quarta-feira, 15 de outubro de 2014

MARINA E OS DOIS PARTIDOS

FALECIMENTO DE EDUARDO CAMPOS PROVOCA GRANDES MUDANÇAS DE RUMOS

EM SUA COLUNA NA UOL, JÂNIO DE FREITAS FAZ UMA ABORDAGEM SINTESE DOS CAMINHOS SEGUIDOS PELOS PRINCIPAIS ENVOLVIDOS NA CANDIDATURA DE EDUARDO CAMPOS (PSB) CUJO FALECIMENTO NO ACIDENTE AÉREO PROVOCOU GRANDES MUDANÇAS DE RUMOS. LEIAM. A) Júlio Miyazawa - Diário de Guararema.

O Colunista da Folha de S. Paulo, Jânio de Freitas, fez uma perfeita avaliação do difícil momento de decisão da Marina Silva antes de anunciar o seu apoio ao candidato Aécio Neves, no segundo turno. Apoiando Aécio, torna-se contra a candidata do PT, Dilma Rousseff.
Na minha avaliação, com a morte do candidato Eduardo Campos, a reorganização da liderança do  PSB teve que contar também com a presença da Marina Silva, ainda vice-candidata de Eduardo Campos e cuja presença  junto à viúva e familiares abriu caminho para o apoio da viúva, família e o Partido, ao candidato Aécio Neves.
O texto de Jânio de Freitas está transcrito depois da reportagem de apoio do PSB ao candidato Aécio Neves, abaixo:

Apoio do PSB a Aécio divide família de Eduardo Campos

Carlos Madeiro
Do UOL, em Maceió
11h24

Dois dias após Antônio Campos, irmão do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, anunciar apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência no segundo turno, a prima dele, a vereadora do Recife, Marília Arraes (PSB), criticou a decisão de seu partido de apoiar o tucano.
Em nota publicada em sua página do Facebook, nessa quinta-feira (10) Marília disse que a adesão "coloca o pragmatismo acima da ideologia e visa apenas à busca do poder pelo poder."
No primeiro turno, Marília já tinha anunciado apoio a Dilma Rousseff (PT), ignorando a candidatura de Marina Silva (PSB), no primeiro turno.
Para Marília, o PSB "está perdendo o rumo e enterrando os seus princípios". "Não vejo outra explicação para o fato de a legenda (infelizmente, tenho que chamar assim) aliar-se a um partido de direita, que sempre combatemos e que não representa em nada os nossos ideais progressistas e socialistas. Como é possível ignorar todos os avanços sociais do projeto político conduzido por Lula e por Dilma?", questionou.
Neste sábado (11), Aécio Neves deverá receber o apoio de Renata Campos, viúva de Eduardo, em encontro marcado no Recife. Ele disse que a adesão tem um "simbolismo muito grande"
Racha no PSB nordestino
Região onde Dilma teve maior votação no primeiro turno --com 59,58% dos votos válidos--, o Nordeste observa um racha no PSB.
Na quarta-feira (8), o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), anunciou apoio a Dilma. Ele disse que o objetivo é "barrar retrocessos" na Paraíba e no Brasil.
Nessa quinta-feira, durante encontro com a presidente Dilma Rousseff (PT), muitos integrantes do PSB de Alagoas também declararam apoio à reeleição da petista



Aécio recebe o apoio da viúva e dos filhos de Eduardo Campos em Pernambuco

Tucano divulgou documento para garantir apoio de Marina Silva

POR 





O candidato Aécio Neves (PSDB) recebe o apoio de Renata Campos e família - Hans von Manteuffel / Agência O Globo


RECIFE - O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, recebeu neste sábado o apoio da família do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto num acidente aéreo em 13 de agosto. Os filhos do ex-governador participaram de dois eventos ao lado do tucano, em Recife. No primeiro, compareceram para dar um abraço no presidenciável e, no segundo, João Campos leu uma carta da viúva de Campos, Renata, com quem Aécio se encontrou à tarde.
"Hoje temos duas possibilidades: continuarmos como estamos ou tentar o caminho das mudanças. O Brasil pede mudanças. O governo que está aí tornou-se incapaz de realizá-las", escreveu a viúva na carta.
O texto foi lido por João Campos durante encontro da Frente Popular no Clube Internacional do Recife. Foi ele quem marcou maior presença na campanha majoritária do PSB em Pernambuco: João participou de caminhadas e comícios em 41 municípios para reforçar a campanha do hoje governador eleito Paulo Câmara (PSB).
Na carta, a família reconhece "avanços", mas diz ser fundamental "arejar a casa". E envia um recado para o tucano: "Aécio, acredito na sua capacidade de diálogo, de gestão. Sei que não é a primeira vez que seu caminho se cruza com o de Eduardo".
Renata diz ter certeza que o tucano empunhará as mesmas bandeiras defendidas pelo seu marido:
"Penso, Aécio, que hoje é um dia muito importante na sua caminhada. Você vai levar a garra e a energia do nosso povo, que são fundamentais e essenciais para a construção do novo Brasil. Somos nordestinos e pernambucanos e queremos juntos um novo construir Brasil. Siga em frente, Aécio, e que Deus nos proteja".
Ao sair da casa da família Campos – onde almoçou com cerca de 40 lideranças políticas do estado – o candidato do PSDB afirmou que fechou em Pernambuco "não apenas um pacto eleitoral, mas um pacto de uma vida toda pela decência na vida pública brasileira". Renata acompanhou o tucano até o portão da residência ao lado dos filhos, mas não gravou entrevista. Aécio reagiu com um sorriso e silêncio, quando lhe indagaram se havia recebido algum telefonema de apoio da ex-candidata Marina da Silva (PSB).
- Hoje estou muito feliz. E vou começar de trás para a frente. Acabei mais uma vez de comer o almoço da Dona Renata, um peixe maravilhoso, uma carne de sol saborosa. Eu vim buscar energia. Energia na alma, para continuar essa travessia. Eu me emociono ao voltar aqui à casa de Eduardo, porque aqui conversamos muito sobre o Brasil, tendo a Renata e os filhos como testemunhas - afirmou. E acrescentou:
- Saio daqui com uma responsabilidade que, se já era grande, ainda é maior. Para mim, hoje não foi nenhuma visita política. Hoje foi uma visita pessoal do coração. Fiz questão de trazer a Gabriela, minha filha, para conhecer os filhos de Eduardo. O que estamos fazendo aqui não é uma aliança eleitoral. É um pacto por toda uma vida. Pela decência na vida pública brasileira - ressaltou ele, antes de partir para um comício na cidade de Sirinhaém, na Zona da Mata, onde Marina teve o seu maior percentual de votação do país (74,19%).
AÉCIO DIVULGA DOCUMENTO PARA GARANTIR APOIO DE MARINA
Em sua passagem pela capital pernambucana, Aécio divulgou documento afirmando que "a Federação está doente, enfraquecida e debilitada" por padecer do "centralismo excessivo na esfera federal" e prometeu promover "a revisão desse Estado de coisas", devolvendo a estados e municípios "meios de exercerem sua autonomia constitucional, habilitado-os a levar a solução do problema para perto de onde ele ocorre". O manifesto consolida pontos em comum entre os programas de Marina Silva (PSB) e de Aécio e é uma condição para que o tucano receba o apoio da ex-presidenciável.
Aécio disse ainda ser preciso "devolver o Estado à sociedade brasileira". E fez um apelo: "É urgente revirogar nossa federação, fortalecendo suas bases". Ele prometeu promover o debate sobre o pacto federativo, articulado com a temática do desenvolvimento regional. Aécio comparou-se ao ex-presidente Juscelino Kubistchek.
O texto do documento divulgado por Aécio faz parte de uma carta divulgada pelo tucano, durante encontro com lideranças de movimentos sociais e a carta dos 21 partidos que integram a Frente Popular de Pernambuco, que é liderada pelo PSB. Aécio foi recebido em clima de festa, saudado com gritos de "Brasil pra frente, Aécio Presidente" e "País rico é país sem PT".
AÉCIO LEMBRA DE CAMPOS
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O documento foi lançado no sábado no Recife, com pouco mais de 80 linhas. Ele assegurou que vai preservar "o legado e os sonhos" de Eduardo campos, mostrando que o documento é uma síntese do que querem as forças que agora o apóiam. Ele ressaltou que as urnas acusaram o desejo de mudança:
- A maioria do eleitorado, 60%, mostrou o desejo de mudança. Mudar significa tirar do poder os que o estão exercendo, mas significa, também, mudar para melhor, em primeiro e principal lugar visando a aprimorar práticas partidárias e eleitorais - afirmou.
Na carta, ele reiterou "o compromisso com valores democráticos, cuja efetivação depende de mantermos instituições virtuosas e de sermos capazes de entender que, no mundo atual, a ampliação da participação popular no processo deliberativo, através da utilização das redes sociais, dos conselhos, das audiências públicas sobre temas importantes não se choca com os compromissos da democracia representativa, que têm que ser preservados. Ao contrário, dá-lhes maior legitimidade". Aécio leu a carta no encontro com lideranças de movimentos sociais - negros, mulheres, pessoas com necessidades especiais e sindicalistas, - que ocorreu em um hotel, no bairro do Pina, na Zona Sul da capital.
Ele fez uma lista das conquistas do país durante as duas gestões presidenciais do PSDB. Segundo Aécio, o documento divulgado no Recife se baseia no tripé "juntos pela democracia, juntos pela inclusão social e juntos pelo desenvolvimento sustentável".
- O PSDB se orgulha de ter ajudado o Brasil a reencontrar o equilíbrio econômico. Não só fizemos a estabilização da moeda com o Plano Real, mas criamos instituições fundamentais para sua continuidade, sustentadas por políticas de transparência que infelizmente não vêm sendo seguidas pelo atual governo. O sistema de metas da inflação e autonomia operacional do Banco Central para fixar a taxa de juros e observar as livres oscilações de câmbio provaram ser ineficientes. Graças a essa base, inauguramos nova etapa de investimentos tanto internos quanto externos - disse Aécio.




Aécio Neves ao lado da filha, Gabriela (de vestido), e dos filhos de Eduardo Campos - / Agência O Globo

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MARINA DIVISORA


Por: Jânio de Freitas – colunista da Folha, na Coluna da  Uol. – 14/10/2014
A adesão de Marina Silva a Aécio Neves é o seu caminho convencional, mas, para formular os argumentos vazios que invocou, não precisava de tantos dias, bastavam minutos. Além disso, Marina já tem convivência bastante com a política para saber que nenhuma condição exigida de Aécio tem valor algum:  se eleito e por ela cobrado, não esqueceria o velho refrão político: “as circunstâncias mudaram”. Ao espichar as atenções por mais uns dias, no entanto, Marina instalou a explosão de dois partidos. Um feito, sem dúvida.
A demora de Marina proporcionou tempo para que uma ala do Partido Socialista Brasileiro, com o estandarte da viúva de Eduardo Campos, articulasse o abandono da linha tradicional do partido, de centro esquerda, e a necessária derrubada dos dirigentes mais identificados com o PSB. Novo rumo: a adesão a Aécio.
Em termos partidários, é como se o PSB fosse extinto, com uma descaracterização que preserva apenas o nome e a sigla. Não de todo aliás, com o humor já se referindo ao “novo PV” : não de Partido Verde, mas Partido da Viúva.
O ”manifesto a favor da nova política” tem argumentos consideráveis e reúne, em corrente própria, os que se integraram à Rede Sustentabilidade, Partido de Marina, para construir novos modos de fazer política. E Consideram a adesão a Aécio, decidida por Marina, “grave erro” e contrária ao “projeto  original da Rede Sustentabilidade” , ao torná-la “parte da polarização PT x PSDB”. A adesão agrava-se, porque Aécio, diz o manifesto, tem “intenção orgânica à desconstituição de direitos, aos ruralistas e ao capital financeiro”, três frentes a que a Rede se opõe por Princípio.
Para contornar a reação de valiosos companheiros, Marina Silva precisará de argumentos melhores do que lhe bastaram para aderir ao candidato do PSDB, em vez de “rejeitar as duas candidaturas”. Rede se remenda. O PSB, não.