quinta-feira, 1 de outubro de 2015



"Campos me rifou para Lula quando o PT tinha encerrado um ciclo", diz Ciro Gomes

Jornal GGN - Agora no PDT, após sete mudanças de legenda, Ciro Gomes reafirmou, em entrevista à RedeTV!, que sua vida partidária é uma "tragédia" marcada por "traições". Em programa veiculado na terça-feira, 29, Ciro relembra o caso mais recente: o rompimento com o PSB de Eduardo Campos em 2013. Segundo ele, Campos, por motivações pessoais, vendeu sua cabeça para Lula em 2010, numa época em que seria "natural" que o PT encerrasse um ciclo de dois mandatos no poder e apoiasse outro projeto à esquerda. À época, Ciro era o nome com melhor desempenho nas pesquisas.
"Eu tinha ajudado a construir o PSB moderno, legado que Eduardo Campos recebeu do avô, Miguel Arraes. Eu era o candidato favorito nas pesquisas em 2010 e o Eduardo Campos me vendeu para o Lula. Ele escolheu um nome que não tinha vivência, nunca tinha participado de eleição nenhuma [Dilma Rousseff], na ideia de continuar mandando na Presidência. Não é que eu queria ser candidato. O partido me preparou para ser candidato! Eu fui usado! Não é queixa, só estou contando o que aconteceu", disse Gomes.
"Ele [Campos] tinha me vendido na hora em que era natural [o PSB ter um candidato próprio]. O PT tinha encerrado um ciclo, Lula não tinha candidato, ia forçar a mão para fazer uma pessoa não experiente - e estamos pagando um pouco pela inexperência da Dilma agora - e não me deixou ser candidato. Pois depois ele próprio vem candidato e se alia com a direita. Faço o que eu? Saio do partido para ser coerente", acrescentou.
À época, ventilou-se que Lula e Campos teriam firmado um acordo para que o PT apoiasse a candidatura do ex-governador de Pernambuco em 2018, após a reeleição de Dilma. Em 2013, Campos, presidente do PSB, decidiu que não iria esperar. Rompeu com a gestão petista, entregou cargos e ministérios, e lançou candidatura própria com apoio de Marina Silva e da militância embrionária da Rede Sustentabilidade. Em alguns estados, se aliou ao PSDB e abriu mão de candidaturas para apoiar gestores tucanos - como fez em São Paulo, com Geraldo Alckmin.
Para Gomes, essa foi a gota d'água. "Eu fui enganado, mas fiquei lá. Cumpri minha obrigação e apoiei [o primeiro governo] Dilma. Quatro anos depois, a gente participando do governo [o PSB tinha ministérios e outros cargos de primeiro escalão], Eduardo Campos resolve ser candidato a presidente. E eu prezo pela coerência e lealdade."
Candidatura em 2018
Questionado sobre suas pretensões para 2018, Ciro disse que é e não é candidato a presidente da República pelo PDT. Tentando explicar o dilema, lembrou das décadas de gestão pública e experiência política que acumula, e das duas candidaturas ao Palácio do Planalto. "Não sou mais candidato porque não tenho vontade de ser, mas disse aos companheiros do PDT que se for necessário, serei, e para vencer as eleições."
"Para ele, as condições necessárias se darão "se eu perceber que o debate vai reproduzir essa confrontação odienta entre PT e PSDB, sinalizando a eternização da crise; se eu perceber que a solução para os dois será a mistificação à moda Marina Silva - que é o petismo saudosista do passado, o moralismo, o ambientalismo difuso, negação da política como linguagem - que também destrói a condição de governança no Brasil, aí serei candidato."
Ciro, no entando, observou que o Brasil possui outras lideranças para tirar o País da crise política. Ele fez menções ao prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), destacando que é um jovem promissor, além de Eduardo Paes (PMDB), prefeito do Rio de Janeiro. Ele também destacou o nome do irmão, Cid Gomes, e lembrou do episódio em que o ex-ministro enfrentou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). "A nossa democracia está produzindo uma nova geração de quadros."
Assista a entrevista completa aqui.