve capacidade para gerenciar o novo mandato. O grande problema é
que não tem quem assuma. Se houvesse novas eleições, seria melhor
Nome: Paulo Zulu
Quem é: modelo e empresário
CONTRA
Prefiro
que Dilma prossiga, mesmo com todos os erros. Se o Congresso não fosse
formado por figuras sinistras, a crise econômica não estaria tão grave
Nome: Chacal
Quem é: poeta
A FAVOR
Sou
a favor, não só porque Dilma cometeu crime de responsabilidade, mas
principalmente porque o Brasil não suportará mais três anos de
desgoverno
Nome: Ivan Sant'Anna
Quem é: escritor
CONTRA
Quem
compactua com o golpe, humilha a democracia que lutamos tanto por
conquistar. A desfaçatez conta com a vitória sobre o corpo moribundo da
democracia. Mas vamos devolvê-la viva ao povo
Nome: Márcia Tiburi
Quem é: escritora, é autora de "Como conversar com um fascista"
A FAVOR
Do
ponto de vista legal, o pedido é perfeito. A classe política percebeu
que o impeachment é um desejo da população. Será o início da
estabilização do país
Nome: Marcelo Madureira
Quem é: humorista, é coautor de "Rouba Brasil"
CONTRA
O
impeachment vai dividir o país de forma irreconciliável. A nova
oposição criará uma instabilidade que vai tornar o Brasil ingovernável
Nome: Paulo Roberto Feldmann
Quem é: professor de economia da USP
A FAVOR
Como
empresário, posso ser responsabilizado por má conduta da minha empresa.
O mesmo deve valer para os dirigentes do país. Parece que os políticos
nunca são responsáveis pelos seus atos
Nome: Paulo Tadeu
Quem é: editor e dono da Matrix Editora
CONTRA
Um Poder da República [Legislativo] está sendo usado como instrumento de chantagem por impunidade
Nome: Márlon Reis
Quem é: juiz de direito no Maranhão e um dos autores da Lei da Ficha Limpa
A FAVOR
Independentemente de pedaladas, temos uma dirigente sem credibilidade e que não pode ter a confiança dos seus governados
Nome: Eliana Calmon
Quem é: ex-corregedora nacional de Justiça, concorreu ao Senado pelo PSB em 2014
CONTRA
É como se o Brasil fosse uma carreta na ladeira, sem freio. Não é um cavalo de pau, um impeachment, que vai resolver
Nome: Odair José
Quem é: cantor
A FAVOR
Sou a favor, por que o Brasil precisa evoluir. Estamos cada vez mais de mãos atadas. Chega de tanta corrupção!
Nome: Pablo
Quem é: cantor
CONTRA
Um
processo engendrado pela retórica da vingança só pode terminar no
aumento do ressentimento social. Se queremos uma nova política ela deve
começar pelo fim da instrumentalização das leis pelos interesses de
ocasião
Nome: Christian Dunker
Quem é: psicanalista e professor da USP
A FAVOR
Do
ponto de vista jurídico, pelas pedaladas. Do lado moral, pelo
estelionato que houve. Nós, psiquiatras, somos contra qualquer tipo de
mentira. A população hoje já não sabe no que acreditar.
Nome: Antônio Geraldo da Silva
Quem é: presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria
CONTRA
Sou radicalmente contra o PT e contra a Dilma. Mas acho que quem vai entrar no lugar será pior do que ela
Nome: Ivana Arruda Leite
Quem é: escritora
A FAVOR
Sou
a favor do impeachment, contanto que o sucessor seja Temer. Ele é o o
único com capacidade: tem 50 anos de experiência política, os pés no
chão e é inimigo de extremismos de direita e esquerda
Nome: Gilberto Kujawski
Quem é: escritor e jornalista
CONTRA
Apesar
dos inúmeros deslizes, ela tem defendido a liberdade. Nem isso sobrará
se o tempo trouxer de volta aqueles que devastaram a nação
Nome: Miguel Srougi
Quem é: professor titular de urologia da USP
A FAVOR
Além
da fundamentação jurídica, suficiente para fazer avançar o rito, temos
que considerar a incapacidade da presidente como gestora
Nome: Pedro Chequer
Quem é: epidemiologista, cofundador do Departamento de DTS do Ministério da Saúde
CONTRA
A peça [o pedido] não é irrefutável e foi aceita em ato de revanchismo. E Dilma não interferiu na Lava Jato
Nome: Rosangela Lyra
Quem é: ativista da iniciativa 10 Medidas Contra a Corrupção
A FAVOR
Com fundamentos jurídicos escancarados, o Congresso agora tem obrigação de mostrar ao povo que não há brasileiro acima da lei
Nome: Rogério Chequer
Quem é: líder do movimento Vem Pra Rua
CONTRA
Não
há salvador para o nosso caso, nem partido nem ideologia nem governante
mudará realidade. Se há uma missão, é esse amadurecimento. Quem vai
fazer a mudança somos nós
Nome: Rodrigo Oliveira
Quem é: chef
A FAVOR
Eu,
assim como a maioria dos brasileiros, estou decepcionado com a política
do nosso país. Gostaria de ver ela fora... Mas ela é uma agulha no
palheiro dessa sujeira
Nome: Mr. Catra
Quem é: funkeiro
CONTRA
Prefiro
que o impeachment caia via votação. As falcatruas fiscais vêm do
mandato anterior. Dilma só deve responder por atos desse mandato. Mais
justo, não?
Nome: Talitha Barros
Quem é: chef do Conceição Discos & Comes
A FAVOR
Tem
que encerrar essa era do PT e essa roubalheira. O impeachment traz a
possibilidade de dar um refresco no pessimismo. Mas é só refresco, não é
solução
Nome: Paulo Kress
Quem é: restaurateur do General Prime Burger, Kaá, Italy e Z|San
CONTRA
O
que a gente vê é a extensão de uma luta política que começou com
resultado das eleições e está sendo levada até as últimas consequências
Nome: Braulio Luna Filho
Quem é: presidente do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de SP)
A FAVOR
Não
é só pedalada, é corrupção acelerada. Não se acredita no que diz a
presidente. País desgovernado, inflação de dois dígitos, desemprego e
juros elevados
Nome: Florentino Cardoso
Quem é: presidente da Associação Médica Brasileira
CONTRA
Há
uma articulação da oposição, que visa criar fato sem base legal para
justificar ato político e que está prejudicando a economia
Nome: Valter Uzzo
Quem é: criminalista que defendeu presos políticos na ditadura
A FAVOR
Confio no documento elaborado pelos três juristas brasileiros, que acredito que esteja fundamentado legal e constitucionalmente
Nome: Maria Garcia
Quem é: diretora-geral do Instituto Brasileiro de Direito Constitucional
CONTRA
Os
interesses do país são muito mais importantes que os de Eduardo Cunha,
que tem seu nome citado em todos os últimos grandes escândalos. Chega de
chantagem
Nome: Paulo André
Quem é: ex-capitão do Corinthians e líder do Bom Senso
A FAVOR
Esse
governo já teve crédito o bastante para desenvolver soluções para o
país. Governaram em benefício do partido. Não me sinto representado ou
atendido
Nome: César Sampaio
Quem é: ex-jogador do Palmeiras e da seleção brasileira
CONTRA
Acho
que a condução [do pedido] tem sido política e não jurídica, resultado
de um processo político, impetrado por uma pessoa que não está
qualificada para julgar ninguém, que é Eduardo Cunha
Nome: Ivo Herzog
Quem é: diretor executivo do Instituto Vladimir Herzog
A FAVOR
É
uma forma de se buscar um caminho. Tem-se dito que o impeachment não
tem fundamento jurídico, mas o próprio Supremo não concluiu isso, creio
que seja atribuição da Câmara. A presença do Eduardo Cunha, que já
deveria estar preso, nada significa